Emerald City: A Redescoberta de Oz em Tom Adulto (2025)

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Em 2017, a NBC lançou uma das adaptações mais ousadas e ao mesmo tempo mais incompreendidas da literatura fantástica: Emerald City. Inspirada em O Mágico de Oz, a série criada por Matthew Arnold e escrita por David Schulner (também responsável por New Amsterdam) buscava um olhar adulto, sombrio e filosófico para o universo que tantas vezes foi tratado de forma colorida e infantil.

Produzida por Tarsem Singh, diretor de filmes visuais como A Cela e Espelho, Espelho Meu, a série tinha tudo para ser um marco cult: fotografia grandiosa, cenários exóticos rodados na Espanha e em outros locais da Europa, e uma trilha sonora que misturava o épico com o etéreo.

No elenco, nomes fortes:

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  • Adria Arjona como Dorothy, uma heroína vulnerável mas determinada;

  • Vincent D’Onofrio como o Mago, em uma interpretação carregada de humanidade e manipulação;

  • Oliver Jackson-Cohen como Lucas, o espadachim amnésico (espécie de “homem de lata” humano);

  • Ana Ularu como a Bruxa Má do Oeste, em uma atuação que beirava a tragicomédia sombria.

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Por que não houve segunda temporada?

A série teve problemas desde a produção: troca de showrunners, mudança de tom, atrasos e custos altos. Embora tivesse conquistado fãs pelo mundo (muitos ainda hoje pedem seu retorno), a audiência nos Estados Unidos não correspondeu ao investimento. Resultado: foi cancelada após a primeira temporada de 10 episódios.

Entre 2017 e 2025, não houve confirmação de roteiros ou planos oficiais para uma segunda temporada. Algumas entrevistas mencionam que produtores tinham ideias guardadas, mas nada chegou a público — nem sinopses, nem roteiros vazados. Ficou como uma obra de temporada única, uma “minissérie disfarçada” de série.

O que aconteceu com os artistas?

  • Adria Arjona deslanchou: atuou em Morbius, Andor (Star Wars) e no filme Hit Man de Richard Linklater.

  • Vincent D’Onofrio seguiu firme em Hawkeye, Echo e na nova fase da Marvel como o Rei do Crime.

  • Oliver Jackson-Cohen ganhou destaque em A Maldição da Residência Hill e A Maldição da Mansão Bly, séries de Mike Flanagan.

  • Ana Ularu continuou em produções europeias e papéis pontuais em Hollywood.

  • David Schulner, o roteirista, criou e produziu New Amsterdam, sucesso médico que durou 5 temporadas na NBC.

Por que encanta mesmo ao ser descoberto anos depois?

Talvez porque Emerald City seja uma obra de “não tempo”. Ela não carrega o ritmo apressado das séries atuais, nem a ingenuidade das versões antigas de Oz. É uma série de atmosfera, que mistura política, filosofia, espiritualidade e fantasia em doses iguais.

Aos 61 anos, descobrir essa série pode encantar porque ela é justamente uma experiência de “maratonar diferente”: não exige que você siga modismos, mas abre uma fresta para um Oz alternativo, adulto e mágico. Como um cinéfilo que busca nas entrelinhas aquilo que o cinema comercial não entrega, a série aparece como um tesouro escondido — um daqueles que, ao serem descobertos tardiamente, parecem feitos sob medida para você.

É um lembrete de que a fantasia não pertence apenas à juventude: ela continua sendo combustível de imaginação, reflexão e beleza em qualquer idade.

Conclusão

Emerald City não teve segunda temporada, mas permanece como um culto silencioso, aguardando sempre novos olhares. Descobri-la em 2025, oito anos após sua estreia, é como tropeçar em uma pedra preciosa no meio da estrada. Um encantamento tardio, mas talvez por isso ainda mais valioso.


Para mim, reencontrar Ólafur Darri Ólafsson foi um dos pontos altos da minissérie. Sua presença marcante surge logo na entrada da história, dando tom e peso à narrativa desde os primeiros minutos. Com sua estatura imponente, expressão intensa e olhar que mistura vulnerabilidade e força, Ólafur estabelece imediatamente uma conexão com o espectador, tornando cada cena em que aparece memorável. É aquele tipo de ator que, mesmo em poucos minutos de tela, imprime personalidade e profundidade ao mundo em que os personagens vivem, transformando Ojo em uma figura central de empatia e mistério desde o começo da série.