Manoel Brigadeiro, Embaixador do Samba de Brasília (2015)
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Manoel Brigadeiro, Embaixador do Samba de Brasília

(foto de Marcelo Dischinger Fotografia)
Brother, com sua voz grave, anunciava: “Marinho veio comprar o seu CD, Brigadeiro”. E o Brigadeiro, com aquele orgulho simples, me chamava: “Mário, você vai lá em casa ver o meu álbum de recortes de 1938!”.
Eu também filmei Manoel Brigadeiro no lançamento do seu CD. Minhas fitas são assim: vão de Naná Vasconcelos a Manoel Brigadeiro. Sonho mesmo seria um pacote com dez dessas fitas — cada uma com 30 minutos. Sim, nós temos Manoel. Amor de Brigadeiro.
Olha aí, Joka Pavarotti:
“Depois ocê fica cum inveja promodi num fez um samba de arta qualidade pro Embaixador do Samba, Sua Excelência Dr. Manoel Brigadeiro, que o Oscar Niemeyer fez um projeto de sambódromo pra ele. Vai curtindo aí um pedacinho do samba que eu fiz pra ele, mas que o Zé Nobre só botou um pedaço da letra, que diz assim:
‘O nóis viemu, du butecu o du trabaio,
pra visitá Manoel Brigadeiro,
salve o compositor popular,
da Portela, da Asa Norte e do Cruzeiro.
Ô nóis viemu transmiti us nossu votus,
di pronta recuperação,
vá compondo um grande samba-enredo
pra ser de novo o campeão...’
(Música incidental: “Quem não sabe quem é Brigadeiro é cego ou é surdo — tá provado, porque nesse mundo tem bobo pra tudo.”)
Saudades do grande Embaixador e Mestre.
Abraço do Paulão de Varadero.

À direita, o sambista Manoel Brigadeiro, da Asa Norte, ao lado de uma companheira de trajetória, em um encontro marcado pelo tempo, pela música e pela elegância de quem carrega história no olhar.

Manoel Frederico Soares, o nosso Manoel Brigadeiro, morreu na noite de 24 de março de 2015, aos 93 anos. Sambista, compositor, servidor público aposentado pelo Ministério dos Transportes, morava em Brasília desde 1974 e era cidadão honorário da capital.
Mais do que um nome, foi presença — um símbolo vivo do samba em Brasília. Um embaixador de fato, daqueles que não precisam de cargo para representar.