Itinerários do Underground: a história de uma Brasília que quase não foi contada (2026)

capalivro

Este projeto foi realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec-DF).

A quem interessa o novo livro Itinerários do Underground – Taguatinga, Guará e Conic (1976–2026), de Mário Pazcheco?

Interessa, antes de tudo, a quem viveu — ou gostaria de conhecer — uma Brasília que muitas vezes ficou fora dos livros, dos jornais e das narrativas oficiais. É um livro para quem se interessa por música, rock, contracultura, cultura independente e pela história das cidades de Taguatinga, Guará e do Conic.

Mas não é necessário ser roqueiro para se interessar pelo livro. Itinerários do Underground também fala de juventude, amizade, comportamento, cinema, literatura, poesia, quadrinhos, jornalismo cultural e, principalmente, da construção de uma identidade cultural nas periferias do Distrito Federal. O livro procura deslocar o olhar dos eixos tradicionais de Brasília para os lugares onde outras manifestações culturais aconteciam.

A quem se destina o livro e que público o autor pretende alcançar?

O livro se destina tanto a quem viveu aquela época quanto às novas gerações que querem descobrir o que existia antes delas.

Para quem viveu os anos 1970, 1980, 1990 e as décadas seguintes, pode funcionar como uma espécie de máquina do tempo: nomes, bandas, bares, shows, discos, amigos, fotografias e acontecimentos podem despertar lembranças que pareciam esquecidas.

Para os mais jovens, a proposta é mostrar que a cultura independente de Brasília não nasceu pronta nem aconteceu somente no Plano Piloto. Existia uma intensa movimentação cultural em Taguatinga, no Guará, no Conic e em outros espaços, construída muitas vezes sem dinheiro, sem estrutura e distante da grande mídia.

É, portanto, um livro para quem quer conhecer a história cultural de Brasília por outro ângulo — o ângulo de quem estava lá, participando, registrando e fazendo acontecer.

O que o leitor encontrará em suas páginas?

Encontrará memória, relatos pessoais, entrevistas, fotografias, acontecimentos e personagens. O livro percorre cinco décadas e acompanha a formação cultural de Mário Pazcheco desde suas experiências iniciais, passando pela adolescência e pela descoberta da música, até sua atuação no underground brasiliense.

A estrutura acompanha essa trajetória: começa pelas raízes culturais entre 1975 e 1981, passa pela explosão da cena entre 1982 e 1988 e chega à memória viva das décadas seguintes. Entre os temas aparecem cineclubes, Beatles, cultura alternativa, rock, amizades, shows, bandas, Conic, imprensa, mulheres no rock, poesia, arte e os diversos personagens que ajudaram a construir essa história.

Há também uma dimensão muito pessoal. O livro não pretende ser uma enciclopédia fria. É a memória de alguém que viveu essa história e decidiu registrá-la antes que seus personagens, lugares e acontecimentos desaparecessem.

Que histórias, personagens, lugares e acontecimentos da cena underground de Taguatinga, Guará e Conic foram resgatados?

São muitas histórias — e justamente essa diversidade é uma das características do livro.

Taguatinga aparece como um dos territórios fundamentais da formação do autor: os trajetos de bicicleta, as bancas de revistas, os gibis, os discos comprados com o dinheiro economizado da passagem de ônibus e os primeiros contatos com a música e a cultura alternativa.

O Guará surge como espaço de formação, convivência e criação. É ali que estão algumas das raízes da trajetória de Mário e de sua relação com o rock e com a cultura independente.

Já o Conic aparece como uma espécie de república subterrânea, um território onde músicos, artistas, jornalistas, poetas, produtores e frequentadores encontraram espaço para criar e conviver. O livro registra sua eletricidade, suas transformações e sua resistência ao longo das décadas.

Mais do que simplesmente recuperar bandas ou shows, o livro tenta recuperar as pessoas que fizeram aquela cena existir. Amigos, músicos, produtores, fotógrafos, jornalistas, artistas e personagens anônimos aparecem como parte de uma mesma história.

No fundo, Itinerários do Underground é uma tentativa de responder a uma pergunta simples: o que aconteceu culturalmente nos lugares que quase nunca aparecem quando se conta a história de Brasília?

A resposta está nessas páginas: aconteceu muita coisa. E muita gente esteve lá.

O livro é, portanto, não apenas uma memória do underground, mas um documento sobre uma Brasília construída também fora dos eixos monumentais — uma Brasília de Taguatinga, Guará e Conic, feita por pessoas que muitas vezes tiveram de criar sua própria cena, seus próprios espaços e até seus próprios meios de registrá-la.

 

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