Superman: nas nuvens das contradições (2025)
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Superman 2025: O Herói que Renova Paradigmas no Cinema de Super-Heróis
O novo Superman de James Gunn chegou aos cinemas em 2025 como mais do que apenas um reboot da DC. Ele é um manifesto de estilo, um retorno ao ideal luminoso do herói clássico e, ao mesmo tempo, um espelho incômodo da geopolítica contemporânea. O filme não se limita a contar a história de Clark Kent — ele revisita a ideia de esperança em um mundo saturado por cinismo e ironia.
O Superman imigrante
Desde sua criação, Superman sempre carregou o arquétipo do imigrante: alguém que vem de fora, com dons extraordinários, tentando encontrar lugar em uma sociedade que tanto acolhe quanto desconfia. James Gunn retoma isso em cheio, e o debate cultural explodiu.
A direita americana reagiu em coro, acusando o filme de ser “woke”, de politizar a figura do herói e de forçar lições de moral. Mas, na verdade, o que Gunn faz é apenas resgatar algo que já estava na origem do personagem: um imigrante que se torna símbolo da América, não pela força das armas, mas pela defesa da bondade e da justiça.
As duas mortes: dor e êxtase
O filme nos apresenta duas mortes emblemáticas.
A primeira é a de Malik Ali, o vendedor de falafel que ajuda Superman e é brutalmente assassinado por Lex Luthor em um jogo de roleta russa. É uma cena dura: sentimos impotência, revolta e luto. Malik representa o inocente, o civil comum, aquele que paga o preço da tirania sem nunca ter empunhado uma arma.
A segunda morte é a do tirano, lançado ao ar e destruído em pleno voo. Aqui a sensação é oposta: catarse, alívio, quase êxtase. O vilão que oprimia seu povo recebe o castigo merecido. Essa morte não dói, liberta. O contraste é claro: a morte do inocente nos lembra o peso da injustiça; a morte do opressor nos dá a recompensa da justiça poética.
O mundo desigual refletido na tela
Outro ponto forte do filme é a metáfora de duas nações: uma empobrecida, mas com petróleo; outra rica, armada e opressora. A desigualdade aqui não é apenas ficcional: ecoa Iraque, Líbia, Venezuela, Congo — países com imensas riquezas naturais, mas que acabam subjugados por potências militares.
O filme mostra que ter petróleo não significa ter poder. O verdadeiro controle vem de quem domina o aparato bélico e político. É uma crítica direta às hipocrisias da ordem mundial.
Paradigma para além da DC
O impacto de Superman pode ir além da DC. Depois de anos de domínio da Marvel, marcada por ironia e leveza, James Gunn recoloca em cena o herói idealista, ético, inspirador. É um chamado para que o cinema de super-heróis volte a falar de esperança e humanidade, sem medo de tocar em política.
Para a Marvel, que enfrenta desgaste e perda de identidade, fica o desafio: será que ainda dá para brincar só com piadas e efeitos especiais, enquanto o público pede narrativas que falem também do mundo real?
O arquétipo eterno
No fim, Superman 2025 mostra que o cinema de heróis ainda pode dialogar com os velhos arquétipos da tragédia grega:
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O Inocente cuja morte gera indignação e dor coletiva.
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O Tirano cuja queda traz catarse e celebração.
Entre essas duas forças, o herói se coloca como mediador: nem vingador sanguinário, nem mártir impotente, mas um símbolo da possibilidade de justiça.
Em tempos de desigualdade e guerras reais transmitidas ao vivo, o filme não é apenas entretenimento: é uma lente cultural para pensar quem somos, quem sofre e quem oprime. Talvez por isso Superman volte a ser relevante. Ele não é só um alienígena que veste capa — é a lembrança incômoda de que bondade e coragem ainda podem ser revolucionárias.

