CONIC TOUR 2026: Entrevista com o Fotógrafo Sandro Alves Silveira
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O vídeo “CONIC TOUR 2026: Entrevista com o Fotógrafo Sandro Alves Silveira”, publicado pelo canal Do Próprio Bolso, funciona como um mergulho afetivo na memória cultural de Brasília. Mais do que uma simples entrevista, o registro se transforma em um documento sobre personagens, espaços e movimentos que sobreviveram à margem da narrativa oficial do chamado “Rock Brasília”.
Ao longo da conversa, Sandro Alves Silveira conduz o espectador por uma Brasília subterrânea, feita de corredores do Conic, lojas de discos, encontros improvisados e artistas que viveram intensamente a cena local sem jamais alcançar reconhecimento nacional. Sua fala revela uma cidade culturalmente rica, mas também marcada pelo esquecimento histórico.
Um dos pontos mais fortes da entrevista é a lembrança dos músicos e bandas dos anos 1980 e 1990 que conciliavam arte e funcionalismo público. Sandro relembra uma geração de artistas que trabalhava em instituições como o Banco do Brasil enquanto construía, à noite, uma cena musical vigorosa e independente. Nomes como Beijo a 4, Invoquei o Vocal, Liga Tripa e Renato Matos surgem como símbolos dessa produção intensa e paradoxal: artistas capazes de lotar espaços importantes de Brasília, mas invisíveis fora da capital. A expressão “ilustres desconhecidos”, citada na conversa, resume perfeitamente essa contradição.
A entrevista ganha ainda mais força quando Sandro critica a simplificação da memória musical brasiliense. Segundo ele, existe uma tendência histórica de reduzir toda a produção cultural da cidade ao eixo do “Rock de Brasília”, apagando movimentos paralelos, experiências alternativas e artistas periféricos. Nesse ponto, o vídeo assume também um papel político de preservação da memória, defendendo a importância de documentar justamente aqueles que ficaram fora das versões oficiais da história.
O Conic aparece como personagem central da narrativa. Mais do que cenário, o espaço é tratado como território de resistência cultural. Sandro menciona lugares tradicionais, como a loja Berlim Disco, como pontos de encontro onde ainda sobrevivem trocas culturais, memórias e vínculos humanos ligados à arte independente de Brasília.
Outro aspecto interessante da conversa é a reflexão sobre as mudanças sociais e culturais nas últimas décadas. Sandro observa que as relações humanas se tornaram mais frias e distantes, contrastando com a convivência intensa das ruas em outros tempos. Ao mesmo tempo, ele reconhece o impacto positivo da internet, do YouTube e dos podcasts, que passaram a funcionar como ferramentas de redescoberta histórica e aproximação entre gerações. É através dessas plataformas que ele revisita shows antigos e conhece novas bandas da cena candanga contemporânea.
Visualmente, o clima do vídeo dialoga diretamente com a estética urbana do Conic: concreto, memória, decadência e resistência convivem no mesmo espaço. A entrevista possui um tom melancólico, mas também afetuoso, como se cada lembrança servisse para impedir o desaparecimento definitivo de uma parte importante da cultura brasiliense.
No fim, “CONIC TOUR 2026” se revela não apenas uma entrevista com um fotógrafo, mas um testemunho sobre arte, memória e invisibilidade cultural. O relato de Sandro Alves Silveira ajuda a ampliar a compreensão sobre Brasília, mostrando que sua história musical vai muito além das bandas canonizadas e dos discursos oficiais.

