TUCA, DO EXTREMO: O ROCK BRASÍLIA FOI EXTRAORDINÁRIO! FENOMENAL! (2023)

TUCA, DO EXTREMO: O ROCK BRASÍLIA FOI ABSOLUTAMENTE EXTRAORDINÁRIO! SIMPLESMENTE FENOMENAL!

 Assim como o movimento Flower Power dos anos 60 em San Francisco, Califórnia, o Monterey Pop e o Woodstock

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“Tenho uma vida de músico de uma banda em turnê e adoro isso!”

“Sempre tive uma inclinação espiritual, mas nunca experimentei o Santo Daime. “ (Tuca)

Born to be wild

A vida de Tuca é repleta de adrenalina e aventura. Sua essência reflete a busca pela liberdade, autenticidade e significado na vida. Ele é um verdadeiro sobrevivente, cujas canções se recusam a ser confinadas pelas normas sociais convencionais.

Entrevista conduzida por Mário Pazcheco

Você era fã do Geddy Lee?

– Era sim! Totalmente! Até hoje sou! Sou fã do Geddy Lee e do Rush, uma banda de metal progressivo incrível! Todos os integrantes são extremamente talentosos!

Do rock Brasília de quem você mais gostava?

– Eu gostava de todo mundo naquela época porque foi um período incrível, cheio de riquezas espirituais, culturais e musicais! Renato Russo era uma figura única! Muito engraçado! Sempre parecia estar em outro mundo! Mas também era um grande amigo! Certo dia, o Extremo ia se apresentar no Cave e eu fui até o apartamento dele na 303 Sul. Ele tinha planos de ir acampar em uma cachoeira no fim de semana! Eu pedi emprestado o seu baixo vermelho para tocar no show e ele me emprestou na hora! Na segunda-feira, devolvi o instrumento e ele perguntou como foi o show. Eu disse que foi incrível! Renato Russo realmente foi uma grande personalidade do rock de Brasília!

Quem você se lembra que ajudava a rapaziada?

– O falecido Jota Pingo coordenava eventos locais e fornecia equipamentos para shows.

No Conic, ele era ativista contra a ditadura! Ia preso direto em 1983! Apoiava o movimento rock Brasília!

Onde você morou nessa época? Como eram as quebradas?

– Nessa fase da vida, meus pais haviam recentemente se separado. Nós morávamos em Taguatinga, na QND, em uma casa localizada em uma rua próxima à área comercial. Eu, ainda bem jovem, acabei indo morar sozinho em uma quitinete peculiar, situada acima dos estabelecimentos comerciais da QE 13 do Guará. As noites eram intensas, especialmente com o som do rock ecoando. Não tínhamos vizinhos diretos, apenas lojas que encerravam suas atividades às 18 horas. Foi nessa quitinete que o Extremo teve seu início!

Como foi que você descobriu que sabia cantar?

– Quando eu era criança, costumava cantar "Love me do" dos Beatles, isso é o que minha mãe me conta.

Status Quo, Joe Perry Project eram as influências da banda Extremo. Você pode citar outras?

– Sim. Também Grand Funk, Cream, Rush, Sabbath...

Como foi composta "Viciado"?

– Eu estava envolvido com uma garota encantadora chamada Mônica, de Uberlândia, que infelizmente estava envolvida com o uso de drogas e se associava a pessoas problemáticas na cidade. Estávamos namorando na época. Em uma quinta-feira, decidi ir para Uberlândia para ficar com ela em um hotel, onde fiz o check-in na sexta-feira às 10 da manhã, garantindo três diárias até segunda-feira.

Na sexta-feira, percebi que ela estava usando substâncias no quarto, e nossa intimidade aconteceu apenas ao amanhecer. Foi uma experiência nova para mim, algo que ela me introduziu. No sábado, ela desapareceu por um tempo e ligou por volta da 1 da manhã, confessando que estava em uma festa em uma fazenda, completamente alterada com suas amigas. Fiquei irritado e a confrontei pelo telefone, chamando-a de viciada.

Desgostoso, subi para o quarto e, nessa noite solitária, enquanto bebia vinho, escrevi a letra do blues rock pesado "Viciado". Minha inspiração veio não só da situação com Mônica, mas também da recente experiência de assistir ao filme CHRISTIANE F., que me deixou impressionado. Em FEVEREIRO DE 1983, essas duas fontes de inspiração se fundiram, resultando na composição da música "Viciado".

Quais os filmes de rock que você viu nessa época, no Guará 1?

– Os tempos de cinema na QE 07 eram incríveis, frequentados pela "Turma dos Magrelos", da qual eu fazia parte junto com Clevinho, Caça, e a querida Samara da QE 01, meu amor. Havia também as amigas do Ricardo, da Asa Sul. Era uma experiência maravilhosa! Vinho era presença constante dentro da sala escura. Minha reação era imersão total, especialmente quando tocavam Angus Young e Bon Scott no AC/DC, simplesmente demais!

Quais as músicas que o Extremo tocava?

– "Rock nas veias", "Minha onda de viver", "Medo de existir", "Paranoia", "Forças que fluem", "Herdeiros do mal", "No tempo", "Viciado!"...

Você se esqueceu de "Mórbido", como era essa?

– Ah, também tinha ela! Tipo Black Sabbath bem metal e tem uma música solo do Ronnie James Dio que é quase igual à "Mórbido".

Vocês já foram acusados de roubar músicas dos outros?

– Não nunca fizemos isso!

Você era o homem da publicidade da banda? E marcava os shows? O Extremo saiu em alguma revista?

– Saiu em fanzines e jornais que eu mandava material! Eu marcava shows! Sim eu era o homem da publicidade da banda.

Existiram álbuns de fotos e gravações? Como tudo sumiu?

– Há realmente muito material! Álbuns de fotos, gravações – toda essa documentação está por aí. Precisamos localizar o Zeca Ribeiro, nosso ex-empresário; ele era responsável por manter todo esse acervo. Então, aconteceu uma reviravolta quando o pai do Ricardo faleceu, o que desviou a atenção da banda. A mãe do Ricardo o enviou para Lins, no interior de São Paulo, e, a partir desse momento, todo esse material acabou sendo esquecido.

É importante mencionar que Zeca Ribeiro morava na QE 01, no Guará.

Eu possuo uma excelente versão masterizada do CD do Extremo.

Quais foram os shows do Extremo fora de Brasília?

– Realizamos diversos shows em Minas Gerais, nas cidades de Arinos, Unaí e Montes Claros, que é a terra natal do Lincoln. Além disso, também tivemos apresentações em Goiás, nas cidades de Itaporanga e Goiânia.

Qual foi o show mais louco do Extremo e por que?

– O evento mais extraordinário no extremo, sem sombra de dúvidas, foi o ESTRADA ESTELAR no Guará! O Cave estava lotado, com grandes bandas se apresentando. Nossa performance foi incrível! Foi o dia em que mais compartilhei beijos com mulheres em toda a minha vida. Após o show, houve uma excursão para a cachoeira de Mumunhas. Decidi participar e, pela primeira vez, vivenciei a experiência de ter duas amantes ao mesmo tempo! Conheci duas amigas de Taguatinga, que tinham uma barraca e me convidaram para compartilhar o espaço com elas, e eu aceitei! Desde o sábado até a segunda-feira, vivi essa experiência única com duas amantes. Inesquecível!

Do que você se lembra do último show em que tocou em trio no Extremo? O último da formação original?

– Foi em 1985, durante um concerto em frente ao Teatro Rolla Pedra!

Choveu demais! Fomos o penúltimo a tocar! Éramos as estrelas junto com Escola de Escândalo do guitarrista Fejão, e da linda Marielle nos vocais! Eles fecharam! Nós e eles apresentamos um repertório completo!

Quando o Extremo retornou meses depois, já contava com o Júnior no contrabaixo e o André Tourinho na bateria, marcando uma nova fase na trajetória da banda.

E os shows com Júnior no contrabaixo e o André Tourinho na bateria?

– Realizei diversos shows, com André e Júnior atuando na banda por mais de um ano, até o final de 1986. Nesse ponto, casei-me com uma moça de Goiânia, e o tio dela conseguiu um bom emprego para mim na região. Diante dessa oportunidade, decidi me mudar. Assim, o Extremo passou por uma transformação e evoluiu para o grupo "Liberdade Condicional".

Ah, realizei um show com o repertório do Extremo em Alto Paraíso de Goiás em 1991, junto com o trio do Nata Violeta, composto por Junior Tana no contrabaixo, Paulinho na guitarra e Beto na bateria! Foi um evento incrível! Além das seis músicas do Extremo, apresentamos mais três clássicos Rock'n'Roll, do Led Zeppelin, "Born to be Wild" do Steppenwolf e "Smoke on The Water" do Deep Purple.

Qual é a sua ligação com Anjos e Arranjos?

– Quando o Extremo tinha um estúdio na 411 Norte, o Lincoln, o proprietário, levava a banda para ensaiar lá. Foi nesse contexto que fiz amizade com o "Jackão".

Vocês foram despejados do estúdio?

– Não, isso não aconteceu. O Lincoln, nosso patrocinador, decidiu se mudar para morar à beira da praia em Cabo Frio. Então, ele deixou a sala, que era compartilhada por várias bandas, para que todos dividissem o aluguel. Infelizmente, muitos não cumpriram com a responsabilidade financeira, e a carga recaiu sobre mim e o Cécé. O proprietário nos pediu para pagar as contas de luz e água e considerar uma mudança. Colaborei com o Cécé na retirada do forro em placas da sala, pois as paredes precisavam de isolamento sonoro.

Quando o Lincoln alugou a sala, a exigência era de dois fiadores. Ele conseguiu um, e naquele dia, o Cécé estava comigo. Lincoln perguntou ao Cécé se o irmão dele, o "Cadinho", poderia ser o segundo fiador. O Cécé, sendo uma pessoa amigável, ligou para o irmão dele, que prontamente concordou em ser fiador.

Tudo começou com muita solidez e respaldo financeiro. O Lincoln bancava todos os custos, e seu pai, Geraldo Carvalho, era um político de Minas Gerais. A banda do Lincoln, chamada Essência, era notável. Ele desempenhava o papel de guitarra base, vocal e violões, inspirado pelo lendário guitarrista Carlos Santana que nasceu no México. A sonoridade do Essência lembrava muito Santana, especialmente quando tocavam clássicos como "Soul Sacrifice" e "Black Magic Woman". As composições originais de Lincoln também refletiam a influência marcante de Santana.

O show do Essência era incrível, contando com músicos talentosos como Junior no contrabaixo, o virtuoso Marquinhos na guitarra solo, Leander Motta na bateria, Hélio na percussão com maestria, e Gley nos teclados. Era verdadeiramente um time excepcional de músicos da Asa Norte, destacando-se tanto musical quanto instrumentalmente.

Renato Russo, eu o conheci muito antes, em 1981, durante um show punk do "Aborto Elétrico" produzido por Jota Pingo. Renato apareceu no estúdio em poucas ocasiões e fez participações especiais em todas as visitas. Entretanto, foi em 1984 em que a banda de Renato Russo, a "Legião Urbana", decidiu se mudar para o Rio de Janeiro.

E o reencontro com o cearense Luis Punk em São Paulo, qual foi a última vez que você o viu?

– Ele residia em uma quitinete próxima à Praça da República, em São Paulo, um local frequentado por prostitutas atraentes, mas também perigoso. Naquela época, elas se envolviam sem o uso de preservativos. Eu me lembro de uma ocasião em que fui assistir a um show do Arnaldo Baptista e do Made in Brasil no Sesc, Fábrica do Som, mas ele, cansado, optou por não comparecer.

Já em Brasília, depois de visitar o Luis Punk" na quitinete dele no Guará 2, percebi que ele tinha se entregado completamente à doença e expressava um desejo de partir. Ele não estava lutando contra a enfermidade; estava definhando. Nos dias seguintes, ele partiu para o Ceará, onde, infelizmente, veio a falecer.

Onde você estava no dia em que recebeu a notícia do falecimento do Cécé?

– Foi numa noite num bar em Taguatinga! Eu estava fazendo participações especiais durante a apresentação do meu amigo e sua banda. Não era um show convencional; ele era músico residente e eu costumava subir ao palco para cantar rock com ele. Acabara de entoar "Ainda é cedo", "Pro dia nascer feliz" e "O poeta está vivo" do Barão Vermelho. Depois, retornei à mesa, e alguém me trouxe a notícia ao pé do ouvido. O som estava alto, e fiquei chocado. Desde então, "O poeta está vivo" tornou-se a música que me recorda da morte do Cécé. "Baby, compra o jornal. E vem ver o sol. Ele continua a brilhar."

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