A ILUMINADA ANNA CAROLINA ROCHA (2024)

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Fotos de Marizan Fontinele

texto de mário pazcheco

20 de abril de 2024 - Hoje, os paradigmas dos artistas do rock cultuados por nós incluem autenticidade, expressão pessoal, inovação, impacto cultural e performance ao vivo. Além desses, a inclusão social de pessoas com deficiência emerge como um paradigma cada vez mais relevante na sociedade contemporânea. Muitos artistas de rock reconhecem a importância de usar sua influência para promover um mundo mais inclusivo e diversificado, abraçando e defendendo ativamente a igualdade de oportunidades para todas as pessoas, independentemente de suas habilidades físicas ou mentais.

Na longa jornada pelo mundo do rock, que eu sempre sonhei, já suspirei por Elvis e me imaginei apertando a mão de John Lennon. Esses eram os sonhos mais distantes. Porém, ontem, experimentei uma sensação distinta. Arrepiei-me e emocionei-me com a entrada em cena da cantora, compositora e verdadeira roqueira de coração, Anna Carolina Rocha. Gostei dela desde o momento em que repetiu para o público: "Anna com dois ns". Mas quem é essa roqueira da qual nos orgulhamos de chamá-la pelo nome completo?

Na quinta-feira passada, saí da palestra de Juliana Krause, uma mãe ativa, cuja experiência foi compartilhada em "A prática do cuidado: Confissões de uma mãe atípica e feminista". Embora eu já estivesse familiarizado com o tema, o que realmente impactou foi como Juliana Krause abriu meu coração para compreender o espetáculo "Poesilha: ilha da solidão", estrelado por uma ativista de doenças raras e deficiências.

Além do impacto inicial visual, onde Anna Carolina Rocha vestia uma camiseta negra cintilante, colada ao corpo, com as palavras "ROCK AND ROLL" em letras garrafais, eu a vi como uma diva vinda de New Orleans, pronta para nos ler as cartas e falar sobre nossos futuros incertos. Para mim, ela era como uma visionária, irradiando um brilho que me remetia a uma cartomante. E, surpreendentemente, o produtor Ruy Godinho, em um texto afiado e preciso, retratou Anna Carolina Rocha como uma daquelas manifestações que só podem ocorrer em um país tão complexo e esperançoso como o Brasil.

Não entrarei em detalhes descritivos sobre a ordem ou os nomes das músicas, mas do caleidoscópio do show emergiram as notas vibrantes das guitarras de Abbel e Lucas Carvalho, enquanto a produção musical do contrabaixista Hamilton Pinheiro permanecia discretamente ao lado da cantora. À direita da vocalista, no Yamaha, estava o tecladista Gregoree Júnior, cujas melodias envolventes destacavam a diferença entre a apresentação ao vivo e a gravação em estúdio. No canto do palco, encontravam-se Deniel Moraes na bateria e Sandro Alves na percussão, este último adicionando um tempero especial, especialmente durante o clímax da música de abertura, "Antimatéria Ambulante".

Anna Carolina Rocha é o oposto da "material girl". De sua garganta fluíam as letras e rimas de sua vida existencial, marcadas exibidas à flor da pele. Certamente não estávamos ali para perceber esses detalhes, mas sim para testemunhar a coragem e a postura com que a intérprete nos encarava nos olhos, perguntando: "Vocês estão se divertindo?". O momento mais marcante foi quando sua voz rasgou a alma para expressar o sentimento na canção "Get Out", dividida em dois climas que permitiam a explosão dos sentimentos de liberdade. Foi uma pérola.

Anna Carolina Rocha teve o suporte da voz declamada de Siddha Abraxas. Nos poemas recitados por Siddha Abraxas, tivemos a oportunidade de conhecer Anna Carolina Rocha por dentro, compreendendo o que corre em seu sangue e como ela enxerga nossos dias atuais. 

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PERFEITAMENTE IMPERFEITA

Ela reconhece e celebra as imperfeições como parte integrante da perfeição:

"Porque estou tão solitária
E parece que ninguém se importa
Porque estou tão solitária
Deixando para trás a irrealidade
Então, por favor, me acorde
Porque estou entrando em um mundo de sombras
Onde tudo é perfeito... ... Menos eu."

Este foi um dos momentos mais cruciais, quando os músicos se conectaram com a melodia e lágrimas escorreram de seus rostos. Na plateia, a emoção era palpável, com as pessoas enxugando discretamente os cantos de seus olhos. Kaialy Guimarães demonstrou maestria e cumplicidade ao tocar o violino.

Ela também apresenta "Espelho" uma música urbana com os vocais de Hákila Souza, seu parceiro musical. Em seguida, o rock "Welcome to the Real World" abre a parte final do show, momento em que a cantora reúne suas últimas forças para empregar os vocais graves. Após o bis, que é uma versão de "Antimatéria Ambulante", Anna Carolina Rocha estende o convite para encontrá-la no saguão após o término do espetáculo.

Acompanhado da cantora e produtora Marizan Fontinele, uma pessoa de alma generosa, foi fácil nos aproximarmos da alegria vibrante de Anna Carolina Rocha. Fomos fotografados por Fred Brasiliense, e tenho esperança de ter essas fotos. Perto dela, o mundo não parava, e nós não parávamos de respirar. Ficou um sentimento de total abertura e a necessidade de uma boa conversa na mesa de uma lanchonete enquanto esperávamos nossos pedidos. Permaneceu a paz em seu olhar calmo após a tormenta de se desnudar diante da mais bela das plateias e produções do Distrito Federal. Eu a abracei, mas não mencionei minha vontade de levar esse show esperançoso de garra, harmonia e desafios para outras cidades.

Queremos expressar nosso agradecimento à cantora e incansável produtora Márcia Tauil/Guia Musical de Brasília, que, com sua sensibilidade, tem proporcionado à nossa cidade momentos musicais tão enriquecedores, ao lado de pessoas de grande alma.

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