1977: VOU SOLTAR UMA AVALANCHE DE DEMÔNIOS
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1977
VOU SOLTAR UMA AVALANCHE DE DEMÔNIOS
Eles me queimaram sem fritar, me queimaram até para as novas gerações... tentaram me tirar tudo...
Meu padrinho veio dar uma de ‘João sem braço’ e só depois a ficha caiu. Ele perguntou sobre drogas e eu tinha 13 anos, vivendo num buraco na QNJ. No ano anterior, eu passava os sábados camuflado de pequeno cristão na igreja. Agora, eu tomava conta da Vidraçaria. Meninos surgiam para atormentar meus dias. Eu tinha que atacá-los com pontas de vidro — um monstro, um perdido, um rebelde, um louco. Estudando cinco dias e trabalhando no sábado, meu futuro escolar era uma bomba-relógio.
P Norte
No serviço público dei muita ideia. Só que agora que não dou mais: Espero morrer e não ter que voltar’, repito aos porteiros nas sextas-feiras; eles riem. Os Vigilantes são cordiais e tomamos mais liberdade com eles. Me refiro a pretensas autoridades como ‘aquele Peão?’... Eles riem mais ainda. E, aí Peão, então você é do P Norte conheceu o Mercadinho Santos? Pertencia aos meus tios!’ O cara não acredita: ‘... sério mesmo?’ O Mercadinho ajudou muito a população de lá (no desenvolvimento). Depois contarei como foi vender roupa na Feira no Pedregal aos treze anos. Foi quando me percebi um freak bizarro, um doido varrido, pois na minha empolgação: ‘Pô arrebentei!’ O Padrinho, falou para a minha mãe que eu era um fracasso. Definitivamente surtei e entrei no rock'n'roll.
Quem tem padrinho não sofre overdose
A minha família é de São Paulo, vinda do interior da Bahia. Para ilustrar, eu digo que tínhamos um viés concretista. Aquela origem da São Paulo da garoa, da boêmia. Meu pai trabalhava no forno da fundição e, por ser mais capaz, aprendeu outras funções importantes — o que não o poupou do desemprego. Dona Madalena, a vizinha, mais velha do que o século. Em idade avançada, usava meias e vestidos esvoaçantes. Vivia varrendo. Varria a calçada, varria o jardim, talvez varresse a solidão. Pela boca dela ouvimos: ‘... naquela bebedeira do Milton, não tinha só cerveja!’. Foi minha primeira referência à ‘bagonha’. Depois, dona Madalena falava: ‘... foram os Tupamaros que roubaram os bancos e mataram as pessoas!’ Quem eram eles? Revolucionários uruguaios agindo no Brasil? Suas informações chegavam pelo rádio, a rádio Barros de Alencar. Assim eram os anos 70 na Sampa da minha infância.
Cheguei na capital e vi os comícios de punks e bancários, e pensei: ‘Em Brasília a política é irresponsável, eles não seguem leis, uau!’. O grande advogado era o Maurício Corrêa e o Santo Guerreiro era o Mário Eugênio. Os tempos mudam e as pessoas caem. Me recordo que naqueles tempos as pessoas eram marcadas a ferro quente — principalmente quem estudava na UnB.
Aos catorze anos incompletos, me interrogaram sobre o consumo da maconha. Isso era o que se passava pela cabeça do Padrinho. Para aquele meu comportamento errante e fuso-horário alterado, somado à queda de rendimento escolar, devia haver uma cortina de fumaça. Diamba fumada na escola, na rua? Com quem? Acho que nesse dia, me achei um bosta. Nem sabia do que o Padrinho falava. Tudo se resumiu em indignação. Meu Padrinho teve cuidado com as palavras, mas eu fui fichado pela primeira vez em casa. Ali me tornei um junkie do rock’n’roll do colecionismo e eu só queria assistir filmes tarde da noite e no outro dia acordar cedo, já queriam me encaminhar para servir ao sistema. Isso me ajudou a compreender os jovens das próximas gerações.
O pior de tudo é que, de início, não captei a mensagem. Não sabia do que o Padrinho falava. Então, depois de tentarem se livrar de mim, ameaçaram me internar no reformatório, me colocar na igreja. Mas, eu estava crescendo e escapei. Desde então, a minha vida será rock'n'roll. Décadas depois, chegaram os primos e mostraram aos pais com quantas canoas se faz uma embarcação.
"Rock'n'Roll, dei-lhei os melhores dias da minha vida!"
Embarquei nessa só com bilhete de ida e fomos conhecer gente louca. Uma única condição: jamais apareça no portão da minha casa para me chamar... até hoje eu sigo essa canção... jamais pinte na minha porta sem ser convidado. Anos de balcão nos botecos ao lado da vidraçaria me ensinaram. Naqueles idos da adolescência de duros e gentis aprendizados, nosso salmo era o programa Gogó Das 7 — onde, logo cedo, já se sabia quem estava em liberdade e quem estava atrás das grades. Conhecia alguns dos nomes dos crucificados que saíam no Gogó Das 7 — Carrefour, Rêrê, Doidinho, Gregorinho, Quarenta, Espigão, Tatu, Caveirinha e heustórias da Loira do 38, A Mansão do Aborto.
Eu procurava emprego com carteira assinada. Meus dedos eram cortados de colocar vidro nas casas. O Garoto, do Chaplin, pelo menos se divertia, apedrejando as vidraças e desaparecendo na esquina. O futuro? Amolecer massa com óleo diesel queimado. E hoje, você chora meu quase infausto futuro com vidro quebrados? Vá se f***!
Left Side ‘Mamma mia’
Voltava a pé do CTN para a QNJ para casa para guardar o troco da passagem. Fui o rei da porta de trás do ‘baú’ — 38 anos depois, eu fui trabalhar no transporte e encontrei alguns daqueles motoristas que sabiam que eu descia pela porta de trás para comprar um livro; acredite, o preço da passagem equivalia ao preço de um livrinho.
De vez em quando eu voltava do M Norte no dedão, porque não consegui descer — era roleta russa. Uma vez, na banca da velha Shis, uma decisão difícil: um gibi de herói, uma revista Pop ou a Rock? Quem estivesse na capa decidia.
Maroca, a vizinha na QNJ 5, não ficou nem um pouquinho satisfeita quando tocamos na vitrola este hit. Pelo menos Maroca não era hipócrita de censurar a música como muita gente aí.
Quando na parada do cemitério não subia gente no Alvorada, o jeito era pagar a passagem e descer na primeira parada da M Norte — que era chamado de Planeta dos Macacos — e era longe pra caramba da velha Shis Norte das casas grandes da Novacap.
Na época das águas, era esparramada serragem de madeira no interior dos ônibus, o soalho deles era besuntado com óleo resultava escorregadio. Os ônibus eram tão velhos que nos seus pisos havia buracos e rodávamos vendo o asfalto e a poeira entrando. Meus pais, me levavam para comprar calça Panuzzi na Feira da Ceilândia. O único ponto de referência do Setor O, a única coisa que existia, era o ponto final. As casinhas da Shis eram padronizadas! Havia uma depressão (o zeitgeist de uns dias tão estranhos) que ameaçava a cidade e sair do conjunto poderia ser fatal. Em Samambaia, a primeira coisa que a Terracap fez foi licitar lotes comerciais — onde as lojas seriam maiores.
Voltando à Ceilândia, suas ruas transversais da ponta até o final tinham desníveis de 50cm a um metro e os moradores escavavam degraus até as suas portas. O governo abria as ruas e a enxurrada levava tudo. Foi assim por muito tempo. A maior aventura era dirigir um Fusquinha sem limpadores de para-brisas, passando creme dental no vidro externo, e mesmo assim embaçava o tempo todo! Da velha Shis, pela QNL, chegamos a pé na inauguração do Serejão, estádio de futebol. Pela redondeza, só havia chácaras, até o Clube Primavera de Taguatinga.
'Faroeste caboclo', o filme
Vi o filme ontem pela primeira vez e a tela grande não é referencial, é licença-poético geo-histórica — a Ceilândia do filme não tem nada a ver com a real. Eles ‘erraram de satélite e filmaram a Samambaia, que existia em 1978, porém o filme se passa numa Ceilândia onde já havia asfalto, água encanada e cara de cidade. Em tempo, em Samambaia era onde os cadáveres eram desovados pelo Esquadrão da Morte.
A Ceilândia era urbanizada e teve barracos substituídos, como no Ban-ban. Lá existia a pista central com a linha 316, regular até o sul de Ceilândia, Ceilândia Norte e Setor O. Depois é que veio a M Norte e as QNQ e QNR são recentes.
Zoorigens
Lá tinha a Vila Tenório,
IAPI e Esperança.
Tinha o Morro do Urubu,
Na Vila do IAPI,
as malocas perigosas
todas partiam dali.
Mas depois da remoção,
vieram todos pra'qui.
Nestas imediações, perto do IAPI,
A Chácara São Nélson, no Bernardo Sayão, vivi.
Onde moramos agora, bem perto está,
do lado do Guará 2, nosso lar, nosso lugar.
*Nota: nestas imediações do lado do IAPI, no Bernardo Sayão existia a Chácara São Nélson, onde vivemos
Blues do motorista
‘Assim, se o visitante encontrarem plena Estação Rodoviária uma reunião de nordestinos portando violão, índio xavante com adereços de madeira nos lóbulos da orelha e gaúcho trajando calças no estilo bombacha, não se deve assustar, pois esta situação está muito longe da extinção. Isso porque nas cidades-satélites e nos municípios goianos que formam a periferia do Distrito Federal, se observa uma clara manutenção de costumes regionais de seus habitantes, pessoas originárias dos mais diversos pontos do país.’
Somos operários, eles me deram um diploma. Meus parentes dirigiam coletivos, carretas, guinchos, táxis, e mais tarde, bares, mercadinhos, vidraçaria e lojas de confecções. O que não se faz para ganhar a vida dignamente: ‘Enquanto almoço e tiro um cochilo, você fica de ouvido no rádio do guincho: se falar esse prefixo, você ouve e me fala’.
O longo ônibus estacionou em frente à casa na QNJ 5. Lá estavam o finado Milton, irmão de Antenor, casado com a tia Lídia. Uma bela família, composta por cinco primos: ‘Vou levar o Mário para um giro na Rodoviária’. Aberta a gaveta das economias não tinha uma nota. Levei um sabão porque eu sempre estava duro, eu só tinha treze anos. Mas fui feliz, em direção ao Plano Piloto. O f*** é que foi pela via do Buriti. O ônibus estacionou atrás dos Ministérios, numa garagem na L2 Norte. Descambamos para a Rodoviária. Que piquenique maravilhoso, com pastel e caldo de cana da Viçosa. Voltamos às 17 horas, com os servidores federais. Desci na parada da garagem da Alvorada e o ônibus seguiu para a Ceilândia.
Jamais tive oportunidade de agradecer ao Milton por ter me levado para me divertir na Rodoviária, na nossa realidade de peão boiadeiro não existia Plano Piloto.
Longuito dirigia o guincho da Pioneira. Por isso, os caras que trabalharam comigo no GDF me reconhecem das antigas: pelos calotes perpetrados nos ônibus dirigidos por eles em Taguatinga e no Guará — tudo para economizar um troco e comprar um gibi ou livrinho. Não existiam sebos, só as livrarias do Conjunto Nacional.
Ainda me lembro dos almoços no Gama, aos domingos, na casa da dona Josefa, mãe do meu falecido tio Longuito.
Tinha-se que pagar empréstimo compulsório sobre o preço das passagens aéreas, por isso poucos conseguiam sair do Brasil. Longuito era um dos poucos homens que podiam sair do país, ele era motorista de ônibus e ia ao Paraguai e, quando retornava, revendiafilmadoras gigantes, maiores do que cabeça de elefante — nós nunca nem tocamos nas filmadoras.
Melhor calote do mundo era ao meio-dia na W3 Sul
Calote de passagem de quando o rock Brasília nem existia
Sem direito de ir e vir — Você não entende que calotar era um ato de rebeldia e se espalhou pelas linhas. Imagine o prejuízo das empresas. A passagem era cara como um lanche e ainda não tinham inventado o vale transporte para o trabalhador.
O problema crucial era a mixaria para comprar um livrinho da coleção Primeiros Passos, pagar as duas passagens, tomar um caldo e um pastel. Estudante não tinha grana e nem nossos pais, tornei-me meio biscateiro para colocar pequenos pedaços de vidros nas casas para defender os LP’s, o rango, o frango, a vódica, o velho barreiro e o chapinha. Andávamos de bicicleta.
‘Calotar era doido demais. As empresas colocaram leões de chácara que, quando pegavam no cacete, era f***. Depois do meu primeiro calote, hum! Nem aí para os seguranças: era todo dia.
‘Nos anos 80 ir parar na Discoteca Zoom no Gilberto Salomão, era emoção, só no calote, mas eu tinha medo. Não de ser pego, o problema seria se a denúncia do calote chegasse lá em casa. Então, eu ia mais cedo e, quando a galera chegava, eu inventava mil estórias de calote. Eu tinha um amigo, o Jarbas, que sabia. Então um dia ele me enquadrou: ‘Ou você calota comigo ou conto para todos a sua farsa!’ Humf! Foi o jeito ir com ele. Quando chegamos na parada, a adrenalina a mil, o baú vai parando o ‘esperto’ do Jarbas abrir o vidro da janela e pular. A porta se abre e eu desembarco. Vejo então, o espertalhão esticado entre o meio fio e a calçada, gritando. Torceu o tornozelo. Mesmo assim, conseguiu correr para dentro da Discoteca Zoom. Eu dançava ouvindo Hojerizah e ele com gelo nas canelas o resto é heustória... (...)
‘Punk! O Leleco derrubou uma senhora com as compras na 509 Sul. Foi laranja para tudo que é lado da pista e ele não sabia se ajudava a velhinha ou corria. O susto dos gritos dela assombrada com seu moicano de três palmos de altura... bons tempos.’
—Antônio Gonçalves
‘Mário, o seu problema de contador de estórias não é problema: essencialmente você descreve (e escreve, porque a grafia é imperativa) o Guará, sua aldeia como um roqueiro da segunda geração dos pós Segunda Guerra descreve Berlim. O problema, sim, é que o Guará não é Berlim. Mas a força do nosso underground tupinambá não perde (nem os pênaltis) pros bunkers felizes dos comedores de chucrute.’ — Roberto Gicello.
JANEIRO
Cacho Valdez em Estúdio e Rumo à Estrada
Cacho Valdez entra em estúdio no próximo mês para gravar seu primeiro LP Alma, que será lançado pelo selo Underground da Copacabana no final de março. Valdez está dando atenção especial ao projeto, especialmente na seleção das canções e dos músicos que o acompanharão, garantindo que o álbum tenha uma produção cuidadosa. Após a finalização do LP — que ele também planeja lançar no exterior — Valdez dará início a uma extensa turnê nacional, com o apoio do Plano de Ação Cultural do Rio de Janeiro.
Além disso, entre os planos do artista estão a participação no Festival do Midem e a organização de uma turnê pelos Estados Unidos. Para quem ainda não conhece, Cacho Valdez é um talentoso guitarrista argentino que vive no Brasil há 10 anos. Embora já tenha integrado diversos movimentos musicais, é agora que ele começa a alcançar maior reconhecimento e popularidade.
21
JANEIRO
Sexta-feira
• Timothy Leary Dedo-duro?
JANEIRO
23
Domingo
Pink Floyd está de volta com Animals
Um curioso incidente atrasou o lançamento de Animals, o novo álbum do Pink Floyd. A Hipgnosis, estúdio responsável pelo visual da maioria dos álbuns da banda, criou um balão gigantesco em forma de porco para a capa. No entanto, durante a sessão de fotos, uma rajada de vento soltou o balão, que foi levado por muitos quilômetros, causando susto nos moradores da região e atrasando todo o trabalho de produção.
Animals é o primeiro LP do Pink Floyd desde Wish You Were Here, lançado em junho de 1975, e apresenta três faixas principais: “Pigs” (Porcos), “Dogs” (Cachorros) e “Sheep” (Ovelhas).
★ O contrato com a EMI foi rompido. A gravadora não aguenta as pressões e campanhas contra os Pistols.
★ Bagga's Guru, era a banda do "patrulheiro" Sérgio Santana, cantor, compositor e contrabaixista. Ele se juntou à Patrulha do Espaço três anos depois.
29
JANEIRO
Buzzcocks lança seu primeiro disco, o EP Spiral Scratch.
10, 11, 12-13
FEVEREIRO
Quinta-feira, sexta-feira, sábado e domingo
Terço/Mutantes/Beatles, show Como nos velhos tempos, curta temporada de quatro dias no Teatro Municipal de São Paulo, destaques para os lindos vocais de Flávio Venturini em “Let it Be” e de Sérgio Dias em “Get Back”, todos vestidos a rigor dentro dos fardões do Sargento Pimenta.
“Realmente esse show foi muito marcante e estamos caçando essa fita, pois o show foi gravado em 16 canais com equipamento profissional.”
— Sérgio Hinds
Mutantes, O Terço e Beatles '77
Registro icônico pelas lentes de Carlos Hyra.
“Na foto, na sala da minha casa no Sumaré (Rua Pombal 777): Babalu (guitarra), Beto Cury (bateria), Wander Taffo (guitarra), Celso Kim Vecchione (teclados) e Oswaldo Rock Vecchione (baixo e vocal)." (Oswaldo Vechione).
Fotos: Grace Lagôa
“Do Made in Brazil, eu tenho várias porradas, mas você só recebeu uma (Massacre)? Ou chegou a pegar algo de show também? Do Joelho de Porco, que é o problema. Não tenho muita coisa, mas talvez consiga algo com uma super amiga (Gegé, lembra quem é?). Ela tem bastante material do Joelho.”
(Grace Lagôa)
Um recorte distante com a foto do Made in Brazil, feito por Grace Lagôa na revista Pop, era muito mais do que uma memória impressa; era um portal para um tempo de trocas fervorosas de materiais, shows e histórias inesquecíveis. Suas palavras carregam o entusiasmo de quem vivia intensamente a cena musical, com a generosidade de compartilhar e preservar registros valiosos de uma época que lutava contra o esquecimento.
Gegé, mencionada com um toque de cumplicidade, talvez simbolize a guardiã da memória coletiva, alguém que compreendia profundamente o poder do arquivo em uma era onde preservar era um ato de resistência. E Grace, com sua fala espontânea, evoca o vibrante arsenal de revistas, recortes e fitas que mantinham acesa a chama daquele universo cultural pulsante.
FEVEREIRO
No aniversário de dez anos da banda, durante duas semanas o Made in Brazil estreia o show Massacre, no Teatro Aquarius, em São Paulo (hoje Záccaro). No repertório do show a inclusão das novas músicas que fariam parte do álbum também intitulado Massacre — o disco somente será lançado em CD em 2005…
Massacre
"Muita gente que se diz roqueira faz é música pop. Nós temos raízes no rock e no blues," afirmou Oswaldo Vecchione, baixista e vocalista do Made in Brazil, em tom categórico.
A declaração reflete a constante tensão entre o rock e o pop, uma questão que, ao longo dos anos, tem levado produções comerciais de pouca autenticidade a serem rotuladas como rock. Foi com essa mesma franqueza que Oswaldo encerrou, no último mês de abril, a turnê gaúcha da banda, que ostenta o título de grupo de rock mais longevo em atividade no Brasil. No cenário nacional, apenas Os Demônios da Garoa, também paulistas, competem em termos de trajetória.
Há uma década, Oswaldo e seu irmão Celso Vecchione (guitarra e vocal) consolidaram a formação atual do Made in Brazil, que conta com Rick Vecchione, filho de Oswaldo, na bateria, Déborah Carvalho na percussão, Alejandro Marjanov na guitarra e Edson Ferreira no saxofone.
O grupo estava prestes a lançar Massacre, álbum originalmente gravado em 1977, mas proibido pela censura durante o regime militar de Geisel. Das 16 faixas do disco, 13 foram vetadas, principalmente devido às letras com conotações sexuais. O conceito visual do álbum também causou polêmica: a divulgação incluiria uma bateria montada sobre um tanque de guerra, provocação que os militares rejeitaram veementemente, resultando na negativa de alvarás para shows. Curiosamente, seis anos depois, a banda Kiss adaptou a ideia em suas apresentações.
Após anos de espera, Massacre surge como um símbolo de resistência e autenticidade, reafirmando o compromisso do Made in Brazil com suas raízes no rock e no blues.
(21 de julho de 2020)
★ John Beverley é convidado a integrar os Sex Pistols, substituindo Glen Matlock, que decidira montar outra banda, The Rich Kids. Johnny muda seu nome definitivamente para Sid Vicious e trata de aprender a tocar o baixo.
★ Damned lança seu primeiro LP, The Damned.
★ O Ultravox lança seu primeiro LP, Ultravox!
★ Angie, um Anjo de Alma Generosa
A esposa do excêntrico cantor David Bowie passou semanas fazendo strip-tease para operários durante o horário de almoço. O motivo era nobre: Angie estava determinada a arrecadar 75.000 libras para restaurar o teatro onde trabalhava.
05
MARÇO
Sábado
A Lembrança de Marcel Duchamp
Almanaque Folha de S. Paulo — João Batista Natali, correspondente em Paris
Discute a importância de Marcel Duchamp (1887-1968) na história da arte e sua recente homenagem na exposição inaugural do Centro Pompidou, em Paris. Reconhecido por sua produção eclética e inconformista, Duchamp é celebrado por suas inovações, como a representação do movimento em sua obra Nu descendo uma escada (1912) e pela criação do conceito de ready-made, exemplificado por sua famosa "fonte" (um urinol de cerâmica) e a capa de máquina de escrever intitulada "bagagem".
O texto destaca como Duchamp, ao lado de artistas como Man Ray e Calder, contribuiu para uma revolução estética que influenciou gerações posteriores. Ele também explorou a poesia cinética e a escultura, trabalhando com formas que desafiavam as normas acadêmicas. A obra de Duchamp, difícil de classificar, é vasta e complexa, refletindo sua busca por novas expressões artísticas. O autor menciona que Duchamp é um artista cuja importância é difícil de resumir, mas que merece reconhecimento pela sua influência e inovação.
MARÇO
O estrago já foi feito
Ações impulsivas
Além da música, novos fatores e dificuldades foram adicionados ao repertório do músico, dificultando ainda mais sua trajetória artística e pessoal.
"Em março de 1977, nos encontramos novamente no dia de assinar o divórcio, ou melhor, o desquite. Vendo meu barrigão de grávida, o juiz ficou nervosinho: ‘Absolutamente não, vamos tratar aqui da reconciliação do casal e dessa inocente criança que vai nascer...’. Blá-blá-blá. Em um minuto, expliquei que o filho não era do meu ‘marido’ e que a nova ‘esposa’ dele também estava grávida. Ele assinou rapidinho a papelada e nos dispensou", relatou Rita Lee.
O desquite amigável entre Rita Lee e Arnaldo Baptista foi assinado. Talvez tenha sido nesse momento que se deflagrou a diretriz:
“Faz muito tempo que não vejo ou falo com a Rita. Ela me faz mal. Vibrações ruins, para baixo. Não permitem aproximação porque me faz mal.”
Essa restrição se estendeu por quatro anos.
“Eu mergulho assim nos negócios e me afundo muito. Eu não consigo administrar praticamente nada. Sou um bobo nesse sentido, perco dinheiro.”
(Arnaldo Baptista)
Durante esse período de grande turbulência emocional e estresse, Arnaldo vendeu sua casa na Cantareira por Cr$ 850 mil, valor que, mais tarde, reconheceu estar abaixo do preço de mercado. A venda ocorreu devido à necessidade urgente de recursos financeiros para apoiar sua segunda esposa grávida. Ao entregar o dinheiro ao gestor dela, a quantia foi considerada insuficiente, e ele foi aconselhado a guardá-lo em uma poupança ou outro investimento.
O episódio gerou um desentendimento que culminou em um ato de agressão, levando Arnaldo a ser internado em uma instituição psiquiátrica no bairro do Jabaquara.
A respeito de sua internação, Arnaldo declarou à crítica Ana Maria Bahiana, em entrevista publicada pelo jornal O Globo em 28/04/1978:
“Aí me internaram, porque parece que fiquei uma pessoa violenta. E eu não quero ser uma pessoa violenta. Diziam que eu era, me internaram.”
Em cartas e conversas, Arnaldo utilizava o termo "hospício" em vez de "hospital" e mencionava ter sido transferido do Hospital do Jabaquara para o Hospital Eldorado. Não está claro se isso decorreu de confusão mental ou se as transições realmente ocorreram. Durante a internação, Arnaldo tornou-se pai. Em um jogo de futebol na instituição, foi agredido por outro paciente, sofrendo um corte no supercílio. Ainda se recuperando, recebeu uma visita que coincidiu com sua alta e com o pedido para assumir formalmente a paternidade do filho.
É importante destacar que o sistema de saúde mental no Brasil da década de 1970 enfrentava críticas severas, incluindo denúncias de práticas inadequadas e desumanas em alguns hospitais psiquiátricos. Esse contexto, aliado à confusão mental e à falta de clareza dos eventos ao seu redor, contribuiu para que Arnaldo fosse rotulado como "lóki" pela mídia e pelo público. Sua percepção dos fatos merece análise cuidadosa, pois pode refletir tanto uma interpretação emocional quanto traumas que afetaram sua memória e cognição.
1º
ABRIL
Sexta-feira
A Cidade Mais Bonita
Primeiro de abril
No dia em que o presidente Geisel fecha o Congresso, Glauber telefona para Caetano
Veloso que lhe passa o telefone de Rogério Duarte em Brasília. Perseguido no eixo Rio-São Paulo, taxado de louco, refém das proliferantes patrulhas ideológicas e em profunda crise existencial, Glauber Rocha atende a pedido do amigo e corre para Brasília.
"Passei uma semana em Brasília e fiquei impressionado com o baixo nível dos discursos.
"Brasília é a cidade mais bonita do mundo e a grande Verdade Vos Ilumina. Penso que é necessário fazer as coisas. Isto é o que pensava Kubitschek quando dizia: ‘É preciso fazer Brasília’. Os economistas diziam que Brasília significaria o colapso econômico do Brasil. É verdade que a desvalorização da moeda foi tão grande que isso provocou uma crise econômica. Mas Brasília foi a revolução cultural do Brasil; com sua construção, o Brasil pôde se livrar do seu complexo diante do colonialismo. O despertar político e a consciência do subdesenvolvimento datam da construção de Brasília. Isso é bastante contraditório, porque Brasília era uma espécie de Eldorado, a possibilidade que os brasileiros tinham de criar eles mesmos alguma coisa. (...)
"Aqui, por exemplo, em Brasília, neste palco fantástico no coração do planalto brasileiro, forte irradiação, luz do Terceiro Mundo, numa metáfora que não se realiza na história, mas preenche um sentimento de grandeza, a visão do paraíso, essa pirâmide, esta pirâmide que é a geometria dramática do estado social, no vértice o poder, embaixo, as bases e depois os labirintos intrincados das mediações...” (Glauber Rocha)
Quando chega. Brasília vive a crise dos pacotes das reformas políticas, o Congresso Nacional está fechado, a nação traumatizada. O MDB conseguiu rejeitar, no Congresso Nacional, um projeto de reforma judiciária apresentado pelo governo tendo este fechado o Legislativo, aprovado a reforma por decreto e editado o chamado “Pacote de Abril”, um conjunto de esdrúxulas medidas eleitorais, instituindo a figura do senador biônico, a ser eleito, não pelo povo, mas por um Colégio Eleitoral, que tinha a maioria de seus membros oriundos do partido governamental — a Arena. Deste modo, a abertura de Geisel pôde ser levada até o final de seu governo, com a revogação, em janeiro de 1979, do AI-5.
Rogério Duarte, que trabalha no jornal Correio Braziliense, o recebe no aeroporto levando uma presença. Não precisava. Quando Glauber desce do avião, Rogério Duarte percebe que ele exala profunda marola. — Devia ter fumado muito durante o voo. Em voo, o cineasta substituía o fumo do Hollywood.
Glauber Rocha, com complexo de perseguição e sentimento de culpa pela morte da irmã, Anecy Rocha, viera a Brasília para duas coisas, ter proteção e incitar o general Golbery a passar por cima da Rede Globo para apurar a e prender os supostos criminosos da morte de sua irmã. Com quem se desentendera horas antes de sua queda no fosso do elevador.
Chega aqui feito um molambo, com medo e indignado. Passa por uma terrível fase de consumo de droga, com dificuldades de articular as palavras. É assistido pelos amigos até que consiga falar direito, para então saber o que quer e botá-lo em contato com as pessoas. Através do general Golbery é marcada uma audiência com Armando Ribeiro Falcão, ministro da Justiça que o recebe. Glauber comparece e torrencia a sua versão, que é absurda, mas que ele acredita e enriquece com dados criativos, o cunhado, fã de Hitchcock, teria empurrado a irmã para o fosso do elevador. — É Um Corpo Que Cai (de Hitchcock) com A Marca Da Maldade (de Orson Welles). Teorizou Glauber. Armando Falcão, o ministro político e ministro da segurança interna do governo Geisel fica horrorizado, mas não dá instruções para que a Polícia Federal faça uma averiguação sumária e enrola Glauber que não se conforma e acha que Armando Falcão faz parte da conspiração de silêncio.
Essa importante e produtiva temporada em Brasília é menos conhecida do que suas passagens por Hollywood, Europa, Ásia e Terceiro Mundo.
Em cartaz!
"Como eu poderia pedir a cabeça do Glauber se eu nem tinha o número do telefone do jornal?" — Jaguar.
Glauber Rocha escreve no jornal Correio Braziliense artigos políticos coalhados com ypsilone, uma brincadeira linguística com o vanguardismo dos 20s, num estilo tropicalista e na direção da língua tupi, seus artigos “para chamar a atenção de um povo que não lê” escandalizaram o país não pelo fato de ser publicado os artigos apenas, foi que ele foi manchete do jornal. A esquerda radical e reacionária propaga o rótulo de fascista e desde então várias pessoas ligam para a redação do jornal para saber o motivo de dar espaço para aquele fascista. No Correio Braziliense, Glauber faz um suplemento inteiro na Semana Santa, um espaço que ele não tinha em nenhum jornal do país.
Uma coisa louca do ponto de vista de um jornal conservador. Fernando Lemos e Oliveira Bastos perderam a conta dos telefonemas que recebiam de cineastas e intelectuais, os alertando contra a insanidade de dar espaço aos delírios do cineasta.
"Ele está louco, está alucinado, tem que ser internado." Dizia Jaguar e ouvia um sonoro:
"Vá à merda." Respondido por um dos editores.
Em outro telefonema do gabinete de Ney Braga, o então ministro da Educação e Cultura. Chama Glauber de grande intelectual e como resposta é encostado na parede: "Vou poder fazer o meu filme ou não?" — "Me diga, senão eu saio do Brasil agora e vou para a Bolívia." Um emocionado Ney Braga promete que tomará providências e Glauber apresenta um novo orçamento, de 6 milhões de cruzeiros.
Na primeira página do Correio Braziliense, Glauber produz o impacto que o editor-chefe quer e o impacto é tão violento que Glauber passa a ser apontado como um inimigo das esquerdas. Mas ele tem consciência de que veio para o sacrifício e retruca: — Estudo a história do Brasil e tenho uma vasta informação sobre a cultura e a política brasileiras. Os filmes que faço são produzidos pela realidade econômica, política e cultural do Brasil, e então posso me dar o direito de emitir opiniões sobre eventuais contradições políticas do país. Fiz certas declarações antes de o general Geisel tomar posse e algumas coisas que falei mais ou menos se delinearam no quadro político brasileiro. Não aderi ao governo, porque não disputo o poder nem me interessa satisfazer a centros de poder, sejam eles do governo, de partidos ou de grupos econômicos. Eu posso então emitir opiniões independentes de conceitos vigentes.
Substituindo as letras c, i e s por xs, ys, zs e ks, Glauber mexe com a representação dos fonemas brasileiros e com o processo cultural do país. Faz do jornalismo uma trincheira. Escreve artigos enormes e polêmicos, aproveita a proximidade do poder para dar recados ou fazer elogios incômodos a leitores ortodoxos.
07
ABRIL
Quinta-feira
As contribuições de Glauber Rocha ao jornal Correio Braziliense começam nesse dia, com a publicação do artigo Paixão Segundo Glauber. Três dias depois, no domingo de Páscoa (10 de abril), é encartado o suplemento místico Alvorada, freneticamente concluído por Fernando Lemos, Glauber, Rogério Duarte e TT Catalão, em um clima de velório e tragédia grega, onde “os bárbaros plantam os seus mortos”.
Os editores do Correio Braziliense não fazem qualquer restrição ao que Glauber escreve, permitindo total liberdade em suas contribuições.
Phrometeu
Glauber rocha in Alvorada
II
A ser torturado por um abutre
alimentado pelo sangue biliar de Prometeu,
o abutre rejuvenesce e fica amigo de sua vítima,
que, imortalizado pela dor, gera o amor.
E no prazer de dar, sublima o não ser,
projetado da matéria, feliz porque viu
um nada lacunar entre o ser e o passado:
o fulgor do fogo primário feminino.
Na memória do amor assumido,
sou ela, fogo masculino,
no ventre da terra prometida.
Pacotão: A Rebeldia Carnavalesca Contra a Ditadura e a Política Brasileira
O bloco Pacotão nasceu em 1977, em um contexto de repressão e censura, como resposta ao famigerado "Pacote de Abril", um conjunto de decretos instituído pela ditadura militar que governava o Brasil desde 1º de abril de 1964. Esse regime baniu opositores, torturou, assassinou, cassou mandatos, fechou o Congresso e até criou os chamados "políticos biônicos", eleitos sem voto popular.
Em um sábado ensolarado em Brasília, um grupo de jornalistas se reunia no bar do Clube da Imprensa, em meio a muitas garrafas de cerveja e discussões. Em um momento da conversa, surgiu a ideia: fundar um bloco de carnaval. Com o entusiasmo de todos, nascia ali a Sociedade Armorial Patafísica Rusticana — o Pacotão.
Para o registro histórico, são considerados fundadores do bloco os jornalistas Carlão Lysias, Carlos Augusto Gouveia (Carlão), David Renault, Fernando Lemos, Guarabira, Márcio Varela, Moacyr de Oliveira Filho (Moa) e Racsow. Com o tempo, o Pacotão consolidou-se como um ícone da irreverência carnavalesca e da crítica social.
O bloco encontrou resistência inicial: o diretor do Departamento de Turismo de Brasília, Carlos Black, ameaçou impedir sua passagem pela W3, avenida destinada aos desfiles oficiais. Mas o Pacotão não só desfilou por ali como o fez na contramão. Em ironia, o bloco criou o personagem "Charles Preto", o "presidente vitalício e ditador perpétuo" do Pacotão, uma brincadeira com o nome do diretor. No entanto, com os novos escândalos políticos, o bloco retomou seu espírito original. O maestro Jorge Antunes, veterano do Pacotão desde os anos 70, compôs em 2007 uma marcha-rancho que criticava o próprio bloco, simbolizando o retorno à essência crítica que marcou o início do Pacotão. O Pacotão se destacou pelas críticas afiadas e músicas de tom ácido contra a política brasileira. Com a chegada da Nova República, porém, muitos de seus fundadores passaram a ocupar cargos no governo, e o tom do bloco foi suavizado. As marchinhas passaram a abordar temas menos políticos, chegando até a tratar de assuntos como o uso de "camisinha" em vez de criticar os governantes.
08
ABRIL
Sexta-feira
Clash lança seu primeiro LP,The Clash.
ABRIL
Sid Vicious, então baterista de Siouxsie and The Banshees, substitui Matlock no baixo dos Sex Pistols.
★ Sid adoece. Hepatite um mês de cama no hospital.
24
ABRIL
Domingo
Beatles ao vivo em disco e no palco
Eu farei o possível e o impossível para relembrar essa loucura
Naquele domingo, compramos o jornal e, antes de sujar os dedos nas páginas de esporte e de bandoleirismo explícito, folheamos o caderno de aluguel de imóveis. Mudaríamos para a QNJ de Taguatinga. Depois, sim, eu retirei da edição os nomes das escalações dos jogadores de futebol e colei extasiado nos botões. Inocente, puro e besta, ainda passeando pelo jornal, li uma nota sobre o show dos Mutantes na AABB. Eu queria muito ter ido ao show (deles e d’O Terço). Alguém me levou — o milagre aconteceu.
Populares entre a garotada brasileira, “Os Mutantes” em 1977 eram tão famosos como Beatles.
Desafiando uma remota possibilidade, Brasília teve o privilégio de assistir aos Beatles ressurrectos pelos Mutantes e pelo O Terço. A cidade (que ainda não se tornara a capital do rock nacional, mas já era extorquida pelo frêmito de guitarras e baterias) retribuiu o regalo de forma escalafobética e alucinada, dançando o tempo todo da apresentação — uma manifestação apoteótica e talvez somente vista nesse concerto (inusitadamente realizado em ginásio coberto, como bailinhos dançantes de formatura de ensino médio).
No Ginásio da AABB a febre da Beatlemania — ainda inflamada na memória coletiva daquela geração — foi mais do que comprovada. Não há registro de uma apresentação de qualquer artista (ou grupo) em Brasília que tenha conseguido mexer tanto com o público. Do início ao fim do espetáculo, o ginásio inteiro suou, suingou, saracoteou e guardou lembranças indeléveis para gastar nos duros dias das idades avançadas. Nas arquibancadas, nas galerias e na quadra, a meninada botava os bichos pra fora dançando freneticamente.
Mutantes
Sérgio Dias, guitarra Fender
Paul de Castro, contrabaixo Giannini Jazz Bass
Rui Motta, bateria Ludwig dupla
Luciano Alves, Minimoog, miniKORG, pedais
Primeiro os Mutantes fizeram o show cantando e tocando músicas do seu último disco (Ao Vivo) e algumas composições novas. Como Sérgio Hinds foi acometido por uma febre altíssima momentos antes da apresentação e teve de ser levado às pressas para o hospital, o público não pode curtir o som do conjunto carioca isoladamente. Deste modo, a segunda parte do show foi consagrada a um magnificente tributo em homenagem aos Beatles, com os Mutantes e o Terço em parceria transcendental.
O Terço
Flávio Venturini, Rhodes Fender
Sérgio Magrão, Fender Jazz Bass
Luiz Moreno, bateria Ludwig dupla
O bombardeio começou com “She Loves You”, “Day Tripper”, “Yesterday”, “Help!”. Em “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts CB”, as fardas do Sargento Pimenta luziam, e o show seguiu pela toada de "Magical Mystery Tour" e outros grandes sucessos dos Cavaleiros de Sua Majestade.
Na sinestesia de mundos e épocas, muito provavelmente os dois grupos avistaram, desde o palco, os alaridos coloridos da plateia aloucada, magnetizada pelo apelo do “Get back, get back / To where you once belonged...” — magia presente e exuberante no solo de Sérgio Dias. A audiência, privilegiada, redimiu-se por alguns minutos de meteórica introspecção ao vocal solo de Flávio Venturini em “Let It Be”. Incrível! “Uma loucura!”, como observou uma menininha (destas que os frangotes chamam de “gatinha”) que dançava como se não houvesse amanhã.
Os Mutantes e o Terço fizeram o Ginásio da AABB viver um autêntico happening, talvez o último destas grandes bandas. O final apoteótico, com todo mundo cantando, dançando, batendo palmas, assobiando, gritando e se manifestando de outras maneiras menos convencionais, aconteceu com os dois grupos atacando de “Hey Jude”, uma das composições mais bonitas dos Beatles. Para todos, valeu a pena ter ido à AABB para ver Como Nos Bons Tempos. Histeria coletiva é uma expressão gasta, mas, para efeito imaginativo, confere um quê de verossimilhança ao que se viveu naquela noite brasiliense.
Os grupos brasileiros de rock tiveram seus corações espetados pela cruz da inquisição da crítica nacional — carola e ensimesmada, a cara da classe média botocuda. Num período histórico de resistência, a mídia exercia a incurável patrulha ideológica e se excedia, como se excede tudo que é carente, seja de pão, seja de inspiração. As resenhas do show foram parcas e porcas; a destoante foi a de Irlam Rocha Lima, do Correio Braziliense que se esbaldou, mas não insultou.
Não dá para saber se os caras da imprensa encangada às gravadoras tinham razão ou propositalmente sabiam no que estavam se metendo. A mídia impressa que depende dos resultados de vendagem de suas edições se afundou num messianismo compulsivo, digo indulgente. E os bons tempos foram embora pra Pasárgada. A crítica impiedosa e flibusteira estaria certa? Era justo seu veredito sentenciando aquela linha melódica progressista à morte natural? Percebe-se que seus críticos de plantão não apuraram os ouvidos com suficiente interesse quando escutaram os novos discos, os quais mostravam revelavam, se não um triunfal, pelo menos um obstinado retorno ao campo minado de suas escolhas estéticas.
Essa mídia teria sentido os tremores do punk-rock ou o sismógrafo estava escangalhado e seus ponteiros tortos viraram mais um item da coleção de desafetos interessados em dividir o palco com seus ídolos?
Em Brasília, o público se impressionou com a espuma colorida flutuante, suspensa em frente ao palco e com o calibre dos decibéis. Não estavam interessados nas colunas de jornais, mas na interpretação de Sérgio Dias, cantando “Lady Madonna” e de “Penny Lane” com o coração e demais músculos.
Em Brasília, não havia um corpo de policiais ostensivamente enviados para garantir o clima de paz e amor. Não havia ingressos com preços para todo gosto nem cadeiras numeradas revestidas de veludo.
Sintomaticamente, na capital federal, tudo voou pelos ares, num distúrbio dissipado de jovens apocalípticos, desintegrados. Foi proibido proibir numa sucessão de excessos. Pulou-se, dançou-se, fumou-se — sem depredação. E muitos doidos e inebriados voltaram para casa, para ouvir mais Beatles. Tudo só iê-iê-iê e adrenalina.
Sincretismo
Pelas calçadas dos teatros em Londres ou Nova Iorque, cartazes estampavam o espetáculo Beatlemania. Uma peça que conduzia o público ao chororô, ao histerismo, ao êxtase e à total entrega aos quatro cabeludos de Liverpool. Na verdade, eram bandas meia-boca sem as virtudes e o virtuosismo de um Mutantes ou O Terço. Apresentações onde reluziam coberturas de plástico, em filmes de perucas falsas projetados sobre nossas cabeças. O Brasil seguiu no vácuo dessa nostalgia, economizando dólares com uma produção caseira — em brilho, digna do Municipal —, mas aquém do furor cosmogônico das grandes plateias.
Beatles versus 17.000 pulmões jovens
Acabado, o espetáculo Como Nos Bons Tempos, o show deve continuar: basta colocar na vitrola o recém-lançado LP The Beatles at the Hollywood Bowl, o primeiro e único disco oficial de gravações ao vivo do grupo em concerto. O problema é que o fato de ser oficial não ajuda muito na qualidade técnica do som, o qual, em última análise, prejudica o resultado final do que é mais importante: a música (e a musicalidade).
Gravados em duas oportunidades — 23 de agosto de 1964 e 30 de agosto de 1965 — o LP capta imperturbavelmente a Beatlemania no apogeu: menininhas desmaiando, as histerias e convulsões, gritos agudos e lágrimas em torrentes de paixão. Esse gênero de coisas significa muito barulho e pouca música. E, em que pesem os esforços do produtor George Martin e do engenheiro de remixagem, Geoff Emerick, quem quiser realmente ouvir o som dos Beatles no disco acaba ficando na mão. Pouco adiantou o experiente George Martin reclamar da posição dos microfones mais direcionados para captar a plateia.
Doze anos depois, Martin trata logo de se justificar na contracapa do LP: “Para falar francamente, eu não era favorável à gravação do concerto. Tinha certeza que não poderia ficar tão boa quanto as que fazíamos no estúdio, mas resolvemos tentar assim mesmo. Tecnicamente os resultados foram desapontadores, as condições de trabalho dos engenheiros foram extremamente difíceis. O caos — quase posso dizer pânico — que reinava nesses concertos era inacreditável, a menos que você estivesse lá. Os gritos incessantes de 17.000 pulmões jovens e saudáveis tornariam inaudível até mesmo um avião a jato”.
De uma forma ou de outra, The Beatles at the Hollywood Bowl funciona como documento de uma época das mais interessantes do quarteto — aquela em que eles curtiam ao máximo a condição de superestrelas e em que ainda eram considerados o suprassumo do conjunto popular, que buscava realmente o contato com o público. Pelo disco, você ouve e percebe que eram rocks que faziam a cabeça da garotada sem grandes macetes, como "Twist and Shout", "Dizzy Miss Lizzy", "Boys", "Roll Over Beethoven", "Long Tall Sally", ao lado de canções um pouquinho mais sofisticadas da dupla Lennon & McCartney, como "Ticket to Ride", "Help!", "All My Loving", "Things We Said".
Parcialmente Inédito
A legião de beatlemaníacos que batia ponto na porta das importadoras, desde 1973, conhecia o show do Hollywod Bowl de 1964. E o maior feito do DJ Big Boy foi lançar pela etiqueta Napoleon, no Brasil, o LP And The Beatles Were Born, com apenas um lado da gravação pirata do show de 1964. Foi o primeiro disco pirata nacional. Nele escutam-se até algumas falas cortadas do lançamento oficial. E o mais engraçado é que a matriz desse pirata pertenceu a algum dos quatro Beatles que, separadamente, ganhou uma copia da apresentação gravada pela Capitol, o selo americano que distribuía os discos da banda nos Estados Unidos.
The Beatles at the Hollywood Bowl é recomendável, portanto, a todos os fãs doentios e àqueles que desejem conhecer o clima de ouriço de um concerto no início dos louquérrimos anos 60.
"Quem Fez Rock no Brasil"
Sérgio Hinds, Guitarrista d'O Terço: Um Amálgama de Sons
Eu ainda procuro por uma definição musical para progressivo, como não sou especialista, além das longas suítes, eu acredito em autonomia sem ser rígido. Sérgio Hinds (pronuncia-se "Rainds") é o guitarrista que desde o início capitaneia a nau de O Terço. Falei com ele ontem às vésperas de se reunir ao grupo para os novos ensaios. Ele demonstra excitação e entusiasmo ao falar das novas datas, (maio: Rio — Canecão, SP, Curitiba, BH) e destacou detalhes como a pesada multa em hipótese de quebra de contrato. A conversa rápida envolveu temas conflitantes como o abuso de drogas pesadas por parte dos roqueiros dos anos 70. Esse último parágrafo encontra gancho na posição de alerta ao abuso de drogas ao qual Sérgio Hinds sempre faz questão de frisar. Para mim, progressivo passou a ter também a conotação de qualidade de vida e para fazer música sinfônica ou acorde progressista não é necessário estar/penetrar em outras galáxias que não as sonoras. Ah! Sim! Quando ao telefone, você pergunta: — Sérgio Hinds? Do outro lado uma voz segura responde: — YES!
— Alguns grupos nacionais dos anos 70, como o Peso, hoje, gostariam de gravar um rock tupiniquim mais apoiado no rhythm and blues com bastante ritmo, percussão e um naipe de metais a lá Tim Maia. Como será a volta sonora de O Terço? Pode adiantar um set list do repertório?
SÉRGIO HINDS — Nós continuaremos fiéis ao Progressivo, mas com aquela mistura que sempre fizemos, temas grandes sinfônicos, alternados com rocks básicos e acústicos. Mas num primeiro momento faremos um show que será gravado em DVD com as músicas mais conhecidas do Terço e no máximo 3 músicas novas. Provavelmente só no ano que vem estaremos lançando um disco totalmente de inéditas. Com certeza o público não gostaria de assistir um show da volta do Terço sem ouvir as músicas preferidas e matar a saudade. Nós idem, idem.
— Ás vezes sonhamos com um disco reunindo nossos guitarristas num encontro, poder ser você e o Sérgio Dias e o Lanny Gordin! Já aconteceu algo próximo disso — você tem algum projeto de dividir um disco em duo e qual o guitarrista que faz a sua cabeça agora ou é outro instrumentista?
SÉRGIO HINDS — Com relação a um projeto com outros músicos, não descarto a possibilidade, mas no momento não tenho tempo para me dedicar a esse projeto tão interessante.
— Existe em algum lugar a fita de 1977 com a apresentação de O Terço e Os Mutantes tocando Beatles! Talvez com algum empresário. Você tem conhecimento desta fita? Quais as suas lembranças para este show?
SÉRGIO HINDS — Realmente esse show foi muito marcante e estamos caçando essa fita, pois o show foi gravado em 16 canais com equipamento profissional.
— Alguns grupos brasileiros estão oficializando seus bootlegs dos anos 70, como é o caso de Os Mutantes e Som Nosso! O Terço tem algum material semelhante que poderia ser lançado? A única gravação pirata do Terço é um show ao vivo em Londrina em 1975. Você conhece esse CD? Eu desaprovo estas iniciativas em que os músicos brasileiros são tão explorados e agora o ‘fã’ chega a esse ponto — já defendi esta ideia no site. Parece-me que agora, há uma corrida atrás de velhos tapes até da Casa das Máquinas. Você poderia se posicionar?
SÉRGIO HINDS — Lançaremos o CD de um show ao vivo gravado na década de 70 no dia da estreia da banda. E estamos reunindo outros tapes para continuar fazendo outros lançamentos.
— Abro alas para você colocar alguma coisa que exprima a sua felicidade atual. Apesar de em (dopropriobolso) ainda não haver ‘nada’ do Terço há um rapaz no Rio (Raphael) que faz o (site http://www.xn--tero-2oa.mus.br/), você conhece este site? É lá que eu colaboro com algumas fotos dos anos 70 e algumas entrevistas. O Terço é um nome muito forte, Deus gosta do Terço?
SÉRGIO HINDS — Bom, eu realmente estou muito feliz com a volta do Terço com essa formação que considero a mais importante. Existe uma química entre nós que realmente parece que vem de Deus. Quanto ao http://www.xn--tero-2oa.mus.br/ acho muito bom e melhor que nosso site oficial. Obs.: o site não está mais no ar!
— Eu também não tenho!
Flávio Venturini, voltou de férias na Bahia, Magrão cumpriu temporadas com o 14 Bis por Minas e Sérgio Hinds voou do Rio. O trio ao lado do baterista Sérgio Mello (um baterista profissional com uma pegada Progressiva, oriundo do Espírito Santo) ensaiam o repertório da volta. Enquanto eles não sobem ao palco, a EMI relança três lançamentos dos anos 70 em CD’s individuais, Criaturas da Noite, Casa Encantada e Mudança de Tempo.
Sérgio Hinds não encontrou mais Jorge Amiden (outrora também fundador de O Terço), a ponto de não saber onde mora o mago da tritarra.
Sérgio Hinds, não se apega ao passado, não guarda discos, recortes ou imagens de O Terço, ao contrário de Magrão e Flávinho que possuem imagens dos anos 70.
— Eu também não tenho o primeiro LP de O Terço!
Em 2003, a primeira tentativa de regresso da formação clássica de O Terço foi adiada, quando o baterista Luiz Moreno infelizmente faleceu de ataque cardíaco.
Desde então eles descartaram a volta com um músico do mesmo período em que a banda estava na ativa, optando por uma baterista cuja experiência tenha haver com o Progressivo incrustado. No momento, o site oficial da banda vai ser remodelado e Sérgio Hinds continuará ocupado com a carreira de publicitário e a produção de discos que adiam a realização de outros projetos musicais. Para mim, o sonho será nos encontrarmos em Belo Horizonte…
29
ABRIL
Sexta-feira
Chegava às lojas de discos Thrillington, um álbum assinado por Percy Thrillington, um suposto socialite britânico, que reinterpretava várias canções de Paul McCartney com uma roupagem assumidamente "retrô". Doze anos depois, Paul McCartney revelou a verdade: foi ele o responsável por esse fabuloso álbum e suas versões únicas.
MAIO
Sex Pistols são contratados pela Virgin Records. Logo é lançado o primeiro compacto por essa gravadora.
04
MAIO
Quarta-feira
The Beatles Live at the Hollywood Bowl é um álbum ao vivo lançado em 1977, contendo material dos concertos dos Beatles no Hollywood Bowl entre agosto de 1964 e agosto de 1965.
13
MAIO
Sexta-feira 13!
Sai o segundo compacto do Clash, "Remote Control" / "London's Burning".
"Não ouço nem vejo a Rita há muito tempo; isso me faz muito mal. Más vibrações. Para baixo, Martha não deixa, porque me faz mal."
(Arnaldo Baptista)
★ "Júnior, posso estar enganada, mas essa parceria começou quando o Kokinho e o Arnaldo estavam morando na minha casa, no Horto Florestal, enquanto eu fui para Buenos Aires?" (Sonia Padovitte)
★ “Agora estou bem. Cortei as drogas. Tenho um psiquiatra. Tomo uns remédios. Estou bem. Logo que saí de ser internado, comecei a fazer esse grupo, a Space Patrol. Ia chamar assim, mas, por razões de... evolução... não... chama Patrulha do Espaço.”
(O Globo, Ana Maria Bahiana, 28/04/1978)
Sua declaração de que havia parado com as drogas e encontrado apoio psiquiátrico indica uma tentativa consciente de reconstrução pessoal.
Apesar das dificuldades, Arnaldo encontrou na música uma forma de superar as adversidades. Arnaldo e a Patrulha do Espaço consolidaram-se como uma das frentes criativas mais importantes de sua carreira, refletindo sua resiliência.
★ "A formação inicial da Patrulha foi idealizada para ser uma banda coletiva, de todos nós. Porém, houve uma pressão para que se tornasse 'Arnaldo e nós'. Decidimos, então, criar duas identidades separadas: Arnaldo e a Patrulha do Espaço. Foi a partir dessa mudança que começou o afastamento do John." (Rolando Castello Júnior)
14
MAIO
Sábado
• Caetano Veloso: Minha amizade colorida com Maiakovski
20
MAIO
Sexta-feira
Genesis — Ginásio do Ibirapuera
★ The Jam lança seu primeiro LP, In the City.
21
MAIO
Sábado
Led Zeppelin na última turnê na América — show em The Summit, em Houston Texas.
07
JUNHO
Terça-feira
Sex Pistols acompanham de barco a procissão do Jubileu de Prata da Rainha Elizabeth II, tocando "God Save the Queen" e xingando as autoridades.
★ Compacto dos Sex Pistols "God Save the Queen" chega a no. 1 na parada inglesa.
★ Vibrators lançam seu primeiro LP, The Vibrators.
★ Sai o segundo compacto do Clash, "Remote Control" / "London's Burning".
09
JUNHO
Quinta-feira
Em Londres, em uma audiência privada da Corte, George concordou em conceder o divórcio à sua esposa Pattie Boyd. (Eles eram casados desde 21 de janeiro de 1966.)
JULHO
Sex Pistols proibidos de continuar a turnê Anarchy in the UK na Inglaterra. A banda lança seu terceiro compacto, "Pretty Vacant".
★ Sid é preso e multado por agressão. Nancy Spungen, sua namorada, é presa por porte de arma.
★ Durante o retorno do exílio de Huey em 1977, o Partido dos Panteras Negras estava firme e forte em Oakland, na Califórnia, mantendo uma forte base constituída nas comunidades negras e trabalhistas e preparado para seguir adiante na execução do seu objetivo básico de fazer de Oakland um centro para uma revolução na América.
Logo após o retorno de Newton para Oakland, entretanto, uma combinação da continuidade das atividades do FBI, ainda que mais sutis e sofisticadas (à despeito da morte de J. Edgar Hoover em 1972) e também tensões e conflitos internos corroem o Partido dos Panteras Negras. Ao final da década, o Partido sofreu um lento e irreversível fim.
07, 08 e 09
JULHO
Quinta-feira, sexta-feira, sábado
Emerson, Lake & Palmer: confusões na estrada
Além de toda a pesada aparelhagem que o trio Emerson, Lake & Palmer carrega de cidade em cidade durante suas turnês, a banda decidiu adicionar uma orquestra de 70 músicos para os shows pelos Estados Unidos. A grandiosidade da produção, no entanto, veio com um custo alto: para manter a orquestra reunida e viajando, o grupo estava desembolsando cerca de 215 mil dólares por semana. Com o aumento dos gastos, os empresários decidiram dispensar a orquestra e seguir a turnê apenas com o trio.
A orquestra foi convocada novamente para três apresentações no Madison Square Garden, que eram consideradas o ponto alto da temporada. Sobre a mudança, Keith Emerson comentou: “Estamos desapontados, claro, mas é ótimo saber que podemos tocar sem eles. Ainda somos muito poderosos como trio.” Greg Lake foi mais nostálgico: “A experiência foi incrível, e todos os músicos estavam curtindo. Eu gostaria de mandar setenta cartões-postais com a mensagem ‘wish you were here’ (gostaria que vocês estivessem aqui).”
Com ou sem sinfônica, o Emerson, Lake & Palmer continua com o mesmo peso de sempre.
JULHO
Manson
Originalmente, Charles Manson foi condenado à morte na câmara de gás. No entanto, em 1972, sua condenação foi comutada para prisão perpétua, com a possibilidade de liberdade condicional. Em julho de 1977, ele teve sua primeira audiência de liberdade condicional, que resultou na rejeição de seu pedido.
Manson permaneceu como prisioneiro até sua morte, em 2017.
24
JULHO
Domingo
Recordando o Vale da Maçãs — Clube XV — Santos.
AGOSTO
Sai o primeiro compacto do Generation X (banda de Billy Idol), com as músicas "Your Generation" e "From the Heart".
16
AGOSTO
Terça-feira
Nesse mesmo dia, Elvis pretendia iniciar uma nova turnê e já mantinha plano de se casar em breve com sua companheira Ginger Alden. Ele é encontrado morto no banheiro de sua mansão.
Como uma verdadeira bomba, a notícia de sua morte chega a todos os cantos do mundo. Depois de Mickey Mouse, Elvis é a imagem mais famosa e reproduzida do mundo. Ninguém aceitava a ideia de seu desaparecimento. Milhões choraram por sua morte oficial anunciada — para estes o verso "Good times never seem so good...", tirado da canção "Sweet Caroline", virou um pequeno mantra, da Rota 66 à ferrovia Transiberiana.
Seu funeral foi marcado por cenas de desespero: descabelamentos, desmaios, crises de depressão coletiva e até registros de suicídios. Notavelmente, após uma tentativa de roubo de seu corpo, foi decidido enterrar Elvis nos jardins da mansão Graceland, ao lado de sua mãe, de seu pai e simbolicamente de seu irmão gêmeo. O local, batizado pelo próprio cantor como Jardim da Meditação, tornou-se um ponto de peregrinação para fãs de todo o mundo.
Nesta terça-feira testemunhei uma das imagens mais impactantes do rock’n’roll. Naquela tarde triste e fria no colégio CTN.
Davi, namorado da Amélia, veio de sua casa no M Norte, ele apareceu com uma guitarra feita com arame recozido e cantou algumas canções do Rei. Em seu lábio de Hendrix, o cabelo rente e o bigodinho ele cuspiu rock'n'roll. No paletó de feltro de listras, ele encarnou um selvagem de 1954. Nunca mais vi Davi, ele tinha talento. Tornou-se inesquecível.
AGOSTO
Joe Cocker fará shows em Porto Alegre (RS), no Rio de Janeiro e em São Paulo (no Ginásio da Portuguesa).
“Porque estou na América Latina? Ora, aqui está o futuro do mundo. Todas as explosões artísticas autênticas estão surgindo aqui. Este continente é riquíssimo, e o Brasil mais ainda.”
(Joe Cocker)
17
SETEMBRO
Sábado
Nesse dia, uma sexta-feira no Ginásio do Ibirapuera em São Paulo, a Patrulha do Espaço iniciava sua jornada no planeta rock. No I Concerto Latino-Americano de Rock, a Patrulha do Espaço estreia com o guitarrista Dudu Chermont, fã dos Mutantes.
Concomitantemente, os críticos musicais da época, Nico Pereira de Queiroz e Rafael Varella Jr, destacaram a meia-hora de pane elétrica quando a Patrulha estava no palco e a baixa performance do operador da mesa de som como fatores que comprometeram o pique da apresentação.
23
SETEMBRO
Quinta-feira
A PUC-SP é invadida violentamente pela polícia militar e tropas de choque durante o Terceiro Encontro Nacional de Estudantes, que visava reorganizar a UNE, organização proibida pela ditadura militar. A invasão, sob ordens de Erasmo Dias, Secretário de Segurança Pública de São Paulo, resultou em brutalidade policial, com uso de cassetetes e gás lacrimogêneo, causando feridos e cerca de 900 estudantes detidos. No dia seguinte, o Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns condenou a violência, destacando que a universidade deveria ser respeitada e ajudada, não destruída. O episódio foi um marco na resistência estudantil contra a repressão da ditadura.
★ Sai o terceiro compacto do Clash, "Complete Control" / "The City of the Dead".
1977
OUTUBRO
Curiosamente, conforme registrado no livro A Divina Comédia dos Mutantes, Sérgio Dias tentou sondar Arnaldo para um possível retorno aos Mutantes. Porém, encontrou o irmão mais deprimido e alucinado do que antes. Dessa vez, Arnaldo tinha uma justificativa para recusar: estava tocando com sua nova banda, Arnaldo e a Patrulha do Espaço, ao lado de Dudu Chermont (guitarra), Kokinho (contrabaixo) e Rolando Castello Jr. (bateria).
A recusa de Arnaldo em retornar aos Mutantes demonstra sua determinação em seguir um novo caminho com a Patrulha do Espaço, consolidando um período de autonomia criativa e independência emocional.
A trajetória de Arnaldo Baptista nesse período é marcada por perdas, transformações e momentos de resiliência. Seu legado, tanto no trabalho solo quanto com a Patrulha do Espaço, transcende as adversidades que enfrentou, revelando um artista complexo, vulnerável e, acima de tudo, humano.
★ Sex Pistols, tour pela Suécia de 3 semanas.
★"You Are My Love", do Liverpool Express, está estourando no Brasil! A banda britânica, que vem conquistando fãs por onde passa, é uma das primeiras a realizar uma grande turnê na América do Sul, incluindo o Brasil, o que só aumenta sua popularidade por aqui.
A música "You Are My Love" ganhou ainda mais destaque ao ser escolhida como tema da novela Um Sol Maior, exibida em 1977. Desde então, tornou-se um grande sucesso, especialmente entre os fãs de rock dessa década.
O Liverpool Express vem se destacando não só pelos sucessos de estúdio, como "Smile (My Smilers, Smile)", "Never Be the Same", "Call Me" e "Lae Mei", mas também por suas apresentações ao vivo cheias de energia. A banda já abriu shows para Rod Stewart na Europa e agora traz para o Brasil a força dessa nova geração do rock de Liverpool, prometendo momentos inesquecíveis para os fãs brasileiros.
09
OUTUBRO
No dia do aniversário de John Lennon e em homenagem a Big Boy, é fundado o Beatles Cavern Club de São Paulo, que editava o jornalzinho trimestral Big Boy News. Luís Antônio da Silva organizou o livro Beatles Por Eles Mesmo. Segura a onda beatle até hoje.
No auditório da Igreja Nossa Senhora de Lurdes, no Rio, uma centena de beatlemaníacos que além de assistir a diversos filmes dos Beatles, também oraram pela volta do quarteto.
21
OUTUBRO
Sexta-feira
Love Songs dos Beatles é lançado
All tracks written by John Lennon and Paul McCartney, except where noted.
Love Songs é uma coletânea dos Beatles, lançada nos EUA em 21 de outubro de 1977 (novembro de 1977 no Reino Unido). O álbum alcançou a posição #24 na parada Billboard 200 Top LP's & Tapes e permaneceu por 31 semanas.
Arte
A embalagem original do LP incluía um livreto de 11 x 11 polegadas, com as letras das músicas impressas em estilo caligráfico, em papel que simulava pergaminho. Nas primeiras tiragens, a capa era de couro simulado, e a imagem dos Beatles (uma reinterpretação do retrato de 1967 feito por Richard Avedon, publicado na Look Magazine) era em ouro simulado. O LP também foi disponibilizado em vinil amarelo.
História do Design do Álbum
A embalagem deste conjunto foi criada por Kenneth R. Anderson, então Diretor de Arte da Capitol Records nos EUA.
"Na Capitol Records, recebi a tarefa de criar uma embalagem de luxo para um novo álbum duplo dos Beatles. Com o Natal de 1977 se aproximando, a Capitol estava mirando alto: 25 músicas românticas que até a vovó iria adorar. Mas eram todas canções que todos já tinham, nada novo estava sendo oferecido, apenas uma embalagem potencialmente luxuosa. Para o encarte interno, sugeri o uso de uma foto icônica de Richard Avedon. Ela havia sido vista em 1968 na revista Look nos EUA e na Stern na Europa. Não eram as fotos psicodélicas individuais, mas o icônico panorama em preto e branco de quatro páginas, conhecido como "Mount Rushmore".
Só havia um problema: Paul estava na foto original, mas escondido no canto inferior esquerdo, quase metade do tamanho de John. Eu tinha que convencer Avedon a nos vender a foto e permitir que a desmontássemos e reconstruíssemos sua famosa imagem, para que Paul ficasse mais proporcional aos outros. (Paul era o único ex-Beatle ainda na Capitol, com os Wings, e estava em turnê pelos EUA como parte da campanha da gravadora).
"Apenas me envie o layout", Avedon concordou facilmente, e então entendi por quê. Ao contrário da foto de Robert Freeman para Meet the Beatles, o retrato de Avedon era, na verdade, composto por quatro fotos individuais unidas. Por isso, todos estavam em foco, independentemente do tamanho ou posição; não era apenas a famosa câmera de grande formato de Avedon."
"Aquele couro rico era, na verdade, um pedaço de papel texturizado cor de tan que peguei na McManus & Morgan, na 7ª Rua. No estacionamento da Capitol Records, borrifei o papel com tinta Burnt Sienna e Burnt Umber. Após a impressão da capa, ela foi texturizada com relevo, como uma reprodução barata de pintura a óleo."
Resenha
(Richard S. Ginell, AllMusic)
Depois do sucesso com o álbum duplo Rock’n’Roll Music em 1976, a Capitol lançou no ano seguinte o que seria o "lado B" desse álbum, uma coletânea de baladas dos Beatles em dois LP’s. O conjunto de 25 músicas abrange quase toda a carreira da banda, desde o primeiro single ("P.S. I Love You") até o último ("The Long and Winding Road"). Sem dúvida, é uma jornada notável, provando de forma indelével que John Lennon e Paul McCartney — e, com "Something", George Harrison — escreveram canções de amor que transcenderam sua época.
No entanto, agrupar todas essas músicas uma após a outra não foi uma boa ideia. Os Beatles representavam equilíbrio, com as personalidades dos quatro integrantes interagindo, editando e aprimorando uns aos outros — e a música refletia esse equilíbrio, mesmo enquanto se tornava mais ousada e eclética. Esta coletânea inclina demais a balança para um único lado, dando a impressão de que essa banda, sempre inventiva, soava sentimental e previsível.
O álbum foi lançado em uma capa dupla de imitação de couro marrom com letras douradas, acompanhado de um livreto de 28 páginas com as letras das músicas e uma foto dobrável de Richard Avedon dos Fab Four — um pacote claramente destinado às compras por impulso no fim de ano. Ainda assim, o álbum só alcançou a posição 24 nas paradas, sendo o primeiro álbum dos Beatles pela Capitol a não atingir o Top Ten — ou sequer o Top Three! — desde The Early Beatles.
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OUTUBRO
Sai o primeiro LP dos Sex Pistols, Never Mind The Bollocks, Here's The Sex Pistols.
★ Início das filmagens de Who Killed Bambi? Seria uma espécie de filme Let it Be do punk? Um projeto de McLaren, dirigido por Russ Meyer
★ É lançado o LP ao vivo Refestança, de Gilberto Gil e Rita Lee (acompanhada pelo Tutti Frutti). O disco vendeu mais de 200 mil cópias.
★Tim Maia (álbum de 1977)
FILMES
Andy Warhol's Bad, 1977 (producer).
★ (The) Grateful Dead Movie (1977) — Documentário — Colorido — 131 minutos. Direção: Jerry Garcia. Mais uma reunião da tribo que um filme-concerto, esse documentário captura o Dead em cinco noites em San Francisco, em 1974. Um longo e deslumbrante desenho animado, realizado por Gary Gutierez, abre o filme.
★Abismu sobre uma evocação de Hendrix, Rogério Sganzerla o realiza sobre uma evocação de Hendrix.
★Jorjamado no cinema (Glauber Rocha). Não-ficção, média-metragem, 16mm, colorido, 50 minutos. 1977. Companhia produtora: Embrafilme/Secteur Radio et Telévision; Diretor e montagem: Glauber Rocha; Diretor de produção: Albertino Fonseca; Assistente de direção: Tizuka Yamazaki e Almir Muniz; Fotógrafo: Walter Carvalho. Tomadas: Walter Carvalho, Nonato Estrela e Glauber Rocha. Som: Lael Rodrigues. Montagem: Carlos Cox, com assistência de Luís Fernando Sarmento.
Entrevista com Jorge Amado em sua casa no Rio de Janeiro.
★Di-Glauber (“Ninguém assistiu ao formidável enterro de sua última quimera: somente a ingratidão, essa pantera, foi sua companheira inseparável.”)
(Augusto dos Anjos).
NOVEMBRO
"We Are the Champions" e "We Will Rock You", lançados como um single de lado duplo pelo Queen, se tornaram hinos de perseverança e vitória, compostos por Freddie Mercury. Incluídas no quinto álbum News of the World, as músicas alcançaram grande sucesso imediato, dominando as paradas de vários países. Com essa fase, o Queen consolidou ainda mais sua posição como uma das maiores bandas de rock do mundo, expandindo sua base de fãs globalmente.
DEZEMBRO
"A Fender Stratocaster, é realmente uma guitarra fantástica um cabo incrível, eu gosto muito do som dela e a alavanca dela é uma coisa que me seduz demais e o legal dela é que ela é uma guitarra muito pessoal, isto é, com cada pessoa ela dá um som, não é como a Gibson que sempre tem o mesmo som. A Strato me deu mais liberdade e foi aí que eu comecei a comprar pedais".
Sérgio Dias ao Jornal de Música, números 36 e 37, Dezembro/1977 — Janeiro/1978. Coluna SOM.
"Os Mutantes eram o Arnaldo, eu sempre disse isso, sempre achei isso. Era a base dele, da loucura dele, que o Serginho completava com aquele perfeccionismo dele, como o ótimo músico que ele era e é. Eu dava mais os lances visuais. Mas o coração era o Arnaldo. Tanto que eu saí, mas os Mutantes só desbaratinaram quando o Arnaldo sartou. Os Mutantes de hoje... Olha, acho que o Serginho devia ter trocado de nome, aquilo não tem nada a ver com os Mutantes. É uma coisa bem-feita, o Serginho é excelente, mas é aquela frieza, aquele Mahavishnu todo... e eu que me lembro do Serginho bem tchã... tchã... cheio de balanço.
Rita Lee ao Jornal de Música e Som, 1977.
Vímana (RJ)
Vímana produz material para um LP — nunca lançado — e um compacto — que a gravadora Som Livre guardou na geladeira por oito meses antes de editar, já em 1977.
Foi uma banda brasileira de rock progressivo formada nos anos 1970, composta por músicos que mais tarde se tornariam famosos, como Lulu Santos, Ritchie, Lobão e Luiz Paulo Simas. A banda passou por várias formações, começando com integrantes do Módulo 1.000 e Veludo Elétrico. Em 1975, com a entrada de Ritchie e Lobão, a formação mais conhecida da banda foi consolidada.
Vímana teve grande potencial técnico, com influências de Yes, Genesis e Emerson, Lake & Palmer. Eles se destacaram com shows de rock progressivo, apesar de problemas com equipamento e som nos palcos. Um dos marcos foi a gravação de um compacto chamado Zebra, mas um LP completo nunca foi lançado devido à decisão da gravadora, que alegou falta de público para rock no Brasil.
Além de trabalhar como músicos de estúdio para outros artistas, o grupo quase formou uma banda com o ex-membro do Yes, Patrick Moraz. No entanto, conflitos entre os integrantes e o músico levaram ao fim da banda em 1978. Mesmo assim, Vímana alcançou status cult no cenário musical brasileiro, em parte devido às carreiras bem-sucedidas de seus membros após a dissolução.
O nome Vímana, que significa "disco voador" em sânscrito, reflete o fascínio de Lulu Santos por OVNIs e temas interplanetários, uma das hipóteses sobre a escolha do nome da banda.
DF
No longínquo 1977, deslocados no perpétuo vazio do Distrito Federal, e sem grandes pretensões, um agrupamento formado por familiares mineiros: irmãos, primos e amigos partiram para ocupar o tempo ocioso. — Sua primeira canção? "Marciano Sodomita".
Punk Nacional
"As primeiras bandas que realmente tinham toda essa vivência dentro desse tipo de rock’n’roll, seja no sentido musical ou de comportamento, foram Restos de Nada e Condutores de Cadáver. Começaram no final de 1977 a ensaiar suas músicas não apenas por diversão ou para se tornar astros do rock, mas sim, para, com estilo, ser a Nova Onda rebelde que varreria, como um tsunami, toda a pose patética dos velhos rockstars, criando uma nova forma de se fazer música, ou seja, com o mínimo fazer o máximo, ou como diria T.V. Smith: 'One Chord Wonder'." (Ariel)
A primeira banda a sair da garagem foi a Restos de Nada, pois já vinha ensaiando desde 1977 e era acompanhada por algumas que viriam a seguir, como a AI-5, NAI, Condutores de Cadáver e Cólera, todas com forte ligação à Vila Carolina. O começo foi muito difícil para essas bandas, pois além da péssima qualidade dos aparelhos e instrumentos, as iniciantes enfrentam preconceitos de todos os lados, inclusive das próprias famílias, que não Entendiam direito o que estava acontecendo com aqueles jovens proletários que passaram a ser diferentes num mundo de iguais.
OBITUÁRIOS
07
MARÇO
Segunda-feira
O Brasil perdeu Big Boy aos 33 anos, um dos maiores discotecários do país. Ganhou o apelido de Reynaldo Jardim. Era asmático e teve parada cardíaca num hotel em São Paulo. “Ele tomava muita cortisona para a asma, e acho que por isso teve o enfarte”. (Lúcia Duarte).
Newton Alvarenga Duarte, nascido no Rio de Janeiro, foi o mais importante disc jockey de sua época, responsável por uma verdadeira revolução no rádio brasileiro. Apaixonado por música desde a infância, ainda adolescente, iniciou uma coleção de música pop que chegou a 20 mil discos. Como locutor, introduziu uma linguagem jovem, mais próxima do público que o ouvia. Seu "hello crazy people!", a maneira irreverente como saudava os ouvintes, tornou-se marca registrada de um estilo próprio, descontraído, diferente da voz impostada dos locutores de então. Como programador, demonstrou extrema sensibilidade ao captar o gosto do público, observando as tendências musicais ao redor do mundo e inovando a partir de ideias que modificaram todo um sistema de programação estabelecido.
27
MARÇO
Domingo
Morre a irmã de Glauber Rocha; Anecy Rocha, que caiu acidentalmente no poço de um elevador. A família Rocha se caracterizou pela força e pela tragédia, mas essa dor foi demais para Glauber, recém-chegado, deixando o cineasta abalado e completamente transtornado, começava seu isolamento e distanciamento do pensamento cinematográfico e da realidade brasileira.
11
ABRIL
Segunda-feira
Jacques Prévert (1900-1977). Foi um influente poeta e roteirista francês, amplamente reconhecido por sua contribuição à literatura do século XX e por sua linguagem acessível e musicalidade. Nascido em Neuilly-sur-Seine, ele estudou na Escola de Belas Artes e, inicialmente, trabalhou como artista gráfico antes de se dedicar à escrita.
16
AGOSTO
Terça-feira
Elvis é encontrado morto no banheiro de sua mansão. A notícia de sua morte chega a todos os cantos do mundo como uma verdadeira bomba.
Após receber uma ligação de emergência de Ginger Alden, noiva de Presley — Presley havia se divorciado de sua esposa em 1973 — o Sr. Joe Esposito correu para encontrar Presley morto em um banheiro em Graceland. Ele posteriormente deu a notícia a Priscilla Presley e a Tom Parker, o empresário de Presley. Ele foi um dos carregadores do caixão no funeral de Presley.
Depois de Mickey Mouse, Elvis é a imagem mais famosa do mundo em reproduções e ninguém aceitava a ideia de sua morte.
Seu funeral é marcado até mesmo por suicídios e após a tentativa de roubo de seu corpo, seu pai decide trazê-lo, e enterrar Elvis, sua mãe e o irmão gêmeo (este último simbolicamente), nos jardins da "mansão Graceland", num local chamado pelo cantor de "Jardim da Meditação".