O que vem aí nos 44 anos do Do Próprio Bolso (1982–2026)?

“It’s better to burn out than to fade away… rust never sleeps.”

Do Próprio Bol$o & Amigos – 44 anos sem baixar a cabeça

A.R.D
Sala de Gritos
Dino Black
Os Candangos
ABMLDC tributo a Júpiter Maçã

SÁBADO • 15H
07/03/2026
Sede do Do Próprio Bol$o
Cada um traz sua bebida

Como na maravilhosa história de O Maravilhoso Mágico de Oz, eu sigo meio Espantalho, caminhando atrás de um cérebro – ou do que convencionaram chamar de saber legítimo. No fim da jornada, porém, em vez de um diploma emoldurado na parede, recebi um acesso ao ChatGPT. É apenas uma introdução ao tema das múltiplas formas de pressão intelectual que nos cercam, esse ritual permanente de validação e reconhecimento, que talvez nem fosse assim tão necessário.

Johnny – ou seja lá por que tantos empresários brasileiros adotam nomes anglo-americanos – me perguntou se eu já tinha investido em aparelhagem nova ou se ainda era a mesma de antes. Respondi que continuávamos tocando com o mesmo equipamento do século XX. Não entendi bem aquela pergunta travestida de evolução, potência, alcance, determinação. Havia algo meio podre naquele entusiasmo técnico.

Depois, outro músico, desses semiprofissionais cheios de protocolos, quis saber se precisava levar aparelhagem quando a banda dele fosse tocar e se o público realmente aparecia. Fiquei balbuciando, como quem lambe sabão. De repente, parecia que o troféu “música” exigia uma parafernália cara e reluzente para satisfazer egos – e que eu deveria me nivelar às grandes casas do ramo, cobrar couvert, vender birita, pagar cachês. A eterna guerra das atrações.

Confesso que aquilo me perturbou. Eu ainda deveria insistir na música como laboratório, como espaço de experimentação e fluxo livre? Ou estaria condenado a me render à lógica do mercado – ou, num gesto dramático, tentar um haraquiri simbólico da minha própria utopia sonora?

Então esse clima de angústia nunca se dissipou. E assim chegamos aos 44 anos culturais e profanos de rock – seus matizes, seus vernizes, suas ferrugens também. Como na maravilhosa história de O Maravilhoso Mágico de Oz, recrutei cinco andarilhos, mochileiros internacionais, caminhantes de galáxias distantes.

Pensei em Louis Armstrong, saltei para Kurt Cobain e, por que não, convoquei Júpiter Maçã. Juntei o continente África United na presença de Dino Black; somei a rebeldia inconformista e política das bandas Sala de Gritos e A.R.D; e abri as portas da percepção numa jornada tributária ao ídolo morto Júpiter Maçã, em um ousado tributo da Banda Mais Lama.

Tudo isso formando um painel indecente da música de rua – crua, barulhenta, necessária – e sua valiosa mensagem: jamais abaixaremos a cabeça.

O convite está posto à mesa: seja educado, chegue no horário – e, ah, não apareça de mãos vazias.

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