Robin Trower aos 80: a chama do blues-rock continua acesa (2026)

Robin Trower aos 80: a chama do blues-rock continua acesa

Há artistas que passam a vida inteira tentando escapar do peso do próprio passado. Robin Trower parece ter escolhido outro caminho: respeitar sua história sem se tornar refém dela.

Aos 80 anos, o guitarrista britânico continua gravando, compondo e lançando discos inéditos, provando que sua criatividade permanece viva muito além dos anos dourados do blues-rock dos anos 1970. Para quem o conheceu através de clássicos como Bridge of Sighs, For Earth Below, Long Misty Days e In City Dreams, a boa notícia é que Trower ainda tem muito a dizer.

A fase recente

Seu álbum mais recente, Come and Find Me (2025), mostra um músico que continua fiel à própria identidade. O disco traz as marcas registradas de sua guitarra: sustain generoso, wah-wah elegante, melodias envolventes e aquela atmosfera quase hipnótica que o acompanha desde os tempos em que foi apontado como um dos grandes herdeiros da linguagem criada por Jimi Hendrix.

Faixas como A Little Bit of Freedom, One Go Round, Come and Find Me, Time Stood Still e I Fly Straight to You demonstram que o guitarrista continua inspirado e produtivo.

Antes dele veio Joyful Sky (2023), trabalho realizado em parceria com a cantora Sari Schorr. O álbum aproximou Trower do soul e do R&B, sem abandonar o blues-rock que sempre definiu sua carreira. Segundo o próprio músico, escrever para a voz de Schorr o levou a explorar novas possibilidades como compositor.

No More Worlds to Conquer (2022) foi recebido com entusiasmo por fãs e crítica especializada. Muitos consideram o disco um dos melhores trabalhos de sua fase madura, reunindo composições fortes e solos que mostram que sua assinatura musical continua intacta.

Em 2024, preocupou os admiradores ao cancelar uma turnê nos Estados Unidos para se submeter a uma cirurgia de grande porte. Felizmente, a recuperação foi bem-sucedida e Trower retornou às atividades em 2025.

Mas para entender por que esses discos continuam relevantes, é preciso lembrar das pessoas que ajudaram a construir a sonoridade clássica de Robin Trower.

James Dewar: a voz da alma

Se Robin Trower era o coração instrumental da banda, James Dewar era sua alma.

Baixista e vocalista, Dewar possuía uma voz grave, calorosa e profundamente emotiva. Foi ele quem deu vida a clássicos como Daydream, Bridge of Sighs, Too Rolling Stoned, For Earth Below, Bluebird, Long Misty Days e Somebody Calling.

Nascido na Escócia em 1942, Dewar passou por grupos como Stone The Crows e Lulu and the Luvvers antes de se unir a Robin Trower em 1973. A parceria transformou-se rapidamente em uma das mais importantes do blues-rock britânico.

Durante os anos 1970, sua interpretação vocal tornou-se uma das características mais marcantes dos discos de Trower. Curiosamente, em álbuns como In City Dreams e Caravan to Midnight, ele concentrou-se principalmente nos vocais, enquanto o baixo passou para as mãos de Rustee Allen.

Após a diminuição do sucesso comercial da banda nos anos 1980, os caminhos dos dois músicos se separaram. Dewar chegou a gravar um álbum solo, Stumbledown Romancer, mas o trabalho permaneceu inédito por muitos anos.

Infelizmente, sua história teve um desfecho triste. Acometido pela CADASIL, uma rara doença hereditária responsável por sucessivos derrames cerebrais, passou os últimos anos de vida enfrentando sérios problemas de saúde. James Dewar faleceu em 16 de maio de 2002, aos 59 anos.

Hoje, continua sendo lembrado como uma das vozes mais subestimadas da história do rock. Quem ouve os discos clássicos de Robin Trower percebe imediatamente que aquelas canções não seriam as mesmas sem seu talento.

Bill Lordan: o motor da máquina

Se Dewar era a alma, Bill Lordan era o motor.

Nascido em Minneapolis em 1947, Lordan já possuía uma carreira sólida antes de ingressar na banda de Robin Trower. Tocou com o grupo Gypsy e integrou a formação de Sly & The Family Stone antes de assumir a bateria da banda em 1974.

Sua estreia ocorreu em For Earth Below (1975), disco que ajudou a consolidar a formação clássica composta por Robin Trower, James Dewar e Bill Lordan.

A bateria firme e precisa de Lordan está presente em alguns dos melhores trabalhos da carreira do guitarrista:

0 trower Trio

  • For Earth Below (1975)
  • Long Misty Days (1976)
  • In City Dreams (1977)
  • Caravan to Midnight (1978)
  • Victims of the Fury (1980)

Em 1981, participou do projeto B.L.T., ao lado de Robin Trower e Jack Bruce, ex-integrante do Cream. Foi seu último grande trabalho ao lado de Trower.

Depois disso, continuou atuando como músico profissional e criou seu próprio projeto, o Bill Lordan Experiment.

Diferentemente de James Dewar, Bill Lordan segue vivo e é frequentemente lembrado pelos admiradores da banda como um baterista exemplar: técnico sem exageros, poderoso sem ser espalhafatoso e sempre comprometido com a música.

Um trio que atravessou gerações

Muitos fãs acreditam que a combinação Robin Trower, James Dewar e Bill Lordan foi tão importante para o blues-rock dos anos 1970 quanto a formação clássica do Cream foi para Eric Clapton.

A química entre a guitarra atmosférica de Trower, a voz soul de Dewar e a bateria sólida de Lordan produziu alguns dos álbuns mais marcantes da década.

Talvez seja por isso que discos como Bridge of Sighs, For Earth Below, Long Misty Days e In City Dreams continuem soando atuais meio século depois.

E talvez seja também por isso que, aos 80 anos, Robin Trower continue encontrando novos caminhos. Afinal, quando a música nasce da paixão genuína, a estrada nunca termina.

Articles View Hits
13936470

We have 1922 guests and no members online

Download Full Premium themes - Chech Here

София Дървен материал цени

Online bookmaker Romenia bet365.ro