Os grandes tributos a Jimi Hendrix: de Gil Evans a Stone Free e In From the Storm (2026)

Os grandes tributos a Jimi Hendrix: de Gil Evans a Stone Free e In From the Storm

A obra de Jimi Hendrix continua sendo uma das mais revisitadas da história do rock. Entre as inúmeras homenagens lançadas após sua morte, três produções ocupam lugar de destaque: The Gil Evans Orchestra Plays the Music of Jimi Hendrix (1974), Stone Free: A Tribute to Jimi Hendrix (1993) e In From the Storm: The Music of Jimi Hendrix (1995). Embora diferentes em proposta, os três trabalhos demonstram como as composições de Hendrix ultrapassaram as fronteiras do rock e passaram a dialogar com o jazz, a música orquestral, o blues e a música contemporânea.

O pioneiro: The Gil Evans Orchestra Plays the Music of Jimi Hendrix (1974)

Lançado pela RCA em 1974, este foi o primeiro grande álbum inteiramente dedicado à releitura da obra de Hendrix por um único maestro e uma grande orquestra.

O projeto nasceu de um sonho interrompido. Gil Evans e Hendrix planejavam gravar juntos um álbum para big band em 1970. A morte do guitarrista impediu o encontro, e Evans decidiu transformar a ideia em homenagem.

Mais do que um disco de versões, trata-se de uma recriação completa. Evans praticamente reescreve as composições para uma orquestra de jazz, utilizando:

  • metais em destaque;
  • harmonias expandidas;
  • improvisação coletiva;
  • texturas impressionistas;
  • mudanças estruturais nas músicas.

Os arranjos são integralmente de Gil Evans, considerado um dos maiores orquestradores da história do jazz, célebre por suas colaborações com Miles Davis.

Faixas

  • Angel
  • Crosstown Traffic
  • Little Miss Lover
  • Castles Made of Sand
  • Foxey Lady
  • Up From the Skies
  • 1983... (A Merman I Should Turn to Be)
  • Voodoo Child
  • Gypsy Eyes
  • Little Wing

O tributo coletivo: Stone Free: A Tribute to Jimi Hendrix (1993)

Após quase vinte anos sem um grande tributo oficial, surgiu Stone Free, lançado em 1993 pela Reprise.

A proposta era completamente diferente da de Gil Evans.

Cada artista recebeu liberdade para reinterpretar Hendrix segundo sua própria identidade.

Participaram músicos do rock alternativo, hard rock, blues, soul e funk.

Entre eles:

  • Eric Clapton
  • Jeff Beck
  • Buddy Guy
  • Seal
  • Nigel Kennedy
  • Pat Metheny
  • Body Count
  • The Pretenders
  • Spin Doctors

Há arranjos orquestrais?

Não.

O disco não utiliza uma orquestra como conceito central.

A exceção é a leitura de Third Stone From the Sun, de Pat Metheny, que apresenta um elaborado tratamento harmônico e camadas instrumentais, mas não uma escrita orquestral tradicional.

Outro caso singular é Hey Joe, interpretada por Nigel Kennedy, cuja sonoridade é construída sobre violino e instrumentos de câmara.

Não existe um único arranjador responsável pelo álbum; cada artista desenvolveu seu próprio arranjo.

In From the Storm: The Music of Jimi Hendrix (1995)

Dois anos depois surgiu um tributo ainda mais ambicioso.

Produzido por Eddie Kramer, engenheiro de gravação que trabalhou com Hendrix entre 1967 e 1970, o álbum reuniu músicos de diferentes estilos.

Ao contrário de Stone Free, existe aqui uma direção artística única.

Outro diferencial importante foi o uso da London Metropolitan Orchestra, responsável pelas passagens sinfônicas presentes em várias faixas.

Os arranjos orquestrais foram escritos por Richard Cottle, tecladista, compositor e maestro que colaborou com Eddie Kramer para integrar orquestra e banda de rock.

Entre os convidados aparecem:

  • Sting
  • Carlos Santana
  • Brian May
  • Steve Vai
  • Paul Rodgers
  • Bootsy Collins
  • Bernie Worrell
  • Buddy Miles
  • Robben Ford
  • John McLaughlin
  • Toots Thielemans
  • Doug Pinnick
  • Corey Glover
  • Sass Jordan
  • Eric Schenkman
  • Hiram Bullock

Comparando Gil Evans e In From the Storm

São os dois únicos grandes tributos oficiais que utilizam uma concepção orquestral consistente.

Gil Evans (1974)In From the Storm (1995)
Jazz orquestral Rock sinfônico
Arranjos de Gil Evans Arranjos de Richard Cottle
Improvisação de big band Orquestra integrada a bandas de rock
Recriação completa das músicas Respeita mais a estrutura original
Orquestra é protagonista Orquestra funciona como complemento

Faixas repetidas

As duas obras possuem apenas uma música em comum:

  • Little Wing

A diferença é marcante.

Gil Evans transforma a composição em uma suíte de jazz, cheia de contrapontos e espaço para improvisação.

Já Richard Cottle cria uma atmosfera lírica para a interpretação de Toots Thielemans, utilizando cordas e madeiras para sustentar a melodia.

Artistas participantes (por ordem cronológica)

1974 — Gil Evans Orchestra

  • Gil Evans — maestro e arranjador.
  • David Sanborn — saxofonista.
  • Billy Harper — saxofonista.
  • John Abercrombie — guitarrista.
  • Ryo Kawasaki — guitarrista.
  • Howard Johnson — tubista e saxofonista.
  • Lew Soloff — trompetista.
  • Bruce Ditmas — baterista.
  • Herb Bushler — baixista.
  • David Horowitz — pianista.
  • Trevor Koehler — saxofonista.
  • Sue Evans — percussionista.
  • Entre outros integrantes da orquestra de Gil Evans.

1993 — Stone Free

  • Eric Clapton — blues-rock.
  • Jeff Beck — rock instrumental.
  • Buddy Guy — blues de Chicago.
  • Seal — soul e pop.
  • Nigel Kennedy — violino clássico.
  • Pat Metheny — jazz contemporâneo.
  • Body Count — metal.
  • Pretenders — rock britânico.
  • Spin Doctors — funk rock.
  • Living Colour — hard rock e funk metal.
  • The Cure — rock alternativo.

1995 — In From the Storm

Além dos artistas já citados:

  • London Metropolitan Orchestra — orquestra.
  • Richard Cottle — arranjador.
  • Eddie Kramer — produtor.

Os tributos na bibliografia sobre Hendrix

Esses álbuns costumam ser mencionados em obras de referência dedicadas a Hendrix, especialmente em seções de discografia e legado, entre elas:

  • Jimi Hendrix: Electric Gypsy
  • Ultimate Hendrix
  • Jimi Hendrix: Sessions
  • Room Full of Mirrors
  • Setting the Record Straight

Em geral, essas publicações citam os tributos como exemplos da permanência da influência de Hendrix sobre músicos de diferentes gerações e estilos, embora não lhes dediquem análises extensas.

A importância histórica

Os três tributos representam momentos distintos da consolidação do legado de Jimi Hendrix.

O álbum de Gil Evans foi pioneiro ao demonstrar que as composições de Hendrix podiam ser tratadas como repertório de jazz orquestral, elevando-as ao mesmo patamar de obras reinterpretadas por grandes maestros. Stone Free aproximou Hendrix de uma nova geração de artistas do rock, blues, jazz e música alternativa, reafirmando a universalidade de seu repertório. Já In From the Storm reuniu músicos ligados direta ou indiretamente ao guitarrista sob a supervisão de Eddie Kramer, combinando interpretações contemporâneas com uma produção sofisticada e elementos sinfônicos.

Em conjunto, esses três projetos contribuíram para ampliar a percepção crítica sobre Hendrix: mais do que um virtuose da guitarra, ele passou a ser reconhecido como um compositor cuja obra suporta releituras em linguagens muito diferentes, do jazz orquestral ao rock sinfônico, mantendo sua força artística décadas após sua morte.

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