Álbum de fotografias: Joey Arias. David Bowie e Klaus Nomi e (1979)

ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS

0 bowie

Há imagens que não registram um momento — fundam um território. Esta é uma delas.

No Saturday Night Live de 15 de dezembro de 1979, David Bowie surge no centro como um totem futurista, atrás de um figurino que parece mais arquitetado do que costurado. Ao seu lado, Klaus Nomi e Joey Arias não funcionam como coadjuvantes, mas como forças gravitacionais que estabilizam a cena. O palco deixa de ser televisão ao vivo e vira instalação artística, uma espécie de ópera pop transmitida para a América inteira em horário nobre.

Nada ali é espontâneo. Tudo é cálculo estético.

Bowie encarna o papel do curador de si mesmo, aquele que transforma o rock em linguagem mutante: teatro expressionista, Bauhaus tardia, ficção científica e música popular colidem em silêncio controlado. Nomi, com sua presença espectral e voz operística, parece ter atravessado o Atlântico e o século errado para estar ali — e justamente por isso faz todo sentido. Joey Arias completa o triângulo como entidade performática, ampliando o clima de estranhamento elegante.

A televisão americana, acostumada a piadas rápidas e refrões fáceis, recebe de súbito uma aula de deslocamento cultural. Não se trata apenas de uma performance musical, mas de um manifesto: o pop pode ser estranho, o belo pode ser frio, o futuro pode caber em poucos minutos ao vivo.

Vista hoje, esta fotografia funciona como documento histórico e aviso. Ela marca o instante em que o underground europeu, a cena nova-iorquina e o estrelato global se cruzam sem pedir licença. Bowie abre a porta, Nomi atravessa como um cometa, Arias sustenta o rito.

Para o Próprio Bol$o, esta imagem vale como aquelas páginas que não envelhecem:
não explicam o passado — continuam provocando o presente.

Articles View Hits
13342724

We have 1338 guests and no members online

Download Full Premium themes - Chech Here

София Дървен материал цени

Online bookmaker Romenia bet365.ro