MORRE O POETA RUSSO YEVGENY YEVTUSHENKO

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Morre o poeta russo Yevgeny Yevtushenko
Ele tinha 84 anos e morreu de câncer, segundo o filho. Yevtushenko ganhou notoriedade na ex-União Soviética, ao denunciar Joséf Stálin.

Por Associated Press/http://g1.globo.com/mundo/noticia/morre-o-poeta-russo-yevgeny-yevtushenko.ghtml

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Yevgeny Yevtushenko, em 1972 (Foto: AP Photo/Dave Pickoff) Yevgeny Yevtushenko, em 1972 (Foto: AP Photo/Dave Pickoff)
 

2 abr. / 2014 - O aclamado poeta russo Yevgeny A. Yevtushenko, cujo trabalho se concentrou em atrocidades de guerra e denunciou o anti-semitismo e ditadores tirânicos, morreu. Ele tinha 84 anos.

Ginny Hensley, porta-voz do Centro Médico Hillcrest, na cidade de Tulsa, no leste do estado de Oklahoma, nos EUA, confirmou a morte de Yevtushenko. Roger Blais, prefeito da Universidade de Tulsa, onde Yevtushenko era um membro do corpo docente de longa data, disse que lhe disseram que Yevtushenko morreu na manhã de sábado.

O filho de Yevtushenko, Yevgeny Y. Yevtushenko, disse que seu pai morreu às 11 da manhã e que os médicos disseram estar sofrendo de câncer no estágio 4.

"Ele morreu bastante pacificamente, sem dor", disse o jovem Yevtushenko. Ele disse que familiares e amigos, incluindo sua viúva, Maria Novikova, estavam com seu pai em suas horas finais.

"Eu estava segurando sua mão sobre a última hora ou assim", disse ele. - Ele sabia que era amado.

Ele disse que seu pai foi diagnosticado pela primeira vez com câncer há cerca de seis anos e submetido a cirurgia para ter parte de seu rim removido, mas o câncer tinha recentemente ressurgiu.

"Com câncer, você nem sempre pode pegar", disse o jovem Yevtushenko. "Sua situação é um tipo de bolas de neve.

Yevtushenko ganhou notoriedade na ex-União Soviética, aos 20 anos, com poesia denunciando Josef Stalin. Ele ganhou aclamação internacional como um jovem revolucionário com Babi Yar, o inabalável poema de 1961 que falou da matança de quase 34 mil judeus pelos nazistas e denunciou o anti-semitismo que se espalhou por toda a União Soviética.

No auge de sua fama, Yevtushenko leu suas obras em estádios de futebol lotados e arenas, incluindo a uma multidão de 200.000 em 1991, que veio para ouvir durante uma tentativa de golpe fracassado na Rússia. Ele também atraiu grandes audiências em passeios do Ocidente.

Com seu corpo alto, largo, rosto cinzelado e estilo declarativo, ele era uma presença atraente em palcos ao ler seus trabalhos.

"Ele é mais como uma estrela do rock do que uma espécie de poeta com óculos", disse o ex-presidente da Universidade de Tulsa, Robert Donaldson, que se especializou na política soviética durante seus anos acadêmicos em Harvard.

Até que Babi Yar foi publicado, a história do massacre foi envolta no nevoeiro da Guerra Fria.

"Eu não chamo isso de poesia política, eu chamo de poesia de direitos humanos, a poesia que defende a consciência humana como o maior valor espiritual", disse Yevtushenko, que estava dividindo seu tempo entre Oklahoma e Moscou, durante uma entrevista em 2007 à agência Associated Press em sua casa em Tulsa.

Yevtushenko disse que escreveu o poema depois de visitar o local dos assassinatos em massa em Kiev, na Ucrânia, e procurar algo que lembrasse o que aconteceu ali - um sinal, uma lápide, algum tipo de marcador histórico - mas não encontrando nada.

"Fiquei tão chocadO que fiquei absolutamente chocadO ao ver que as pessoas não guardavam memória sobre isso", disse ele.

 

CULTURA BOB DYLAN
Após suspense, Bob Dylan recebe prêmio Nobel de Literatura em Estocolmo

Cantor havia causado mal-estar após não se manifestar a respeito da condecoração

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Foto: Jotabê Medeiros; Estadão
 
Bob Dylan foi o primeiro cantor a receber um Nobel de Literatura

 


O Estado de S. Paulo/http://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,apos-suspense-bob-dylan-recebe-premio-nobel-de-literatura-em-estocolmo,70001723237

Leia também: "Temos de fazer coisas além dos limites da 'mulher artista' e da arte 'feminista'", diz Yoko Ono

 
01 abr. / 2017 - Após seis meses de suspense, Bob Dylan recebeu finalmente, neste sábado, 1º, o prêmio Nobel de Literatura em Estocolmo. A cerimônia foi feita a portas fechadas e sem a cobertura da imprensa, a pedido do cantor. Apenas Dylan e os acadêmicos suecos estavam presentes. 


A entrega do prêmio foi confirmada hoje à noite por um dos integrantes da Academia, Horace Engadahl, à rede de televisão pública sueca SVT. No entanto, poucos detalhes foram dados sobre a cerimônia. Conforme a Academia, a reunião foi "pequena e íntima", sem a presença de qualquer meio de comunicação.  O cantor não fez o tradicional discurso de recepção, conhecido como "conferência do Nobel". "Não se pronunciará nenhuma conferência do Nobel. A Academia tem razões para pensar que será enviada uma versão gravada posteriormente", completou Sara Danius, secretária permanente da Academia Sueca. 

A Academia anunciou que Dylan era vencedor do Nobel de Literatura, por sua poesia, em 13 de outubro do ano passado. No entanto, o cantor permaneceu em silêncio e gerou um mal-estar com a entidade. Ele não havia ido à cerimônia de entrega realizada em dezembro por ter "compromissos anteriores".

* Com informações da AFP

 

STONE NÃO SE LEMBRA DE TER ESCRITO AUTOBIOGRAFIA

Editor afirma ter cópia de memórias que Jagger que não se lembra de tê-la escrito

Manuscrito cobre carreira de músico até os anos 80. Agentes não comentam sobre autenticidade de obra

16 FEV. / 2017 - O vocalista dos Rolling Stones, Mick Jagger, afirma não se lembrar de ter escrito sua própria autobiografia. Embora um editor assegure ter um livro de memórias escrito pelo cantor no início dos anos 80 que é mantida escondida, revelou a revista "The Spectator": "É um conteúdo delicioso".  "É como ler os diários de Elvis Presley durante o auge de sua carreira, antes dele ficar gordo em Las Vegas".

O editor John Blake disse que que ganhou o manuscrito de um amigo há três anos, com 75.000 palavras, escrito pelo músico no início da década de 1980, quando já contava 20 anos de carreira com a lendária banda britânica.

John Blake entrou em contacto com o vocalista dos Rolling Stones, que afirmou não se recordar de ter escrito uma autobiografia.

O editor afirma que Jagger, com 73 anos, pareceu a princípio inclinado a que o livro fosse publicado e tinha inclusivamente acordado fazer um prefácio, no qual explicaria que o livro tinha sido escrito "há muito tempo".

No entanto, de acordo com sua versão, vários acontecimentos se interpuseram entretanto na vida do artista, como o suicídio da estilista L'Wren Scott, em março de 2014, na altura companheira de Mick Jagger, uma digressão mundial da banda, um filme sobre a origem do álbum Exile on Main Street e uma grande exposição na Galeria Saatchi.

Em declarações à revista, John Blake disse que, após esses acontecimentos, "as portas de aço fecharam-se" e Mick Jagger já não quis publicá-lo.
John Blake entrou em contato com a empresária dos The Rolling Stones, Joyce Smyth, para negociar a publicação. Não autorizaram a publicação da obra, e a representante do cantor não quis comentar sobre a autenticidade do manuscrito de 75.000 palavras que cobre a vida de Jagger desde os primeiros anos como frontman do grupo até os anos 80.

No entanto, o editor revela alguns detalhes, alegadamente incluídos nas memórias, sobre os altos e baixos dos Rolling Stones como a compra de uma mansão em Hampshire no meio de uma viagem de LSD. Noutro trecho, ele conta que quase morreu montando um cavalo - algo que ele nunca tinha feito até então. "O cavalo começou a rugir como um Ferrari", escreveu Blake. "Invocando sua inteligência e algumas coisas que lembrava sobre cavalos, ele deu um golpe forte entre os olhos do cavalo e o animal se acalmou".

Em entrevista ao New York Times, o editor disse que a biografia mostra um lado mais humano de Jagger, constrastando com sua reputação de bon-vivant. "Fiquei com um gosto de quero mais ao ler o manuscrito. Mick não revela muitos detalhes picantes ou polêmicos de sua vida pessoal e profissional. Acho que ele ficou receoso de se expôr, e o editor na época não aceitou o texto", comentou Blake.

"Um Mick mais tranquilo e mais atento do que a caricatura que dele se faz por levar uma vida agitada"

Idas ao banheiro enquanto Keith Richards cantava nos shows dos Rolling Stones. Pedidos extravagantes em camarins que eram ignorados.  Ou quando o cantor voltou para a casa de seus pais em Dartford, no condado de Kent (sul de Londres), após dois anos de "caóticas tournées mundiais, de selvajaria, desordem e sabe Deus que mais".

Aparentemente, a mãe de Mick Jagger terá recebido o filho "horrorizada", mencionando o seu novo penteado.

O livro revela uma estrela do rock que se "esconde" numa pequena sala, nos bastidores, antes dos concertos, avaliando o público, almoça uma refeição de carboidratos e bebe oito litros de água antes de entrar no palco.

De acordo com esses relatos, as "extravagantes" festas nos bastidores são um "mito", afirma o editor, acrescentando que nas suas memórias, Mick Jagger aborda a sua relação tempestuosa com o guitarrista Keith Richards, que publicou a sua autobiografia em 2010, sob o nome de Life, ganhando enorme sucesso, quer em termos de crítica, quer em termos financeiros.
Keith Richards, considerado um dos maiores e mais influentes guitarristas de todos os tempos, contou que passou mais de 20 anos sem dividir o camarim com o vocalista, que, apesar da fama de garanhão, teria o "pênis minúsculo".

"John Blake me escreve de tempos em tempos buscando permissão para publicar este manuscrito", Joyce Smyth disse em um comunicado divulgado nesta quinta-feira. "A resposta é sempre a mesma: ele não pode, porque esta obra não é dele. A história de Mick Jagger será escrita somente por Mick, caso um dia ele queira contá-la".

Blake disse que o músico estava a princípio ansioso para a autobiografia ser publicada com um prefácio explicando que ele tinha escrito aquilo tudo há muito tempo. Em outras palavras, "Mick não conseguia se lembrar de qualquer manuscrito", conta o editor. Mais tarde, Jagger decidiu que ele não queria mais que ela fosse publicada.

- Peço desculpas aos 10 milhões de pessoas ao redor do mundo que adorariam ler essa história. Afinal, como disse o filósofo Jagger uma vez: "Você nem sempre consegue o que quer - disse Blake.

O editor descreveu a autobiografia como uma "cápsula de tempo perfeitamente preservada, escrita quando os Stones produziram toda a sua grande música, mas ainda queimando a paixão e o fogo da juventude e do idealismo".

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'1984' LIDERA AS VENDAS DE LIVROS NOS EUA DESDE A POSSE DE TRUMP

“Summer of Love 50th Anniversary” concert canceled
By Julie Tainter, KRON - http://kron4.com/2017/02/09/san-franciscos-summer-of-love-50th-anniversary-concert-canceled/


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Golden Gate Park Parks Recreation
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9 fev. / 2017 - SAN FRANCISCO (KRON) — The city of San Francisco has denied a permit to host the “Summer of Love 50th Anniversary” concert.

The free concert, scheduled for June 4 in Golden Gate Park, was expected to draw tens of thousands of people.

The promoter, Boots Hughston, said he met all the city’s demands and will appeal the city’s decision to deny his request for a permit.

In a letter to the event’s promoter last week, San Francisco’s Recreation and Parks Department expressed deep concerns for how security and crowd control would be handled due to his “numerous misrepresentations of material fact.”

Hughston said he already had about two dozen performers line up including the remnants of Jefferson Airplane, Janis Joplin’s Big Brother and the Holding Company and the Santana Blues Band.

The “Summer of Love 50th Anniversary” concert was to be a focal point of cultural events planned to mark the 1967 counterculture movement known as the Summer of Love.

Por que o livro ‘1984’ está de volta. E o que isso diz sobre o presente

Juliana Domingos de Lima / https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/01/29/Por-que-o-livro-%E2%80%981984%E2%80%99-est%C3%A1-de-volta.-E-o-que-isso-diz-sobre-o-presente
Obra publicada em 1949 chegou ao primeiro lugar na lista de mais vendidos da Amazon na última semana


UM DOS TEMORES ANTECIPADOS PELO LIVRO DE ORWELL ERA O DA ECLOSÃO DE UMA GUERRA NUCLEAR, TENSÃO QUE ATRAVESSARIA TODA A GUERRA FRIA

29 jan. / 2017 - O presidente recém-eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, tem sido o sujeito de um sem-número de manchetes neste início de ano. Ele não é conhecido por ser um amante da literatura, mas é parcialmente responsável por renovar a popularidade de um dos clássicos da literatura de língua inglesa do século 20: “1984”, de George Orwell, publicado em 1949.

Passada uma semana desde a posse de Trump, o romance distópico de Orwell é o livro mais vendido na Amazon. O acontecimento pontual que o catapultou a essa posição foi uma declaração dada no dia 22 de janeiro por Kellyanne Conway, conselheira do presidente americano, no programa “Meet The Press”, da emissora “NBC”. Conway refutou os dados de audiência veiculados pela mídia que demonstravam que a cerimônia de posse do novo presidente havia sido esvaziada, e disse que o governo trabalhava com “fatos alternativos”.

A ideia da inexistência de uma realidade objetiva e factual promovida pela conselheira remeteu, para jornalistas e leitores, à realidade controlada do romance de Orwell, no qual um “Ministério da Verdade” edita permanentemente os fatos do passado e do presente.

O cenário de “1984” é a Oceania, um dos três blocos, permanentemente em guerra entre si, em que todo o planeta se divide. Governada pelo regime totalitário do Partido, a Oceania é a casa do protagonista Winston Smith, alguém que passa gradativamente a questionar e resistir à interferência e vigilância do Estado em todas as esferas da vida do indivíduo.

Por que ‘1984’ se mantém atual
Em um dos textos de uma nova coleção de ensaios de George Orwell que será lançada em março pela editora Companhia das Letras, com o título de “O Que é Fascismo e Outros Ensaios”, o autor se queixa, ainda nos anos 1930, do desgaste da palavra “fascista” nas discussões, algo que volta a ocorrer hoje. Este é, segundo Flávio Moura, editor da Companhia das Letras, responsável pela publicação de “1984” e outros títulos do autor, um dos sinais da sensibilidade política e da atualidade do pensamento de Orwell.

Segundo Moura, por ser um clássico, “1984” nunca perde o interesse. “Mas em qualquer momento em que haja uma ameaça de autoritarismo mais forte, ele ganha imediatamente atualidade”, disse, em entrevista ao Nexo. O fato de haver sempre algo que faz com que se volte a ela é apontado por ele, inclusive, como um termômetro de sua qualidade e sobrevivência ao tempo. Neste momento, seu reaparecimento está ligado à “pós-verdade”, à perda de relevância dos fatos e à valorização da versão em que se prefere acreditar.

“Orwell é muito bom. Teve uma sensibilidade muito grande para os riscos de autoritarismo e totalitarismo, de ambos os lados [de esquerda e direita]”, diz Moura. Além disso, de acordo com o editor, a força estética impressa no texto garantiu sua durabilidade, impedindo-o de ficar datado.

Quais são as analogias feitas entre o governo Trump e o livro

A ‘AMNÉSIA POLÍTICA’
Em um artigo para o site New Republic, a jornalista Josephine Livingstone compara Trump às autoridades de “1984” no “esquecimento” voluntário de inimigos e alianças do passado. Nesse sentido, a Rússia, rival histórica na política externa americana, é propagandeada como uma aliada. Para ela, também há relação entre a política do presidente em relação à fronteira com o México e a política de guerra perpétua do “Grande Irmão”, a autoridade máxima do regime de Orwell.

2+2=5
O convencimento da população a respeito das “verdades alternativas” do Partido em “1984” ia tão longe que fazia crer em um resultado diferente para uma operação matemática exata. Uma matéria do “The New York Times” que elegeu a obra como o livro para ser lido em 2017, fez uma analogia entre a operação matemática equivocada do livro e a contagem do número de presentes na posse de Trump, largamente exagerada pelos dados oficiais embora fotos aéreas tenham mostrado o quórum baixo no evento do dia 20 de janeiro.

A NEGAÇÃO DA CIÊNCIA
Em “1984”, não existe ciência ou verdade objetiva, provada empiricamente. A fluidez do conceito de “verdade” ou de máximas comprovadas pelo estudo científico se relaciona à negação do presidente americano sobre o aquecimento global, ainda que seus efeitos tenham sido comprovados por diversos estudos.

Outros momentos da história dos EUA que impulsionaram a venda do livro
O pico visto agora, na verdade, não é uma surpresa total. O livro está há três anos na lista dos 100 mais vendidos da Amazon, segundo o site The Atlantic. Mas para um livro que tem mais de 60 anos de publicação, estar em primeiro lugar na lista é inusitado, no mínimo.

Como disse o editor Flávio Moura, o livro é “sacado” sempre que um cenário mostra uma faceta autoritária. Nos anos 1970, nos Estados Unidos, ele foi usado para se referir à administração de Nixon, que dava informações desencontradas sobre a Guerra do Vietnã e o caso de Watergate, segundo o “The New York Times”.

Em 2013, após o escândalo de espionagem da NSA, as comparações com o regime do “Grande Irmão” ressurgiram. Na ocasião, as vendas na Amazon aumentaram 7.000%, alçando a obra da posição 13.074 na lista de mais vendidos para a 193ª.

O gráfico de buscas no Google mostra picos de interesse em 2013, 2014 e agora, em 2017.


O que Orwell não imaginou
“Convém não exagerar muito [na analogia] entre o livro e a conjuntura Trump”, alerta Flávio Moura, no entanto. Quando escreveu, Orwell tinha em mente sociedades fechadas e autoritárias: as relações mais imediatas são com fascismo e com o regime soviético.

O editor aponta como diferenças o fato de que o partido de Trump, o Partido Republicano, é secundário na sua vitória. O presidente é “um aventureiro” em um país democrático em que há, apesar dos ataques, liberdade de imprensa. “O que Orwell tinha em mente era o controle, até que ponto o Estado autoritário pode controlar o cidadão”, diz. Nos EUA de hoje, esse controle é “mais pulverizado e difícil de interpretar”.

Em seu artigo para o site New Republic, Josephine Livingstone chama atenção para o fato de que “1984” não é um romance sobre o capitalismo global. O mundo que levou Trump ao poder, como descrito por ela, é essencialmente esse, imprevisto pelo livro: devastado pelo capitalismo e comandado pelas celebridades.

Uma matéria publicada no site The Conversation também descreve o momento atual como “mais estranho” do que a realidade de “1984”. Nos Estados Unidos de hoje, 84% dos americanos - porcentagem de pessoas com acesso à internet no país - têm acesso a todo tipo de informação, enquanto no livro um pequeno grupo dentro de um partido único a detinha. “Orwell não poderia ter imaginado a internet e seu papel na difusão de fatos alternativos, nem que pessoas carregariam ‘teletelas’ em seus bolsos sob a forma de smartphones. Não existe um Ministério da Verdade controlando e difundindo a informação, mas de certa forma, todo mundo é o ‘Grande Irmão’”, diz o texto.

Não se trata, segundo o ponto de vista da matéria do “The Conversation”, de ser incapaz de ver através da verdade, mas de as pessoas estarem dispostas a abraçarem os “fatos alternativos”. Elas decidiram de antemão o que é “mais verdade” que os fatos, e esses fatos alternativos se confirmam em suas timelines do Facebook, sem que se precise de um “Grande Irmão” para isso.

TRÊS OUTROS LIVROS PARA O MOMENTO

‘As Origens do Totalitarismo’, de Hannah Arendt (1951)
A mesma semana que elevou a procura por “1984” também levou o livro da teórica Hannah Arendt para a lista de mais vendidos da Amazon. Seu contexto de escrita é o mesmo de Orwell: ela examina a soma de fatores que levaram à ascensão de Hitler e Stálin e à eclosão da 2ª Guerra Mundial. A filósofa alemã mostra como uma narrativa centralizadora pode criar bodes expiatórios para populações em situação de pressão econômica e tensão política.

‘O Processo’, de Franz Kafka (1925)
Josephine Livingstone, jornalista do “New Republic”, acredita que o livro que melhor representa a era dos “fatos alternativos” é o romance de Kafka em que Josef K. acorda em seu aniversário de 30 anos e vai preso sem saber o porquê. Ele não consegue conceber o que está acontecendo porque acredita viver em um país livre, em paz com todas as nações, com as leis em bom funcionamento. Para ela, o real perigo oferecido pelo presidente americano tem a ver com essa ameaça subjacente, por baixo da fachada de “país da liberdade”. Assim como Josef K. acha, de início, que sua prisão é uma piada, Trump levou muito tempo para ser levado a sério, até que fosse eleito.

‘Desagregação’, de George Packer (2013)
Flávio Moura indica “Desagregação” como um livro mais pertinente e atual para compreender especificamente o fenômeno da eleição de Donald Trump e quem é seu eleitorado. Nele, Packer, jornalista da revista “The New Yorker” narra a história das últimas três décadas nos EUA, a crise de sua democracia, a falência do sistema político e o desnorteamento dos cidadãos.

EDITORIAL / http://brasil.elpais.com/brasil/2017/01/27/opinion/1485544296_259517.html
Não é ‘1984’, mas parece
O romance de George Orwell já prenunciava os excessos de Trump

Mais que uma utopia negativa que se referisse a um futuro remoto, o que George Orwell fez em seu célebre romance 1984 foi sobretudo falar de seu próprio mundo, apontando os terríveis caminhos para os quais o haviam empurrado os regimes totalitários, o nazi-fascista e o comunista. Mas houve de fato um aspecto em que, mais que tratar de seu presente, ele se antecipava a uma sociedade futura que certamente já havíamos começado a habitar quando se chegou à data que deu título a seu livro. E é essa atmosfera rarefeita que fica resumida em um dos cartazes expostos nesse Ministério da Verdade onde trabalhava Winston, o protagonista.


“A guerra é a paz / a liberdade é a escravidão / a ignorância é a força”, diziam ali os slogans do Partido, e é essa cínica e prepotente tergiversação dos conceitos, esse convite determinado a dar a mentira por verdade, e a confundir tudo deliberadamente, o que devolveu o livro de Orwell à atualidade com a vitória de Donald Trump, o Brexit e o avanço de tantos populismos nacionalistas, até alçá-lo ao número 1 das vendas na Amazon.

É verdade que aqueles lemas podiam ajustar-se como uma luva à propaganda nazista ou à lavagem de cérebros que tão bem souberam aplicar os dirigentes comunistas, mas o que Orwell antecipava em 1984 é que essas fórmulas podiam também se transferir a outros sistemas supostamente mais abertos, graças a essa nova língua que os meios de comunicação impõem e que permite fabricar fatos — os “fatos alternativos” dos quais falava Kellyanne Conway, assessora de Trump — que nada têm a ver com a realidade, mas que grande parte dos cidadãos termina por dar por corretos.

Estamos nesse ponto, e por isso é urgente voltar ao Orwell mais briguento, ao que criticou radicalmente qualquer tipo de manipulação, por mais impecável fosse sua aparência de modernidade.

EL PAÍS
CULTURA
‘1984’ lidera as vendas de livros nos EUA desde a posse de Trump

 

Desde a posse do mandatário, “as vendas aumentaram 10.000%”, diz editora da obra de Orwell
 
GUILLERMO ALTARES / http://brasil.elpais.com/brasil/2017/01/26/cultura/1485423697_413624.html


1984
Capas de várias edições do romance '1984', de George Orwell.

26 Jan. / 2017 - Madri - Quando escreveu 1984, George Orwell não pensava em uma sociedade futura, mas no presente. Sua distopia não pretendia ser uma metáfora, mas uma descrição dos totalitarismos do século XX, sobretudo o stalinismo. No entanto, este livro, escrito em 1948, se tornou novamente um ponto de referencia na era de Donald Trump, na qual a pós-verdade e os “fatos alternativos” tomaram conta da política. O romance do escritor britânico, nascido em 1903 e falecido em 1950, subiu na lista dos livros mais vendidos nos Estados Unidos na Amazon, o gigante digital do comércio online.

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Um porta-voz da editora Signet Classics, que publica 1984 atualmente, afirmou à rádio pública NPR que desde a posse do 45º presidente dos EUA, “as vendas aumentaram 10.000%”. Nesta quinta-feira, dia 26 de janeiro, ainda ocupava o 1º lugar na lista de best-sellers da amazon.com, com mais de 4.000 comentários.

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RELEMBRANDO MAGNÓLIO POR CELSO BARBIERI

Relembrando Magnólio!

magnolio nos anos 70Magnólio nos anos 70. Foto retirada dos arquivos de Mário Pazcheco.

Relembrando Magnólio!
Escrito por Antonio celso Barbieri

Faleceu Magnólio! Para aqueles roqueiros que viveram intensamente os anos 70, Magnólio foi uma figura lendária, apresentador dos festivais que aconteceram no Parque do Ibirapuera, apresentador e um dos organizadores da lendório teatro de shows chamado Tenda do Calvário.  A "Tenda" teve uma história curta e tumultuada, tendo sofrido nas mãos do DEIC num momento em que a Ditadura Militar estava no pique da coisa.... A última vez que encontrei-me com "Mag" foi quando ele foi o irreverente mestre de cerimônias de um show acontecido no Playcenter onde , entre outras bandas, apresentou-se a banda Joelho de Porco.

Qualifica-lo simplesmente como "Palhaço", com todo respeito à esta profissão, é pouco! Ele sempre preferia definir-se como um "Palhaço Ecológico". Ele, além de ser um artista performático, sempre foi um grande ativista engajado que, divertindo, sempre passava uma mensagem de cunho humanitário e cultural.

Sempre que o encontrava, cobrava dele a devolução de umas fitas K7s que tinha gravado ao vivo num dos festivais do Ibirapuera e lhe emprestado. Entreguei as fitas em suas mãos dentro da Tenda do Calvário mas, a posterior invasão policial culminando com a prisão de todos os presentes mais toda a confusão e insegurança futura, de uma forma ou de outra, fêz com que nunca mais conseguisse recupera-las, não era para ser, estas fitas se perderam no tempo... Isto nunca impediu-me que sempre guardasse um enorme carinho por ele! Sonhava com o dia que pudessemos nos ver novamente! Descanse em paz caro amigo!

Quando Mag leu minha matéria sobre a Tenda do Calvário mandou-me esta mensagem:

“Celso, que bela obra, que linda leitura, que viagem me proporcionaste!
Estou aqui na Amazônia querendo fazer um festival!
DEBAIXO DA FLORESTA DA GENTE ...TEM ROCK
Vamos nesta!!!! "

Magnólio

Quando eu fiz 60 anos ele me mandou esta mensagem hilárica:

“Comece a fazer SEXO à sério!
Eu já tenho 62. Parabéns!"

Magnólio

Quando tive que fazer uma operação muito séria ele me enviou esta mensagem:

"Celso, receba daqui da Amazônia toda a força da mata e da floresta em pé!
E o rock continua! 
Vaso ruim num quebra :-) 
...calma!
Abração, "

Magnólio

Lá na Tenda do Calvário, um dia à tarde eu estava no palco ajudando o técnico de iluminação. Mag aproximou-se todo silencioso, sério, me pegou pelo braço e sem dizer uma palavra me levou por uma pequena porta para atrás do teatro onde existia um jardim isolado. Lá havia uma meia duzia de pessoas já sentadas em círculo no chão. Nos sentamos juntos e aí passaram o "cachimbo da paz"! Ele era um guru!

Descoberta acidental de uma catacumbaUm dia, próximo da escada de acesso para a torre da igreja, durante os trabalhos de limpeza do local, um tijolo solto, quando retirado, revelou uma área aparentemente secreta. Vários tijolos foram retirados e revelaram um pequeno corredor que dava para uma escada de concreto sem corrimão que descia para uma grande sala. O Mag arrumou uma lâmpada com uma extenção e descemos as escadas para explorar. Nas paredes podia-se ver entradas seladas com tijolos. Tudo indica aquela sala era um grande túmulo. Será que a Tenda do Calvário foi castigada por tirar os sossego dos mortos? Leiam minha matéria sobre a Tenda do Calvário: (clique aqui)

magnolio foto by tatiana cardeal
Magnólio. foto: Tatiana Cardeal

Magnólio: Livro Aberto
Escrito por Cristovam Sena 
(13/05/2016)

Se não me engano, ele é paulista. Seu nome é Paulo Roberto Sposito. Conhecido como Magnólio. Cognome que recebeu quando ainda jovem estudante, sua acentuada rouquidão deixava sua voz parecida com a de um personagem de novela que se chamava Magnólio.  O conheci através de trabalhos que envolviam a Emater e o "Projeto Saúde e Alegria" - PSA. Organização fundada pelo médico Eugênio Scannavino Netto, em 1985, que veio de São Paulo e trabalhava nas comunidades ribeirinhas onde, por falta de informação da população sobre cuidados básicos com a saúde, o índice de mortalidade infantil provocado pela diarréia era alto. Eles começaram distribuindo cloro para combater essa calamidade que caracteriza as regiões pobres, que ainda persiste na rica Amazônia.

magnolio gran circo mocorongo magnolio 3 palhaços magnolio em ação
Magnolio palhaço bico magnolio palhaço 01 magnolio palhaço 02
Mangnólio em ação no Circo Mocorongo

Nessa época, mantínhamos um programa radiofônico na Rádio Rural, "Fruto da Terra", criado quando o amigo Rubens Cardoso era Supervisor Regional da Emater em Santarém. Programa semanal, no início apresentado pela Meive Piacese e eu. Eugênio foi entrevistado no programa para falar sobre sua atuação nas comunidades de várzea, mais de uma vez.  Retornando ao Magnólio, fiquei sabendo que ele era formado em técnicas circenses pela Academia Piolim, em São Paulo, e tinha concluído curso na área de serviços sociais. Essa mistura de circo com sociologia temperou seu caráter, suas ações profissionais ainda hoje estão alicerçadas na alegria e consciência social. Características cada dia mais escassas, que precisam ser valorizadas.

Como tínhamos algumas coisas em comum, principalmente gostar de livros e cerveja, nos aproximamos. Ele chegou a montar com sua companheira Gorda, o bar Relicário, onde íamos aos finais de tarde atualizar o papo com os amigos.  Passou a me convocar para participar de algumas reuniões do PREA - Tapajós (Pólo Regional de Educação Ambiental), que ele comandava. Atendendo seus convites, fui falar sobre "Sustentabilidade Cultural" em comemoração à Semana do Meio Ambiente, na ULBRA. Em outras ocasiões, sobre desenvolvimento global enfocando o meio ambiente, o lucro e a população do município. Sempre atendia suas solicitações.Um dia me telefonou, comunicava que o PSA estava montando ao longo do Rio Tapajós, nas comunidades trabalhadas por eles, bibliotecas comunitárias. Queria adquirir os livros regionais editados pelo ICBS. Ao todo Magnólio ajudou a montagem de cinco bibliotecas, sendo uma itinerante, dentro de um barco. Além das bibliotecas ele bolou o Circo Mocorongo, assim poderia aplicar as técnicas circenses adquiridas na Academia Piolim, guardando pra si o papel de palhaço.

magnolio brincando magnolio malazarte Magnolio com amigos
magnolio no barco magnolio T shirt magnolio vampiro
Magnólio sempre brincalhão!

Passamos bom tempo sem nos encontrar. Voltamos a nos ver em 2009 na residência do Antenor Giovannini. Aposentado da Cargill, Antenor resolveu estimular a criação de um grupo de amigos com o intuído de encaminhar debates e propostas sobre alguns problemas da cidade, dentre eles o abastecimento de água nos bairros periféricos. O grupo teve vida curta, como era de se esperar, pela variada opção política dos seus componentes e a complexidade dos problemas selecionados. No início denominado de "SOS Santarém" pelo Jota Ninos, o grupo foi rebatizado pelo Magnólio de "Santarém Pai d'Égua" e sumiu devido a divergências políticas internas. As reuniões aconteciam aos sábados, com direito a cerveja e tira-gosto preparado pelo anfitrião Antenor. Após novos desencontros, fui rever Magnólio já em 2012, nas telas do cinema. Fazia parte do elenco do filme "Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios", contracenando com Camila Pitanga. Só isso!

Em 2013 ganhei de presente um trabalho produzido por ele, denominado "Eu, lúdico, brinco, logo existo!". Um livro aberto, com folhas soltas, impresso em papel 180 gramas, com desenhos que ilustram as brincadeiras tradicionais das crianças do nosso tempo, que hoje nossos netos não brincam mais: pião; papagaio, aviãozinho e barquinho de papel, carrinho fabricado com latas de sardinha, bolinha de gude, botão de mesa, etc... A última, ou primeira página do seu livro aberto - as folhas soltas não são numeradas - é um poema que estimula nossa imaginação a entender a realidade dos meninos e meninas das beiradas do Rio Tapajós, que se confundem com "os meninos e meninas do Brasil, que a gente passa e finge que não vê!" Realidade que ele tentou transformar com seu trabalho no Projeto Saúde e Alegria.

Esse é o Magnólio que, de relance, cheguei a conhecer e conviver.   Ontem conversei com o professor de história Paulo Lima, fui informado que o Magnólio retornou para São Paulo. Está dodói.

Crianças e palhaços como o Magnólio não deviam adoecer. Aqui meu reconhecimento pelo muito que realizou!

Dedico ao amigo os versos do poeta e filósofo iluminista francês Voltaire (1694/1778):

"Um livro aberto é um cérebro que fala;
Fechado, um amigo que espera;
Esquecido, uma alma que perdoa;
Destruído, um coração que chora."

Voltaire

Eu, lúdico, brinco, logo existo!
livro infantil publicado por Magnólio

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Confira a mensagem postada na página do Projeto Saúde e Alegria

Magnólio, nosso amigo, parceiro, irmão

Hoje parece que você foi até ali na beira do rio Tapajós pegar um barco pra viajar até uma comunidade para educar os jovens, fazer os adultos voltarem a ser crianças e com o sorriso delas ensinar como a vida pode ser feita de alegria e uma eterna crença no futuro. Ensinar que a alegria não tira a seriedade das coisas importantes pelas quais devemos lutar, que o mundo espera o melhor de cada um de nós. Pegamos todos passagem nesse mesmo barco chamado vida e tivemos a sorte de ter você como nosso companheiro e comandante. Muitas vezes você foi o próprio combustível que fez o motor deste barco, as vezes com dificuldades, conseguir navegar e ir mais longe, chegar a mais comunidades, a mais pessoas no mundo. Não importa! Sua frase para os momentos difíceis virou nosso lema pra enfrentar os desafios. Sua alegria, otimismo, energia transmitida naturalmente às pessoas que lhe conheciam moveu os sonhos de uma Amazônia viva e com cidadania para seus povos. Esta planta não morreu, está viva e será sempre regada com suas ideias. Nosso amigo, cada cor da nossa cortina do Circo Mocorongo é uma maquiagem sua e estará sempre renovada todas as vezes que um novo palhaço fizer uma criança sorrir, um jovem acreditar no seu potencial, um adulto viver melhor e com sabedoria, e um velho voltar alegremente a ser criança.Hoje você fez uma viagem mais longa. Maior que aquelas de vários dias fazendo circo e distribuindo alegria às margens dos rios da Amazônia. Mas você estará sempre ancorado no porto das nossas melhores lembranças e nos encontraremos em qualquer parte desse universo. Acredite, cada um dos sorrisos que você promoveu, viraram sementes que alimentarão os sonhos de um mundo melhor.

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Confira a mensagem da poetisa Socorro Carvalho

Santarém está de luto.
Grande mestre circense pereceu.
Égua!! 2016!!
O que aconteceu?
Ah, deixa pra lá...
Vai ver que tem festa no céu.
E Deus precisou dele para alegrar.
Fazer mágica, encantar etc...
Ensinar peripécias aos anjos, talvez!!!
Enfim, são tantas justificativas
Para tentar relevar essa ausência...
Prefiro guardar
As noites inesquecíveis de mágica
No palco do velho Relicário.
Mas tem muito MAIS que isso
Tem os ensinamentos que deixou,
Os frutos que semeou...
O amor que dedicou ao Tapajós.
Por isso, também, será lembrado.
Mas não irei ficar triste!
A tristeza não combina
Com as cores de toda aquela alegria.
Égua, Magnólio!!
Não posso mais dizer nada,
Antes que que eu chore,
Por favor, fechem as cortinas...
Aplausos!!!

Socorro Carvalho

JÚPITER MAÇÃ: EXTERNADO!


 

Devaneios de Júpiter Maçã são externados em livro
Artista gaúcho, morto em 2015, deixou publicação com seus depoimentos


Estadão Conteúdo / This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.  / http://new.d24am.com/plus/musica/devaneios-jupiter-maca-externados-livro/159536

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Livro de memórias ficcionais inclui da psicodelia ao final beat.
Foto: JF Diorio/Estadão Conteúdo


23 out. / 2016 - Rio de Janeiro - Num amanhecer em julho de 2014, Júpiter Maçã, estirado no sofá, observava uma moça dançando só de calcinha, se esgueirando entre cortinas e escombros de uma balada paulistana. “Eu quero que a minha biografia comece com este momento, esta cena”, disse ele a seu biógrafo, que estava sentado ao lado. O livro sobre a vida, os excessos e os delírios do cantor, compositor e cineasta, que será lançado hoje em São Paulo, começa de um jeito diferente, porém mantém o lirismo e a pegada rocker daquele momento.

A Odisseia – Memórias E Devaneios De Júpiter Apple (Azougue Editorial), em coautoria com o jornalista, escritor e músico Juli Manzi, tem início justamente no nascimento de Flávio Basso, em 1968, em Porto Alegre, e termina na morte de Júpiter Maçã Apple, em dezembro do ano passado. Apesar de tão óbvio, o início está longe de ser convencional. Logo de cara, o leitor é apresentado aos delírios ficcionais do narrador-depoente, que relata ter recebido a visita dos Rolling Stones ainda na maternidade. “É um livro de memórias ficcionais, digamos assim. Abrange toda a vida dele e todas as fases da obra, da psicodelia ao final beat”, afirma Manzi.

“Aí esses dois cabeludinhos (Jagger e Richards) entraram na maternidade e eu lembro, apesar de ser um bebê recém-nascido, que tinha uns caras com uns terninhos e uns cabelinhos, bem perfumados, usavam um perfume puxado!”, conforme trecho em que o narrador fala de seu nascimento.

Basso adotou o nome Júpiter Maçã no final dos anos 1990, quando alcançou relativo sucesso no rock brasileiro com o disco A Sétima Efervescência (1997), calcado em Pink Floyd e em outras referências do mundo psicodélico e experimental. "As Tortas E As Cucas", "Um Lugar Do Caralho", "Eu E Minha Ex" e "Essência Interior" estão entre as faixas desse trabalho, considerado marco do rock gaúcho e um dos melhores discos brasileiros de todos os tempos.

Antes da carreira solo, ele já havia influenciado uma geração de músicos e adolescentes com as bandas TNT e Os Cascavelletes, nos anos 1980. Na primeira década deste século, começou a compor em inglês e acrescentou o Apple ao nome, em trabalhos cada vez mais experimentais. Tornou-se reverenciado por gente importante e pela cena indie nacional e internacional. Jamais ganhou muito dinheiro. Em 2012, caiu da janela de um prédio e ficou dois anos afastado de palcos e estúdios, até ser resgatado, um tanto debilitado, em São Paulo, pelo pessoal da Hard House, uma casa de artistas onde Júpiter passou uns tempos e onde os destinos dele e de Manzi se cruzaram. Morreu faz quase um ano, aos 47 anos, vítima de enfarte. Uma verdadeira odisseia.

 Em seu relato, Júpiter Maçã é direto ao abordar os excessos e excentricidades de sua trajetória, no melhor estilo sexo, drogas e rock’n’roll consagrado pela literatura norte-americana, de Charles Bukowski a Hunter S. Thompson: “Nessa época que participei das filmagens de Kreoko, eu tava tomando cerca de oito Diazepans por dia, cheirando muita coke e bebendo muita cachaça. Não sabia direito o que tava acontecendo ao meu redor”.

Não bastassem essas aventuras vividas em Porto Alegre, São Paulo e no exterior, o livro revela uma prosa fluente, quase psicanalítica. Como neste trecho: “Morar em hotel representa morar dentro do conto dum escritor solitário, que eu não sou, por sinal, tanto é que estou trabalhando com um ghost-writer, mas sou um poeta. Então, morar num hotel é quando um poeta mora dentro da sua própria poesia e, simplesmente, não consegue fugir”.

“Começamos a nos encontrar já no segundo semestre de 2014. Quase sempre deitado em um divã, ele foi contando tudo. Ele tinha um talento literário sensacional”, afirma Manzi.

O livro serve também como espécie de enciclopédia para os amantes da cultura pop: “As gavetas de Keith Richards, John Lennon, Brian Jones e Syd Barrett, essas são as minhas principais influências, e são guitarristas esquisitos. Geralmente, as pessoas falam de Jimmy Page, de Slash, e dizem que querem tocar como Kurt Cobain, com sua distorção e dissonância”.

A Odisseia será também um importante documento sobre a cena musical brasileira da virada do século, especialmente a fase que compreende o surgimento do manguebeat e o declínio das grandes gravadoras, com a falta de grana e de perspectivas dos artistas, os perrengues, de quem não se rendeu ao mercado e aos modismos.

Terminado o relato vigoroso de Júpiter Maçã, Juli Manzi mantém o vigor e a verve com um posfácio no qual relata detalhes do projeto e sua convivência com o artista: “Encerramos ali o conteúdo deste livro. Eu imprimi o que estava pronto até então, mais ou menos a metade da nossa obra literária, e entreguei para ele. Quando levantei para ir ao banheiro, na manhã seguinte, bem cedo, ele estava sentado no sofá com um sorriso malandro estampado no rosto, só me esperando passar, e disse: ‘Acabei de ler o livro’. Ele estava muito feliz e satisfeito”.

“Ele chegou a falar que ia deixar esse livro como legado”, afirma Manzi.

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A ODISSEIA

Autores: Júpiter Maçã e Juli Manzi

Editora: Azougue (154 págs., R$ 44)


Família de Júpiter Maçã ainda busca material levado em assalto no RS
Irmãos do músico, que morreu no ano passado, foram roubados em julho.
Documentos, roupas, VHS, CDs e contratos com gravadoras foram levados.
Do G1 RS
 
05 ago. / 2016 - Objetos pessoais do músico Flávio Basso, o Júpiter Maçã, que morreu no ano passado, ainda não foram localizados. Documentos, roupas, fitas VHS, CDs e contratos com gravadores foram levados durante assalto a dois irmãos dele, no fim de julho. A família ainda busca os pertences.

O crime ocorreu no bairro Jardim Leopoldina, na Zona Norte de Porto Alegre. Claudia Basso e o outro irmão chegavam de carro à casa da mãe para deixar o acervo do trabalho do músico, que estava guardado com a tia. Lá, acabaram surpreendidos por um assaltante.

"Eu passei a chave para ele, mas na hora que percebi o que tava acontecendo, me deu um pânico... Pior não foi arma, carro, documentos nosso. O pior é a perda né, a perda do material desse roubo", diz Claudia.

"A gente pretende continuar, as músicas que estão gravadas, que ele deixou em alguns estúdios, vão ser transofrmados em CD, mas a gente gostaria de ter esses papéis assinados, inclusive contratos com gravadoras", completa.

Além disso, a história do músico vai virar livro, que deve ser lançado até o fim deste ano. Para a família, a obra é mais uma forma de manter o legado do artista, um dos maiores ícones do rock gaúcho.

Júpiter Maçã morreu em dezembro do ano passado, aos 47 anos, por falência múltipla dos órgãos. Ele lançou o último trabalho em 2014, depois de dois anos afastado dos palcos. Começou a carreira nos anos 1980, com a banda TNT, e fez sucesso com o grupo Cascavelletes. Em 1997, fez o primeiro trabalho solo e, dois anos depois, ganhou o prêmio de melhor compositor brasileiro.

"Uma perda muito grande, sentimental (...) Agradeço de a gente estar aqui vivo, eu, meu irmão, minha mãe, todo mundo. O carro se recupera, documentos nossosm a gente recupera. Mas essa perda não é prejudicial só pra nós, é pra todo mundo, por isso pedimos ajuda de todo mundo que puder nessa busca da recuperação de todo material do Júpiter Maçã, porque é muito significativo", apela Claudia.

Qualquer informação pode ser repassada para o telefone 51 97366833.

 

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