— Golbery e Glauber conversavam muito!

— Golbery e Glauber conversavam muito!
(Alexandre Garcia depoimento a Mário Pacheco)

Em Brasília, Glauber Rocha costumava jantar e deixar seu endereço e telefone com o jornalista Alexandre Garcia.

Eu conheci Glauber pessoalmente no Palácio do Planalto. Eu era subsecretário de Imprensa da Presidência da República e deve ter sido no meio do ano de 1979.

O Glauber foi lá para procurar o ministro Golbery, e eu fui recebê-lo na recepção. Conversamos bastante, e ele me disse que era fã do ministro Golbery, que gostava muito de conversar com ele. Não era a primeira vez que Glauber tinha ido lá, depois ele foi mais duas ou três vezes ao Palácio. Eu ouvi do ministro Golbery elogios ao Glauber, dizendo que gostava muito dele, que era um homem muito inquieto, muito inquisidor, muito curioso, muito interessante, muito inteligente. Essa admiração era mútua, pelo que eu percebi.

Eu tive algum relacionamento com o Glauber, porque duas ou três vezes a gente jantou junto em Brasília, conversando sobre questões nacionais, cinema, Golbery, e notei também que o Glauber era um sujeito que admirava o Golbery e que, se a gente quiser entrar no campo político, eu poderia até dizer que o Glauber via no Golbery uma espécie de caminho da Abertura. Ele não estava admirando governo militar ou admirando governo não-democrático, ele estava ali admirando uma pessoa tão inteligente quanto ele, tão inquisidora quanto ele, tão parecida com ele, cada um no seu campo.

Era um encontro de dois semelhantes, e ele via que o Golbery poderia ser um caminho, como foi efetivamente, que resultou na devolução do poder aos civis. Acho que ninguém pode criticar Glauber por ter procurado Golbery, porque ele procurou no intuito de buscar caminhos para a Abertura, para a devolução do poder aos civis e também para mostrar a arte dele, mostrar o que ele fazia, mostrar a criatividade dele, e era bem recebido, o que era uma coisa rara na época.

Golbery e Glauber conversavam muito pessoalmente, frente à frente.

Glauber subia lá para o quarto andar, ia para o gabinete do Golbery, entrava no gabinete do Golbery, só quem estava lá dentro era o Golbery, portanto eles conversavam. Eu nunca vi Glauber ficar do lado de fora da porta, e se houver alguma dúvida, é só perguntar para a dona Lurdinha, que era secretária do ministro Golbery, ou para o Juquinha Mamede, que era o chefe de gabinete.

 

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