Mazursky vê a revolução dos liberais

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Mazursky vê a revolução dos liberais
(Lia Carneiro)

São Paulo - Quando a classe média norte-americana se deu conta de que ainda não conhecia novidades como psicanálise, drogas e a revolução sexual, já no finalzinho dos tumultuados anos 60, não pensou duas vezes: como sempre fez diante de lançamentos de produtos, correu para o "supermercado" mais próximo. A oferta foi abundante, já que muitos falsos gurus ficaram ensandecidos com a descoberta de que qualquer filosofice rendia preciosos cifrões. Consumindo à risca as bulas ditadas pelos modismos, os jovens casais foram atrás dos mistérios do nconciente, sucumiram ao sexo sem amor, experiemntaram maconha - mas, com poucas exceções, acabaram jogando fora as novas compras e voltaram à segura caretice de cada dia. Atento aos novos ventos que chacoalhavam os valores morais da sociedade americana, o então estreante diretor Paul Mazursky registrou em 1969 toda essa bagunça no filme "Bob, Carol, Ted e Alice".

Mesmo 20 anos depois, é difícil não se surpreender com a sátira implacável de Mazursky, basicamente porque ele escancara a força do conservadorismo de sempre, discretamente escondido am algum lugar do presente. Mais tarde, o cineasta só confirmou essa intrigante habilidade em mostrar comportamentos que a sociedade prefere disfarçar na comédia "Um Vagabundo na alta roda" e principalmente em "Moscou em Nova York", onde o impagável soviete de Robin Willians deserta numa loja de departamentos nos Estados Unidos.

O filme começa com as novas experiências do casal certinho Bob (Robert Culp) e Carol (Natalie Wood). Jovens bonitos, com um filhinho inteligente, eles passam por um exercício de terapia em grupo, e voltam para o dia-a-dia e os amigos com uma descoberta: antes de qualquer atitude, é preciso sentir as coisas. A cena do primeiro jantar com o casal amigo, Ted (Elliot Gold) e Alice (Dyan Cannon), já dá uma ideia do que o filme promete. Todos no restaurante escutam, pasmos, a nova visão do casal Bob e Carol, com passagens hilariantes, com Ted sendo convencido a confessar que nunca gostou do penteado de Bob, ou Bob falando em alto e bom som que ama Ted.

Até aí, os mais conservadores Ted e Alice apenas acham graça nas descobertae na nova maneira de ser dos amigos. As coisas complicam quando Bob conta a Carol que teve um affair numa viagem - Natalie Wod troca a típica cena de ciúmes por um simples "isso não me afeta, me sinto bem" - e Carol resolve compartilhar a revelação com Ted e Alice. Enquanto Alice fuma maconha e não sente nada, e acaba indo parar na terapia, Ted começa a pensar na sua vontade de ter casos com outras muheres. O filme de Mazursky prossegue estreitando choques, abusando do humor picante e condenando as imitações dos modismos aos limites da prática - não foram muitos os casais que conseguiram desenroscar as pernas do conservadorismo aconchegado embaixo dos lençóis.

 

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