Morre um poeta, se foi Mangueira Diniz!


   

   Morreu um poeta, se foi Mangueira Diniz,  perdi um amigo!
   Nesse sábado, 23 de maio morreu Mangueira Diniz
   Ator, diretor, poeta, boêmio, cidadão!
   O coração explodiu! Amores demais tenham certeza.
   Amava a vida, os filhos, os amigos.
   Reverenciava suas paixões, acariciava nossa alma.
   Pôxa Mangueira! Saindo da cena, de fininho!
   Levantando da mesa, nos deixando falando sozinhos!
   copo ainda cheio e um enorme vazio na alma.
   Ainda outro dia, no desfile do Pacotão
   Deu-me um abraço e uma latinha de cerveja e
   sumiu na folia, com certeza em busca da colombina.
   Morreu Mangueira Diniz num sábado frio de maio.
   Mangueira não merecia! A cidade não podia.
   Tantas coisas pra poetar, produzir, amar, denunciar.
   Mangueira Diniz dos saborosos “Causos”
   Mangueira do Teatro do oprimido.
   Mangueira da Oficina do Perdiz, Mangueira do Dulcina,
   Mangueira do Conic, do Beirute e tantos botequins, lares de vida.
   Mangueira dos “Paraíbolas”, Mangueira gigante dos palcos,
   Mangueira da Feira da Ceilândia, Nordestino, Paraíba.
   Pô Mangueira! Abandonar a gente logo agora?
   Antes do próximo Festival de Cinema que tanto você curtia?
   Da Noite Cultural do T-Bone?
   E “nóis” agora sem o seu Teatro vivo e indignado?
   Não deveria ter partido antes de escutar a última
   “Obra prima” do seu camarada Paulão (de vara curta), como sorrindo você dizia.
   E eu, te devendo “Digitalizar” aquela sua velha fita Cassete,
   Promessa antiga que nunca cumpri.
   Suas primeiras músicas! Em verdade, poemas delicados, indignados.
   Fragmentos de um poeta, cidadão e  matuto paraibano.
   Fita que um dia, não sei como, vi bater em minhas mãos.
   “Coisas”, como você me dizia: da “antiguidêz”.
   Bonitas, esperançosas e agora infinitas.
   Tarefa que lhe prometi e que a amizade exigia sem pressa. Perdi!
   Mangueira, por favor, me mande o endereço de onde você estiver.
   Juro-te que envio seus poemas musicados em uma caixinha bonita.
   Chegará, porém, molhada pelas minhas lagrimas, não repare.

   (Joanfi)

 

Figuraça, o velho Manga! Uma figura sempre com o sorriso aberto! Um grande amigo e incentivador! Fica a saudade. (Adeilton Lima)

 

                                      Valeu Mangueira!
 
         Pavaroti, você que é mais recente nos palcos, talvez não tenha ouvido falar do ritual que se cumpre toda vez que se sai dos camarins e se abre o pano que separava o cenário da platéia, antes de começar a peça. Alí atrás os atores se cumpri-mentam antes de entrar, dizendo MERDA!, um para o outro. Pois é o que eu tenho a dizer sobre essa saída de cena do nosso querido Mangueira Diniz, um paraibano autêntico, que trazia a poesia e a arte no sangue brasileiro-nordestino. Um verdadeiro causídico, como você lembrou, um contador de causos. Porque os causídicos juristas e advogados são um porre, mas os artistas, os atores e os boêmios, mesmo os que tomam muita cachaça e contam "causos", esses, ao contrário daqueles, enchem nossa vida de graça, de fantasias, de vitórias ou de compensações anti-derrotas, nos resgatando da merda da reali-dade para o reino idílico da catarse, da imaginação. De Pasárgada, onde temos "alcalóide à vontade e prostitutas bonitas pra namorar, além da mulher que queremos na cama que escolhermos", como nos ensinava outro poeta nordestino, nosso lírico e onírico Bandeira, que como nosso Mangueira, bebia nas cacimbas, ou nos açudes da poesia que vem  daqueles ventos do leste, já que os rios caudalosos com enchentes amazônicas não são a maior característica daquela região seca, do semi-árido como dizem atualmente os políticos nordestinos. E isso talvez seja também mas uma razão pra eu considerar esses tempos em que vivemos uma verdadeira merda: até a natureza anda se rebelando contra o planeta, mandando enchentes e dilúvios para o Nordeste, seca e erosão p'ro Sul. É isso aí meu caro Pavaroti, Mangueira saiu à francesa, furando a fila, de fininho. Isso aqui tá ficando uma merda, com cada vez mais Arrudas e Rorizes pra encerrar a nossa farra, a nossa festa, fechar os butiquins e silenciar nossas serestas, nossas violas. Enquanto  isso, vão saindo de cena os nossos "Pára-raios, Boal,  Zé Rodrix e Mangueira Diniz. Os burocratas que ficam insistem em nos vilipendiar com "tanto comércio e tanto  comerciante", como diria o saudoso Boca do Inferno. MERDA p'ra esses que querem atravancar o nosso caminho, não é Quintana? Mangueira vai ser recebido lá em cima por Pára-raios, Pézão, Boal e Zé Rodrix, que chegaram antes e prepararam uma folia de rei para ele. E com muita cachaça de cabeça, a Carangueijo, da Paraíba, a Mangueira, do Piauí, e a Espanta Brother, fabricada por você Joka Pavaroti! Adeus, mano Mangueira Diniz!

Com muita saudade do Paulão de Varadero


Mangueira Diniz sempre de chapeu, à esquerda da foto

Nota do editor: Mangueira Diniz era um poço de simpatia. Lembro de nossos papos no "Beira" quando Paulo Iolovitch, o desenhou com uma mangueira atrás do rabo. O vi a última vez no Sarau da Assefe fazendo a todos rir com seus "causos". No Dulcina, durante o exercício quando o professor o tocava no seu braço e ordenava: - Agora você é um liquidificador. Ele sai fervilhando pela sala e moendo toda a tristeza. Sentiremos falta deste triturador!  
 

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