Mostra revê pensamento bélico de Debord, cérebro do Maio de 68

 
Mostra revê pensamento bélico de Debord, cérebro do Maio de 68
 
Silas Martí
Em Paris
 
 
16 jun. / 2013 - Em tempos de revolta em São Paulo e Istambul, e na ressaca da Primavera Árabe, uma mostra em cartaz na Biblioteca Nacional da França, em Paris, revê o legado do cérebro por trás dos protestos de maio de 1968, a revolução-modelo para tempos de crise.

 
Guy Debord, autor de "A Sociedade do Espetáculo", tem a obra revista a partir de seu caráter bélico numa exposição abrangente, que começa com suas anotações penduradas num círculo que rodeia o público na entrada -o "coração da obra", nas palavras de seus organizadores.
 

Divulgação
 
Guy_Debord
Guy Debord em colagem "Chutes de Phrases Découpées (Après Mémoires)", feita em 1958

Esse coração por pouco não saiu de Paris e foi vendido à Universidade Yale, nos Estados Unidos. Fora das caixas onde estavam guardados por sua viúva, os documentos comprados pelo governo francês por cerca de R$ 7,7 milhões escancaram a filosofia de Debord, líder do movimento situacionista, que é agora redescoberto pelos franceses.
 

Na convulsão cultural que varreu a França no fim dos anos 1950 e fez rever as regras do romance - "nouveau roman"- e do cinema -"nouvelle vague"-, os situacionistas que gravitavam em torno de Debord, morto em 1994, queriam desmanchar as vanguardas, atacando a arte, a literatura e o urbanismo.
 

"Eles se opuseram a tudo isso em nome de uma criação mais livre", diz Laurence Le Bras, curadora da mostra, à Folha. "Queriam uma vanguarda que batesse de frente com artistas que trabalhavam para a indústria. Eram contra a Bauhaus, o mercado de arte e a arquitetura racional."
 

É na arquitetura, aliás, que se concentra talvez a parte mais radical do pensamento de Debord, homem que cunhou o conceito de deriva, hoje tão caro às artes visuais.
 

Sua ideia era rever o urbanismo. Os espaços e as ligações entre eles deveria se dar de forma afetiva, o que chamou de "psicogeografia", e não pelo modo comum de ruas e avenidas.
 

Titânio e Selvagens
 
Na mostra parisiense, estão maquetes de cidades hipermodernas. "Eram espaços construídos em titânio e alumínio, embora o ponto de partida seja primitivo", diz Le Bras. "A ideia era transformar o homem de volta em selvagem, num novo nômade."
 

Seu foco nas ruas e nesse nomadismo acabou provocando a reprodução de seus slogans nos muros de Paris durante as revoltas estudantis. No fim dos anos 1960, Debord percebeu que para pôr em prática sua filosofia deveria abraçar a política no lugar da arte.
 

A influência de Debord se tornaria evidente. Os mapas da colagem dos lambe-lambes pró-revolução, expostos na mostra, guardam grande semelhança com os mapas da Paris que Debord frequentava, como se o roteiro dessa "arte da guerra" fora traçado por ele em primeira mão.
 

"Ele pregava uma revolução nas ruas", diz Le Bras. "Em última instância, propunha um capitalismo estatizado, em que a burguesia seria substituída pelo Estado. Era seu socialismo da barbárie."

 

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