O GUERRILHEIRO CARLINHO$ GUIMARÃES NÃO ESPEROU PELO 7 DE SETEMBRO

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"Que onda... Grande figura, de altos papos, das Vernissages...
Descanse em paz." (Lucky At Yourself)

"Pôrra... Tô aqui procurando um a foto que fiz dele em uma F.O D.A Pública que fizemos na Estrutural... e fazendo uma retrospectiva de nossas vidas, roubo de livros, passar tardes em casa escutando música, comprando discos na 2001 da 511 Sul, brigando por bobagens, bebendo e comendo vernissages afora, escrevendo sinopse de exposição (dele) no Conic.... agora são histórias... anacrônico, chato, mas acredito que ele me amava..." (Marco Gomes)

4 set. / 2019 — Ah, os artistas esclarecidos são atirados e empurrados à própria sorte. Gostava das colagens surrealistas, desproporcionais, devia gostar da arte russa revolucionária, de seus cartazes. Escovava os dentes com o espumante Moët & Chandon. Obviamente conhece-se as pessoas quando adormecem e amanhecem em sua companhia, em seu transe. Quando as luzes dos postes se transformam em estrelas diminutas tais tal a esperança, o único quadro que não pinta. Ah, ele pediria um som industrial made anos 80, mas contentaria-se com um The Doors, foi a trilha da sua despedida. A camisa de mangas compridas era azul turquesa. A cara ostentava a barba feita e o cabelo longo amarrado. A vida fica mesmo monótona e o quadro final é esse. Empurramos o seu barco adentro da longa jornada. A cidade perde um artista de expressão beat, de beatitude incontrolável. Nunca o vi vomitar, já ele... Ficamos tristes, atônitos, estáticos. Zéantônio abriu o vidro do veiculo e baforou o baseado e no som do carro, os Doors. Depois fomos beber, como se ele tivesse ido ao banheiro, enquanto o garçom buscava a próxima dose, talagada. Carlinhos Guimarãe$ contaria um de seus casos fantásticos. E, novamente dentro do carro abriríamos os vidros. Lamentavel foi o que eu disse a seu irmão. (Mário Pazcheco)

...se ainda menores, com certeza dividiríamos algum reformatório ou cela...

Sempre as companhias erradas conduzem a busca por tempestades, temporadas e alturas. Contravenções leves entram em rota. Por uma década, sob quatro rodas ciscamos entre o Plano Piloto e Taguatinga, na volta, Riacho Fundo e Guará 2. O apogeu aconteceu no ano de 2000, o grupo girava entre duas turmas,  os docentes e alguns discentes aplicados, mas não em horário integral como ele, Antônio Carlos Figueiredo Guimarães intimamente ligado ao P Norte.

A dura arte de zombar o establishment

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Carlos Guimarães foi o cara mais alugado por mim em conversas infindas de sonhos nas mesas do Conic

O que fizemos na nossa juventude? Sob inspiração de Os Skrotinhos (personagens do cartunista Angeli) destratamos os detratores, puxamos brigas, pulamos cercas, invadimos, evadimos. Carlinho$ Guimarães era um artista articulado, de montagens em galerias, antes de eu completar o Segundo grau. Pertencíamos ao  signo de gêmeos, por isso, eu comprendia as suas necessidades e agruras, porém sem amenizá-las, afinal eram escolhas próprias. Nossa trajetória colidia com vários amigos-artistas em comum de Cécé a Pezão. Nossa inspiração literária-bárbara batia em William Burroughs, (foi ele que me apresentou o romance Junky naquela edição com uma radiografia do cérebro apertado por um parafuso) e voltava a Gregory Corso que ele também me apresentou e de quem eram fã fiel e seguidor.

O mordaz Carlinhos Guimarãe$ tinha a vaidade necessária  para se sentar diante da tela/página em brancos e  acrescentar o seu uivo mudo, a sua reflexão sobre a sua juventude dura. Nossos deslizes eram os mais éticos possíveis. Gicello, Carlão, Dean, Bomba, Zéantônio, Marcão, Pezão e outros nomes orbitávamos em torno do satélite "Guismarães".

...desrespeito ao artista...

O termo citado,  vaidade e a sua vinculação à constelação de Gêmeos explicam, mas não traduzem o comportamento de Carlinho$ voltado para uma disciplina em evitar o reconhecimento do seu talento artístico. Ele não gostava de citações ou que fotos suas fossem publicadas. Nossa última briga girou em torno disso. Jamais trocamos palavras rudes, mas murros sim.

Uma vez que Carlinho$ não está mais aqui para fazer imperar o seu anonimato, vamos contaría-lo, organizando uma reexposição de seus quadros.

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