Seis meses depois a televisão pop de Andy Warhol chega ao Brasil

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Seis meses depois a televisão pop de Andy Warhol chega ao Brasil

 

A televisão pop de Andy Warhol
por Eurico de Barros


26 jul. / 2010 - Lisboa. Inaugura-se hoje às 19.30, no Museu Colecção Berardo, 'Warhol TV', sobre a faceta menos vista e divulgada da obra de Andy Warhol: a sua produção televisiva, entre 1979 e 1987.

Andy Warhol adorava televisão, consumia-a abundantemente, a toda a hora. E gostava de televisão popular, a do prime time e das grandes audiências, listando séries como The Brady Bunch, Dinastia ou I Love Lucy entre as suas favoritas. Em 1985, até se interpretou a si próprio num episódio de O Barco do Amor.

Mas um artista como Warhol não se podia limitar apenas a ver televisão. Também a queria fazer. A valer. Entre 1979 e 1987, ano da sua morte, e apoiado numa pequena equipa liderada pelo seu amigo, colaborador e produtor Vincent Fremont, Andy Warhol fez vários programas de televisão, parte deles exibidos em tempo de antena comprado ao canal de cabo novaiorquino Manhattan Cable TV Channel 10.

É uma selecção destes programas, Fashion (10 episódios, 1979-80), Andy Warhol's TV, 18 episódios, 1980-82) e Andy Warhol's Fifteen Minutes (cinco episódios na MTV, 1985-87), que podemos descobrir na exposição Warhol TV, comissariada por Judith Benhamou-Huet (ver entrevista) que abre esta tarde (19.30), no Museu Colecção Berardo, em Lisboa, onde ficará até 14 de Novembro.

São imagens muito pouco vistas, por pertencerem ao Museu Andy Warhol, de Pittsburgh, que raramente as cede. A estas, juntam-se documentos como os anúncios protagonizados por Warhol, as sequências que fez sobre ele próprio para o Saturday Night Live, a sua participação em O Barco do Amor, o vídeo do serviço fúnebre do artista, na Catedral de São Patrício, e o clip que realizou para os Cars, Hello Again (que fecha a mostra). E ainda imagens da sua telenovela "experimental" a preto e branco, Soap Opera ou The Lester Persky Story, a abrir a exposição, que é tutelada pela figura de Marcel Duchamp. Andy Warhol conheceu-o e quis filmá-lo ao longo de 24 horas, um projecto que se gorou por falta de dinheiro, e pela morte de Duchamp.

A televisão de Warhol reflecte quer o seu fascínio pelo carácter popular e omnipresente deste meio de massas, quer a sua obsessão pela juventude, pela beleza, pelas celebridades e pelos outros criadores, estilistas e artistas, que entrevistou nos seus programas, de David Hockney a Steven Spielberg, de Diana Vreeland a Bianca Jagger ou Marc Jacobs. "Ele conhecia as celebridades e os famosos e tinha acesso fácil a elas, o que era um grande trunfo", como explicou a curadora da exposição ao DN.

Warhol TV estende-se por várias salas, organizada por temas como a fixação pela beleza (entrevistas a modelos), as celebridades e o social, a publicidade ou Warhol filmando-se a si mesmo, desmaquilhando-se, "decompondo-se" com efeitos especiais ou falando de futilidades ao telefone. Pop, pop, é a televisão de Andy Warhol.

 

"Warhol TV"
"Warhol não queria só fazer televisão, queria fazer televisão a sério"
  

Entrevista com Judith Benhamou-Huet, Curadora da exposição "Warhol TV".


Porque é que a televisão feita por Andy Warhol é tão pouco vista e conhecida?

Os programas estão guardados no Museu Andy Warhol, em Pittsburgh. São considerados obras de arte e nem sequer na Internet são mostrados. Mesmo para os ver num museu, são precisas autorizações especiais. Tive que assinar uma montanha de documentos para conseguir mostrá-los.

Como teve a ideia desta exposição?

Este aspecto da obra de Warhol era totalmente desconhecido. Descobri estes programas há uns 7 anos. O cinema dele é muito conhecido e exibido, mas a televisão não. E se não foi mostrada antes, é porque não há implicações financeiras em relação a ela. Todas as imagens pertencem ao museu e os seus responsáveis não têm, por agora, qualquer intenção de as divulgar ou editar em DVD.

Ao contrário de outros artistas, que têm um discurso crítico da televisão, ou mesmo hostil, Andy Warhol adorava-a.

Sim. Ele não só queria fazer televisão, como também fazer a televisão a sério. E a sua televisão é especial, muito pessoal. Ele aparece a fazer ginástica, flexões, facécias. É uma televisão fantasista. Mas também faz entrevistas, fala com pessoas. É televisão a sério.

Andy Warhol é um precursor da televisão contemporânea?

Sem dúvida. Penso que ao ir falar com as pessoas, deixá-las discorrer e filmá-las nos seus ambientes, ele é um dos precursores da televisão de hoje, e mesmo da reality TV. E em grande parte dos programas encontramos a sua fascinação pelas pessoas conhecidas, muitas das quais não participariam muito facilmente num programa de televisão normal.

E ele gostava da televisão popular, das séries de grandes audiências...

O interesse dele pela televisão é uma expressão do seu interesse por tudo o que é popular. Warhol era o papa da pop art, e pop quer dizer isso mesmo: popular. O produtor de O Barco do Amor era o mesmo de Dinastia e contou-me que, cada vez que encontrava Warhol, ele perguntava-lhe o que se ia passar no episódio seguinte. E ele nunca lhe dizia, porque toda Nova Iorque ficaria a saber. O Warhol reagia como um espectador normal.

Andy Warhol fazia televisão pop?

Exactamente. E a televisão é pop por definição.

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