1975: MIL NOVECENTOS E SETENTA E CINCO

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Andy Warhol, Paris, 1975 - foto: Helmut Newton

 75 zappa

• Frank Zappa / Captain Beefheart
Photo by Wendi Lombardi for CREEM (1975)

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Owsley Stanley in San Francisco in 1975 - Photo: Getty Images

Mil novecentos e setenta e cinco
Compilado por Mário Pazcheco

Sob a direção do pintor Rubens Gerchman, é criada a Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage, onde começa a ser forjada a geração 80, que prega o prazer do ato de pintar.

• Chico Mendes, seringueiro desde criança, está entre os fundadores dos Sindicatos dos Trabalhadores de Brasiléia e Xapuri. A luta de Chico Mendes começa pela criação de escolas de alfabetização dos seringueiros, com a “abertura” sob o governo Geisel.

Janeiro

75 Iacanga

• Montando o palco e o som para o Festival de Águas Claras 1975. — em  Iacanga - Foto: Movimento 70 de Novo

8 jan.

O maior guitarrista do rock depois de Jimi Hendrix, Eric Clapton desce no Rio num dia ensolarado, prometendo e pedindo coisas parecidas com as das celebridades que o antecederam (Mick Taylor, Chris Wood, Jim Capaldi, Cat Stevens): solidão relativa, pouco assédio da imprensa, nenhum show antecipadamente programado.

75 Clapton

1975-RJ (revista Pop, Eric Clapton & Patty Boyd)

11 jan.

• Hollywood Rock - RJ. Acontece o primeiro grande concerto de rock brasileiro. Celly Campelo, Erasmo Carlos, Rita Lee & Tutti-Frutti, sua nova banda, Raul Seixas, O Peso, Vímana e Mutantes — o evento teve vários problemas, como produção, segurança, iluminação e, principalmente, as chuvas, atrapalharam grande parte das apresentações.

Fevereiro

Câncer cujo título original era, "Naquele dia deslumbrante a paisagem era um câncer fascinante", é lançado na TV italiana. Um filme curioso quase inédito com Rogério Duarte e Hélio Oiticica. Na troca de papéis Antônio Pitanga estrangula Hugo Carvana.
Câncer é uma metáfora sobre a doença da burguesia que corrói o homem que teme atravessar a ponte e que perdeu o contato com a fonte original. Sobre esse abutre que destrói o fígado do homem cego pela luz do fogo do vulcão.

17 fevereiro

The only single to be issued from John Lennon's 1975 album Rock 'N' Roll, "Stand By Me" was a cover version of Ben E King's 1961 classic.
Released: 21 February 1975 (UK), 17 February 1975 (US).

Lennon Acomodado

Para a revista russa New Times, editada em inglês, o talento de John Lennon foi deteriorado por causa de seu afastamento das atividades políticas, motivado pelas pressões das autoridades americanas. Desde 1972, Lennon teria mergulhado num processo de decadência, e a prova disso estaria "em seus dois últimos álbuns Mind Games e Walls and Bridges, claramente inferiores a todo o seu trabalho anteiror, carregado de consicência político-social". (Revista Pop, 1975).

• Dentro de muito pouco tempo, o ex-Beatle John Lennon estará livre para viajar para fora dos Estados Unidos, de acordo com a informação de seu próprio advogado Leon Wildes. O advogado diz que a batalha legal mantida por Lennon contra a justiça norte-americana está prestes a chegar ao fim, beneficiando o artista. Lennon, que responde processo por posse de entorpecentes (na Inglaterra) estava ameaçado de ser expulso dos Estados Unidos. (Revista Pop, 1975).

• Em entrevista, John Lennon disse que a relação com Martin era uma "verdadeira parceria".
"Algumas pessoas dizem que George Martin fez tudo, outras dizem que os Beatles fizeram tudo. Não foi nenhuma das duas opções. Nós aprendemos muito juntos", afirmou.

 3 abril

75 Jon

• JON LORD: Rocking Europe with Mark 3 in April 1975.
©Deep Purple (Overseas)

Abril

75 almondegas 
Primeira formação, 1975: da esquerda para a direita: Quico Castro Neves, Kledir Ramil. Pery Souza, Kleiton Ramil e Gilnei Silveira

Marcado para a primeira quinzena de abril o lançamento do primeiro LP do grupo gaúcho Almôndegas. Um grande esquema promocional da Rádio Continental vai levar os cinco rapazes, entre eles os irmãos Kleiton e Kledir, até Salvador, passando por grandes cidades, como Rio de Janeiro e São Paulo. Antes, porém, haverá um show especial com as presenças de Milton Nascimento e Gilberto Gil.

14 abr.

Ron Wood's entrance into the debauched world of rock 'n' roll excess that was the Rolling Stones arrived via a press statement on April 14, 1975. Turns out, even after proving his meddle by playing his first show as the band opened a world tour, Wood would have a long way to go in order to become a full-time member.

18 abr.

Reatado com Yoko Ono, John Lennon apresenta-se ao vivo, num especial de tevê pela última vez.

75 paul

1975: Harry Nillson, RingoStarr, Elton John, Paul McCartney and Linda

27 maio

Paul McCartney & Wings lançam o LP Venus and Mars.

Junho

Serguei trabalha na Centaurus Production, uma empresa que, o escala para shows. É o primeiro roqueiro brasileiro a cantar para adolescentes americanos. Recortes de jornais americanos documentaram suas passagens também por boates cantando Elvis Presley e Chuck Berry.

7 jul.

Keith Richards, do The Rolling Stones é preso por porte de arma e direção perigosa no Arkansas, Estados Unidos; centenas de adolescentes cercaram a delegacia onde ele ficou preso por quase um dia, aguardando que ele fosse solto.
O dia de 1975 em que ele e Ron Wood foram detidos em Fordyce, Arkansas, a bordo de um carro com as portas cheias de drogas, quando deter “a banda de rock mais perigosa do mundo” se tornou um ato de patriotismo para qualquer policial do sul dos Estados Unidos. Aquilo terminou com um juiz bêbado, uma multa de 165 dólares e um Chevrolet Impala amarelo abandonado, que ainda hoje Richards se pergunta se alguém continua dirigindo sem saber que tem as portas cheias de drogas.

28 julho

Black Sabbath lança o LP Sabotage.

América

5 setembro

On Sept. 5, 1975, Lynette "Squeaky" Fromme approached President Gerald Ford in Sacramento as if to shake hands along with several other spectators as he walked into Capitol Park. She pointed a 45-caliber pistol at his stomach and pulled the trigger, but the gun was not loaded. Fromme claims she had no intention of killing Ford. Nevertheless she was given a life sentence by U.S. District Court Judge Thomas J. MacBride.3

75 outubro

   Outubro

   Joelho de Porco começa a gravar o LP São Paulo 1554 - Hoje.

Duprat: um craque no banco de reservas

75 revista   Beatles, I love You, Ie, Ie, Ie (Newton Duarte)

   • Antonio Candido, em entrevista concedida à revista Veja, comenta a vida e morte da produção da crítica literária: ‘No Brasil, até trinta anos atrás, a crítica se fazia em artigos de cinco a dez páginas nos rodapés dos jornais, semanalmente. Escritos por pessoas intelectualmente sérias, produziam uma visão empenhada, que ao mesmo tempo informava e formava o leitor. Isso acabou’”.

   9 out.

   It was no coincidence that Sean was born on John’s birthday. Previously Yoko had tried several times, to complete this feat only to end up miscarrying. She believed in the superstition that if a son is born on his father’s birthday, he will inherit the father’s soul upon his death. So on October 9, 1975, Sean was surgically removed by caesarean section, prematurely.

   Nov.

   Steve Jones, Paul Cook, Glen Matlock e John Lydon se unem e resolvem formar uma banda de rock. Surge, então, The Sex Pistols.

   Dezembro

   Rick Wakeman desembarca no Brasil.

75 joaqui

   Foto: Chico Nelson (1975)/Arte Cláudio Duarte

   Mick e Eu

   Joaquim Ferreira dos Santos - O Globo

   13 fev. 2006 - Aí eu, que sou o da direita da foto, cheguei para o Mick Jagger, que é o da esquerda, e tentei, como me é do estilo, ser gente boa. “Please to meet you, hope you guess my name”. Como todos sabem estes são os primeiros versos de “Sympathy for the devil”, um dos maiores sucessos dos Rolling Stones. Já deviam ter feito a piadinha tantas vezes que o cara nem se mexeu. Ô saco. Silêncio sepulcral, e com toda razão. Mick evidentemente não sabia o meu nome. Muito menos podia retribuir qualquer prazer especial em me encontrar como dizia a letra. Por quem sois? — eu julguei tê-lo ouvido, dublado com sotaque de Trás-os-Montes. Eu era um Zé Ninguém, um Zé Carioca com oclinhos John Lennon. Coloquei no rosto um esgar cético, sublinhei com o dedo sobre os lábios um jeitão de quem já tinha visto o diabo nessa vida e tentei soar frio diante do ídolo. Tudo disfarce. Tudo mentira, falcatrua de quinta. Eu era mais um jornalista, com inglês pavoroso, querendo uma entrevista. Would you, please ? Resolver a pauta do dia e, em seguida, comer um diabólico no Gordon. Um mercenário da curiosidade alheia querendo driblar o ferrolho inglês. O motorista que estava com ele também se chamava Joaquim, mas até aí morreu o abominável homem das neves. Resolvi num raro instinto de dignidade e zelo pela liturgia do cargo não tentar mais uma piadinha como forma de aproximação. Mostrei os documentos. ABI. Kim. Joa. Joa Kim. Quero falar contigo. Be nice . Sentaí, mermão. Era uma técnica de reportagem que eu tinha aprendido com Neném Prancha, o filósofo do futebol. Herbert Moses não recomendaria. Zuenir Ventura, que era meu chefe na “Veja” e tinha me escalado enviado especial para a missão, talvez. Desconheci os sábios da imprensa. Ouvi a voz do divino, obedeci ao destino, como está no samba “Madureira chorou”. E fui. Nenén Prancha dizia que o jogador devia ir na bola como se fosse num prato de comida. Eu não tinha muita alternativa. Matei quase todas as aulas do Instituto de Arte e Comunicação Social da UFF. Tentava ali, tête-à-tête com Mick Jagger, adaptar para a reportagem as únicas lições que tinha ouvido até aquele momento com alguma atenção: as boutades dos campos de várzea e os riffs das guitarras que Jair de Taumaturgo, durante a década de 60, colocou no “Hoje é dia de rock” da Rádio Mayrink Veiga. Cruzei Neném Prancha com o meio é a mensagem de McLuhan. Fui faminto enfrentar a fonte. Disse. Mick, seguinte, ouve só. A história da Humanidade não moveu um centímetro em qualquer direção quando se deu esse encontro, em dezembro de 1975. Os anais da ABI não tomaram conhecimento. É mister e monsieur informar que o pesquisador Nélio Rodrigues faria na década de 90 um curtidíssimo livro, “Os Rolling Stones no Brasil”, uma história das passagens dos componentes do grupo em férias por aqui. Tudo gente normal, atrás dos valores básicos da civilização quando ela se põe em chinelos. Mulhas numas, mar noutras, a mente morta das marmotas. Eu, aceso, Neném Prancha aos gritos no cangote, corria atrás da notícia viva no paraíso tropical. Nélio registrou para a posteridade meu encontro com Mick, e eu lhe sou grato. Coloque a cena acima com mais duas ou três linhas de méritos, do tipo: em 2002 Cafu me deu para segurar, no avião da volta do Japão, a Taça do Mundo; em 2005 comecei uma crônica com a palavra “aliás”; em 2006 outra com “aí eu” — e eis o melhor de um currículo magro. Eu havia escutado todos os LPs, Mick resolveu ouvir as perguntas. Ele passava as noites na boate Sótão, templo doidinho da galeria Alaska, discotecou para o programa do Big Boy na Rádio Mundial e chegou a ver um show da Barca do Sol no Teatro Casa Grande. Todos estão mortos, eu quase e Mick, como veremos sábado, a mil. Trinta anos atrás, quando sentamos para a foto ao lado, no jardim da casa da atriz Florinda Bolkan — por sinal ainda não morta mas totalmente desaparecida — Jagger estava lorde inglês. O fino do rock. Pagou US$ 5 mil para passar, com a mulher, Bianca Jagger, e a filha, Jade, duas semanas de papo pro ar naquela mansão da Joatinga. No entanto, gentil, topava que o repórter blasé , cabelo anunciando o corte Chitãozinho-Xororó de 20 anos depois, perguntasse o que desse na telha. Bissexualismo, Nixon, rock depois dos 40, se havia paz possível no desencontro dos amantes e se tinha sido mesmo ele — confessa, vai — quem esfaqueou Brian Jones antes de jogar o corpo na piscina. Definitivamente, eu tinha aprendido as lições de jornalismo dadas por Neném Prancha. Conversamos por 20 minutos no jardim. Ainda bem que na semana seguinte foram impressas duas páginas da “Veja” com todas as palavras ditas. Não me lembro de qualquer frase. O tempo apaga o que é dor, o que é prazer também. Acho que Bianca fazia topless no jardim da Joatinga. A coitada não tem qualquer culpa. Também não foi por causa dela. O tempo passa a borracha e o que sobrevive o vento da Joatinga joga no mar. Lembro que meu gravador enguiçou. Mick, bad boy em férias, foi lá dentro pegar o dele. Disse one, two, three e bateu palma para testar. A fita gravada faria o orgulho de qualquer museu do repórter. Também foi parar embaixo de alguma pedra da Barra. Escafedeu-se como os pensamentos por trás dos oclinhos do repórter. Acho, e espero que algum novo discípulo jornalístico de Neném Prancha confirme quando ele chegar, que Mick admitiu na fita perdida. Sim, eu matei Brian Jones. Não tenho certeza. Pode ser. Apure-se. Ventava muito. Pela expressão distante, o repórter pensava no paradeiro de alguma Angie ou Lady Jane. Todas até hoje desaparecidas.

Literatura

Carlos Vergara integra o conselho editorial da revista Malasartes, publicação organizada por artistas e críticos de arte com o intuito de criar debates e reflexões sobre o meio de arte no Brasil.

É editado o único número da revista Navilouca.

A revista francesa Entrettiens, dedica um número à Beat generation.

O escritor paranaense Leminsky um do público de poetas herdeiros do concretismo e que tinha seus poemas sintéticos e bem-humorados publicados em várias dessas revistas - finalmente edita seu livro Catatau (escrito a partir de 1967). Uma coleção de guardanapos e outras iguarias reunindo uma pororoca iluminada a serviço de um mundo melhor.

• O Estruturalismo dos pobres e outras questões. (José Guilherme Merquior). Coleção Diagrama – 2 .1975. Edições Tempo Brasileiro Ltda.

75 livros beatles

(1) HELTER SKELTER... Through the gang-ruled streets of Liverpool, at concerts so violent the cops stayed home. In the strip joints of Britain's toughest town.

In the brothels of Hamburg's red light district. On a diet of cornflakes, milk and beer, bolstered by pills, exploding with talent... THE BEATLES! Finally -- the true story behind their rise to fame, by the only man who's qualified to tell it: THE MAN WHO GAVE THE BEATLES AWAY "UNEQUALED!...Insights which came as powerfully after reading the book as they do in the process of savoring them the first time around." --Record World Published by Ballantine Books, N.Y., 1975.

(2) Paul McCartney is known all over the world as one of the four giants of pop -- The Beatles And although they have disbanded, to many people a Beatle he
will always be. But recently Paul and his wife Linda have worked with their own group Wings, touring most countries in Europe, producing their own TV specials and a series of bestselling albums, notably, "Band on the Run" and "Red Rose Speedway." This is the story of how Paul became a Beatle, of his life then, how he married, how his career changed and of his life today. It is The Paul McCartney Story. Published by Futura books, Great Britain, 1975.

(3) A beautiful book, lavished with many color photos with information chronicling the history of the band including their very early solo careers. Published by Octopus in association with Phoebus,1975.

75 par ingressos

Memória

75 cartaz

Psicodelia Brasileira é uma mostra de cartazes que divulgaram o rock nacional na década de 70. Fabricio Bizu é o responsável pelo resgate e a impressão do cartaz Banana Progressiva, um festival de rock que aconteceu na São Paulo de 1975, entre os grupos participantes uma surpresa: Biscoito Celeste uma banda de Brasília, pioneira do rock made aqui.

75 guitarra

• "Fender Telecaster de 1967. Essa guitarra eu comprei em 1975 do Andy Mills, engenheiro de som do Alice Cooper quando eles vieram ao Rio e tocaram no Canecão.No case original dela tinha os nomes Phlo e Eddie, os cantores do Mothers Of Invention que era a banda do Frank Zappa. Phlo e Eddie ganharam essa guitarra de presente do próprio Frank Zappa. Entre muitas musicas do Raul que eu gravei com essa guitarra estão,DDI,Paranóia II (Baby,Baby,Baby) e Canceriano Sem Lar (Clinica Tobias Blues)." (Rick Ferreira)

Música

Como contou o New York Times, já era conhecida a existência de um caderno de notas onde Bob Dylan registara as letras de Blood on The Tracks, o seu álbum de 1975.

• Lula Cortês se bandeia para outros projetos — como o estranhíssimo LP Paêbirú, lançado em 1975, em parceria com um ainda desconhecido Zé Ramalho.

• Jards Macalé lança o LP Aprender a nadar.

• Candinho saí do Vimana.

Fevereiro

Arnaldo Baptista lança o clássico LP Lóki?

A nova mesa de som dos Mutantes, construída por CCDB expeli de uma das suas caixas-cornetas cinco pessoas que se lhes aboletaram dentro.

Rua Padre João Manuel 446, além da residência da banda Apokalypses era uma das bases do rock de São Paulo em 1975.
"Os sabiás, bem-te-vis, pardais, gente, carros, buzinas, a cidade enfim, são da janela da minha casa (que não existe mais), lá na Rua Padre João Manuel, travessa da Paulista, em 1975". (Zé Brasil).

Inicia-se a ligação de Ezequiel Neves com o Made In Brazil. O ciclo fecha-se. Cornelius, o cantor; sai para voltar 10 anos depois. Melhor show do ano (categoria rock nacional). Revista Veja.

75 motta3   • Ainda parado para obras e sem baterista fixo, o Vímana consegue aquilo que parecia a sorte grande: graças a Guto Graça Mello e Nelson Motta (que já havia enfiado o grupo no tal Hollywood Rock), a banda conseguiu virar atração da peça A feiticeira, de Marília Pêra. A entrada na peça, que foi um fracasso total (leia sobre isso no livro Noites tropicais, do Nelson Motta), foi inicialmente boa para ambas as partes: Marília ganhava uma banda fixa e o grupo tinha aonde ensaiar à vontade.
   Só que o buraco na cozinha permanecia. O grupo chegou a fazer uma tentativa com o baterista Azael Rodrigues, que tinha tocado no Scaladácida com Ritchie, mas não rolou. Depois disso seguiram-se outros bateristas, até que, durante um ensaio, Lobão seria praticamente enfiado na banda, puxado por um amigo de colégio. Na época, o então desconhecido batera nem tinha 18 anos, estava mais a fim de tocar violão clássico e achava rock coisa de colonizado. Subiu no palco meio puto e tocou algo que Ritchie definiu como "um samba no ritmo da Mangueira". Acabou agradando ao grupo e a Nelson, que, para que a peça pudesse viajar, não hesitou em responsabilizar-se pelo então menor Lobão.

   • É claro que Qualquer coisa imita a capa de Let it Be, contudo ninguém futucou o mistério da capa, outro trabalho de Rogério Duarte feito para não ser entendido - e, entre as faixas, lá estavam "Lady Madonna" e "Eleanor Rigby". No outro LP que lançou no mesmo ano, Caetano entoava "Help!" “Qualquer coisa é joia, e joia é qualquer coisa”.

 Lançamento do primeiro disco: Walter Smetak. Caetano Veloso participa deste LP produzido por Roberto Santana.
— Haja saco! Melhor passar correndo pra outro disco. Assim resenhou Ezequiel Neves no jornal da revista Rock, a história e a glória...



Walter Smetack, colaborador contumaz do jornal alternativo Ordem do Universo, o primeiro a juntar os cacos entre pós-guerrilha-Araguaia, pós-LSD-Engenho de Dentro, pós-macrobióticos, pós-comunas rurais (Guariroba e Mozondó as re-fazendas de Gilberto Gil em Brasília) e pós-posteridades.

• Walter Franco lança Revolver © 1975 Continental (em CD: 996609-2 © 1994 - Warner Music). Pioneiro no uso de loops e processamento de sons na MPB. Sucessor do caótico Album da Mosca (Ou Não, 1973), esse segundo disco de Walter (com arranjos do baixista Rodolpho Grani Jr. e do baterista Diógenes Burani, e produção de Pena Schmidt) pegou na faceta zen, quase beatífica da poesia de Walter e lhe deu um caráter mais duro, enfático.É o álbum em que Walter, que tem uma veia francamente beatleniana em sua produção (vide o próprio título do disco), soa mais malvado, mais roqueiro, stoniano.

• Em 1975, Walter Franco participa do Festival Abertura, com a música "Muito Tudo". Uma homenagem à João Gilberto e John Lennon, com arranjo de Júlio Medaglia. Mais uma vez as vaias e o reconhecimento da crítica e do júri, que a premiou com o terceiro lugar.

• Tom Zé lança o crucial Estudando o Samba, de 1975.

• Em 1975, um pool de parentes de Brian Wilson, liderado por sua mulher, convoca o Dr. Eugene Landy para tratar de Brian. O Dr. Eugene Landy, era um típico personagem da paisagem californiana - o psicólogo pop, tão ou mais célebre que seus célebres pacientes, conhecido nem tanto por seu rigor científico, mas por uma combinação de técnicas excêntricas e campanha promocional.

• Al Hendrix começa a receber royalties da obra de seu filho, mesmo assim muito menos do que o esperado.

 75 ramones  R233 - The Ramones in front of CBGB's 1975
   (C)1996 Bob Gruen
   1975 a 1977, Dee Dee e Joey Ramone dos Ramones moram no loft de Arturo Vega. 

   • 
A banda Kraftwerk de Düsseldorf vende nos Estados Unidos 450.000 exemplares do seu long-play "Autobahn", ao lado dos 500.000 do compacto, que da mesma forma levava o nome de ‘Autobahn’. No segundo lugar estava, nessa época, o grupo Nektar, com mais ou menos 300.000 long-plays vendidos, seguido pelo grupo Triumvirat, do que foram comprados na América 160.000 discos. 

   • 
Lançamento pela CID do LP The Beatles were born, semi-pirata ou sei lá o que... Avalizado e autografado por Big Boy, o lado A "Ao vivo no Hollywood Bowl", começa com Boys e termina o show com um medley de Twist and shout que aparece em duas versões. No lado “B” a gente quando jovem acreditava que eram os Beatles e Tony Sheridan em Hamburgo mas questionava, como os Beatles já eram bons em Hamburgo, hein? Tratava-se de takes, do especial Rock’n’roll Circus dos Rolling Stones. Até hoje a gente escuta o disco com o volume baixo com medo dos gritos. Muito do culto da Beatlemania deve-se à difusão dos outtakes, dos "acetatos” codinome usado no lugar de bootlegs que são o termômetro da febre e item indispensável a toda publicação voltada para os Beatles.


• George Harrison lança Extra Texture - Read All About It (1975).

• Rolling Stones lançam a coletânea Metamorphosis.

• Soft Machine uma banda sem face, lança Bundles com a sua 13ª formação.

• Miles Davis -Agharta.

• Back Street Crawler - The Band plays on.

• Keith Relf que enveredou por uma curta carreira como produtor, e então desapareceu da cena musical, reaparece com um álbum homônimo do seu novo grupo Armageddon, também de vida curta. O maior mérito deste LP lançado no Brasil é redefinir a percepção musical de quem o ouve!

• Pink Floyd Wish You Were Here

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• Retranca Pop

Série Vanguarda
Vários

É o seguinte: neste disco, a Odeon mistura gravações antigas de discos de rock brasileiro do começo dos anos 70. O que é, aliás, muito oportuno: o som da Equipe Mercado, Módulo 1000, Tribo e Som Imaginário é sempre criativo e muito mais próximo do chamado “progressivo” do que o rock que se faz aqui atualmente, quando a década já está chegando ao meio. As pesquisas musicais, harmônicas e rítmicas desses quatro conjuntos servem de lição para os rockeiros de agora. É uma pena que, desses, só o Som Imaginário tenha sobrevivido (e sempre na vanguarda) ao longo dos anos.

Fonte: Revista Pop (1975)

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Bill Haley passa por aqui.

Ave Sangria acaba.

Incredible String Band se dissolvem.

Ten Years After se dissolvem.

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Esse é um legitimo exemplar do álbum duplo americano Paul McCartney and Wings Fly South - nele Paul responde se os Beatles se reunirão algum dia, também são apresentadas entrevistas de rádio (as tais broadcasts - radiofusão) e a apresentação dos Wings na Austrália em novembro de 1975 - o selo do disco é o tradicional Trademark of Quality, os californianos escreveram na contracapa que o disco foi prensado nas Filipinas. Esse disco resgata emocionalmente todo o esplendor de 1975. 

Artes

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Helena Almeida, Pintura Habitada, 1975 (Foto Filipe Braga. © Fundação de Serralves, Porto)

• Luciano Figueiredo depois da sua destacada participação na histórica publicação Navilouca. A partir de 1975, dedica-se a construções de objetos tridimensionais com colagens, malhas de arames, e relevos monocromáticos

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  Filmes

   Orson Welles, Marcelo Mastroianni e Peter O'Toole lideram a lista de 600 atores escolhidos por Franco Zefirelli para seu próximo filme, Jesus. A obra é uma produção ítalo-inglesa-americana e será apresentada na tevê em seis capítulos, cada um com uma hora de duração.

   Claro. (Glauber Rocha). Ficção, longa-metragem, colorido (Eastmancolor), 3.000 metros, 110 minutos. Roma, Itália, 1975.
   Resumo dos principais acontecimentos históricos que se desenrolam à época das filmagens - final da guerra do Vietnã, reivindicações trabalhistas das classes operárias da       Europa, decadência do capitalismo nos países desenvolvidos e a incipiente expansão das idéias socialistas. Um filme ainda com problemas de produção.

"O Glauber já tava ruim a vários anos. Ele não estava legal, de 1975 em diante eu tava preocupado com a morte dele cinco anos antes dele morrer eu me lembro de comentar várias vezes com alguns amigos meus, como Cacá Diegues, — O Glauber vai morrer. Ele não comia mais. Não dormia, ficava escrevendo a noite toda, só comia um pouco de macarrão, e comia pão. Ele não fazia as ações normais do cotidiano. Glauber não dizia alô no telefone, ele já começava a falar de política, sobre alguma coisa, nem dizia quem era. Ele passava a noite escrevendo catálogos de telefone inteiros, tem milhares de escritos inéditos. A gente começou a temer pela saúde do Glauber. O mundo foi ficando pequeno demais ou complexo para ele, isso não me cabe dizer. A partir de 70 e poucos o Glauber começou a sacar que não tinha lugar para a Utopia da gente, que não ia dar pé fazer um cinema livre do internacional". (Arnaldo Jabor).

Tubarão.

Um Estranho no Ninho, diretor Milos Forman.

Obituário

Austin Wiggin, pai das The Shaggs morre do coração. No dia da sua partida, finalmente elas conseguiram tocar Philosofy of the world próximo à perfeição!

Ralph J. Gleason (1917-1975). Colunista do San Francisco Chronicle durante 25 anos, foi também vice-presidente da Fantasy Records e produtor e comentarista de televisão. Foi autor de diversos livros, inclusive "The Jefferson Airplane and the San Francisco Sound" e "Celebrating the Duke". “Odeio Ralph, mas o convido para minhas festas porque ele é um crítico importante” - Janis Joplin. “Gente como o Gleason, Gleason esteve com a gente enquanto a nossa fantasia coincidiu com a dele. Mas assim que fomos mais longe, ele não entendeu e por isso se voltou contra nós. Ele... não tinha fé. (...) Como Ralph Gleason com sua coluna no Chronicle e sua própria doutrina do que era ser hippie. Gleason era um desses. Kesey se lembra de todos eles, gente que achou que ele era genial até o ponto em que sua fantasia deixou de coincidir com a deles. Mas ele ia em frente, um pouco mais a toda hora, e eles ficavam ressentidos e confusos... Tom Wolfe, "O Teste do Ácido do Refresco Elétrico".

Murilo Mendes

Novembro

Pasolini é assassinado, na localidade de Ostia, nos arredores de Roma.

 

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