"NÃO PAGUE PELAS MEMÓRIAS, ELAS VIRÃO DE GRAÇA"

"NÃO PAGUE PELAS MEMÓRIAS, ELAS VIRÃO DE GRAÇA"

Às vezes o sexo tem o mesmo efeito da maconha, noite em claro com vontade de escrever

Panfletos

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27 de fevereiro de 2019  Pense numa arte corrosiva totalmente longe de qualquer aparato estamental ou de apoio de mídia com o único objetivo de explodir a mente, as paredes dos ouvidos para ouvir os sons dos pássaros de cabeça pra baixo. Sem compromisso algum com ninguém, sem dever benfeitorias, completamente Odara e independente e hoje por estar velho está com mais medo, mas ainda assim é corajoso  medo de tudo que adere facilmente às camadas, às superfícies e às narinas  um rock muito doido, Lord  livre-nos dos (pi)caretas, de aproveitadores, das Marias-vão-com-as-outras  Longe de cotas de músicos negros, brancos, amarelos, sindicalizados ou femininos sem regra, sem imposição, sem Partido, sem idiotices e sem mertiolate. Livre da ganância, livre de programação, livre do perdão. Se for assim, eu topo Jesus  fi-lo porque qui-lo: 37 anos Do Próprio Bol$o o que não é para qualquer cu, não.

Istounemaí

Agora é tarde e sempre sobra um bom-papo, uma atitude prudente e segura na mão de Deus e desça a lenha no instrumento  não sei se viveria sem fazer isso, mas que farei do meu jeito sempre farei assim, assado  agora eu corro, agora eu tenho mais pressa e não são os cabelos brancos  tenho engolido ameaças  tenho deixado de ser eu mesmo e "não pague pelas memórias, elas virão de graça"  o risco é torto  o voo é cego  O Plano é B  ninguém além de você sabe o que está em jogo – pá. Ando o mundo e encontro muita gente mimada, deve ser o pouco tempo de vida aqui na Terra  eu toco o bonde, eu sigo junto com aqueles que estão com suas bagagens e seus bilhetes, colchões e tapetes  temos apenas duas latas, uma de repelente e a outra de feijão. Sempre é aquela questão do fazer por fazer: "Quem fala mal de um irmão, e julga a seu irmão, fala mal da lei, e julga a lei; ora, se julgas a lei, não és observador da lei, mas juiz."

• Não acredito mais no rock'n'roll 

Uma casa onde recebeu a Abismo, banda que combinou um cabeçote, Laney acoplado num amplificador, Marshall e deu vasão à sentença de Rolldão: “Não se deve tocar heavy-metal dentro de casa é muito barulhento.” Um palco que em mais de 20 anos de ação, viu Sylvio, da Banda Ser colocar o amplificador ao fundo dele e tirar o melhor som que lá rolou; é verdade que só o guitarrista Sylvio sabe a regulagem usada naquela noite. No mesmo palco, Cécé fez a guitarra vomitar ligada a um pequeno Peavey ligado no par de caixas com o microfone colado nos autofalantes. Vários cristais e microfones ligados nos bojos de vários violões. Vários pedais interligados. Várias gerações de 3 em 1 em que os operadores colocavam o som no talo e regulavam de tal maneira que o autofalante nem estourava. Uma casa que recebeu a Patrulha do Espaço com a própria aparelhagem dela (amplificadores pequenos) e que não deixaram de soar Patrulha! Anos, décadas vendo Ricardo Lima montar e desmontar e transportar a sua bateria de dois bumbos em cima do teto do Passat, o cara mais criativo na montagem de um set, sempre inspirado por capas de discos e filmes. Uma casa de teto baixo de madeira, propícia para a melhor ressonância da bateria acústica. E eu sempre ligado no posicionamento e nas distâncias das caixas que muitos montaram em mais de centenas de apresentações. Tenho mesmo que desistir do rock'n'roll quando eu ouço de uma banda: "tem que 'ver' a acústica do local". É o fim da picada!

Chico Bolacheiro anda pelo ou melhor vive no Conic e combinamos de não mais fazer fotos e postar no Facebook para não privar-lhe da privacidade. Chico sempre se esconde atrás do óculos escuros e jamais tira o cigarro da boca e o dedo da guitarra. Ontem mostrei a ele "Breaking All the rules", ficou tirando as notas daquele jeito miúdo, deu para perceber as guitarras dobradas na gravação de Frampton. O exercício acabou junto com a bateria de seu celular. Ah, ele pensa que me engana, ele gosta mesmo é de King Crimson e Jethro Tull, e ainda me deu essa tradução ao pé do ouvido do verso: You don't have to pay for memories, they will all come free: "não pague pelas memórias, elas virão de graça". E sapecou um monte de versões acústicas do Álbum Branco. De vez em quando escolhemos alguma banda de quem somos fãs para espevitar e na tarde só se falou em Black Sabbath. Chico Bolacheiro revelou quem é Spock Wall e que Ozzy e Bill Ward entraram em disputa para ver quem colocava a voz em "Swinging the chain" segue a tradução da letra poderosa:

Balançando a corrente

É contra o meu uniforme
Ser um juiz civil
Todas as canções são agora, história
Sobre as estrelas do rock e os seus rancores
Deixe-nos imaginar nossas mentes
Há trinta anos atrás ou mais
Você levou todos os vândalos
Hitler baterá em todos eles?
E nós estamos tristes e arrependidos
Realmente arrependidos da forma que aconteceu aquilo
Sim nós estamos tristes e arrependidos
Mas porque você tem que nos tratar desse jeito?
Compare-nos com os outros
E cubra-os com pecado

Oh deus, que terrível
Que estado terrível nós estamos
Deve haver alguma saída daqui
Uma coisa é certa
Se não pudermos sair dessa
Nós vamos ter que lutar

Sim nós estamos tristes e arrependidos
Realmente arrependidos da forma que aconteceu aquilo

Sim nós estamos tristes e arrependidos
Não podemos continuar naqueles dias

Eu estou falando sobre os meus irmãos
Sim, estou falando sobre as minhas irmãs também

Eu lhes desejo boa sorte
Boa sorte!
Oh, mas o mundo ainda está em chamas
Aprisione a esperança que você enfrenta, mentiroso
Este fogo
Nós estamos pegando fogo, nós estamos pegando fogo, sim.

Em casa, Chico Bolacheiro está naquela posição como a corsa amamenta a cria, debruçado com a cabeça pendida sobre a guitarra com a mão esquerda abafando as cordas no captador, a guitarra transmite um grunhido que é um suspiro de dentes moendo a realidade, o som é oscilante. Seu cabelo alto afro-eriçado solto e a calça listrada e a sombra magra de Hendrix, ele é um dos Novíssimos Baianos. Essa psicodelia ainda vai ensurdecê-lo ou enlouquece-lo ou ambos.

Ele me prescreveu que ouvisse Bananas e eu passei para deixar um pequeno relato achei que para o tempo excessivo do CD, Deep Purple mostrou pouca coisa nova, mas a lírica de Ian Gillan é poderosa. Como ainda não li as letras na íntegra, fico sem saber o conjunto, mas a poderosa estrofe inicial é esssa:

Have you ever had a woman that could make you crazy
Have you ever had a woman that could drive you mad
Have you ever had a woman give you so much trouble
And the best lovin' you ever had

Será Ian Gillan uma das obsessões de Bolacheiro?

Foi ela, a cocaína que tirou Ian Gillan do Black Sabbath!
– Faltou cocaína durante a turnê de 1983, e uma noite Ian Gillan foi reclamar com Tony Iommi que respondeu:
– Então, vai-te embora!
– E expulsou Ian Gillan da banda!

Quando eu ainda estava na minha primeira década (1974), Bolacheiro já era um leitor graduado pela revista americana Circus e o tabloide inglês, Melody Maker, então, eu tinha mais era que considerar as suas impressões como aqueles fatos em que os fãs haviam extrapolado os arquivos de experiências vivenciais.

O tópico moveu-se de banda para Led Zeppelin e ele fez uma asserção interessante sobre o último álbum da banda, In Through the Out Door e da sua embalagem parda que impedia de ver as seis capas de ângulos diferentes da mesma cena do bar. Explicando: cada álbum vinha com uma capa diferente e à época comprando o disco lacrado você era impedido de ver antecipadamente e depois se surpreendia: “Pô, o álbum tem seis capas diferentes mesmo!” O que aumentou a procura pelas capas e as vendas. Nós que compramos o disco de segunda mão ou já víamos aberto perdemos essa interação.

Bolacheiro linkou a simbologia de duas capas icônicas de dois álbuns igualmente icônicos: Wish You Here e Technical Ecstasy ambas com o dedo do designer/ilustrador da Hipgnosis: George Hardie, Bolacheiro foi muito simpático: “Quando a coisa pegava eles chamavam o George Hardie”.

capas

Jamais havia me ligado na gênese dessas duas capas!

Ainda sobre capas de discos do Pink Floyd, Bolacheiro discorreu sobre a sucessão de sacos plásticos pretos externos, de adereços, de adesivos e pôsteres que eram inclusos em LPs clássicos como The Dark Side of the Moon e Wish You Were Here. Eu sabia do que ele transmitia, pois havia comprado as reedições importadas em 180 gramas, e nem desconfiava que toda aquela parafernália tinha sido lançada originalmente. O máximo que um consumidor de usados notava era uma variação de selo ou um selinho prata no canto da capa do disco.

Há um quarto de século, andei em companhia do Bêbado Gerald, Brawler e Norman PNC. Há um quarto de século, eu bebia e quanto mais eu bebia, mais me transbordava de coragem e ativava as veias e ainda bem que os neurônios também, eles que me seguravam. Sempre que via Norman PNC no Conic, meu humor mudava. Imaginava quebrando uma garrafa na cabeça do pobre Norman ou arrumando-lhe uma situação onde a polícia jogasse fora a chave de sua cela. O povo percebia que havia algo errado, se era um convite para incinerar um baseado, minha resposta era: – Estão me esperando. Se para um show: – Estou sem carro! Os chegados sabiam que eu mentia.

Como começou?

Quatro décadas antes no segundo grau conheci Brawler, aos 18 anos comecei a beber, com o Bêbado Gerald. Norman já devia ser um PNC, mas no meio dos anos 80, nós ainda não sabíamos. Fazíamos churrascos na casa de fundos em algum conjunto do Guará e tocávamos os poucos CDs de metal num carrossel.

Voltando ao Norman PNC...

Um dos churrascos de aniversário de Norman PNC, foi numa chácara e como eu não tinha nada de valor a não ser um CD importado do Never Say Die, o leve e falei, eis o seu presente! Ele foi mal-agradecido, mais tarde retrucou: “Que mandou dar?”, essa foi a primeira pisada na bola dele comigo.

Na segunda, foi mais séria... De olho na bela morena, namorada de Brawler, Norman PNC foi na casa da mãe dela e soltou uma coleção de pragas e lagartos em cima de Brawler, o chamando de traficante. A mãe da namorada de Brawler ficou tão indignada que foi falar pessoalmente com Brawler sobre os comentários do então amigo, Norman PNC.

Brawler respondeu um: – Vou conversar com o cidadão.
Eles jamais reataram a amizade e Brawler me deu o toque.

Um quarto de século depois, Norman PNC reapareceu na minha casa e logo de entrada tascou – Era aqui (quando a casa ainda não era reformada) que rolava a zica! !

No meu cérebro, eu me lembrava que tarde da noite, os recebia como cortesia para ouvir um som e jogar sinuca e quando ia virar o disco, eles batiam a sedutora totoya no canto da mesa de sinuca.

Rapidamente pensei: – Esse cara é do tipo que com uma única frase pode colocar qualquer um numa fria. Deixei o rock rolar diplomaticamente.

São alguns bons anos ou sejam duas Copas do Mundo que eu não bebo mais no Conic, de repente, Norman PNC reapareceu perguntando:

– Têm visto, Brawler e o Bebaldo Gerald?

– Você sabe que eles não eram as melhores companhias para um homem sério, pois eles poderiam arrumar-lhe um B.O.!

Norman PNC olhou para mim e se despediu com o chavão:

– Vocês que estão com a vida ganha, deixa-me ir ganhar a minha...

 

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