A Grande Corrida do Supervovô

Histórias da minha infância: A Grande Corrida do Supervovô

Por: Lili Foldes*

agustaf 

Ele pedalou dia e noite para ganhar a corrida das mil milhas

 

Qualquer pessoa na Suécia lhe dirá que Gustaf Hakansson venceu a mais longa prova ciclística já realizada no país. Mais não foi tão simples assim. Foi a sua maneira de vencer que fez dele um herói do povo sueco e lhe valeu o apelido de “Supervovô”.

— Volte para a sua cadeira de balanço – disseram-lhe os juízes quando ele quis participar da corrida.  — O senhor tem 26 anos acima da idade-limite.

Gustaf tinha sessenta e seis anos!

A prova devia ser muito difícil e cansativa.

O trajeto seria quase todo o comprimento da Suécia - de Haparanda, logo ao sul do Círculo Ártico, a Ystad, no sul do país, numa extensão de 1.750 quilômetros. O prêmio seria de 5.000 coroas.

Os ciclistas foram aconselhados a não concorrerem se não estivessem em perfeitas condições físicas. De mais de mil candidatos, os juízes escolheram cinqüenta jovens atletas e os levaram de trem para Haparanda, onde foram submetidos a um repouso cientificamente programado bem como a um regime alimentar especial.

Mas ninguém quis pagar a passagem de Gustaf, e eêle montou em sua bicicleta e pedalou os 1. 750 quilômetros até Haparanda. Pouco depois da largada dos cinqüenta jovens atletas, Gustaf largou-se também em sua corrida particular, a barba branca tremulando ao vento. Não tendo um número de inscrição, ele pintou um enorme zero no peito. Eles podiam negar-lhe a inscrição, mas como poderiam proibi-Ia de usar a estrada?

Supervovô
Só depois de ter vencido cerca de 150 km foi que Gustaf ganhou seu apelido. Na cidadezinha de LuIea um garoto viu aquele Papai Noel de boina passar ventando e gritou:

— Olhem! Lá vai "Stalfarfarl"

A tradução melhor é Supervovô, pois "Stalfarfar”, em sueco é super-h omem, e “farfar” é vovô. Um fotógrafo de imprensa ouviu a exclamação do garoto, tirou uma foto do velhinho e mandou para o seu jornal. O apelido pegou.

Durante sete dias  a história desse motorista de caminhão e sua fantástica demonstração de resistência ocuparam as primeiras páginas dos jornais suecos. Na sua corrida para o sul centenas de pessoas o esperavam em cada volta de estrada. U ma nação de sete milhões de suecos equilibrados  transformou-se em massa emocionada de fãs do Supervovô.  Ao fim de cada dia os cinquenta jovens ciclistas tinham uma noite de descanso, mas vovô pedalou durante três dias e três noites sem pregar olhos.

Enquanto a prova prosseguia, os jornais dedicavam páginas inteiras à biografia do Supervovô. Os suecos ficaram sabendo que ele só se entregara ao ciclismo depois dos quarenta anos. Quando seus dez filhos já estavam crescidos ele disse um dia à mulher: — Vou à Lapônía ver o sol da meia-noite.  A mulher observou que faltava o dinheiro. —  Para ver o mundo só preciso de uma bicicleta e duas pernas.

E com um pão grande, um cantil d'água e uma capa de chuva saiu pedalando. No Ártico trabalhou durante o verão aqui e ali em fazendas para se manter e só voltou quando os dias começaram a encurtar. Durante anos ele passou as noites escuras de inverno contando histórias do maravilhoso verão que desfrutara na  terra do Sol da Meia-Noite ...

"Chegarei na Frente ... "
Durante a corrida para o sul um jornal pediu a Gustaf que escrevesse o diário de sua viagem. Ele atendeu e entre uma aldeia e outra sentava-se na grama, tirava o caderno e anotava seus pensamentos.

No quarto dia, tendo dormido apenas cinco horas desde o início da prova, Gustaf escreveu: "Nunca me senti tão bem. Como pode alguém ficar cansado, recebendo tanta consideração?' Gente boa em toda a parte. E que moças bonitas! Gosto de olhá-Ias. Todas podiam ser minhas netas."

Em Söderhamn, na metade do caminho, ele concordou em se deixar examinar por um médi-co; a polícia estava muito preocupada com a saúde dele. O médico concluiu que o seu estado era ótimo, pulso e coração perfeitos, nenhum sinal de fadiga.

Supervovô poderia ter feito melhor tempo se tivesse tido uma escolta motorizada como os  outros, que tinham as estradas desimpedidas, enquanto ele estava sempre sendo atrapalhado por automóveis e caminhões. "Mas não me queixo", escreveu Gustaf. "Chegarei na frente dos outros."

"Pensaram que eu era louco"
Seis dias, 14 horas e 20 minutos depois da largada, Supervovô atravessou a linha de chegada. Estava 24 horas na frente! Ao todo, ele dormira dez horas durante a prova.

Em Ystad milhares de pessoas o aplaudiram. A banda do corpo de bombeiros tocou e a multidão afogou-o em flôres quando ele abraçava a esposa, Depois levaram-no carregado para a delegacia de polícia, onde posou para os fotó­grafos. O povo sueco cobriu-o de presentes. in­clusive colchões e várias dúzias de poltronas para que ele pudesse descansar, afinal. Na se­mana seguinte, foi recebido pelo Rei.

Supervovô não recebeu o Grande Prêmio de 5.000 coroas, porque não participara oficial­mente da corrida; mas fabricantes de automó­veis e bicicletas pagaram-lhe uma pequena for­tuna pelo privilégio de usarem seu nome em anúncios.

Perguntei a Supervovô o que ia fazer com o dinheiro. Ele sorriu com seus olhos azuis.

— Vou dá-lo a meus filhos para que eles pos­sam criar seus filhos na minha escola. Hoje em dia quem age com naturalidade é considerado uma pessoa esquisita. Sei que as pessoas de mi­nha aldeia pensaram que eu era louco quando viajei para o Ártico de bicicleta. Mas acho que hoje me respeitam.

Supervovô recebeu uma avalancha de cartas. Muitas eram endereçadas simplesmente a "Stal­farfar", sem sobrenome nem indicação de cida­de e rua. A carta que mais agradou a Supervo­vô veio de Uppsala. "Tenho a sua idade, meu caro Gustaf Hakansson, e era um velho doente. O seu exemplo fez-me sentir jovem, saudável e feliz. Que Deus o ajude!"

*Adaptado de "Lifetime Living". Copyright, 1952, de Lifetime Living, Inc
Publicado no "Livro da Juventude"

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