Carta que inspirou livro 'On The Road', de Jack Kerouac, é encontrada

 

Carta que inspirou livro 'On The Road', de Jack Kerouac, é encontrada
RAQUEL BRANDÃO - O ESTADO DE S. PAULO
 
Enviada por Neal Cassady ao autor beat, ela foi "perdida" por Allen Ginsberg há mais de 30 anos e deve ser leiloada em dezembro

26 nov. / 2015 - Aquela que se acreditava ser uma das maiores perdas do mundo literário foi encontrada depois de quase 60 anos: A carta de Joan Anderson, como ficou conhecida. Escrita em 1950 por Neal Cassady (1926-1968) a seu amigo Jack Kerouac (1922-1969), ela é apontada como a inspiração para o best-seller On The Road. O livro é considerado a bílblia da Geração beat, movimento literário de dos anos de 1940 e 1950 de estilo livre e, por vezes, até caótico.

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Os correspondentes Neal Cassady e Jack Kerouac

Na carta, Cassady descreve Joan Anderson, uma mulher com quem ele havia passado um final de semana. O texto com mais de 16 mil palavras e 18 páginas é resultado de um fluxo de consciência depois do uso de anfetaminas. O estilo sem regras e sem se importar com pontos ou parágrafos inspirou Kerouac a desenvolver seu estilo em On The Road.
Datilografada em nove folhas, frente e verso conta a Kerouac, um fim de semana que passou em Denver, no Colorado. Onde Cassady relata suas aventuras, como ter que pular pela janela após ser descoberto tendo um caso com uma babá.

Até sua descoberta, acreditava-se que a carta tivesse sido perdida por Allen Ginsberg (1919-1997), poeta e amigo de Kerouac, em um barco. “Era uma propriedade minha, a carta era para mim. Allen não deveria ter sido tão descuidado”, contou Kerouac.

Mas agora, depois de 60 anos, Ginsberg pode ser perdoado. A carta foi encontrada por Jean Spinosa, uma mulher de 41 anos, a encontrou este ano em Oakland, na Califórnia, organizando os documentos que seu falecido pai.

O pai dono de uma gravadora que dividia escritório com a antiga editora Golden Goose Press, em São Francisco. Ginsberg teria mandado a carta com a intenção de publicá-la. A carta é o mais valioso item entre uma multidão de textos, poemas e outras mensagens de escritores com as quais ficou depois que a editora Golden Goose, com a qual compartilhava o escritório, fechou.

A carta de Joan Anderson deve ser leiloada no dia 17 de dezembro pela Profiles in History, no sul da Califórnia. Para o diretor do Museu Beat, Jerry Cimino, o mundo merece ver este manuscrito, que ele considera histórico. “No mundo dos beats é para além do histórico. É realmente o Santo Graal da Geração Beat, já que ficou perdida por tantos anos e pela lenda e fascínio que se criou sobre ela”.

Ainda não se sabe o valor inicial de venda, mas o manuscrito original do romance de Kerouac foi vendido em 2001 por US$ 2,4 milhões.

Em entrevista à revista Paris Review, em 1968, Kerouac falou sobre o assunto.

— Tive a ideia do estilo espontâneo de On the Road após ver como Neal Cassady me escrevia as cartas: tudo em primeira pessoa, rápido, amalucado, confessional, muito sério, tudo minuciosamente e nomes reais. A carta, a carta principal, tinha 40 mil palavras, era uma novela curta. Era a melhor peça escrita que jamais tinha visto nos EUA.

Cassady escreveu a carta no bairro de Russian Hill, em San Francisco, e a enviou ao amigo que estava em Nova York.

 

 

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