"O ROCK MORREU. O QUE EXISTE É CELEBRAÇÃO AO PASSADO", DIZ ANDRÉ FORASTIERI EM LIVRO (2014)



"O rock morreu. O que existe é celebração ao passado",

diz André Forastieri em livro

 

Jéssica Oliveira |  
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15 mai. / 2014 - Aos 48 anos de idade, 25 de carreira, o jornalista André Forastieri lança seu primeiro livro. "O Dia em que o Rock Morreu" reúne 40 textos sobre música, escritos por ele desde os anos 1990, em veículos como os jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo, as revistas Bizz General, de seu blog no portal R7, do qual é editor-executivo, além de alguns exclusivos para a obra. 

A ideia do autor era fazer uma antologia de 25 anos de carreira, mas ele não conseguia organizar os textos de épocas e assuntos diferentes. Somente ao escrever o prefácio do livro “Cheguei a Tempo de Ver o Palco Desabar”, do jornalista Ricardo Alexandre, é que o autor encontrou o fim narrativo para o seu: a morte. Na obra ele fala do fim das gravadoras, dos críticos e de artistas, como John Lennon, Elvis Presley, Whitney Houston, Jimi Hendriz, Lou Reed, Michael Jackson, Amy Winehouse e Chorão.
Crédito:Divulgação
O fio condutor da obra é a morte
Encontrada a narrativa, Forastieri decidiu lançá-lo em abril de 2014, data que marcou os 20 anos do suicídio de Kurt Cobain (1967-1994), ex-vocalista do Nirvana. Todo o processo durou cerca de um mês. "O rock sempre esteve associado ao punk: direto, reto, rápido. Não queria fazer um livro grosso, de teses e análises, procurei fazer algo meio punk também: simples e acelerado", explica.

Rock: um parque temático. E comportado.
Segundo Forastieri, vários fatores contribuíram para a morte do rock, entre eles questões de tecnologia, de cultura e economia, como a internet e pirataria. Além disso, o sentido original, do espírito provocativo, de choque, de ruptura se perdeu completamente.
Crédito:Lilo Clareto
"O Dia Em Que O Rock Morreu" é seu livro de estreia

Ao citar o exemplo do Brasil, ele explica que o país sempre abominou o rock, por ter uma cultura de assimilação, que evita os embates. 

"Houve um momento nos anos 80 em que o rock pegou uma massa maior, começou a ser um pouco central na cultura brasileira, mas acabou rapidamente", diz.

Tanto é que, segundo ele, no Brasil o rock não horroriza os pais, que agora gostam dele. "O que horroriza é tua filha chegar em casa com um cara que nem o MC Guimê [um dos principais do funk ostentação] com tatuagem na cara. Isso assusta. Rock é comportado, é Disneylândia", afirma.

Resta a nostalgia
O jornalista diz que sempre haverá boas canções, bons shows e boas bandas com coisas interessantes de rock. Porém, este, com papel central na cultura jovem, que ditava as regras de comportamento, moda e vida sexual, por exemplo, morreu e o que existe é a celebração ao passado. 

"A geração mais nova ouve coisa bem 'velha'. "A última época em que o público e seus ídolos tinham mais ou menos a mesma idade foi a do Nirvana. Quando a banda estourou, o Kurt Cobain tinha uns 22 anos, a idade do público. As questões, as preocupações eram semelhantes. Hoje, a molecada sai de casa para ver show do Black Sabbath. Os caras têm quase 70 anos", diz. 

Apesar de o rock estar morto e enterrado, Forastieri ressalta que ele morreu para o mundo, não para quem ama. "A questão é: o rock mudou a vida de muita gente, hoje não muda mais", finaliza.
 
A sessão de autógrafos acontece nesta quinta-feira (15/05), na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2073 - São Paulo-SP), às 18h30. O livro "O Dia em que o Rock Morreu" é publicado pela Arquipélago Editorial.
 
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