Magu Cartabranca: Os dez olhos do homem

   Março • Magu Cartabranca: 'Os Dez Olhos Do Homem' 

Mário Pazcheco no Jornal Regional – Cruzeiro, DF

Anatomia própria ou quando a boca se farta com os olhos

Dois bons motivos do livro de Magu Cartabranca – Os Dez Olhos Do Homem – são conhecer os seus reflexos filosóficos a respeito da vida, em sua fluência segura, e também a excelência gráfica da edição. Experimente ler em voz alta, mesmo que embriagada, e verá que mesmo na multidão estridente de um Beirute, por exemplo, haverão ouvidos afinados aos seus prosaísmos.
O útil livro lê-se de trás para frente, do meio para o fim, naquele exercício randômico de encontrar alguma linha vital que o olho ainda não tenha devorado.

Algumas frases pinçadas ao léu: “Poesias simples e alertas à politicagem de fogo, que de mãos dadas com poderosos guardam armas e drogas em caixotes, ameaçando a beleza dos jovens e a minha (...) Nos porões da ditadura, os braços da lei e da justiça esconderam o chicote e o pau de arara (...) cultura da continência ao ditador (...) Os jovens ainda não são heróis, mesmo sabendo abrir os paraquedas para um pouso perfeito (...) e algumas pessoas vão morrer pelo próprio nariz (...) A viagem era intensa e o branco na memória foi inevitável”.

Das páginas 78 a 98, a terceira e última parte do livro é um painel clipe gráfico com fotos expostas dos dez olhos dos homens estatelados diante do absurdo do cotidiano; imagens que exibem total veracidade à prosa dos excluídos em equilíbrio com a ótica dos fotógrafos Antônio Siqueira, Cláudio Versiani, Eraldo Peres, Luís Tajes, Marcelo Dischinger, Pety Matos, Paulo de Araújo, Renato Araújo, Roberto Castelo e U. Dettmar, que assumem uma parceria entre o obscuro da revelação e o brilho focal do autor.
Nas 100 páginas d'Os Dez Olhos Do Homem ressoa um canto do cisne de triste elegia para a fauna e a flora e os mananciais; que a voz sofrida do autor procura despertar um coro verde-amarelo e opulento, que clame por um Brasil livre e soberano. As imagens de Magu Cartabranca apercebem os fatos hoje debatidos à exaustão no Pará, onde o brilho do metal desperta não a consciência, mas sim a ganância pela terra invadida e aviltada, e pode ser lá prova, nos julgamentos que batem os martelos nas cortes.

Trecho
Nas correntezas das enchentes e nas secas escaldantes, retrato, em movimento como um dançarino nos quadros pintados a nanquim, o rosto de uma multidão exposta na temperatura das desigualdades.
Apagarei com borracha bruta as sombras de alguns homens, que inacreditavelmente aparecem com semblantes de que honram a pátria amada nos tempos que contam, antes de você olhar em suas mãos e dedos. Nos reflexos de ver você mesmo, salto das telhas e das linhas para ninguém sofrer tanto às minhas vistas.
Posso perceber os Dez Olhos Do Homem, mas a única coisa que vejo são os meus olhos, em muitos que brilham há tempos na mesma dor. Neste mundo, não aos tabeliães de terras tomadas, de calças sujas de carimbadas. (Página 65)

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