Crônica: Quem é esse "o mesmo"?

Quem é esse “o mesmo”?
 
Marcelo Torres

 
“Antes de entrar no elevador,
verifique se o mesmo se encontra neste andar”.
 
O aviso está nos quatro cantos do Distrito Federal. Ou melhor, está em todos os blocos (os prédios, os edifícios) que têm elevadores. A advertência fica ao lado do botão com o qual se chama o elevador. Enquanto você espera, vai lendo a pérola uma, duas, dez vezes.

 
“Antes de entrar no elevador,
verifique se o mesmo se encontra neste andar”.
 
A lei é distrital, ou seja, é coisa da Câmara Legislativa, órgão que possui consultores gramaticais concursados - imagine se não os possuísse! E se chegou ao ponto de uma lei específica se preocupar com ele, esse dito-cujo não deve ser lá coisa boa, só pode ser um elemento de alta periculosidade, que escolhe suas vítimas em esperas de elevadores.
 
Pelo Plano Piloto, Asa Sul, Asa Norte, onde os prédios só têm seis andares, menos mal, você pega a escada e tudo bem. No Lago Sul e Lago Norte nem elevador existe, então não há problema. Mas quando você vai a um daqueles arranha-céus de Águas Claras... 
 
Em Águas Claras, o buraco é mais em cima, ou seja, o elevador é inevitável. Aí, não tem jeito, você tem que pegar. Antes, como reza a lei, você "verifica se o mesmo se encontra no andar".
 
Para isso, você olha para um lado e para outro, para a porta das escadas, para cobogós e janelas, para cima e para baixo, levanta o tapete, e só depois de tudo isso - ufa! - você respira aliviado, e finalmente entra no elevador.
 
Que sina esta nossa aqui no DF, não é? Não faz muito tempo um governador de triste memória publicou no Diário Oficial a demissão sabe de quem? Do gerúndio! Isso mesmo, demitiu um elemento da linguagem, uma forma verbal! É como se o gerúndio fosse um funcionário.
 
A Câmara Distrital, que é o Poder Legislativo local, preocupada com um tal de "o mesmo". O GDF, que é o Poder Executivo, demitindo o gerúndio. E tudo acabou em panetone, mas isso é outra história, que todo mundo já sabe.
 
Voltando à lei, de repente os distritais vão tornar obrigatório um aviso a ser pregado nos carros com a seguinte legenda: “Antes de entrar no carro, verifique se há um cão [ou gato] folgado dormindo debaixo do mesmo”.
E não faltarão outras leis preventivas, que colocarão avisos nas portas de sua casa, na entrada do seu trabalho, no portão do cemitério, na portaria do motel ou pousada, nas mesas de bares, no vidro do seu carro...

No cemitério, o aviso vai ser o seguinte: “Antes de enterrar o falecido, veja se o mesmo está morto”. Na porta do seu carro o aviso vai ser: “Antes de entrar no carro, verifique se o mesmo tem combustível”.

Nos cardápios de bares, restaurantes, lanchonetes, biroscas, bodegas e afins haverá um aviso, aprovado por lei distrital, com a seguinte advertência: “Antes de abrir a boca, verifique se a mesma está limpa”.

A Câmara Distrital vai aprovar outra lei ordinária criando faixas ao longo da W3 com os seguintes dizeres: “Antes de se hospedar numa pousada, verifique se a mesma é uma pousada” [afinal de contas, ela pode ser um motel disfarçado].

 
Mas, concluindo, quem é mesmo esse tal de o mesmo?

 
Dizem que é o Arruda! Outros falam que é o Pê-Ó [até porque o Paulo Octávio está em todos os prédios construídos e a construir em Brasília]. Mas eu já sei quem é o mesmo.
 
É o Roriz! Esse o mesmo é o Roriz!
 
 
O mesmo quer ser governador! E pela quinta vez! Mas o mesmo é ficha-suja! Mesmo assim, talvez ele seja candidato. Então, "antes de votar, verifique se o mesmo (Roriz) se encontra na disputa". E vote contra o mesmo.
Não é possível que Brasília vai querer o mesmo pela quinta vez!
Não! Chega! O mesmo não. Não a o mesmo.


 
*Marcelo Torres,

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http://marcelotorres.zip.net/
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