Livro: Mulheres do rock: Inventário e guia social

 

Livro

Mulheres do Rock – O rock do DF e do Entorno sob o ponto de vista feminino
Iniciativa
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Inventário e guia social

por: Mário Pacheco

10 out. / 2010 - Fábula intemporal reminiscente da Era Xerox dos fanzines 1980-2010. O padrão de comportamento do it yourself força a barra para liberar as amarras da criatividade.

A abordagem do livro, “Mulheres do Rock” será mais interessante sem combates físicos e fugas alucinadas; as seis relatoras deste evento representativo de suas vidas evitaram os brados heróicos e só recorreram às confusões quando inevitavelmente   tiveram que narrar pedaços de sobrevivência.

Durante a leitura com a caneta faça um mapa e marque cada igrejinha, boteco roto ou chique, espaço voador, casa de show, festival por onde as tribos urbanas deixaram pegadas desfilando suas armaduras e instrumentos cintilantes juntos a muita força de vontade e determinação para transformar um fenômeno em cena marcante durante 30 anos.

Cemitérios, imensos lotes vazios e prédios abandonados no coração de Brasília, quebradas da Shis Norte na QNL, no Paradão fugindo de tiro, a fantasia do heavy metal começava a pulsar .

Então, durante redemocratização do país nos anos da Nova República veio à tona que o ganho mal dava para a alimentação como sobremesa a ideologia punk e a adrenalina hardcore.

Direto  das 160 páginas emerge o senso comum que a arte vence fronteiras, aproxima as pessoas e contribui para reduzir as diferenças sociais e culturais entre as pessoas.

Os depoimentos individuais revelam formas de compreender o mundo, a compreensão do som além de auditiva é também visual e os nomes criam nichos setorizados pelos lugares que freqüentam e suas ações e decisões em categorias.

Uma função decisiva desse livro é unanime ao avaliar: “tudo o que meus pais me permitiram e me ensinaram resultou numa vinda venturosa, intensa e plena de amor, num amor incontido pelas pessoas que me cercam e pela minha própria história” nesse ponto os seis relatos se harmonizam em identidade.

 

Trechos

 

meninas

Alice (Gulag), Ludmila (Estamira), Andréa (ex-Valhala), Bianca (ex-Bulimia) e Zane (Flammea)

Trechos

“Voltando ao Toda Dor: junto com a vontade de montar uma banda, veio uma grande vontade fazer mais coisas entre garotas. Tínhamos participado de um grupo de estudos feministas da universidade no ano anterior, que não deu muito certo. Pensamos em fazer coisas que reunissem mais as meninas envolvidas com a cena hardcore. Não só por causa do mito de que ‘garotas não podem ser amigas, só rivais’, que é uma mão na roda para o patriarcado como sistema de isolar mulheres e estabelecer que a energia afetiva e de cuidado das mulheres estarão canalizadas primariamente para homens, mas por causa da noção específica do underground de que mulheres não são protagonistas, mas as namoradas dos caras de bandas”. (Alice, baterista da Todador e Gulag).

“Outro que foi muito importante pelas ligações que trouxe depois foi o Hardcore no Calabouço. Só no dia do evento, ao sacar o movimento, percebi que haviam três mulheres à frente da organização com os garotos: Alice, Tate e Carol. Alice e Tate formaram só depois bandas importantes da cena do DF, como Toda Dor Do Mundo e Silente. Mas desde antes também produziam shows, escreviam zines (tenho algumas edições do La carnissa em casa até hoje), organizavam coletâneas, lançavam materiais próprios e de outras galeras, tinham o programa Rádio Livre na Ralacoco – rádio comunitária da UNB etc. Já as tinha visto antes, mas foi a primeira vez que reparei nelas”. (Ludmilla, vocalista da Estamira)

"Após rever erros, os ensaios se intensificaram e em 1992 gravamos outra demo, dessa vez com três sons, com mais tempo e com melhor qualidade. Essa fita foi bem aceita pelos seguidores do Death-Metal. Particularmente, acho essa fita demonstrativa bem melhor que o Long Play de 1993. Foi a melhor fase da Valhalla.
Centenas de cartas chegaram de todos os lugares do Brasil e do mundo. E foi nessa época que abrimos um show para o Sarcófago, em Uberlândia, Minas Gerais. Simplesmente inesquecível!
Depois dessa fase, as coisas pareciam não estar certas. Havia um outro clima e problemas de ordem pessoal afetavam a Valhalla e tudo pareceu não ser mais o mesmo quando a baixista saiu da banda. (Andréa, vocalista da Valhalla).

“Quando já estava bastante envolvida com o rock, dedicava muito tempo às correspondências e troca de materiais. Comecei com a distribuidora de demotapes. Recebia fitas demotapes ou a master das músicas e espalhava por Brasília. Acabou sendo um canal para muitas bandas chegarem aqui. Depois inevitavelmente expandiu pro vinil e CD. Acabou que lançamos o EP em vinil da Perdedores, eu já tinha feito a demo da Bulimia e toda distribuição... Teve o split vinil da Kaos Klitoriano e Kólica. O faça Você Mesmo me ensinou a não ficar esperando nenhum maior interessado aparecer. (Bianca, guitarrista da Bulimia e produtora do selo Protons).

“Por falar em demos, na época da Flammea desenhávamos e recortávamos capinhas xerocadas para as fitas cassetes, quer eram devidamente abertas e tinham duas fitas cortadas (refiro-me à fita preta interna, onde as músicas ficavam gravadas), de forma que coubesse apena suma música no lado A e outra no lado B. Abríamos, cortávamos, rebobinávamos, fechávamos. Era um trabalho artesanal, que distribuíamos, juntamente como os releases, para todo mundo e para o mundo todo, literalmente. Fazíamos ‘vaquinha’ para dar conta de tanta correspondência.
Por esta razão, afirmo que fomos, sim, vanguardistas da globalização”. (Zanny, contrabaixista da Flammea e da Rarabichuebas).

“Voltando à cena do rock que é mais interessante. Em Brasília continuavam as produções. A Mosh Produções continuava trazendo muita gente boa como: a Attomica, RDP, Sepultura, Witch Hammer, Mutilator, Vulcano, Genocídio, Mayhen. Foram tantos que se confundem em minhas lembranças. Shows maravilhosos que deixaram história, sempre com as bandas de Brasília abrindo, proporcionando oportunidades para que as mesmas ficassem conhecidas”. (Márcia Pricilia   acompanhou a cena de perto).


 

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