Patti Smith lança "Só Garotos"

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Patti Smith lança “Só Garotos’’

Diário do Pará 

15 dez. / 2010 - Entre as tantas biografias roqueiras recém-lançadas, o livro de Patti Smith é o que menos foca a música. Não por acaso, é o melhor deles.

Em “Só Garotos’’, o rock é pano de fundo. Não apenas o rock, mas também a ressaca da literatura beatnik, o início da contracultura e a revolução comportamental em curso na Nova York da segunda metade da década de 1960.

Acima de tudo, trata-se de uma história de amor. O relacionamento entre Patti e o fotógrafo Robert Mapplethorpe é contado de uma forma às vezes carinhosa, às vezes apaixonada. Desde que se conheceram, em 1967, quando eram dois jovens sem dinheiro no bolso e com uma fé cega em sua arte, até a morte dele, em 1989.

A narrativa abre com a manhã em que a autora recebe a notícia da morte do ex-namorado. Ela professa a condição dos dois como almas gêmeas e dedica as dezenas de páginas seguintes a justificá-la. Uma das mais importantes vozes femininas da poesia americana, Patti faz isso com beleza e sedução.

Quando se conheceram, viviam de empregos modestos, quase bicos. Morando em lugares insalubres, que tratavam de enfeitar com os desenhos que produziam sem parar, e dividindo um único sanduíche no jantar, passam por um pequeno inferno antes de chegar ao reconhecimento -ela, como poeta e depois cantora de rock, e ele, fotógrafo.

São dois sonhadores. Sem dinheiro para comprar um mísero remédio para gonorreia, mas fazendo planos para conhecer Andy Warhol.

Essa fase “sarjeta’’ do casal rende bons momentos na história, como aquele em que Allen Ginsberg, já na época grande poeta americano, paga uma refeição a uma faminta Patti pensando que ela era um menino magrinho. Quando vê que é uma garota, Ginsberg perde o interesse e a descarta. Anos depois, Patti já famosa, os dois ficaram amigos e riram muito disso.

Enquanto Patti alcançou popularidade de uma estrela do rock, Mapplethorpe ganhou uma aura polêmica que nunca perderia, mesmo que seus retratos de nus que tanto chocam parte do público americano sejam só uma das faces de seu trabalho.

Chega a comover o amor incondicional de Patti por Mapplethorpe. Ela aceita todas as mudanças do comportamento do amado: da insegurança tímida à confiança em excesso, das gravuras à fotografia, do jeito juvenil de namorar ao bissexualismo sem freio. Todo o tempo, ela sempre ao lado dele.

“Só Garotos’’ pode ser lido de duas maneiras. Como retrato de uma época e relato dos anos de formação de uma estrela do rock, satisfaz qualquer curiosidade, além do estilo envolvente de Patti Smith ao escrever prosa com momentos quase poéticos.

Como história de amor muito longe das convenções, o livro ganha sua dimensão de uma obra irresistível para românticos, sejam roqueiros ou não.

David Bowie é um personagem fascinante na história do rock. Poucos mexeram tanto com os rumos da música e também com o cenário sexual de sua época. Só falta a ele um biógrafo melhor.

O livro de Marc Spitz, colaborador de revistas como “Uncut’’ e “Spin’’, foi antecedido de muita expectativa. Anunciado como a biografia “definitiva’’ do ídolo, poderia dar alguma luz sobre os últimos cinco anos, período em que Bowie não lançou discos nem fez shows.

Como aparece cada vez menos na mídia, aumentam os rumores de que ele ficou muito debilitado depois da cirurgia cardíaca para desobstrução de uma artéria, realizada em 2004.

A primeira das decepções do livro: não há novidade sobre a saúde do cantor. Apenas descrições das aparições recentes e relatos de amigos, nada conclusivos.

Outra frustração: fica evidente que Spitz não conseguiu entrevistar Bowie. As declarações dele no texto são tiradas de material já publicado -e falta dar crédito a muitas dessas fontes.

Os defeitos do volume se completam com o estilo de Spitz, que tenta aparecer mais do que o biografado. Ele teima em se mostrar crítico pop e, digamos, “poeta’’.

Quando não tece longos comentários, realmente muito longos, sobre os discos de Bowie, Spitz se perde em trechos constrangedores. Ele ousa abrir um capítulo falando sobre um alien que vive na casa vizinha àquela em que o cantor nasceu. Sério.

Tudo isso só não faz de “Bowie’’ um livro desprezível porque a trajetória dele segura a leitura. Está tudo ali: as muitas tentativas de sucesso antes de estourar com “Space Oddity’’, a criação do glam com a figura andrógina de Ziggy Stardust, as drogas de todos os tipos, as incursões bem-sucedidas no cinema.

Talvez o artista mais influente no rock, Bowie tem um lugar gigantesco na história do gênero, mas ainda precisa de uma verdadeira biografia “definitiva’’.

 

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