Morre, aos 68 anos, o grande músico Manito

manitoManito! O Brasil perde um grande gênio!


Morre, aos 68 anos, o músico Manito

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Morreu hoje, aos 68 anos, o músico Antônio Rosas Seixas, o Manito, que foi saxofonista da banda "Os Incríveis" e que participou também da fundação do grupo de música instrumental "Saxomania" junto com o músico João Cuca. Sua participação na banda O Som Nosso de Cada Dia é memorável! Manito sempre foi lembrado por solos inesquecíveis durante a Jovem Guarda, época em que "Os Incríveis" se firmaram como uma das mais importantes bandas do País. Inspiraram e ainda inspiram muitos jovens com a sua música. Manito tratava desde 2006 de um câncer na laringe, o que o afastou dos shows com o "Saxomania" devido ao duro tratamento de quimioterapia."O tumor voltou em 2010", explicou hoje Lucinha, companheira há 13 anos do músico, que morreu em casa nesta tarde. "Em maio, ele foi operado. Mas ele já tinha feito radioterapia e a pele estava afetada, com dificuldade para cicatrizar, e ele tinha problemas hepáticos. Vivemos com empenho para ele se recuperar, tivemos momentos animadores.

No fundo, eu sei que foi uma grande libertação. Ele sempre foi um grande guerreiro. Isso foi uma libertação e está sendo recebido com muita alegria. Já está dando o tom. Com certeza, está em uma luz muito aconchegante e recebendo os últimos momentos das pessoas que o quiseram muito bem." Ele deixa cinco filhos. Três do primeiro casamento, dois do segundo.Lívio Benvenuti Júnior, o Nenê, contrabaixista da banda "Os Incríveis", lamentou a morte do amigo. "Ele foi para o outro lado porque estava sofrendo muito. Eu acompanhei toda a trajetória, foi muito difícil para ele. Graças a Deus, ele se foi. É muito chato isso, um grande amigo, perdi um grande cara, é muito difícil. Mas venho chorando faz tempo de vê-lo definhando. Mas, graças a Deus, ele vai lá para cima", disse o músico. Os detalhes do velório e do enterro estão sendo organizados agora pela família."Ele se libertou da matéria, que já estava muito sofrida. E foi apresentar seu show em outras esferas. Deixou muitas coisas boas, engrandeceu a música e trouxe um modo novo de tocar sax, inspirou muita gente. É uma pessoa sempre grandiosa, de muita ética, honestidade. Passou muita alegria para as pessoas. Morreu aos 68 anos, 64 anos de música. Começou a tocar aos 4 anos e, aos 5, já ajudava com as despesas de casa", lembrou Lucinha, muito emocionada. Segundo Alberto Zappia, amigo de Manito, ele havia operado há três meses e não conseguia mais falar e nem comer direito.

O velório
Abaixo reproduzo mensagem, que acabo de receber (10/09/2011), do amigo Marcel Castro: "Olá Celso, um forte abraço, essa mensagem recebi do meu querido amigo Netinho, parceiro do Manito nos Incríveis. O velorio do Manito será no Cemitério do Araçá na Avenida Dr. Arnaldo em SP à partir de 21:30 hs e o enterro será amanhã as 14:00 hs." Convém lembra que, apesar do velório ser no Cemitério do Araça, Manito será enterrado neste sábado (10/09/2011) às 15h no Cemitério Horto Florestal, em São Paulo.

Barbieri comenta
É Lamentável! Uma grande perda! Manito foi um ícone vivo do rock brasileiro! Um gênio que, como de costume não recebeu o respeito merecido! Toma Brasil!!! Perdemos mais uma pérola!

Neste momento tão triste, viajei mentalmente ao passado distante buscando minhas lembranças do querido Manito. Sempre fui um grande fã mas, infelizmente nunca tive a oportunidade de apertar sua mão.

Meu contato mais direto com ele aconteceu em 2010 quando escrevi uma poesia chamada "O Circo Chegou na Cidade" (clique aqui) que denunciava o estado patético das nossas eleições que estavam proximas.

Fiquei surpreso quando, no dia primeiro de abril, recebi um email de Antonio Sanchez (Manito) que dizia: "Parabéns. Além de você ser Antonio, meu xará, temos o mesmo sentimento. TAMOS AÍ. Manito

Respondi imediatamente: "Oi Manito, só curiosidade, você é mesmo o Manito? O lendário músico multi-instrumentista dos Incríveis, São Nosso de Cada Dia e muito mais? Se for estendo-lhe, desde já, meu humilde tapete vermelho! Sempre fui seu fã e agora sou mais ainda porque você também é Antonio :-) Um abraço amigo, Celso Barbieri."

Manito respondeu: "Oi xará sou eu mesmo o Manito dos Incríveis, Som Nosso é outros e gostei muito do que você falou sobre O Circo e sobre mim. Obrigado, Manito."

Então foi assim, um contato amigo, simples, curto, direto e sem frescuras. Grande Manito!

Os Incríveis
Conhecia Manito, através dos programas na TV, desde os tempos da Jovem Guarda. Por um bom tempo, no Brasil, sua banda, Os Incríveis, foi o que existiu de mais sofisticado em termos de rock . Ouvi incontáveis vezes a música "Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones". Um verdadeiro hino pacifista contra a guerra do Vietnan.

Seus dotes musicais eram assustadores. Manito não apenas tocava qualquer instrumento que lhe viesse às mãos mas, sempre os executava excepcionalmente bem. Para mim, o homem era um monstro, um gênio. Sentia que musicalmente ele estava à um milhão de quilômetros de distância, lá no alto, em cima de um pedestal, intocável!

Os Incríveis teve seu grande momento de glória, seus músicos viajaram pelo mundo e trouxeram para o Brasil o primeiro sistema de som (PA) realmente profissional. Este grupo foi, por um tempo, uma banda imbatível, inovando o cenário do rockl nacional mas, como tudo que é bom dura pouco, com o tempo a banda acabou e Manito, naturalmente, continuou seguindo seu destino musical.

Som Nosso de Cada Dia
Esta banda, é lendária e seu CD chamado "Snegs", lançado em 1974, deve fazer parte obrigatória da coleção de qualquer roqueiro brasileiro sério.

A primeira vez que assisti um show desta banda lendária foi no começo dos anos 70 num dos festivais ao ar livre que aconteceram no Parque do Ibirapuera. Foram tempos cheios de idealismo, ainda dentro do espírito do festival de Woodstock (1969). Até hoje quando recordo-me, depois de um intervalo noturno, naquele friozinho da manhã, sentado na grama, na frente do palco, ainda meio sonolento, ser despertado ao som de O Guarani, com Manito nos teclados, detonado aquele som bem brasileiro, fico emocionado e sinto-me como um grande privilegiado de ter participado deste momento histórico indescritível.

Depois deste batismo no Parque do Ibirapuera, a próxima vez que assisti a banda foi na abertura do show de Alice Cooper em 1973. Fui no show usando uma calça prateada e calçando tamancos. Mas que figura! A apresentação da banda Som Nosso de Cada Dia foi nervosa pois, milhares e milhares de pessoas comprimiam-se na frente do palco. Por pouco não aconteceu uma catástrofe. A banda teve que interromper seu show várias vezes para tentar acalmar e controlar a massa humana. No empurra-empurra fui derrubado no chão, a pressão da massa humana era muito grande e, não conseguia mais me levantar, não havia ar para respirar e pensei que meu fim tinha chegado. De repente, uma garota desconhecida estendeu a mão e ajudou-me a ficar em pé. Naquele momento achei melhor sair com a garota daquele amassa-amassa e levá-la para um cantinho mais romântico. Ficamos juntos todo o resto do show :-)

A próxima e última vez que assisti um show da banda foi, ainda no começo dos anos 70, como convidado especial na inauguração da Tenda do Calvário (clique aqui) no bairro de Pinheiros. Eu recebi um convite especial porque tinha sido um dos ocupantes da Tenda do Calvário que no dia do show de pré estréia para a imprensa (que teria a participação dos Mutantes) fui preso e, passei maus bocados dentro do Departamento de Investigações Criminais (DEIC).

Adeus Manito! Sua música o manterá vivo para sempre!

Antonio Celso Barbieri



Som Nosso De Cada Dia - Snegs (1974)

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