2001: Vernon Walters lança o CD "Talebush"

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Discos saíam do lixo

  CD 'Talebush' (o nome seria... '"Tropicanalha")

   (Mário Pazcheco)

    Faixas

   1. “Cid Sings” / 2. “Compre no Natal” / 3. “X Ou Y” / 4. “Economísticos” / 5. “Vozes Cotidianas” / 6. “Ombros Armas” / 7. “Andrade Glover” / 8. “2001 Ad (A Escória se Repete)” / 9. “Passaporte Vermelho” / 10. “O Futuro em Suas Mãos”

   Final de 2002
   Vernon Walters foi o general conspirador utilizado pela CIA no Golpe de 64. Derrubado Jango, o facínora queria derrubar uma bomba atômica em Cuba. O James Bond americano ainda viveu para presenciar o 11 de setembro.
   No início da década de 90, no Rio Grande do Sul, Vernon Walters ressurgiu bizarramente, como uma banda punk. com uma retórica diametralmente contrária ao Imperialismo. Do sul, o guitarrista Phillipus Bombastus embarcou para Brasília o ativismo da Vernon Walters. Depois de uma década da sua estreia, nos presenteia com Talebush, o seu primeiro CD exclusivo. Oportunamente esse parto ocorre em ano eleitoral e nos permite inventariar as nossas posições. Originalmente o nome do álbum era Tropicanalha, e mudou para Talebush. Da sua audição, um calafrio percorreu o meu escroto, e me perturbou:

 – Sou um pulha?

 Vernon Walters deixou de subliminar o denuncismo e partiu para a ruptura, o que me lembra o álbum ativista de John Lennon Sometime In New York City. Se a capa desse álbum saísse hoje, traria manchetes sobre destruição em massa, armas químicas e biológicas, artefatos nucleares e guerra nas estrelas. Talebush traz um postal nada agradável do Brasil e serve como trilha amadurecida do 11 de setembro. Talebush consegue lembrar que agora mesmo Bush prepara o ataque contra o Iraque, seu antigo aliado.

 O conjunto das dez faixas produz um etos que marca os ouvintes.

 O guitarrista Phillipus Bombastus habilmente utiliza as escalas modais gregas em seus solos, enquanto a guitarra base de Robson Martinez é aliada do discurso e da porrada, fundamentando inserções que mantêm o pique bate-estacas da cozinha formada por Ricardo Gonzales, contrabaixo; e Augusto Morales, tambores. Paulatinamente, a Vernon Walters avança musicalmente.

A vinheta de abertura “Cid Sings” revela a conexão entre a ditadura e a Rede Globo. As três faixas seguintes “Compre no Natal”/ “X ou Y” / “Vozes Cotidianas” formam uma trilogia cambial, o crack da bolsa, os transgênicos gerando uma massa falida. O homem na sarjeta poderia ser qualquer um. Impressionante! Na faixa seguinte, “Ombro Armas”, eles utilizam o modo jônico das marchas militares para esse desabafo hilário. Em “Andrade Glover”, um anagrama, resgatam as flores de Geraldo Vandré, e não há como deixar de mencionar o talibã-americano John Walker, que também foi pro pau de arara. “Passaporte Vermelho” explora a exclusão social. A clássica “O Futuro em Suas Mãos” encerra o álbum, mostrando a nossa propensão à miséria, à falência do caráter – o carro da madame é blindado?
O verso métrico de Talebush aborda as dimensões da realidade emoldurada no som punk conciso-grave cibernético-melódico – rock‘n’roll insubordinado contra todas as tentativas de cerceamento das formas de expressão; E o melhor-urgente é poder identificar que nasceu clássico e independente de contratos dos responsáveis pelo miserê.

 

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