Lady sings the blues ou, o Redentor ouviu Indiana

Lady sings the blues ou, o Redentor ouviu Indiana

 

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por Paulão de Varadero – Enviado especial



Dizem que Deus é brasileiro. Aqui no Rio temos até o seu filho predileto, de braços abertos, num dos pontos mais altos da cidade abençoando o terreiro, meio que de banda para o Maracanã e de frente para a belíssima Baía da Guanabara. Ontem, quarta à noite, posso assegurar. Ele não estava dando a mínima atenção para o Rock in Rio, mas se deliciando com o show da Indiana Nomma, (a nossa querida Indiana de Brasília) na Lapa, no Santo Scenarium, na Rua do Lavradio, um dos mais cults restaurantes do Rio. Meio parecido com o Feitiço Mineiro, pelo barulho daqueles que só vão alí pra comer, não querem desasnar. O espetáculo foi antológico, simplesmente belíssimo! 
Hoje, quando escrevo essas notas musicais em prosa, posso afirmar como diria o poeta Gonçalves Dias: "Meninos, eu vi!" Ou como Neruda: "Confesso que vivi"! Certamente o doce Lupicínio Rodrigues exclamaria, bah, che! Mas que barbaridade! Eu, como um simples carioca-candango em férias nesse setembro prenúncio de primavera, quando o Rio está cheio de jovens roqueiros de todo o mundo, só posso afirmar sobre o show da Indiana: Soberbo! Sublime! Emocionante! Maravilhoso!
Indiana está mais encantadora do que nunca. E cantar Billie Holiday, o Rhythm blues é cantar a dor, é lamentar a discriminação, racial, social e econômico daquela América do "Apartheid" de grande parte do século XX, para não irmos longe e falar de agora. A nossa revelação brasiliense não teve a exposição de Ellen Oléria, ou da saudosa Cássia Eller, mas cantou com tanta naturalidade, domínio de voz e da plateia e carisma que parecia ter sido amiga íntima de Billie, ou por outra, ter "incorporado" a cantora da voz rouca e melancólica.
Indiana começou o show com a belíssima Tenderly, que segundo meu amigo
Márcio Lacombe, teve sua primeira gravação pela voz do bossanovístico Dick Farney. Ela nos brindou com mais de duas horas de bela música com voz suave, firme, cristalina e visceral. Já foi provocando de cara um clima e uma emoção tão forte, nostálgico, inerente à própria Billie, que um conhecido de Indiana, perto do piano e da cantora, gesticulou e disse para alguém: "traz a faca de serra e corta os meus pulsos!" Sorri comigo, pra não entrar no espírito meio down do  blues, eu que afinal vim pro Rio para curtir o samba do Alfredinho, no Bip Bip e comemorar os seus setenta anos em festa gloriosa lá na sede do Botafogo. Aliás, nem vi o time perder para o Cruzeiro ontem, no Mineirão, e o que o olhos não veem, o coração não sente! 
Mas voltando ao que interessa, o espetáculo da Indiana, ela passeia por clássicos como Stormy Weather, You´ve changed, The man I loved, God bless the child, Stars feels on Alabama, até chegar na que disse mais amar: Lady sing the blues, ela cantou e encantou o público. Ainda teve a delicadeza de atender a  meu pedido e cantar o clássico de Gershwin, da Porgy and Bess, a antológica Summertime. Indiana foi acompanhada ao piano por Rodrigo De Marcillac, outro talento da noite carioca, que substituiu de última hora Adaury Jr. que vinha fazendo com a cantora a temporada que machucou a mão num acidente, mas foi ver o show mesmo assim.
Indiana entremeou o espetáculo ainda com passagens da vida da homenageada, e destacou sua sofrida e dramática trajetória, de mulher, de negra discriminada, inclusive do seu envolvimento com drogas, a então recém-inventada heroína e com a prostituição em fases da conturbada vida daquela que viria a se tornar o mito Billie Holiday. Indiana nos alerta como as dificuldades forjaram a alma daquela que viria a ser a maior cantora do gênero, que superou a "mãe" de todas as bluseiras, que foi Bessie Smith.
Não bastasse tudo isto, Indiana ainda me fez generosa homenagem como membro  do Politiburo do Pacotão, coisa que os cariocas não conhecem muito bem, embora insistisse em  ressaltar que era o maior bloco carnavalesco de Brasília. Uma homenagem lisonjeira como essa me deixou que nem pinto no lixo. Ela aceitou meu convite para cantar no lançamento do livro do Pacotão, em data ainda a ser combinada com o Alfredinho do Bip Bip, que já ofereceu o espaço do seu famoso butequim para o evento. Obrigado Indiana! O Pacotão te saúda. 

PS. A Indiana vai estar em Brasília no próximo dia 26, no Feitiço Mineiro, para o lançamento do livro do ex-governador do Amapá, João Capiberibe. Vai cantar com o Eduardo Rangel. Todos lá!

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