Renatos: Russos, Matos e os seus idiossincráticos tatos

RENATOS: RUSSOS, MATOS E OS SEUS IDOSINCRÁTICOS TATOS

“Quando eu estava indo a pé para Taquatinga, nenhum desses ai, que estão me criticando, pararam para me dar uma carona! Qual deles vai pagar o colégio dos meus filhos?”

(Renato Matos)

Matos

Na primeira eleição para governador do Distrito Federal, o jingle da campanha foi composto e era interpretado por um dos nomes mais importantes da música brasiliense. Importância, infelizmente, não põe mesa, não compra pão. Renato Matos pediu um prato ao garçom para comer o que algumas pessoas de sua mesa tinham largado nas travessas (comida limpa) do bar e restaurante Caderno IIquando eu perguntei a ele: “Como é que você me faz uma dessa? Cantando ‘Quero Roriz’”? Foi então que ele me falou daqueles que não paravam o carro para lhe dar uma carona mesmo, aposto que, mesmo reconhecendo a fisionomia dessa figura impar do planalto central do país.

Renato Matos organiza movimentos, desorienta quaisquer carnavais que queira, que por desoreintá-los sinta-se colocando-os à beira, à margem, território limitrofe entre o centro e a periferia. O Renato serve uma cerveja no saudoso bar “Caco de cuia”, vai morar lá nos confins do DF onde é conhecido por toda gente menos privilegiada economicamente; e por eles é sempre muito respeitado e amado; saiba: o Renato faz muito mais.

Graças a uma explicação-explicitação de minha grande amiga Valéria Barros Nunnes, entendi que Renato Matos além de suas grandes composições fez o primeiro grande Download de músicaque eu já vi. Ele foi para a Europa sem um tostão quase além do da passagem e voltou com um rádio-toca-fitas enorme e uma mala cheia de fitas cassetes. Isso foi na segunda metade dos anos 80. Quase 30 anos depois tem gente arrotando goma, querendo se fazer crer plantador de novos ventos porque simplesmente apresentam os mesmos dubs que Renato já havia trazido em seu trabalhosoDownload há vinte e tantos anos atrás!

Russo

O Renato Russo estava sentado em uma mesa do “lendário Bom Demais” (assim o chama o Irlam Rocha Lima) com o tecladista Rênio Quintas e alguém mais que não me vem à memória. Foi quando um conhecido, que também me foge pelas frestas das lembranças, me provocou: “Você vive falando mau do trabalho do Renato Russo. Ele está ali agora. Porque então você não vai lá e fala prá ele, pessoalmente, ao invés de ficar só falando pelas costas”. Pensei comigo que não era bem assim. O cara era uma personalidade pública e eu tinha direito de exercer minha insipiente crítica. Iria eu incomodá-lo? Fui.

Pedi uma vodka dupla e coloquei em ação um dos lados questionáveis da minha personalidade,o de papa-celebridades; no sentido de que abordo algumas celebridades que dão sopa por ai. Fiz isso por anos e hoje entendo melhor o que me movia: quebrar os mitos. Para o Caetano Veloso eu disse, como primeira frase: “Caretano, de mitificador para figura mitificada”. Para o Renato Russo eu disse: “Gosto muito de muitas canções suas, mas o que me incomoda é que você aponta um dedo de responsabilidade adulta para o público, o ouvinte das suas músicas (hoje eu teria dito canções). Você dá muita lição de moral em suas letras”.

O Renato, o Russo, disse educadamente que não gostava de lição nem de moral. Levantou-se para conversar comigo, que me neguei a sentar com a desculpa de que não gostava de me sentar quando já um pouco bêbado. Eu estava é com vergonha do Rênio, pois eu tinha usado ele para chegar ao Renato sem pedir-lhe autorização.

Foi, certamente, uma das pessoas mais educadas e que melhor reagem a uma crítica incisiva que já conheci no universo. Conversamos exaltadamente e muitos amigos e freqüentadores do Bar pensaram tratar-se de uma discussão, de uma “briga”. Foi uma conversa de cavalheiros, especialmente da parte dele. As últimas palavras que ouvi dele foram: “Sou de Áries”.

Os arianos são extremamente objetivos, e alguns deles têm um tato acima da média, uma visão diplomática e estratégica incomum. Acredito que era o caso do Renato, como é de um amigo dele que conheço mais de perto, o produtor Fernando Artigas que, por sua vez, é de Sagitário. O Sagitariano contém de forma reelaborada tudo que há nos leoninos e arianos. Eu não sei qual é o signo do Matos, do Renato Matos.

Tatos e tratos à bola

O que sei é que as diferenças muitas vezes somam, assim como entendo que nosso modo de ser pode muitas vezes nos afastar de alguns de nossos objetivos, como a consagração pública, por exemplo. Por isso digo: Renatos, Renatos, cado um deles com suas idiosincrasias, seus métodos, seus trejeitos, e tatos; cada um dá á bola o seu pessoal e inconfundível trato.

Como disse Gerson De Veras , o Gersinho ou ainda Cafagerson da banda Cachorros das cachorras em um show que homenageava Renato Russo na Torre de TV de Brasília (tenho essa apresentação dos Cachorros (dessa vez só com Gerson e Cobrinha da primeira formação da banda): “Que viva Renato Russo! E uma salva de palmas também para um outro Renato que anda esquecido, o Renato Matos”. Como está escrito (em uma matéria outra do Mário Pazcheco nesse mesmo sítio): “Não tire onda com a minha cara, o tempo é um veneno!”

!SalveS!

Sandro Alves – Mestre em Teoria e História da Arte (UnB – VIS – IdA)

 

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