ROQUEIRO S.A. MARCO CARVALHO, GUITARRISTA DO CABEÇA DE PRAIA (2014)

 

Roqueiro S.A. Marco Carvalho, guitarrista da Cabeça de Praia, por ele mesmo

 

emergencia

Foto: Marco A. Gomes
Café Quintal, Guará 2 - Mário, Marco e Edvaldo: a mesma idade e muitas histórias. 

Naquele tempo, fotografia era luxo pra banda de rock. Nenhum registro, a não ser na memória.

27 dez. / 2014 - Somos uma banda pós-pós: começamos por volta de 1985, passamos pelo Bom Demais, Galpãozinho, Feira de Música, Feitiço Mineiro, Arte por toda parte. Gravamos no Zen Studio, e muito rala bucho. Vamos dizer que o nosso som seja uma mistureba de guitar-band, vertente rock Brasília tipo Finis Africae, 5 Generais, mas não cold wave: rock é uma expressão abstrata da vida cotidiana, com elementos concretos, som.

Não procuro polarizar, e sim polemizar. O público são as pessoas que se afinam com o rock da cidade. Não existe faixa etária, estamos com 48 anos, mas a nossa música é jovem!
Estamos com muitas músicas gravadas e muitas inéditas. Tem até uma bem interessante, que fizemos na época do polêmico show da Legião Urbana. Gravamos Renato Russodandoesporro na galera e adicionamos a ela. Muito legal, ainda inédita.
O baixista da 5 Generais tocou comigo na banda Emergência S/A. Mozart hoje é luthier em Taguatinga. Depois formamos a banda Totem, Abelardo e os Barbosas, e por fim a Cabeça de Praia: um vocal com duas guitarras, contrabaixo e bateria. Com um som mais hard agora.

A mesmice é sempre burra.

A primeira aparição do Emergência S/A foi no Bom Demais, com a seguinte formação: Marco Carvalho na guitarra e nos vocais, Mozart da 5 Generais no contrabaixo, e Nélio, da QE 32 do Guará, na bateria. Nesse show, a galera se amarrou...

Contrapontos
Na década de 80, na Duque 11, como costumávamos chamar a SQS 211, eu também morava lá, e tocava na Emergência S.A., mas também Paulo Coelho, guitarrista da Arte no Escuro, e Paulo Diniz PJ, atual baixista da J.Quest, e Juninho, ex-baterista da Natiruts, e Parente, guitarrista da Fallen Angel, e Antônio Carlos Bigonha, o “Tom Jobim do cerrado”, e o ator de teatro e flautista Aluísio Batata, e outros que não me lembro agora compúnhamos um miolo daquela quadra. Hora ou outra tirávamos um som, escutávamos ou fumegávamos juntos. Toda a galera correlata do rock aparecia por lá.
Sei que parece lorota, afinal tantas celebridades aí, mas foi real. Todos no processo ebolutivo sonoro. Muitos frutos a colher.

Tive a minha primeira guitarra aos quinze anos, com forte influência beatlemaníaca, do Clube Da Esquina e da turma da Lira Paulistana, Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção e demais. Hoje tenho uma Fender Stratocaster, 1990. A aparelhagem que temos usado é alugada nos estúdios que nos prestam serviços musicais.
Comecei a tocar com Antônio Carlos Bigonha, um rock progressivo. Na época estávamos sob forte influência do Yes, Rush, Floyd. Depois veio o trio Emergência S/A, Mausoléu, e por último a Cabeça de Praia. Antônio Carlos Bigonha gravou o seu segundo CD com a produção do Danilo Caymmi. Bigonha começou no rock e foi logo pra bossa, choro.

Quanto aos Druidas, com a saída do Renato Bahia, Márcio “Parafina” batizou os ex-integrantes da Rock Fusão como Druidas. A formação da banda era Márcio André “Parafina”, um dos melhores guitarristas de Brasília à época, Nagib Abdala, no contrabaixo, e na bateria Gustavo.
Com a produção de Renato Russo, os Druidas gravaram no estúdio do Biquíni Cavadão.
Nunca toquei na Rock Fusão, e muito menos nos Druidas. Apenas por coincidência, toquei com dois ex-integrantes dessas duas bandas. Rodrigo Adel, da Rock Fusão, e Nagib Abdala, vulgo Morg Jazzigo, da Druidas. Ambos contrabaixistas.
Ainda em 1990, Renato Russo esteve no Gate's Pub, e tínhamos amigos em comum lá. Quando chegamos ao bar, o mito já estava... Sentamos à mesa, pedimos algumas bebidas, e o inesperado ocorreu. Renato Russo invadiu o palco para uma jam session. Ele foi vaiado, e ficou transtornado. Fugimos juntos. Do Beirute, engatamos pro Conic, e amanhecemos na casa dos meus pais.
O que me surpreendeu muito ao conhecer Renato foi o seu gênio e virtuosidade. Um cara extremamente inteligente, mas a imagem que tínhamos dele, e que muitos ainda tinham também, é a da loucura.

O futuro da Cabeça de Praia está baseado simplesmente em fazer apresentações, sempre com o objetivo de gravarmos um CD. Hoje a Cabeça de Praia é formada por Marco Carvalho, guitarra, Edvaldo Brito, contrabaixo, André, bateria, e Arak, vocais e letras.
Na Cabeça de Praia, Marco e Arak são os compositores, Marco faz as melodias e Arak as letras. Os demais participam em seus instrumentos e ideias, nos arranjos coletivos.
Os ensaios são caóticos, apocalípticos às vezes, mas tudo numa sintonia perfeita. Atonalidades, distorções e pitadas thrash. Presente, passado e futuro se fundem em autêntica mestiçagem. A nota Si finalmente nos faz guerreiros do além, um processo de abducionismo redundante.

Edvaldo Brito hoje toca comigo na Cabeça de Praia. Após a minha saída, a banda Emergência S/A mudou o nome para Artigo 153. A música “África”, de minha autoria, do repertório da Emergência S/A, fez parte do disco Rock Brasília, Explode Brasil, gravação ao vivo no Teatro Nacional.
Naqueles idos, não havia professor de guitar rock. Éramos autodidatas, até hoje é assim. Acho muito chato esse negócio de mito. Tenho sim admiração por muitos músicos, claro, mas, de boa, cultivar e mitificar determinadas figuras acho que é perda de tempo, pouco produtivo.

Tocar... significa uma análise histórica do passado, somada ao presente, com síntese para o futuro. Um pouquinho de bira, incenso e meditação trazem metal.
Por incrível que pareça, detesto virtuosismo. Milhões de notas sem fé e linguagem não fazem a minha cabeça de praia. Gosto de acordes fora do contexto tradicional. Ou seja, daquele tipo que quase ninguém usa, não sei se por preguiça ou desconhecimento. Digo, sem feeling. Talvez a minha nota hoje seja a Si, entende? Si é uma nota que mostra que você está tentando fugir da mesmice das rádios FM, do monopólio do jabá midiático.
A dica é sair da mesmice, dos rótulos. Esquecer as manias, os ídolos, e ser você mesmo. Essa é a ideologia: Cada uno é uno. Pode agregar um pouco de cada, ou ter o seu próprio desenvolvimento. Existem músicos que já nascem para fazer cover, outros fazem leitura de pauta perfeito, e ainda aqueles há que possuem ouvido de morcego.

Pedais geram uma atmosfera de bom rock’n’roll. São eles que vão se adequar a sua música: captadores originais Fender (USA). Sempre uso distorção e um digital delay, que nunca deverá faltar.
Quanto às afinações, é bem legal na guitarra você usar a seguinte sequência: D-A-D-G-B-D fica bem legal pra fazer umas bases meio fora do contexto.

 

druida

Os Druidas e o padrinho, Renato Manfredini

 

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