2005: BRASÍLIA, 'FINA FLOR DO ROCK'

JULHO/AGOSTO 2005 • FELLIPE CDC ENTREVISTA E BATE-PAPO COM RICARDO (“FRANGO”)

Brasília, Fina Flor do Rock– Conheci o Frango na época em que a Death Slam iniciou suas atividades, pois o baterista que tínhamos era um único ser. Ensaiávamos juntos: Death Slam, Pitless (banda de thrash, há muito extinta) e a Destroços, na qual nosso entrevistado tocava seu contrabaixo podre e eficiente. Frango é mais novo do que eu, tanto na idade quanto no espírito. É jovem e menos ranzinza, porém os anos e anos dedicados a enriquecer a famigerada indústria do tabagismo deram ao meu ilustre amigo um aspecto pó de asilo e um perfume que é puro aroma da morte. A seguir, uns trechos de alguns trecos que conversamos.

Fumarento amigo “Frango”, como estão os seus pulmões, após metade da vida dedicada ao vício suicida?
“Frango” –
Deu vontade de fumar um... Espera um minuto... (Nesse instante, o infeliz cata o primeiro cigarro de uma série de muitos que viriam, naquele momento. Paraguai agradece...). Agora, pode começar.

(Começar o quê? A primeira pergunta já foi respondida!)
E aí, velhinho, você tem saudade daquela época lá do Centrão, Taguá Sul, quando começaram as bandas Death Slam e Destroços?
– Tenho. Dá vontade de chorar. Tenho saudade do Bar do Pato. A gente se divertia legal, não era como hoje.
Todas as bandas que você inicia ou entra alcançam muito respaldo por parte do público underground. Foi assim com a Destroços, Vernon Walters, TFP e, em especial, com a Desakato à Autoridade e Galinha Preta. Além do fator musical
que sempre foi alto nível – e de você ser um cara extremamente simpático, cativante e querido por todos os seres da galáxia, a que mais atribui essa paixão que o povo nutre pelas músicas de que você participa? É o padrão ‘Frango’ de qualidade musical”?
– Não sei o que responder. O que eu falo, Fellipe?

(Sei lá, irmão, o entrevistado aqui é você!...)

Basicamente, para fazer música você tem que estar descompromissado, você não pode ter o rabo preso, senão se fode. Exemplos: Death Slam tem quantos anos?

(Quinze!)

Se você não fosse verdadeiro com a sua banda, você teria desistido no segundo ano, como aconteceu com várias bandas em que toquei, por causa de mudanças de formação e de posturas ideológicas. Até mesmo o crucificado DFC, que nunca parou e esse ano fez doze anos de banda. Padrão ‘Frango’ de qualidade musical é o Padrão peão de punk rock. O lema do Padrão é: ‘Se faz, faz; se não faz, pina!’

Você ainda se considera punk? O que é ser punk para você?
– Não, não sou punk. Ser punk para mim é ser eu, pois o punk no Brasil é o peão!
Ainda topa por aí com os integrantes de suas antigas bandas, ou nunca mais os viu? Eles ainda estão no mundo do rock?
Uns ficaram doidos, outros PMs, outros carteiros. Cada um correu atrás do ‘preju’ do jeito que podia. Mas tem uns ativos ainda, como o Robson (Makacongs 2099), “Fofão” (Besthöven e Vultos), e só. Tô véi, carcomido pelo cigarro...
Ia rolar um tributo à Desakato à Autoridade. Parece que o Teseu (Louco de Pedra) não gostou da ideia. Foi por isso que o projeto não vingou?
– Não sei, não tô ligado, não.
Fale aí um pouco de como se descobriu enquanto mesário, operador de PA, e de como saiu do estágio “oreia seca'’ (mero carregador de caixa) até o atual status de um dos melhores e mais requisitados trabalhadores do ramo. Rolou uma história de um grupo de jazz norte-americano que veio tocar no Distrito Federal e ficou fascinado com o seu profissionalismo, ao ponto de convidá-lo para excursionar com eles? Moleque, por que vossa senhoria não foi dar um rolé nas gringas?
– Tipo assim: Para quem quer, sempre cresce. Trabalho com som desde 90, época do estúdio Cáustico Lunar (iluminado e saudoso Cáustico!); daí fomos fazendo pequenas gigs, Feira de Música, Projeto Meia-Sola etc. Na época, nem tinha Porão do Rock. Aí entrei para uma empresa que chamava-se Instrumental, e depois fui para a RPS, na qual trabalhei por anos. Como escravo. Aí tem um monte de coisas, que se eu falasse ia encher umas folhas. Depois escrevo um livro e conto. Grupo de jazz?!? Foi o seguinte: Tem um cara, o Cliff, que é maestro de uma orquestra de Jazz em Boston, que eu fiz uns shows com ele por aqui, e ele gostou tanto do meu trabalho que me chamou para excursionar com o grupo para a Europa. Eu não fui porque eu não sabia falar inglês na ocasião.
A Galinha Preta é um hobby que está ganhando proporções gigantescas. Como então manterão o estigma de hobby, se o projeto está ganhando cara de banda, chegando a tocar em vários festivais, inclusive no Porão do Rock, onde foram aclamados pelo público?
– A Galinha Preta para mim – falo por mim – é um resumo de tudo que está na minha cabeça: lixo, paranoia, sei lá, tudo de ruim que está na minha cabeça, sem nenhuma censura. E ainda vai ficar pior. Nas outras bandas, tinha censura. Na Vernon Walters, eu era censuradíssimo. O povo da Galinha tem um acordo de “se um sair, acaba” – É um depoimento um tanto perigoso, um pacto que pode ser quebrado e vocês passarem por falsários, cara! –, e de sempre manter o lazer. Galinha Preta é diversão!
Você retornou ao Radical Sem Dó. Como está tocar com o Natinho novamente?
– Ah, tocar com o Natinho é massa. Radical também é só brincadeira, diversão. Não quero nada sério, nem com o Natinho, nem com a Galinha, nem com ninguém. Eu quero é trabalhar!
Lembro que rolou uma briga de ringue cabulosa numa gig no Gran Circo Lar. Que show foi esse, quem estava envolvido, e, fora os hematomas, o que restou daquele dia?
– Primeiramente, quero deixar registrado nesse zine que eu devo a minha vida ao Julião. Foi ele quem me tirou do quebra-pau. Na época eu era punk e fomos inventar de ir a um show de metal, da Sarcófago, produzido pelo Ronan. Aí os seguranças, que eram da Gemini, uma empresa ridícula, começaram a bater em todo mundo, sem a menor dó nem piedade. Enfim, resultado, fiquei em coma dois dias. Os headbanguers levaram muita porrada, os punks levaram bicudos, e ninguém fez nada. Foi aí que eu me toquei de que movimento que corre de segurança não tem estrutura para enfrentar uma revolução armada. (Gargalhadas, sem samplers!) Isso foi naquela época, pois recentemente os punks da MAP enfrentaram a polícia em frente ao Congresso. O Eduardo, da Subway, disse que eu mudei depois de tomar as pancadas na cabeça.

(“Frango” resolveu poupar alguns nomes envolvidos na confusão do Gran Circo Lar.)
Você pretende montar a sua própria empresa de sonorização ou algum tipo de estúdio de gravação. Em estúdio, que eu saiba, você já trabalhou com a Kaos Klitoriano, Dillo D’Araújo, e com a própria Galinha. Pretende enveredar por esse caminho também?
– Não quero ter uma empresa de som, o custo é muito alto e acaba sendo repassado para a produção de Brasília, encarecendo a produção underground. A produção boy paga esse tipo de equipamento, mas a underground não. Também não tenho interesse em estúdio. Estúdio é chato para c...! Só para os HCs que é bom.
Você lembrou muito bem sobre o CRU (Conscientes Radicais Unidos). Era um movimento radical. Na época, vocês acreditavam que aquela organização poderia realmente revolucionar? Hoje ingressaria em algum movimento assim, de caráter sócio-político? Se sim, qual?
– Respondo de coração, porque eu gostava do CRU. Nessa época, ingressamos no Movimento – eu e o Rato. Conhecemos o núcleo do CRU, que era no Gama, e tinha o Neném (Alarme), Cidão, Alfredo (Pastel e Caldo de Cana) e outros mais. Eu acreditava que o CRU mudaria mesmo, pois tinha uma base muito forte. Era organizado em seus atos e com pessoal bem coerente. Se o CRU continuasse com a sua organização, agora poderia ter uma sede e até um sítio, mas hoje em dia o mundo está desacreditado, carcomido pela corrupção, pela inveja, medo, ódio, e o único Movimento em que eu entraria seria um de ciberterrorismo bem secreto.
Como de praxe, o desenlace da entrevista: recado aos leitores e últimas palavras.
– Não sei o que falar não. Aí, valeu, obrigado a todos os amigos. Me contratem para operar som para ficar bom

(Já tá contratado! Dia 19/08, Subtera, Valhalla e outras no Zoonna Z.)

Se quiserem rir, vão aos shows da Galinha. Votem nulo! O que mais?!? Queria agradecer a você, Fellipe. Quero ver a gente daqui a uns dez anos se ainda faremos isso. Ou a gente morreu ou ganhou na loteria.

(Aí, “Frango”, melhor ganhar na loteria, investir o prêmio no nosso rock a morrer, não acha?!?)

Queria mandar um abraço a todo o Movimento peão.

(Última nota: O maldito do “Frango” fumou durante toda a entrevista. Foram quase duas horas, quase uma carteira de Derby – eu acho! –, e eu quase sufocando com tanta fumaça... Quando o bicho “bater as botas”, “vestir o paletó de madeira”, “comer grama pela raiz” etc. acho que os empresários do tabagismo farão vigília e tal...)

Thania Vieira via Facebook
“Agora que comecei a escrever, vi que não tenho boa memória: comecei a fazer parte aos catorze anos, foi em 1992. Meninas faziam parte sim.
Os zines uma galera fazia... O som que curtíamos era mais em fitas, maioria fitas demo. Vinis apenas de bandas grandes como Ratos de Porão, Sex Pistols, Ramones... Não tinha CDs.
Todos os sábados nos reuníamos no Conic (nas duas lojas de rock, a Head Collection do Fellipe CDC e na Subway; a gente assistia vídeos com a galera sendo entrevistada num programa local, que passava no canal 2).
Os shows de hardcore, punk rock, pós-punk e thrash eram na sua maioria no Conic, Galpãozinho do Gama, naquela área da Funarte, Zoonna Z e Grande Circular. Íamos a todos os festivais que faziam parte da cena local.
O MAP – Movimento Anarco Punk – era composto por punks e góticos, em sua maioria.
Foi importante porque eu comecei a entender sobre os problemas sociais. As músicas daquela época fazem parte da minha vida até hoje. Fiz bons amigos, que permanecem.
Tenho amigos com mais de 20 anos de amizade, uns próximos, e outros que encontro em shows ainda. Amigos do Movimento eram Rubens ('Blue'), Ana Cristina, Flávio, Ancelmo, Ednei, Buti, Alan, Fernando Carpaneda, Tiago Rabelo, mas este último não era punk não (kkkkkkkk)... Tinha o 'Grilo', o 'Frango', e o Fernando não fazia parte. Mas andava com a gente. Acho que a Gleicy Kelly fazia parte. Estes nomes podem contar a história...” (Thania Vieira)

 

AGOSTO/SETEMBRO 2005 • BRASÍLIA, FINA FLOR DO ROCK
Informativo aperiódico, ferino, contracultural, mas, gratuito
Expediente: Fellipe CDC e Ana Flávia

Parte I – Editoriando uma trilogia merda
Aproveitando a enorme fila formada do lado de fora do estacionamento do estádio Mané Garrincha, durante sei lá qual edição do Festival Porão do Rock, comecei a panfletar o show da Subtera. Várias pessoas nem se deram o trabalho de estender o braço para pegar o panfleto. Vai ver por pensarem se tratar de propaganda de igreja evangélica, vai ver que não conhecem a Cena Underground, e a costumeira correria dos folhetos, vai ver não foram com a minha lata – ojeriza pela imagem; a primeira impressão é a que fica – ok! –, vai ver são uns esnobes escrotos mesmo, como tantos que vejo nas ruas que não respeitam o trabalho da rapaziada, que está panfletando nos grandes centros para garantir o pão de cada dia, ou sei lá o quê. O fato é que é muito constrangedor tentar entregar algo para alguém e a pessoa ficar imóvel e muda, tendo por reação o desprezo. Por outro lado, trombei com várias pessoas receptivas e extremamente simpáticas, além de diversos outros panfletadores, dos quais um jovem entregou um folder com um texto interessante contra o Porão do Rock, acusando o maior festival alternativo do Centro-Oeste de “mercenarismo e apego ao pop”. Muito se fala e muito mais ainda se critica os produtores do Porão. Muitos dos posicionamentos levantados são verdadeiros, outros são injustos. Mas a maioria é sem fundamento e leviana. Desde a primeira edição, critiquei o fato de utilizarem o termo “rock” e abrirem o leque para outras vertentes da música, como o Reggae e o HipHop. Não que tais estilos não mereçam um lugar ao Sol, pelo contrário, todos merecemos a luz. No entanto, trata-se de um festival de “rock”, e a palavra deve ser respeitada. E a semente preservada. Como sugeri há milhões, se for pra misturar, que misture, mas retire o rótulo “rock”. Acusam o Porão do Rock de estar mais pop e menos rock. Bem, aí eu discordo plenamente, pois se analisarmos veremos que é exatamente o contrário. Citando 2005 como exemplo, na sexta-feira rolou só metal e punk. “O ingresso ficou caro, os caras são mercenários!” É, realmente ficou muito puxado e salgado, pois começou com entrada franca, depois foram cobrados apenas alimentos, depois alimento mais uma grana, e agora muita grana (considerando que era gratuita a fita!) e alimento. Sem defender, mas tentando entender o lado dos caras, a produção cresceu muito, ficou anos luz mais cara, e, como a crise é geral, empresas e governos reduziram os valores dos patrocínios. Logo, para manter o padrão de qualidade alcançado, era preciso recursos de outras fontes. No caso, a cobrança de ingresso por um preço mais salgado, mas que, analisando estrutura, quantidade de bandas etc, não consideraria caro. Salgado, sim; caro, não! “O Porão é uma panelinha!” É, não posso negar que acho isso, mas já foi muito pior. Antes era só arroz e feijão escolhido por eles (produtores), hoje temos mais ingredientes e misturas (bandas das satélites, por exemplo) nessa panela. O que era baião de dois virou baião de seis, o que é muito bom para todos nós. Muitos acham que eu sou integrante da ONG Porão do Rock, que escolho as bandas, essas coisas. A resposta é: Não sou do grupo, e a influência que tenho com eles é a mesma do Osama num congresso da ONU. Caso pudesse escolher as bandas, com certeza o perfil seria bem outro, podem crer. Lógico que não colocaria só metal, hardcore e punk na parada, mas com certeza não iria me basear na MTV para compor o cast de headliners. Entendo que eles (produtores do Porão) tenham que levar o maior número de pessoas possível para o evento, para ter um feedback com os patrocinadores. Logo, meu Porão do Rock seria mais vazio de público, entretanto, com mais qualidade e honestidade musical. Pitty, D2, Supla, CPM 22, entre outras coisas, não passariam nem perto do meu palco. Torço para que em 2005 os caras não inventem chamar Kid Abelha, porque aí ia ser um chute no saco, uma afronta. Vade retro, Satanás! Antes de tecer críticas e comentários, é bom que se lembre: toda moeda tem dois lados!

Parte II
Teatro tragicômico essa nova CPI. Nas suas performances, os senadores e deputados esforçam-se ao máximo, dandoa entender que almejam um papel, uma pontinha que seja, na nova novela da Globo, ou, se não der, nas produções mexicanas do SBT. Os parlamentares que hoje jogam pedra, com rara exceção, correram ou se esconderam delas tempos atrás. Nossos ilustres representantes utilizam-se do tempo para fazer campanha política, relegando as investigações para segundo plano, e o Brasil para o campo da hipocrisia mor. Oposicionistas do PFL e PSDB são os que mais me irritam, e causam repúdio: sempre estiveram da lama, e agora, com discursos inflamados, demagógicos e populistas – invocando a sua divindade, família e Brasil a todo instante – clamam por justiça e responsabilidade social. Ora, vamos olhar o passado de todos os parlamentares. Caso sobrem uns 20 com nomes limpos e consciências tranquilas, acreditem, será uma surpresa para mim, e para muitos. A imprensa oficial nos presta, mais uma vez, um grande desfavor, com suas coberturas tendenciosas e repletas de veneno. No Brasil ainda de mensalões, mensalinhos, enormes evasões fiscais, desvios de dinheiro público e financiamentos privados de campanhas políticas, um cidadão foi preso e encaminhado à delegacia por roubar xampus e condicionadores, num total de R$ 30,00. Outra pessoa foi detida e levada à polícia por estar roubando pulsos telefônicos em telefone público. A grande pergunta é: “E agora, quem poderá nos salvar?” A decepção é que não temos um Chapolin Colorado, e pelo que tudo indica a Divindade não se mete em assuntos políticos!

Parte III
Não é um texto, talvez seja mais um desabafo, suponho. A verdade é que a edição julho / agosto, seguida do suplemento Amnésia, causou um certo furor entre os meus amigos, e também entre alguns leitores, que não conheço pessoalmente, mas que nem por isso deixo de considerar como ‘amigos’. Devido à seção Metendo a colher na sopa alheia, muitas pessoas confundiram a sua razão de ser e me julgaram um invasor por sugerir, e dar o meu ponto de vista sobre o que, na minha opinião, poderia ficar legal para bandas, selos independentes de camaradas que compõem o meu vasto círculo de amizades. Logo não estou invadindo a privacidade de ninguém, apenas observando e dando sugestões a pessoas que muito considero. Críticas são bem-vindas, sempre serão, receberei todas de coração aberto. Só agradeceria se elas tivessem pé, cabeça e corpo inteiro, ou seja, se fossem coerentes e construtivas. Mas, por favor, leiam direito. De todo modo, aceito também e não descarto as destrutivas, por reconhecer a importância do veneno. Quanto ao texto, onde me referi ao ‘creme de rachaduras’ de minha mãe, fui taxado de louco. Ora, ou todos perderam o senso de humor ou os meus óculos enxergam em dimensões bem diferentes, ou, finalmente, quem saiba, eu esteja mesmo louco. Por que não?! Todos somos suscetíveis à loucura. Ou a surtos dela. As más línguas dizem que eu desrespeitei a minha mãe com o texto. Isso nunca. Jamais. Amo a minha velhinha com todas as forças desse mundo. Ela é o meu Norte e o meu Sul. E ela sabe muito bem disso, melhor do que ninguém. Claro. No mais, é como disse o meu amigo Juliano (redator do Fúria Urbana e batera da ARD), eu “devo e posso escrever o que bemquiser”. Compartilho totalmente com tal posicionamento, por isso estou inserido de corpo e alma no mundo da imprensa alternativa. Caso contrário, se fosse para receber podas, como uma árvore, estaria metido na imprensa chapa branca. Se me chamam de louco, verão que a insanidade mal começou. Ah! Antes que me esqueça. A seção Metendo a colher na sopa alheia continuará.

Novidades com cheiro de mofo
Sem Destino decide recomeçar do zero e muda o nome para Madrenegra e mexe na line-up estabilizando-se com Marcelo, violão e vocal; Samuel, guitarra; Edinho, guitarra; Lucas, bateria e J. Paulo, baixo.
“Fofão” retorna à bateria da Murro no Olho.
Besthöven planeja voltar aos palcos no final do ano. Para tanto, contará com a participação de convidados especiais, visto que o “Fofão” é o único integrante fixo da banda. Alheio a tudo isso, uma gravadora gringa (esqueci o nome e a origem dela) lançará um CD onde bandas de algumas partes da cidade tocarão músicas da Besthöven, em merecido esquema de tributo.
Esfolando Tímpanos será o título do livro que será lançado pelo escritor Evandro, vocalista da banda Quebra Queixo. As páginas retratarão um pouco da história do Movimento hardcore do Distrito Federal, e considerando suas outras incursões literárias virá coisa muito boa por aí. Espero, sinceramente, que o meu nobre amigo não se restrinja às bandas da capital!
Escassez de bateristas no mercado brasiliense. De uma paulada só, a cozinha está pela metade para as bandas Miasthenia, Dynahead e Revival. Interessados, liguem logo para garantir a vaga!
Baixa também na cozinha da novata Pulverizing, banda comandada por Gino e Eduardo (Bob Pai e Bob Filho), que tem tudo para ser a nova coqueluche do death metal extremo na região Centro-Oeste (ouçam a fita demo dos caras!). Saiu o baixista e vocalista Alexandre, mas a banda segue compondo apenas como dupla, e procurando um substituto à altura. E, amigos, cá entre nós, o cara vai ter que ser muito bom!
Há males que vêm pra bem. O ditado se aplicabastante bem ao caso Rotten Purity. A banda havia perdido Misael, contrabaixo; e Allan, vocais; mas capturou Alexandre, o famoso 2 em 1, recém-saído da Pulverizing, para o front da podreira! A estreia da nova formação será dia 11 de outubro, na Pirâmide Show, em evento da Mosh Prod. A gig marcará o aniversário de doze anos da Seconds Of Noise, e ainda contará com as bandas Blazing Dogs, Khallice, Abhorrent, Bizzarre Kings, Amadeus e Phrenesy.
E, por falar na Khallice, a banda conquistou o público cearense com “uma apresentação memorável” no Festival Forcaos, segundo Amaudson Ximenes, um dos organizadores do evento. Por outro lado, alegando falta de verbas, a Abhorrent cancelou a apresentação no Forcaos faltando cinco dias para o início da festa, pegando a produção de calças curtas.
Dênis, guitarrista da Rotten Purity, está tocando em outras duas bandas, uma de heavy metal e outra, lógico, de death metal. Os nomes? Adivinhem? Esqueci! O pior é que anotei os nomes no papel, coloquei na mochila, e aí, mano veio, sumiu! Para piorar ainda mais: sou arquivista...
André deixa a Podrera. Agora a banda está à procura de um substituto para o cargo de vocalista, já que o Chefe Wiggum / Petrólio Maldito (Disforme / OJTB) foi intimado para o cargo de baixista. Qualquer coisa, ligue para o Marcelo e marque o seu teste.
O amigo Borges decreta férias para a Bombardeio Geral, e agora está interessado em tocar “um lance mais metal!”.
Executer virá ao Distrito Federal novamente para a alegria dos thrashers. A nova vinda será durante o festival Possessed By Thrash, que contará ainda com Flashover, Phrenesy, Mortuário (GO) e a estreia da Ageless. Local: Zoonna Z. Data: 24 de setembro, às 19h30.
Mosh Produções promete Marduck no Distrito Federal ainda em 2005.
Torture Squad pisa mais uma vez no Distrito Federal. O show será dia 19 de novembro, com a produção do Jaílson. Krueger e Oligarquia ficaram de confirmar presença.
A gringa Evergrey toca no Distrito Federal dia 1 outubro, para o contento dos apreciadores do metal melódico. Para a alegria ser maior, a abertura ficará a cargo das brasileiras Khallice e Ata D’Arc. A última é uma banda de Belo Horizonte, que está lançando o seu CD pelo mesmo selo da Evergrey, e, segundo o release, conquista fama na Europa. O espetáculo se dará na Concha acústica do pontão (Lago).
Maltrapilhos, OJTB e Podrera planejam um grande passo em conjunto. Maiores informações, em breve.
Flashover anuncia que iniciará a gravação do novo álbum ainda em 2005.
A paulista Nitrominds tocará, de graça, na Ceilândia Centro, dia 11 / out., no Skate Park. A abertura ficará por conta das bandas Terror Revolucionário, 7 Peles, Innocent Kids, Corja (GO), Ressonância Mórfica (GO), e outras.
Death Slam retorna aos palcos dia 29 de outubro, em show ao lado da banda ROT, para o lançamento do dividido CD Brazilian Disaster. Ainda tocarão Silente, Vacilo (GO), More Tools e Dark Empire.

Bandas
Lixo Tóxico

Fita demo precária de ensaio de gravação, mas que dá os rumos que a banda pretende seguir: metalcore attack! É isso que anuncia a capa, horrível, diga-se de passagem. E é isso que você terá durante a execução das quatro faixas contidas em Toxic Cemitery. As músicas são curtas e envoltas em elementos thrash e HC, revelando um ‘Q’ de Nuclear Assault em algumas passagens. No entanto, a Lixo Tóxico lembrou-me muito os primórdios da brasiliense Seconds Of Noise. “Baiano”, com o seu vocal à Hirax, é disparado o destaque. Um grande vacilo: na fita demo, não consta nenhuma informação, além do nome das músicas e do estilo que a banda se propõe a seguir!

Dillo D’Araújo e Crocodillo Gang
Nada diferente do que eu esperava – se tratando de algum trabalho do guitarrista Dillo: qualidade. Aliás, qualidade deixou de ser um adjetivo para ele e se tornou sobrenome. Esse trabalho, um DVDr, que finalmente consegui ver (e ouvir), contendo três faixas dirigidas pela dupla Marcos Biloca e “Frango”, só não vai para o rol dos destaques porque a parte gráfica e as informações necessárias simplesmente não existem. Apesar de todas as músicas serem calcadas e influenciadas no blues, elas seguem caminhos e concepções artísticas diferentes, mostrando o ecletismo do estilo e do guitarrista e sua trupe. As ideias contidas no clipe “Avenida Comercial”, um grande blues instrumental com ares roqueiros, são simplesmente fantásticas. Imagens colhidas na rua, aceleradas em tons amarelados e envelhecidos, recriam o clima dos anos 60/70. É para tirar o chapéu e aplaudir mais uma vez esse ás da guitarra e sua banda fenomenal, mais uma vez com destaque para o vocalista de “Higher”: pulmão e gogó privilegiados!

Downers
De três em três faixas a banda enche um CD. Parece que a Downers se apropriou de um antigo ditado, e o moldou para um fim próprio e específico, uma vez que no novo trabalho, Dear Bastard, tal como no primeiro – No Love Lost –, também constam as três faixas. Os ingredientes utilizados continuam os mesmos: letras sem compromisso, cantadas em inglês. Rock com forte essência britânica, de apelo pop, mais uma balada para acalmar, e músicas bem construídas e tocadas, designer gráfico interessante e de bom gosto, boa gravação. Todos os detalhes para se saber estão no encarte. É bem verdade que a influência dos Beatles deu uma desaparecida, mas não por completo. Nota-se muito de Oasis por aqui, e acolá. Senti um gosto de Radiohead nessa investida. É uma banda que tem tudo para agradar e tocar nas rádios FM da vida, sem precisar mudar o som!

Besthöven
Muito difícil tecer comentário sobre uma banda da qual se é fã, e que de certa forma é uma influência. Isso acontece agora, de novo, e certamente voltará a acontecer. Ossos do ofício; fazer o quê? O novo trabalho dessa máquina D–Beat total punk crust, comandada por um único ser, com altíssimo teor de tabaco e álcool, é o LP A Bomb Raid Into Your Mind... Acaba de sair, felizmente, no Brasil – essa banda quase só lança material nas gringas! – pelo selo paulista Jailbreaker, é uma compilação de músicas gravadas entre 2002/03, ou seja, é imperdível por só conter clássicos, ou, é imperdível por ser ótima!São dezesseis faixas retiradas de quatro lançamentos distintos. Aí, “Fofão”, só não segui os conselhos da contracapa, eespero que ninguém os siga... Pois o play fica muito melhor sem eles!!!

Destaques da edição
Winds Of Creation
Eita parto difícil esse, camaradas, pareceu de filho de jegue. Finalmente saiu, mas a demora foi recompensada: death metal sem meios termos. Gravação muito boa, que deixou tudo muito nítido. Mas os caras não precisavam ter saído do Distrito Federal para alcançar a mesma qualidade...! De todo modo, é um som extremo, pesado, que alia as duas escolas do death metal e delas suga grandes aprendizados. Os músicos estão bem entrosados, e dedicados. Septem, como resolveram batizar o trabalho, traz oito faixas. Dentre elas, a aclamada “Rites Of Flames”. Apesar de a minha predileta ser a tradicional “Lost In Pain, Lost In Vain”. Uma ilustração perfeita traz a capa do ás Daniel Mac. Ainda que o encarte talvez pudesse ser melhor explorado. As únicas coisas que deixaram a desejar nesse grande petardo independente foram o fato de ele marcar a despedida do guitarrista Keiji, e sabermos que a ausência dos seus solos fará muita falta na banda, já que o seu estilo contempla muitas músicas longas. Os destaques são ovocal de Pedro e a criatividade e precisão da bateria do Rodrigo.

Silente/Brutus
Não apenas pelo fato de ser homem, independente disso, considero essencial as mulheres dentro da Cena Underground. Não apenas como atrizes coadjuvantes, ou como belas decorações, por sua beleza, mas como atrizes principais desse nosso universo mezzo paralelo, pela sua beleza sim e também por sua inteligência especial. Não é novidade nenhuma também que sou um grande fã da dupla Alice e Tate, ambas da cozinha da banda Silente, e esse 7” EP veio coroar a trajetória de minhas amigas. Não Caia de Amores Pelo Poder é um “metadinha” genial envolvendo Silente e o projeto luso-brasileiro Brutus. São nove faixas, seis para o lado Silent e três para o Brutus, que mostram a efervescência do hardcore, grind, crust, punk e HC. Aqui encontramos um pouco disso tudo... sobre um extenso e belo encarte. Parabéns ao selos Alea Distro e Riding Ancient Waves pelo grandioso lançamento!

Conexão Pequi
HC 137

Os “veião” do hardcore goiano estão bem novos. Não por causa do baixista, mas pelo som renovado. E também não porque tivessem abandonado o hardcore: isso nunca farão! Mas os coroas injetaram – agora como quarteto, graças à entrada de Crossover para assumir o vocal – cavalares doses de metal nas músicas. Tanto que a primeira faixa do CD-demo remeteu os meus então sonolentos neurônios ao fabuloso Antes do Fim. Outras faixas no entanto chegaram próximo ao crossover da DRI, e por aí vai... A gravação está muito boa. A produção gráfica, exemplar. Só não gostei mesmo, não sei nem por que, do tipo de letra usado.

Chaotix
Mingau é punk velho. Ele sabe tudo do estilo, vive o hardcore no dia a dia, a música e o sentimento, e prova o fruto da árvore. Chaotix não poderia ter outro sabor: desalento, visão caótica, vida sem açúcar, flores pisoteadas que exalam o cheiro dos jardins da morte, o drunk power, e um hardcore que só velhos punks saberiam fazer com tal maestria. A sensação é de se ouvir os magos da Discharge, influência entranhada na pele das seis faixas desse bem gravado CD-demo ensaio. A outra faixa é cover da Warcollapse. Café Atômico é uma demo que vai para a eternidade... Keep Punk alive! Keep your mind alive!

Orgy Of Flies
Os caras entregaram-me a fita demo dizendo que estava pela metade, que faltava mixar, masterizar etc. Logo, como ainda tem jeito de mexer, sugiro que abaixem o volume dos bumbos. Após uma intro cinematográfica, e uma mini instrumental que já nos prepara para a carnificina que virá a seguir, a banda continua os passos rápidos da segunda demo. Ela dispara sobre nossos ouvidos uma parede hígida de death metal de forma madura, coesa e pesada. E ainda admite as influências tanto da velha escola do Metal da morte quanto da nova esquadra do som extremo. É um trio extremamente competente na arte de fazer death metal, e que certamente vai ter um merecido destaque. Tem que ter!

Exceção
Subtera
Apocalypsed segue à risca a receita dos dois primeiros CDs desses paranaenses sangue nos olhos: músicas longas – com direito à aula de bateria –, densas, pesadas, rápidas, nervosas, produzidas com extremo afinco e fúria. Elementos de death metal, grind e hardcore são sentidos durante as dez faixas, mas o grande diferencial é a essência hipnótica e apocalíptica das músicas. É como se a Pink Floyd fosse uma banda de death metal extremo. É, acho que é isso... Os três malucos da Subtera são a Pink Floyd da música extrema! Mas mais uma vez não capricharam na gravação... Há quem não goste dos trabalhos em estúdio da Subtera, que confesso não ser o meu caso, mas é impossível, impossível mesmo não virar fã de carteirinha desses caras, quando eles executam as suas músicas ao vivo: simplesmente se confundem, se possuem, são absorvidos pela música!!!

Cotidiano: cuidado, coitado cotidiano!
Não adianta fugir, não adianta correr. Mais cedo, ou mais tarde, você vai cair, será pego. É uma armadilha infalível, pois cata ricos, cata pobres. O amor não discrimina ninguém! Esse fulgor, esse calor, sentimento incontrolável que enlouquece, que também enobrece, aborrece, amolece, ninguém o consegue decifrar. Até mesmo os dicionários – os pais supremos dos conceitos – não conseguem significar os textos amorosos com exatidão, em suas palavras. Porque o amor ele mesmo sem dúvida é implacável, com as suas presas transcendentais. Presas que todos almejamos possuir, que às vezes amaldiçoamos por terem caído na arapuca em que o coração é o prato principal servido, e o espírito da depressão, a sobremesa inescapável. O mesmo amor que traz a vida leva a morte em sua garupa; o mesmo amor que traz a morte pode ser um novo sopro de vida, um novo recomeço... para um novo tropeço. O mesmo amor que é impar é par. O amor é a ferida que todos desejamos ostentar; é a dor gostosa que queremos sentir, ainda que para dela depois nos podermos queixar ao inexistente. O amor é o outro lado da moeda sem face, é a água envenenada que sacia a nossa sede no deserto de sentidos. O amor é faca de dois gumes, que fere e sangra. Mas ele tem como alento que toda ferida, por mais funda e dolorida, cicatriza, seca, e quase some... Afinal, que diabos é o amor?!?

Metendo a colher na sopa alheia
Apesar de taxado como louco e pretensioso, essa seção do Zine continua...
Minhas sugestões de bandas para o cast Porão do Rock 2006: Narcoze, Alarme, e Elffus – por bom senso do merecimento delas –, mais Violator, Capotones, Downers, Radiossauros. Essas duas últimas fazem um rockão que vai agradar muito o público mais rock / pop do festival. Um revival com bandas brasilienses como Finis Africae, 5 Generais e BSB-H viria muito a calhar e seria sensacional! Mas seria prudente ampliar o elo com Goiânia. De fora, continuo insistindo nas bandas Cólera e Torture Squad. E aproveitando o retorno quem sabe as bandas da Cogumelos: Witchhammer, Sextrash... Osama Bin Laden fala para a ONU...
Se a distância não dificultasse, bemque o Borges poderia tocar batera na Podrera, já que o Caju quer tocar um lance mais puxado para o metal, e o Marcelo, retornar ao posto de vocalista. Como era no começo da banda.

Conversa com Ari de Barros
Sempre quis entrevistar o Ari. Acho o cara um guerreiro e o admiro muito. A real é que tinha que ter rolado uma filmagem, um documentário sobre a sua história e tal... Ele tem muita coisa interessante pra contar, curiosidades, peculiaridades para contar, e contou. No entanto, tive que espremer, cortar muita coisa legal, para poder publicar o possível. Uma vez que não tenho nenhuma máquina copiadora e nenhum dono de gráfica resolveu adotar-me. Apesar dos constantes apelos. Para dar mais vez e voz ao magricela idealizador da Ferrock Produções, resolvi mudar a estética da entrevista.

“Sou o Ari, nascido no dia 27abr. / 1957, em Uruaçu, Goiás. Fui criado em uma fazenda. Aos oito anos, mudei-me para Brasília. Minha infância foi muito rica e alegre. Estudava, brincava e fazia o que uma criança nas condições de tal modo favoráveis em que eu vivia podia fazer: roubava cana nas chácaras, jogava bola de gude, enfinca, criava galinha – coisa que trouxe comigo da roça! –, tomava banho no córrego – antes de poluírem! –, mais carrinho de rolimã, e também jogava bola etc. Em 1970, tive o primeiro contato com a tevê. Era uma preto e branco gigante, que chegou na rua para acompanharmos a Copa de 70. Foi aí, por causa do goleiro Félix, que virei tricolor das laranjeiras – a maldita tevê, desde antigamente, já influenciava negativamente! Bom, o meu contato com o rock veio um pouco antes. Ainda menino, por volta de 1968/69, tive contato com o The Who, os Stones e os Beatles. Mas os Beatles, porque eram muito paparicados, muito certinhos, estavam na moda, identifiquei-me mais com os Stones. Esses sim eram muito mais loucos. Depois veio o Sabbath, e a paixão pelo rock aumentava. Sou Sabbathiano até hoje! Para mim, é o Sabbath a melhor banda do mundo. Ozzy, o melhor vocalista. Meu maior sonho era vê-los, tê-los, a Black Sabbath, com Ozzy, no Ferrock.”

“O Ferrock começou na QNP 13, conjunto P, casa 8, do P Norte, Ceilândia. O nome surgiu numa festa, quando discutíamos qual poderíamos dar ao nosso projeto de mobilização social.Naquelas discussões, nastrocas de ideia, alguém falou sobre que ‘nós temos que ter fé, fé de que isso tudo vai mudar e que o Rock pode proporcionar essa mudança’. Foi o mote: fé, fé no Rock, Ferrock, que significa Festival Revolução e Rock. Antes de nos chamarmos Ferrock, isso em 12 out. / 1986, já fazíamos atividades no quadradão do P Norte. Mas só com som mecânico, até então: um velho e bom aparelho 3 em 1, com umas maravilhosas caixinhas. Cansei de descer de Sobradinho, cidade pela qual tenho grande amor, para Ceilândia com um monte de vinis embaixo do braço. Como já vinha muito à Ceilândia, pois além de amigos e irmãos como Rocklane – Ari sempre se refere ao Rocklane com profunda estima e respeito –, também vinha encontrar a namorada, hoje minha esposa. Ela morava por aqui em Ceilândia, por isso resolvi vir para cá, em 1982. Uma das atividades que me marcaram muito na cidade foi quando conseguimos reunir duas equipes de som, Smurf x Dancing Nights, no quadradão da QNP 13. Foi muita gente curtindo rock’n’roll, das 8 às 18h. E ainda conseguimos realizar uma série de atividades, vôlei, pingue-pongue, futebol para a criançada. Era o dia 12 de outubro. A equipe toda do Ferrock se fantasiou de palhaços. (...) Na quarta edição, partimos para eventos com bandas. Então tivemos que mudar de lugar para o evento, pois o nosso antigo endereço dava lugar para a construção de uma escola. Na QNP 15, rolou o primeiro Ferrock com bandas. Na ocasião tocaram PUS, Juízo Final, entre outras. Nessa época, era bem mais difícil organizar alguma coisa do que hoje. Havia um grande preconceito contra os roqueiros, e ainda o monopólio das empresas de sonorização... (Haja paciência!) Nesse tempo, eram só três. E elas cobravam caro. – Hoje não está fácil, mas há mais empresas de som, além de que o preço para a produção ao ar livre é mais em conta do que naquela época, na década de 80. Outra condição favorável atualmente é que o número de bandas em atividade e o público interessado é infinitamente maior. Apesar de que a falta de patrocínio para o rock ainda ser uma pedra em nosso sapato. Outro fator importante é que antigamente a igreja evangélica pegava pesado com o rock, execrava, fazia panfletos e instigava os seus fiéis contra. Felizmente hoje, como viram que não tinha jeito, não adiantava reclamarem ou tentarem nos sabotar, aceitaram finalmente o rock. Talvez, quem sabe, para ganhar mais fiéis!”
Quando perguntei a ele a razão de o Ferrock, com mais de 20 anos de existência, não ter alcançado uma projeção como a da ONG Porão do Rock, com a metade do tempo do projeto Revolução e Rock, Ari foi categórico: 'Com todo respeito ao grupo do Porão, para cujo sucesso claro torço muito, são ideais distintos. O Ferrock é um trabalho de mobilização social que usa o rock como projeção, como inclusão. Já a ONG Porão do Rock nasceu para fazer dinheiro, pois é uma produtora que visa lucro em primeiro plano. Não acredito que tenha faltado organização ao Ferrock, apesar de o grupo hoje estar disperso, com número reduzido de militantes. Estamos num patamar diferente porque somos um grupo diferente, com ideias e ideais diferenciados. De qualquer forma, tenho convicção da importância do Festival Porão do Rock para o rock brasileiro, e continuarei torcendo para o sucesso deles. Para dar um exemplo do que falo, todo Ferrock debate um tema: ecologia, combate ao câncer, corrupção e paz – paz que só encontraremos quando o ser humano deixar de ser ganancioso e individualista – são alguns temas que temos discutido. Agora, enquanto o lucro estiver acima de tudo, nunca encontraremos a paz verdadeira que precisamos.”
Que a grande mídia é burra e interesseira todos sabemos, ou melhor, assim ela se veste para nos confundir, porque ela realmente é partidária e está sempre do lado do capital, dos lucradores que veiculam as suas propagandas nela para nos cooptar, e quando o assunto é a música Rock ela insiste em dizer que o rock Brasília ganhou o Brasil, com o surgimento da Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude, tudo bem, não é a discussão que pretendemos aqui. Assim, enquanto concorda, de algum modo, Ari dispara: “As pessoas que escrevem, às vezes realmente desconhecem o que está de fato acontecendo. Verdade que quando estourou a Legião muitas outras bandas também poderiam ter estourado, assim como o Faquini e a Célia Porto. Mas acabou que quem ganhou mesmo foi a Legião, ainda que antes dela já existiam diversas bandas no Distrito Federal. É o caso da Mel da Terra, que já havia inclusive se apresentado fora da Capital, e alcançado um importante sucesso, mas ela não teve o mesmo impacto comercial, o mesmo empresariado e a mesma estrutura que teve a Legião Urbana. O empresário que levou a Legião às alturas é o mesmo que difundiu o tal do Axé e o novo Forró para todo o Brasil. Você não ouve a mídia falar, citar nomes de dinossauros do Rock como a Made In Brazil, a Patrulha do Espaço, a Som Nosso de Cada Dia etc...”
Narcoze e Elffus são bandas constantes nas produções do Ferrock, logo, umas das mais queridas por nosso amigo Ari. Perguntei por que e quais as outras que teriam o privilégio de elencar a lista das bandas do Distrito Federal mais requisitadas por ele. A resposta foi: “Ah, bichão, gosto da Abhorrent, adoro a Flashover. Gosto também da Death Slam, não por você estar aqui na minha frente, Terno Elétrico, Nata Violeta, Slug, Oficina Blues, Made In Blues, Marssal, Kábula, e por aí vai. Não gosto de uma banda só pelo som, ela tem que ter algo a mais: humildade, coisas a dizer, interação com o público. Narcoze foi uma das primeiras bandas a aceitar o convite do Ferrock para tocar, e está aí até hoje. Já o pessoal da Elffus são humanos para caramba, são verdadeiros irmãos.”

Fui brincar, falei que o dia mais triste da vida dele tinha sido quando roubaram-lhe a bolsa de couro, que muitos tinham dito que fuiquem havia roubado para confeccionar meu cinto de hippie etc., e fui pego de surpresa com a resposta do Ratinho, um dos apelidos dele de infância: “O dia mais triste foi quando eu perdi o meu pai, mas esse dia também foi triste. Não pelo fato de ter perdido a bolsa, mas pelo modo violento como ela foi tirada de mim. Fico triste de ver que vivemos num mundo em que tira-se a vida de outra pessoa por motivos pequenos e fúteis.”
Quanto aos problemas ocorridos em algumas produções do Ferrock, como cancelamento do evento e outros menos graves, o pequeno Tibiba, outro apelido de infância, que ele mesmo não sabe o que significa, tal qual Curica, explica e complementa: “É, você está certo. Eu sou coração bom, confio nas pessoas, nas palavras delas. O dia em que perder a esperança nas pessoas, eu deixo de viver, contudo, agora serei mais cuidadoso, exigirei documentos, algo escrito, e não farei apenas contrato verbal. Entretanto, continuarei confiando nas pessoas. Mas acredito que o maior problema seja o fato da grande vontade minha de querer ver a coisa acontecer, e assim colocar o coração na frente da razão. Saí ferido desses episódios, mas o meu compromisso com o Rock é muito grande, por isso não desisto. Sempre tenho o apoio da minha família em tudo, minha esposa/namorada e filhos, nunca, nem que dure a vida toda, conseguirei retribuir 10% de tudo que eles fizeram e fazem por mim.”
Quando começamos a falar sobre política, ele, que sempre foi militante da esquerda petista, demostrou tristeza e insatisfação com o rumo dos acontecimentos atuais. “Sabe, é triste você lutar por uma coisa a vida toda, acreditar na igualdade social, lutar por isso, e ver esse mar de lama, ver que estão deixando esses caras da corrupção agirem à vontade, em silêncio, camuflados. Ora, temos que pegá-los, temos que mudar tudo!”
Antes de se despedir, “Bico Doce” – apelido que trouxe do berço, por nunca soltar os bicos dos seios da mãe, e ainda ter mamado até os cinco anos –, o Ari, revelou que o seu grande sonho como produtor do Ferrock era ver nos palcos sob a sua produção bandas como a Made In Brazil e a Patrulha do Espaço. Ele queria também o Raul, mas agora não tem mais jeito, infelizmente. Outro que ele queria produzir no palco do Ferrock, mas que para vocês não é Rock, é o Zé Ramalho. Agora, de fora do Brasil, gostaria de ter o Sabbath, com o Ozzy: "Tem que ser com o Ozzy, no Ferrock!” Para finalizar, as palavras que estão cravadas em sua alma, e servem de lema para os festivais desse grupo de amigos sonhadores e guerreiros, que repetem em coro: “Paz, paz, paz... e rock’n‘roll, moçada!”

Companheiros de hospício
Valrock

Zine editado pela Viviane. Duas folhas A4, que totalizam quatro páginas de muita informação. Senti falta de resenha de bandas, e uma entrevistazinha viria a calhar – tem muito nego aí que tem muito a falar. A fonte utilizada está miúda, tem muito vagabundo cego... que vai chorar... Fora esses detalhes, creio que está ok, pois é mais um zine que veio enriquecer o movimento e somar!

Elação do Poder
Aí, o moleque é profissional! O número 1 se parece com o 10, tamanha a maturidade demostrada. Espaços bem utilizados, temas explorados com boa escrita, e de fácil leitura. Editorial, entrevista, resenhas – sem discriminar estilos. Bons textos, só falta mesmo uma coluna que diferencie o Elação do Poder especialmente dos demais. Agora, além da banda, que é excelente, o Grindão tá metendo as caras num zine que é da hora. Parabéns, mano!

Desordem e regresso
Os caras me entregaram o informativo na porta do show de lançamento do CD da Winds e pediram a minha opinião. De cara, dou uma, e a única: identifiquem-se! Sem essa de ficarem anônimos. Assumam o que escrevem, inclusive o que escrevem tem ótimo conteúdo. Com destaque neste número para a poesia “Francisco”. Outra, esse zine datilografado é um colírio para os olhos saudosistas – frente a esse mundo tão cibernético. Tentem descolar esse info por aí...

E é verídico! – CPI significa Circo Parlamentar de Injustiças.

Frase de banheiro
Quem não tiver defeitos que atire a primeira chave de fenda de vossa caixa de ferramentas!

O ovo ou a galinha?
PFL e PSDB são oposição porque querem o poder ou querem o poder porque são oposição?

“Será o Benedito?”
Só falta o governo norte-americano falar que o Katrina é coisa dos “terroristas”.

Cartas
Aline desceu o sarrafo sem dó nem piedade nos últimos números do informativo. Agradeço a sua sinceridade

Colaboradores –Pituca e família Cordolino; Marcão (RJ); Diego, (valeu a resma, amizade!); Carol Carambola.

Trilha sonora –Executer – Bywar –Killing All The Posers II – Judas Priest – São Paulo, aí vou eu!

OUTUBRO/NOVEMBRO 2005 • BRASÍLIA, FINA FLOR DO ROCK
Informativo aperiódico, independente, contracultural e sem fins lucrativos
Expediente
Fellipe CDC (todos os textos, exceto Frase de Banheiro, digitação, diabo da diagramação, distribuição e único investidor financeiro) e Ana Flávia (digitou duas dezenas de letras!)

Editoriando
Estava com a Ana Flávia vendo Os Simpsons e o telefone toca. A linda corre e atende. Nesse ponto, ela é igual a mim: impaciente, não gosta de ouvir o telefone tocar mais de uma vez. Era para mim, o “Baiano”. “CDC, beleza? Só liguei para fazer uma pequena correção: eu toco bateria na Lixo Tóxico. Quem faz vocal é o Jarbas.” Ok, lamento. Fazer o quê? Vou remendar, “é tudo que me cabe nesse latifúndio”. Mas, não se acostumem, pois caso procurássemos remendar todas as ‘ratas’ por mim praticadas, embrulharíamos o mundo nessa colcha de retalhos. Quem, mais do que educadamente, corrige as minhas gafes, no caso específico das gramaticais, é o meu amigo e braços direito e esquerdo Julião, o Tio Árvore. Por mais que me recuse a ser, por mais que não pareça, eu sou humano, e como tal um exímio colecionador de erros e acertos. Portanto suplico a vocês, leitores assíduos ou passageiros do acaso, caso percebam uns escorregões de minha parte, saibam que não serão os últimos, mas peço que deem-me suas mãos e levantem-me! Mesmo com o braço quebrado, ou a perna enfaixada, até a próxima, meus camaradas!

Novidades com cheiro de mofo
“Eu voltei, voltei para ficar, porque aqui, aqui é o meu lugar!” Vai ver que, após ouvir essa música do Rei, Luciano tenha se dado conta do vacilo que cometeu e resolveu voltar à banda Narcoze. Ele mesmo adiantou que começarão a gravar o novo disco no final deste ano. Sinceramente, fiquei muito feliz com ambas as notícias.
A Rasheness, punk rock melódico, finaliza o seu primeiro CD. Sorte aí, velhinhos!
Ricardo, ex-Pantera Cover, é o novo baterista da Abhorrent.
Gabriel, ex-batera da Abhorrent, é a mais nova aquisição da Flashover.
Caio, guitarrista da Silente, agora também empresta os seus ótimos serviços à Deceivers.
E, falando na Silente, ela é uma das bandas de abertura da Brazilian Disaster Festival, gig de lançamento do compartilhado CD Death Slam e ROT. Ainda tocarão Dark Empire, Vacilo (GO) e More Tools. O show será realizado na Zoonna Z, no dia 29 de outubro.
Após pesar prós e contras, a produtora For Rock Produções desistiu de trazer a Napalm Death a Brasília, mas manda avisar que dia 5 de novembro teremos a Nação Zumbi aqui, e ainda ele estuda como trazer a Nine Inch Nails ou Suicidal Tendencies à Capital.
Kbça, famoso por suas produções com bandas covers, está investindo pesado no Segundo Duelo de Bandas – festival com premiações para as melhores colocadas. O evento está marcado para o dia 26 de novembro, na receptiva e aconchegante cidade do Gama. As bandas interessadas em concorrer devem deixar material o quanto antes nas lojas Porão 666 (Taguá), Berlin Discos (Conic) e Abriu Pró Rock (Gama). As bandas headliners serão Torture Squad (SP), Flashover e Detrito Federal.
Metal Blood em novo dial e horário. Agora as ondas são transmitidas pela 102,5 Real FM, com abrangência maior e melhor sintonia em quase todo o Distrito Federal.
Gringo esquematiza a paulista Ação Direta para o dia 11 de dezembro, no Recanto do Nordeste (Ceilândia).
Baixa em dose dupla na Bizzarre Kings. Saíram Wescley, contrabaixo, vocal; e Rafael, guitarra. A dupla Sinval e Rodrigo, pai e filho, segue compondo, e inicia a busca por novos integrantes. Para quem curte thrash death, eis aí uma oportunidade extraordinária para uma carreira de sucesso.
Rodrigo, baterista da Bizzarre Kings, dáuma força para a Winds Of Creation. Enquanto a banda não arruma componente fixo para o cargo.
O João, da Meia Boca Band, foi convidado para guiar a parte cultural do Instituto Comunidade Participativa, projeto sociocultural originalmente criado para incentivar a prática desportiva, que é apoiado pelo Ministério dos Esportes. Nessa nova linha de trabalho, o ICP oferecerá cursos de música à comunidade em geral, mas dirigidos em especial para as classes de baixa renda. O ICP irá criar ainda uma espécie de associação de bandas, onde as associadas terão a oportunidade de realizar ensaios bem a preços bem mais baratos, além de também poderem se apresentar em eventos organizados pelo Instituto e/ou por produtores catalogados. A ideia é salutar, espero que vingue e frutifique, pois é uma bela iniciativa!
Death Slam retorna aos palcos após a licença-paternidade do batera Ademir. O retorno será no show da novata produtora Want a Fresh One?, dirigida pelo Adriano Cabeleira, baixista da Winds Of Creation. Além dos malditos do Underground tocarão Necropsy Room (GO), Orgy Of Flies (GO), Seconds Of Noise, Rotten Purity (que estreará a nova formação) e Mechanix. Local: Recanto do Nordeste (Ceilândia), dia 16 de outubro, às 15h. Detalhe: o produtor procura novas bandas thrash e death para incluir em suas próximas investidas.
O Cult 22, programa apresentado pelos jornalistas Marcos Pinheiro e Abelardo, comemorará catorze anos de vida na grande festa no Zoonna Z nos dias 12, 13 e 14 de novembro. Bandas de vários estilos dentro do rock irão se apresentar, pois, como diz o slogan do programa: “Do rock ao pop sem discriminação!” Boa sorte, parabéns e muitos, mas muitos mesmo anos de vida!

Entrevista
Após tantos machos, eis que surge outra fêmea para, enfim, embelezar novamente a seção. Cheguei na Michelle após traçar uma série de possibilidades e, como ela demorou para dar o “sim, aceito”, eu pensei que a editora do No Class Zine seria o meu primeiro não! Felizmente ainda foi desta vez, e, para a nossa sorte, ela se prontificou a responder...

Michelle, antes de mais nada, queria dizer que é uma grande honra e um prazer quase sexual estar conversando com você. Gostaria que começasse dizendo como começou o seu envolvimento com o rock e qual a sensação (campo emocional) que teve quando escutou metal pela primeira vez?
Michelle – Imagine, meu grande amigo, a honra é toda minha em estar nas páginas do zine, que acompanho e admiro há muito tempo. Quem diria... Na metade de 1996, meus pais eram muito rígidos, não me deixavam fazer nada... Para me distrair, meu primo trouxe material da Motörhead, Slayer, Black Sabbath, e alguns hard rockers. Quando assisti aos clipes, senti arrepios e um frio na barriga, que nunca tinha sentido antes ao ouvir uma música. Vi que meu futuro era aquilo, e mudei a minha forma de pensar. Rock’n’Roll é um estilo de vida, não tem como fugir disso. Tudo o que vou fazer tem uma música que dá coragem para seguir em frente.
Sua concepção de Underground mudou após você ter começado a editar o No Class?
– Até que não, pois eu já conhecia muita gente do meio e sabia como as coisas funcionam. As possibilidades de atuação aumentaram, então eu acabei me apaixonando ainda mais pela cena, e tive a certeza de que esse amor é eterno!
Fale um pouco sobre o No Class: início, periodicidade, tiragem, anseios, receios, conquistas, decepções...
– O No Class começou a ser publicado em janeiro desse ano, após mais de quatro meses de agonia. E você sabe o quanto é difícil. É bimestral – senão eu acabo falindo – e tem a tiragem de 100 cópias – impressas, sem contar a grande galera que o recebe por correio eletrônico. Espero em breve colocar um sítio no ar, e melhorar cada vez mais. Receios? De falar alguma merda e alguém tentar me matar em algum show. Isso é sério, por isso tomo muito cuidado. Conquistas? A melhor é ter conhecido pessoas maravilhosas, que se tornaram grandes companheiras de guerra. E também fiquei mais conhecida e cheia de seguidores. Eheheh. Decepção? Nenhuma!!!
 Você me disse uma vez que queria fazer algo a mais pela cena, como produzir shows, por exemplo. Cogitou até um No Class Festival. Há quantas anda esse projeto?
– Pois é, amigo, eu acabei enrolando muito, por isso não tem nada decidido. O Ronan me disse que é só eu avisar que a gente esquematiza tudo. Meu emprego toma muito meu tempo, vivo em reuniões e fazendo cursos, por isso... Mas eu vou fazer, nem que seja a última coisa que eu faça na vida!
Michelle, entre as suas investidas no Underground, estava uma banda feminina de hardcore crossover, à qual você se referiu como sendo um SOD feminino. Porém você abandonou o avião antes de ele alcançar voo estável. Queria saber se, nesse pouco tempo em que esteve, gostou da sensação de fazer parte de uma banda, e se você pretende procurar outro ‘emprego’ nessa área. Eu torço para que você não desanime da ideia de ser ‘música’.
– Gostei sim! Era um esquema com várias pessoas de outras bandas. Logo pensei no SOD. Cada uma dava ideias, tinha a sua importância no projeto, e como adoro trabalho em equipe, estava rendendo! Pretendo me envolver em outros projetos, mas não sei se agora. E também não sei se farei projetos hardcore de novo. Os próximos serão dentro do segmento ao qual sempre fiz parte: metal!
A entrevista com o Júnior, mais conhecido por seu trabalho em frente à Flashover e ao programa Metal Blood, teve muita repercussão, causou polêmica, além de algum mal-estar para alguns. Na sua opinião, enquanto entrevistadora e participante assídua da cena, houve motivos para tanto furor?
– Cara, o lance foi que as palavras do Júnior pareciam ser lanças direcionadas a algumas pessoas do meio, que estão em alta e são adoradas pela galera – e por mim também! Como sou uma árdua defensora da democracia, não cortei nenhuma parte da entrevista, pois achei que o Júnior tinha todo o direito de expressar as suas opiniões. Lógico que quando recebi as respostas me assustei um pouco, mas fazer o quê? Publiquei e aí deu no que deu. É natural que houvesse reações ao que foi dito. As pessoas gostam de uma fofoquinha, e no Underground não é diferente. – É, infelizmente, é verdade. Poderia ser diferente! Fofoca é uma merda! – Caso contrário não teria esse auê! Para mim, o lance seria tirar tudo a limpo. Algumas pessoas me pedem para relançar a edição. Vê se pode?!?
Antes do No Class, você era uma fervorosa adepta do metal, e hoje tem muito de hardcore no seu sangue. Logo, pode-se considerar que o No Class aproximou a Michelle do hardcore, num casamento libertário e perfeito?
– Mas ainda sou! Metal é minha vida e sempre será. Minhas bandas preferidas são as de metal. O lance é que isso não impede que eu escute alguns hardcore. Uns mais agressivos, claro! Sou contra alguns tipos de radicalismo. Dentro do rock’n’roll, escuto quase tudo – menos new merdal, doom e algumas porcarias atuais... Quando lancei o zine, tive que ampliar meu circuito de shows, até porque recebi muito apoio da cena hardcore, e os leitores me perguntam muito sobre isso. Sem contar que a influência do hardcore ajudou a formar as bases do estilo de metal mais extremo: o thrash metal!
Vários informativos estão surgindo. Desses da nova safra, quais você destacaria, e por quais razões?
– Bem, eu gosto muito do zine do Frajola, o Acid Farted, que voltou com força total, é muito direto e bem feito. Gente que sabe o que fala é outra coisa. Também gosto do Sepulcro, pela enorme vontade de fazer algo pelo movimento.
O Sepulcro Zine disse no novo número que uma banda Gospel tentou comprar um anúncio, propondo que divulgassem o trabalho deles em troca de fotocópias. Se essa proposta fosse feita ao No Class, qual seria a resposta?
– Vá para o céu, porque o inferno é bom demais para eles! Não aceito de jeito nenhum, porque não gosto de White e acho que a ideologia é sem nexo. A igreja nunca apoiou o rock’n’roll, e agora, por interesses financeiros, querem invadir o nosso meio para ter mais lucro! Prefiro ficar sozinha, mas com a dignidade de uma guerreira!
Algo mais a acrescentar antes do término de nosso bate-papo? A última pergunta: Foi bom pra você?
– Gostaria de agradecer o espaço cedido, e de dizer que eu e o No Class estamos aqui para quando você e o Underground precisarem. E também dizer para a galera apoiar mais a cena, ir e entrar nos shows, montar bandas, editar fanzines, tudo pelo Underground! Sejam honestos nas suas atitudes e não mudem para agradar aos outros. Se foi bom? Foi muito excitante e nunca esquecerei... Vamos repetir a dose? Abraços e Stay metal till death!

Bandas
Kill Again Records

A KAR não é banda, mas um selo brasiliense, que está com um trabalho honesto e coerente na cena há um bom tempo. A boa nova que nos traz não é só uma, mas três: o ótimo Heretic Signs, novo CD da paulista Bywar (comentado no informativo da Death Slam), o segundo volume da coletânea Killing All The Posers,e a dobradinha Bywar / Violator. Começo falando da bolacha dupla, aqui batizada de Violent War, em sábia alusão e junção à Violent Mosh e Invincible War, ambos retirados dos debuts de vendagem esgotada. Violator abre o CD com sete faixas, graças à inclusão do cover “Massacre” da carioca Taurus. Momento de nostalgia e magia. A Bywar, por sua vez, inclui as mesmas dezesseis do CD, e deixa como diferencial o cover de “Metalized Blood”, salvo engano música dos headbanguers da banda Desaster. Ou seja, aqui existem 24 excelentes motivos para qualquer thrasher adquirir este petardo. A bolacha mista segue os mesmos passos da primeira, com o diferencial de que agora são cinco bandas, e não quatro. O grande problema persiste: nenhuma banda do Distrito Federal figura entre as participantes. A linha musical segue a receita inicial: death e thrash. As bandas que têm a missão de manter o padrão de qualidade – e mantêm – são: Extreme Hate (MG), Mortifer Rage (MG), Morticinum (PA), In Torment (RS), e Eternal Devastation (GO) – num total de 15 faixas, igualmente divididas, i.e., três para cada. Agora é aguardar o novo lançamento do selo!

Conexão Pequi
Sangue Seco

Punk rock com cara de rock ou rock com cara de punk? Talvez esse “tostines” explique o fato de enquadrarem a velha Inocentes como uma banda punk. Na Sangue Seco, banda de Goiânia, e nova investida de meu amigo, poeta e multibanda Guga Valente, vai por aí e segue além. Tem muito de Mercenárias e Replicantes aqui também. A banda gravou um caprichado CD demo, com seis boas composições, com toda a simplicidade e eficiência do velho punk rock, ou rock punk, sei lá... A gravação ficou um pouco baixa, mas nada que comprometa. As letras bem escritas fogem do ponto comum. A capa é muito legal, psicose na veia! – e comprova que dá para fazer coisa bonita utilizando apenas o bom e velho preto e branco. Destaque para a voz acertada de Eduardo, o Inimigo do Rei, e para o CDr especial, com o desenho de vinil. Sangue Seco is very cool!

Irezumi
O Gustavo é um dos melhores produtores do Brasil. Caso duvide, pergunte para bandas como Deceivers, Miasthenia ou CFC. Mas em Irezumi, banda do tatuador Marcelo, ele escorregou ao deixar o vocal com volume abaixo do utilizado para os instrumentos. Tá, tudo bem que agora o estúdio do cara está anos luz melhor, e que o trabalho foi feito de forma bastante rápida, ainda em 2001, quando o Gustavo começou a mexer no caldeirão da magia, mas a explicação não aumenta a potência da voz... Maori Warriors, CD lançado há pouco tempo, apesar de estar pronto há um milhão de anos, é de tatuador para tatuadores, visto que quase todas as letras das dez faixas giram nesse sentido. O som é bem misturado e me lembrou um pouco do novo Sepultura, e também do Pantera e do Soulfly, além de que apresenta alguns riffs thrashers interessantes. É bem diferente das bandas por onde Gustavo e Marcelo andaram antes.

Exceção
ROT / Wojczech: Falar o que da ROT? Esses caras são simplesmente uma das maiores bandas de grindcore do planeta, e tenho o maior orgulho de que eles tenham nascido em solo brasileiro, mais precisamente em Osasco. O lado dos paulistanos é paulada pura: quatro músicas curtas, rápidas, condensadas em ódio e milimetricamente perfeitas. O destaque é 33/45, uma ode de amor ao vinil. Inacreditável como a evolução desses grinders continua tão aguçada, após tantos lançamentos, anos de batalha. Detalhe: Big Boss não participou das gravações deste compacto. A Wojczech é outra pérola do grind mundial, e nesse 7” EP, bancado pelo pool Absurd Rec. / Fuckitall, nos brinda com apenas três faixas, duas das quais cantadas em alemão.

Cotidiano: cuidado, coitado cotidiano
Anotem e, por favor, não se esqueçam do nome e dos partidos políticos de ambas as figuras, pois como tantos outros eles merecem ser banidos, eternamente, da vida pública política brasileira: Elimar Máximo Damasceno (PRONA – SP) e pastor Edino Fonseca, deputado estadual pelo PSC – RJ. Os dois devem ampliar as vossas enormes listas dos “excluídos para todo o sempre!” Elimar apresentou, no plenário da câmara, projetos de lei embebidos do mais alto teor de preconceito. Além de taxar a homossexualidade como “distúrbio”, ainda quis incluir como crime de contravenção penal o “beijo lascivo entre pessoas do mesmo sexo em locais públicos”. Ora, francamente, com tantas coisas importantes para serem feitas, com tantas decisões de regimes urgentíssimos para serem tomadas, alguém se levantar com a ridícula ideia de disseminar o preconceito e ceifar a liberdade e a felicidade? O carioca evangélico apresentou projeto semelhante e foi execrado pelos gays e simpatizantes. E é isso que deve ser feito com todos os que se levantarem, ou que ao menos ousem levantar a voz contra a liberdade natural!

Buriti: “Da lama ao caos, do caos à lama!”
Cobiça acirrada. Buriti 2006 é o próximo alvo. Esquerda e direita se unem, se separam, se comunicam, se estudam. Ninguém entende mais nada. Pressionado pelo diretório nacional, Paulo Octávio, que vislumbrava uma cadeira para governador, deixa as suas pretensões de molho até 2010, quando deve oficializar sua candidatura ao Buriti, quando acaba o seu mandato de senador. Mesmo contra a sua vontade, deverá manifestar apoio à candidatura do senador cassado – e chorão – Arruda. As lágrimas de crocodilo não me convenceram, nem vão me comover: "Nunca votarei nele. Espero que você também não." Ele, a planta chorona, num acordo de ‘cavaleiros’ não sai do PFL, como Roriz tramava, mas acredito que, caso seja eleito governador – nesse momento, os meus dedos quase quebram de tanto bater na madeira! –, ingressará no PMDB para tentar a reeleição em 2010, passando uma rasteira no Paulo Octávio. “Mas como dar rasteira em cobra?”, perguntaria o(a) leitor(a) mais atento(a). Eu não sei, só sei que esses profissionais da política conseguem tudo! Há muito, o deputado federal licenciado para exercer o mandato de secretário de obras do GDF, e deixar uma cadeira vaga para alguém da coligação-desastre, Tadeu Filippelli sai em todas as fotos, aparece mais em jornais do que o próprio governador. Logo, é mais que notória a sua pretensão. Apesar de omitir, o secretário é o preferido do Roriz. A parte mais podre do PMDB-DF deposita nele as suas esperanças, o que de certa forma é bom para a esquerda – para o que sobrou dela... – no Distrito Federal. Só assim, afinal, será aberta a briga entre os partidos da direita, e com ela a possibilidade de segundo turno. Caso contrário, será uma derrota esmagadora e vergonhosa para a esquerda, ainda no primeiro turno. A ambição desses políticos profissionais nesse caso servirá para alguma coisa. Pelo menos isso. O ex-reitor, ex-governador, ex-ministro da educação, ex-petista e atual senador do PDT é um caso à parte. Começou com críticas leves ao governo Lula, aumentou a munição quando exonerado do cargo de ministro – via telefone, atitude desprezível, convenhamos... – e cuspiu fogo quando soube que o atual presidente tentará a reeleição. Já que também almejava o cargo executivo máximo... Os discursos ficaram inflamados, e sem perceber o professor Cristovam foi usado como laranja por vários tabloides direitistas brasileiros, onde assinava, e ainda assina, matérias que criticam a linha político-social do governo Lula. É verdade que as ações e os posicionamentos do atual governo não condizem com a bandeira de luta do socialismo, mas as críticas de Cristovam atendem a que objetivo? Afinal, durante a sua gestão no GDF, ele fez aliança com o PSDB goiano, começou a terceirização nos serviços da rede pública de ensino, e ainda abriu perigosa discussão sobre venda da CEB e da CAESB, também defendida pelo Arruda. Tal atitude desses políticos profissionais pretende deixar o atendimento das funções essenciais do fornecimento de energia elétrica e do abastecimento de água para empresas privadas lucrarem. Alguma coisa como colocarem raposas para cuidar de galinheiro. Ora, essas são empresas estratégicas, essenciais para a população, que em nenhuma hipótese poderiam servir aos interesses empresariais de lucro. Como prova, nenhum país do tal "primeiro mundo" privatiza as suas empresas estratégicas. E em nosso País tais políticos profissionais querem privatizá-las, e ficam impunes? Não dá para entender. Na minha concepção, Cristovam Buarque saiu do PT não por discordar da política social e econômica adotada, menos ainda por diferenças ideológicas, mas por não poder ser o candidato à Presidência da República, sonho dele ao ingressar no PDT, o partido brizolista que, lembrem-se, já andou de mãos dadas com o zumbi Collor de Melo. Resultado: o ex-tudo não terá votação expressiva e sairá do páreo no primeiro turno. Assim perderá a chance de ser governador novamente, e voltará diminuído para o senado. “Quem será o candidato do PT ao Buriti?” Eu não sei, mas Arlete Sampaio e Chico Leite são bons nomes, já que a Maninha pulou fora e procurou abrigo no xiita PSOL, que a recebeu de braços abertos. Ela deve ser a candidata natural do partido. Agnelo Queiroz poderia ser uma boa solução para unificar as esquerdas, mas a vaidade e a ambição de políticos e partidos não permitirá tal raciocínio. Por que não falei da Maria Abadia? Nem sabia que ela ainda existia... A briga começou, e agora a lama aumentará de proporção. Alguém duvida? Todo cuidado é pouco nesses períodos eleitorais. Cuidado para não ser fisgado, e mais cuidado ainda com o famoso e abominável ‘Panis Et Circenses’!

Metendo a sopa na colher alheia
Bem que o Júlio e o Guilherme, ambos da primeira formação da Bizzarre Kings, podiam se juntar e começarem a montagem de um power trio de thrash! Quem será o terceiro elemento?

Ovo ou a galinha?
As CPIs no Congresso nunca dão em nada porquetodos os políticos estão envolvidos. Será que é por isso mesmo que as CPIs lá no Congresso nunca dão em nada?!?

E é verídico
Por que a educação em nosso país deve passar primeiro pelo crivo econômico do FMI?

Os velhos pedidos retornaram
Como sabem, até o momento – a esperança é a única que não morre! – nenhuma gráfica se prontificou ainda a patrocinar o zine. Logo, se você tirar umas cópias desse informativo, e ampliar dessa maneira o número de leitores, ficarei eternamente grato. A informação tem que girar, por isso, caso não seja um colecionador de fanzines, leia e passe o Fina Flor, bem como claro qualquer outro impresso, para outra pessoa. Ainda, resmas, selos e envelopes são mais do que bem-vindos. A sua amizade, atenção e opinião, ainda muito mais!

Carta
Não foi por carta, foi pessoalmente. Sandra, namorada do irmão Rocklane, elogiou o Fina Flor e disse que a primeira seção que ela procura é a Frase de Banheiro. Tem louco – e louca – para tudo nesse vasto mundo devastado. Obrigado, Sandra. Em sua homenagem, segue a frase capturada num desses banheiros, nos botecos da vida...

Frase de banheiro: “A Vovó come jiló. Mais pior é a Filó, que cheira loló!”

Trilha sonora – Queen – Deep Purple – Black Sabbath – Dio
Colaboradores
–Sandra, Rocklane, Pituca e Família, Marcão (RJ) e todas as muitas pessoas que colaboram.

NOVEMBRO/DEZEMBRO 2005 • BRASÍLIA, FINA FLOR DO ROCK
Informativo contracultural, aperiódico, sem fins lucrativos, sem rabo preso – etc.
Facada – Critical Death – Obskure – Life is a Lie – Eternal Devastation.

Expediente
Fellipe CDC – defesa, meio-campo e ataque. As bolas deixo para outro agarrar!

Editoriarghhh
Entre uma das cartas – papel e caneta – sim, eles ainda existem! – que recebi recentemente, na qual veio uma notícia que me deixou estarrecido. Nela, Leandro, vocalista da Baixo Calão, maravilhosa banda nortista de grindcore, alerta para o fato de que pessoas estão se esquecendo do velho espírito, de antigas opções que ainda funcionam, e muito bem, em detrimento das novas tecnologias. Diz ele que as cartas estão sendo abandonadas, e com isso amizades estão sendo abdicadas a um plano secundário, pois por razões ideológicas e/ou financeiras muitas pessoas ainda não se “modernizaram”, ainda não aderiram ao mundo frio do futuro, o mundo dos contatos de bits e bytes. Coincidentemente, li há pouco uma ótima letra da banda Poena, que fala um pouco sobre a solidão que a tal modernidade computadorizada gera, e pode gerar muito mais ainda. Lembrei das minhas gavetas lotadas de cartas para responder, cartas de grandes e velhos companheiros, além de outras tantas, que poderiam render novos amigos. Fiquei com vergonha e paralisado com o meu inadmissível descaso para com elas, instrumentos tão valiosos, que me presentearam com amizades pra lá de sinceras e valiosas. Lembrei do tempo do Protectors Of Noise Zine, época em que os carteiros não passavam pela 21 sem deixar um bom número de cartas na casa 11. Peço perdão por esse atraso e pelos que virão. Com o passar dos anos, com o aumento das responsabilidades, a própria vida se encarrega de nos acorrentar, e nos parcos momentos de liberdade que nos são ofertados nós devemos correr contra o relógio, e produzir o máximo possível. Quando o cotidiano vacilar, meu amigo, levante a cabeça, respire... e corra o mais que puder!

Novidades com cheiro de mofo

• Renzo deverá deixar a DFC no final deste ano, data em que mudará para o RJ. Caso isso aconteça realmente, será muito difícil vislumbrar a banda sem um de seus fundadores e principais integrantes. Vão chover bateristas para ocupar a função!!! Boa sorte para ambos, e espero, sinceramente, que esse casamento não acabe!
• Banda nova na área! E, melhor, só de minas! Infelizmente a Michelle, editora do No Class, saiu, mas o projeto segue firme. A formação traz a parte feminina das bandas Disforme, Dona Florinda, Silente e Terror Revolucionário.
• A formação que comemorará a volta aos palcos da Besthöven: “Fofão” (of course!), Adriana Drikaos – Terror Revolucionário, Juliano Jesus, ARD, Régis, Murro no Olho e Wilton, Disastre. A estreia da formação se dará no dia 10/12, no Galpão do Gama, num show imperdível, que tem tudo para ser memorável, ao lado das finlandesas Força Macabra e Kuölema. Além da lendária Lobotomia e das brasilienses Violator e Makacongs. Produção: Alea Distro.
• Embalmed Souls grava cinco músicas para sua nova fita demo. O estúdio escolhido foi o Orbis, e Ritchie foi denominado para a função de produtor. Vale ressaltar que é o primeiro trabalho da banda como quinteto, tendo o velho Nildo apenas como vocalista.
•Emcontinuidade às festividades dos catorze anos do programa Cult 22, Paul Di’Anno, primeiro vocalista da Iron Maiden, se apresenta 25 de novembro, sexta-feira, no Pirâmide Show, em Taguatinga, Pistão Sul. Parabéns e vida longa ao programa!
• O Segundo Duelo de Bandas, organizado pelo Kbça, comandante do programa Kriptonita, será realizado no Gama, no dia 26 de novembro, e contará com as headliners Torture Squad (SP), Flashover e Detrito Federal. Concorrerão as bandas Demolish, Seconds Of Noise, Dynahead, Poena, Game Over, Seven Sky, Frontal, Fibra, Selenita e IH8U. Local: Rancho Uirapuru, às 17h.
• A banda Olhos Independentes, que agora responde por No Sense, do tatuador Rosmarildo (Mad House Tattoo), está de volta à ativa. E pede para avisar aos produtores que está sedenta por palcos!
• O trio Into The Dust, que pratica um som que transita entre o stoner, thrash e new metal, está gravando oito faixas no Orbis Estúdio. A banda pretende, segundo o baixista e fundador Sandro, lançar o CD oficial até fevereiro de 2006. Boa sorte!
• Outra banda que entra em estúdio ainda neste mês – novembro – é o projeto thrashcore Possuído Pelo Cão.
• Medical Genocide, e seu ótimo trabalho pela cena black/death brasileira, disponibilizará em breve o esperado debut Ao Eterno Abismo, da banda Vultos Vocíferos. A Genocide Prod. avisa ainda que em breve disponibilizará o LP The Final War da brasiliense Eminent Shadow.
• Uma fita demo foi parar na mão da polícia. E devido ao teor de uma das letras a OJTB foi obrigada a mudar de nome. Repressão policial à parte, a banda está a procura de um novo batismo – e avisa que aceita sugestões! E também está à procura de um novo baterista. – Josefeio está ocupando o cargo apenas temporariamente.
• Aproveitando o embalo das apresentações, a Blazing Dogs, comandada pelo meu amigo Carlinhos – que agora deve estar pesando uns 30 quilos, devido aos parafusos que colocou no ombro –, planeja registrar suas músicas. Pretendem lançar um CD. É o heavy metal assim de volta ao topo!
• Outra que deve entrar em estúdio ainda este ano é a Thrash Demolish. Ao que parece, há interesse do selo Zenor em lançar o debut. Ótima aquisição para o selo, se se concretizar!
• O selo goiano One Voice, do amigo e incansável batalhador Rodolfo, disponibilizará o CD debut da banda brasiliense de hardcore metal vegan x Linha de frente x. A produção ficou a cargo do Gregório (Deceivers), e a gravação foi feita com o Gustavo, em Goiânia.
• Agora vai rolar! Dia 20 de novembro, no Teatro Garagem (Sesc da 913 Sul), o aguardado lançamento do livro Esfolando Ouvidos, do escritor e músico brasiliense Evandro Vieira, também vocal da Quebra-Queixo. Ele narra a trajetória da música hardcore no Distrito Federal. Compareçam ao lançamento, e levem uma grana para adquirir a publicação!
• A Marcinha voltou do Japão, e além dos muitos materiais gringos que trouxe ela começou a articular o festival Feliz Metal. Neste ano, será no Recanto do Nordeste (Ceilândia), dia 18 dezembro, e terá como atrações as bandas Nine Funeral, Mortal Dread (GO), Winds Of Creation, Flashover, Abhorrent e Death Slam.

terror

Entrevista
Solução caseira para a ‘tricotagem’ desse número. Pedi para que a minha amiga Adriana Drikaos me concedesse uma entrevista. Depois de um áspero “sim”, começamos a trocar ideias. Confira o que rolou, e desculpe pela ausência de fotos. – Peçam que ela mostre as fotos em que aparece cantando, pois são as divulgadas!

Adriana, queria tornar público que é um grande honra e prazer estar tocando ao seu lado novamente. Queria que dissesse o que achava da Terror Revolucionário antes e o que acha agora. Já deu tempo de bater aquele arrependimento forte, do tipo “caramba, aonde eu fui amarrar a minha égua!”?
– Nããão, ainda não bateu arrependimento – e espero que ele nunca bata! Felizmente ainda tenho muita paciência para aguentar o Sr. Ranzinza – é, também acho que o Jéferson está muito nervoso – e cia.!!! De verdade... até o momento está sendo muito divertido. E se saísse hoje – não nos sacaneie, fique conosco até o fim, que o Barbosa e o Hellmatismo prometem comer o seu pão de queijo de tofu achando bom! – já ia valer muito, afinal já estou cheia de histórias hilárias para contar. Quanto a antes e agora, é o seguinte. Antes de entrar, eu era fã do som e do povo da banda Terror Revolucionário, e agora a amizade e o carinho por todos aumentaram. Além, é claro, de gostar cada vez mais da banda.
Você já tocou em duas bandas que tiveram e têm! significativa importância dentro da Cena Underground brasiliense. De tal forma, gostaria de saber se você guarda bons momentos dessas épocas, e ainda se aprendeu algo de produtivo enquanto esteve junto às bandas Besthöven e Death Slam.
– Muitos bons momentos, o principal deles foi a formação de uma amizade e respeito que se prolonga por tantos anos. Admiro muito e aprendo sempre com você, o Robson, o “Fofão”. E torço por vocês para sempre!

Você não se iniciou no universo roqueiro como adepta das ideologias punks e anarquistas. Portanto conte-nos como e quando começou esse duradouro casamento!
– Embora ouvisse som punk, não era adepta à ideologia em si. Mas como sempre tive interesse pelas questões políticas e sociais, a identificação e admiração pela postura punk e anarquista foi inevitável. O contato com o Movimento foi a partir da entrada na Besthöven, quando tive a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas, e de abrir a mente para diferentes pensamentos e atitudes, além de para tantas coisas até o momento desconhecidas mesmo. Confesso que foi uma época bastante transgressora, instrutiva e apaixonada.
Já que estamos falando de início, revele aí qual disco a despertou em definitivo para o rock. O bolachão que você ouviu e falou: “É isso o que quero para minha vida!”
– Olha... não teve um estalo, foi gradualmente. Vinham aparecendo os sons, por intermédio dos amigos da época, e eu ouvia e gostava da Black Sabbath, Metallica, Dead Kennedys, The Clash. Por aí vai. Eu ouvia e sempre estava atrás de novidades. E hoje não consigo nem me imaginar com uma vida diferente. Pelo contrário, a cada dia tenho certeza de que é isso que quero pra sempre!
A Kaos Klitoriano tem um respaldo muito grande frente à comunidade hardcore/punk, sendo assim, por qual motivo paralisou as atividades? Não encontrou pessoas que vestissem a camisa conscientemente? A Kaos retornará? Onde andam as outras integrantes?
– A Kaos Klitoriano surgiu a partir de uma ligação profunda de amizade, respeito e amor entre grandes amigas, e com o intuito de fazer o que gostaríamos de ver sempre, que era raro na época: uma banda de hardcore somente com mulheres e falando de ideais feministas. Com a saída das minhas companheiras de longa data, não enxergo mais a banda com tanta emoção. Embora adore a Mariana (guitarrista atual), a essência enfraqueceu. Além da dificuldade de achar integrantes que tenham identificação com a banda, a minha escassez de tempo para a composição de músicas e letras é um dos maiores obstáculos. Não vou colocar um ponto final por enquanto, mas adianto que a cada dia fica mais distante um possível retorno. Quanto às meninas, a Ana está se dedicando integralmente à música, frequentando a Escola de Música e dando aulas de baixo, e a Carla está viajando pelo mundo. A última vez que nos falamos ela estava em Costa Rica, dando aula de capoeira; cantando MPB em bares; sendo figurinista de teatro infantil e escrevendo livro! E mesmofazendo tudo isso ela disse que não quer se fixar em nenhum lugar – fiquei sabendo há pouco que ela já não está em Porto Rico... Lembrando que, mesmo separadas, a nossa amizade continua com a mesma intensidade!
Três bandas brasilienses que, na sua opinião, dão continuidade ao trabalho iniciado pela Kaos e pela Bulimia?
– Infelizmente ainda vejo pouquíssimas meninas na cena, e menos ainda tocando um som de contestação. Só me vêm à cabeça – cada vez mais lerda, tenho que concordar! – a Silente e a Eixo Zero, bandas que se assemelham à proposta das citadas. Mas não vejo como uma continuidade de um trabalho, e sim como novas forças femininas dentro da cena. Sei que existem outras bandas brasilienses surgindo, mas infelizmente ainda não tive o prazer de conhecê-las.
Se antes houvesse mais Alices, Tates, Michelles e Biancas, a cena atual teria mais mulheres no front de combate?
– Se tivessem a mesma garra e amor ao Underground que essas garotas, teria sim, pois provavelmente hoje essas mulheres estariam aí! Mas ressalto que a quantidade de pessoas na cena independe de quem faz parte dela, pois as pessoas ouvem sons, vão aos shows etc, mas não são todos que têm amor pela cena. A maioria da galera simplesmente desaparece... e surgem novas pessoas. É um ciclo. Quando existia a Kaos e a Bulimia, a gente via uma quantidade maior de meninas nos shows. E o que aconteceu? Já estou acostumada com esse ciclo de abandono e renovação.
Você saiu da classe baixa – sem se valer aqui da ridícula divisão de classes feita pelo IBGE
e adquiriu certa estabilidade financeira. Como esse processo poderia ser comum a todos, sem que houvesse tantos sacrifícios e espinhos pelo caminho?
– Ehh, Fellipe, estou longe ainda de adquirir estabilidade financeira, mas, enfim, é difícil imaginar um mundo onde todos poderemos viver sem a preocupação de como pagar as contas, ou até mesmo de comer. Para ser comum a todos... Infelizmente ficamos reféns do governo. É necessário primeiramente um investimento brutal em educação para todos realmente, e parar de uma vez com esse pagamento absurdo de juros da dívida. Isso atrasa o país de forma assustadora. Do que adianta o Brasil estar bem lá fora, se aqui dentro a população está abandonada sem educação, saúde, emprego, habitação, nada! Minha indignação é crescente, afinal... é triste ver crianças de dez anos analfabetas, já imaginando que como consequência terão no futuro um subemprego, ou uma vida bandida. Acho que a educação é o pilar de tudo, pois além de diminuir a desigualdade de oportunidades, com a sua estruturação, a cobrança será bem mais intensa e articulada. Mas é lógico que o governo quer que o povo continue sem nenhuma instrução, para continuar pisando e humilhando ainda mais a população despreparada,dandotrabalho escravo e salários-esmola, e ainda fazendo acreditar ser um grande favor. É deprimente!
Sei que, além da música, você tem outro vício, o cinema. Qual o seu gênero preferido dentro da Sétima Arte? Indique três filmes das antigas e três da nova geração!
– É verdade, sou uma cinéfila convicta, mas não tenho preferências. Gosto de filmes bons, independentemente de gênero. Só posso escolher três? É óbvio que existem outros filmes das antigas que amo: Thelma e Louise (1991), Corações e Mentes (1975), O Último Jantar (1995). Da nova geração, lançados há menos de dez anos: Clube Da Luta, The Corporation e Sin City.
Inteligente, bonita e bem-sucedida. O tipo de mulher cobiçada por muitos homens. Como você lida com o assédio? Lembro de um show da Teratogênia, nossa antiga banda, em Goiânia, que o povo invadiu o palco atrás de seu autógrafo e querendo tirar foto ao seu lado. Lembra disso?
– Aaaaah... não, Fellipe, você realmente se supera... Essa primeira frase parece daquelas saídas de anúncios de classificados amorosos, só faltava você completar com “a procura de sério relacionamento” – Aí, Dri, só não coloquei porque você não conseguiria responder a todas as mensagens de correio eletrônico que chegariam. Faltaria também dizer: “Sem bafo de carne!” – E que papo é esse de assédio, não existe assédio nenhum. Nunca existiu! Das pessoas que frequentam os shows, a maioria são amigos, e quem não conheço raramente vem falar comigo. Esse show em Goiânia foi uma exceção.
Quando mudou os seus hábitos alimentares e passou a ser vegetariana? O que mudou em sua saúde, desde então?
– Há muito tempo tentava mudar a minha alimentação, mas o comodismo – que vergonha! – de morar com a mãe, a comidinha pronta etc., então sempre fui adiando. Há quatro anos, passei a morar sozinha, e a partir daí me fui adaptando aos poucos à alimentação vegetariana, até mudar definitivamente. Sempre tive saúde legal, mas conheço várias pessoas que tiveram mudançasbem satisfatórias após se tornarem vegetarianas. Ressalto apenas que modifiquei a minha alimentação por razões éticas, visando acima de tudo o bem-estar animal.
Está muito bom, mas tenho que terminar. E para tal um jogo rápido de perguntas e respostas, ao estilo Marília Gabriela, a coroa tarada:
Lula: Farsa esquerdista
Roriz: Brasília Bela Adormecida! – Quando será o despertar dessa cidade, governada pela maior quadrilha do Brasil, tendo à frente esse legítimo “coronér mor?...”
Preconceito: Quem é diferente é pior? Estupidez!!!
Igreja: Retardamento mental generalizado
Um livro: A Guerra Contra as Mulheres, de Marilyn French. Não é necessariamente o melhor que li, mas com certeza foi o mais marcante. Pela sua vasta pesquisa e amplitude de informações, que na época me confirmaram a certeza de tudo que acreditava.

Suas últimas palavras
Já é meio repetitivo, mas depois de tudo que falei o que me resta é agradecer a você, Fellipe, por fazer tanto pela cena, e a todos que fazem parte e/ou apoiam tudo isso de alguma maneira. E, pessoas, não se deem por vencidas. Continuemos nessa luta sim, mas por meio do prazer. Quem dera vivêssemos numa sociedade livre do poder econômico, do patriarcado autoritário, dos comportamentos competitivos. Pois então levemos adiante e a todos uma nova forma de convivência, que seja mais justa e agradável, na qual os valores solidariedade, comunidade, apoio mútuo e cooperação estejam no lugar central. Não podemos perder a esperança de a dignidade humana prevalecer, baseada em amizade, amor, cumplicidade, respeito. Por que desistir, ao contrário, vamos voar alto... e sermos realistas, exigir mesmo o impossível, das governanças especialmente, pois sonhando e trabalhando juntos a realidade será essa!

Um para Cristo
Apesar do sonho de ser caminhoneiro, de poder cruzar este vasto e devastado Brasil de um extremo ao outro, continuar habitando o seu subconsciente, é o pulso artístico que vibra com mais intensidade na carcaça corroída de meu nobre amigo Juliano. Muito, mais muito antes de gozar de tanto prestígio e fama na Cena Underground, seja por intermédio do seu fanzine Fúria Urbana, seja como baterista da anciã ARD, Jesus – apenas um de seus inúmeros apelidos –, desde muito novo, dava literalmente os seus pulinhos pelo abrangente mundo da arte. Descobriu as suas habilidades artísticas numa dessas peças que o destino nos prega. Eis que, durante o período colegial, para recuperar pontos e não ficar de recuperação, ele foi obrigado a participar de algum esporte. O grande problema foi que a letargia, sua amiga inseparável já desde a infância – e felizmente ele descobriu os zines, onde a deixa comer poeira pela estrada, porque se desempenha com tanto talento e dedicação – o impediu de escolher o esporte que poderia agradá-lo. A única modalidade que sobrou, das muitas que lhe foram ofertadas, foi o balé! Como o medo da recuperação venceu o pudor, Bin Laden – outro dos seus apelidos – tirou o short do Mengão, e o surrado kichute de travas, e catou o primeiro collant e sapatilhas que viu a sua frente. Encaixe perfeito, saiu saltitante e feliz pelo salão! Após exaustivos ensaios, a apresentação para um auditório lotado, com direito à cobertura de jornais e tudo mais. E ele continuou no mundo da dança, sugado pelo ritmo contagiante do momento, a lambada do Norte. Quando a mídia resolveu matar Beto Barbosa, da mesma forma que o criou, ele se rebelou... e foi ouvir rock. Será que, por essa razão, o advogado Juliano odeia tanto a mídia, e resolveu por isso fazer a sua própria revista?!? Sendo ou não por esse motivo, agradeço imensamente pela existência do Fúria Urbana. Passados alguns anos, Juliano descobriu a sua outra faceta artística, e então foi ser baterista da ARD. Ganhou notoriedade, e foi chamado para ser "garoto propaganda" da Alisabel. Até há pouco tempo, existiam outdoors espalhados por Taguatinga – nossa quebrada – com umas fotonas de nosso ex-bailarino, penteando as suas gloriosas madeixas. Com o nascimento do ótimo Fúria Urbana, Juliano cresceu em popularidade, e foi assim convidado para ser novamente garoto propaganda, outros produtos e empresas. Tudo devido ao sorriso brilhante! Então claro foi convocado por uma empresa de creme dental, um consultório dentário, e – por que não?! – por um produto de limpeza, onde terminava o comercial dizendo: “As paredes de sua casa ficarão brancas como os meus dentes!” Daí estampava um sorrisão de todo tamanho, ou melhor, do tamanho da tela. – Os dentes do cara são brancos, muito brancos, invejavelmente brancos. Tão brancos, que se parecem com aquelas balas mentex. Tão ligados naquelas balas mentex?!? Pois é, são os dentes do Jesus. Acho que o Juliano escova a dentadura (de mentex) perfeita com sapólio radium, e ainda faz gargarejo com diabo verde. (Só pode ser!...) Acho que o projeto musicaos que ele tinha com a Tate só não virou porque o Mr. Jesus Laden Alisabel da Silva, sorriso de mentex, anda bastante solicitado no meio publicitário.

Metendo a colher na sopa alheia
• Aproveitando que a Embalmed Souls está concretizando a sua nova gravação, bem que a Genocide Prod. poderia disponibilizar tal preciosidade musical no mercado negro do Underground. Pegar umas músicas das antigas demos e jogar junto a esse novo material!
• Caso Renzo deixe realmente a DFC, o que espero não ocorra, um substituto à altura, literalmente falando, seria o Tubarões – Possuído Pelo Cão. Correndo por fora, sugeriria Rodrigo – ex-Capotones –, Ritchie – More Tools – e/ou Caneca – ex-Innocent Kids.
• O "Minduim", baterista da extinta Swankers, atual vocalista da Neuras Planetoides, poderia voltar a tocar bateria e na Detergente CO, ou quem sabe relembrar o tempo em que tocava junto com o Túlio. Além claro de fazer a sua inscrição no concurso para escolher o novo baterista da DFC.

Banda
Recebi apenas uma fita demo para divulgar. O Fina Flor não está com credibilidade zero. “E qual a novidade?” Você deve estar se perguntando no momento. Certo?
Império Death
Aos 47 do segundo tempo, zine fechado, o Bispo me entrega o CD. Tive que esticar e divulgar logo, pois o novo Fina sei lá quando sai. Os caras gravaram em quatro horas, e a qualidade ficou até legal, tal como a parte gráfica também ficou de responsa. A ID agarra-se ferozmente na linha mais extrema do death metal, lembrando muitas bandas brasileiras que trilham o mesmo caminho. Os grandes diferenciais estão nos fatos de a banda ‘urrar’ as suas letras em português e alternar os vocais guturais e rasgados entre os seus guitarristas José e André. Entretanto, o destaque vai para o baixista, que de Bispo nada tem, pois é o próprio senhor das trevas com o seu instrumento grave. Das seis faixas, destacaria “H.I.V.”, por apresentar mais variações e mais partes cadenciadas.

Conexão Pequi
Mob Ape
Ah, meus camaradas, como esperei por essa bolachinha. Já havia recebido a advance faz um milhão de anos – e inclusive a comentado –, mas agora eis que o produto está finalizado, e prensado, graças à união dos selos Insetu´s Prod. – Val(d)ir, até que enfim, hein, filho?!? – e Não! Não! Rec. São dez músicas excelentes, puxadas pela voz agressiva do comandante Mark, sob ótimos e realistas enredos. Além da voz de Mark, é também digno de honrarias o grande guitarrista Rodrigo. Caso eu não fale da beleza do desenho da capa, não me perdoarei, afinal considero o desenhista um dos melhores do mundo. Não por acaso, Shiko foi contratado pela Marvel. Terra do Medo é crossover puro, é navio hardcore que trafega pelas águas do metal – thrash – e outras correntes do hardcore, como o grind e o HCNY. Terra do Medo faz a gente fazer parte desse mundo!

Desastre
Perigo Iminente é de longe o melhor trabalho da Desastre, em todos os sentidos. Desde a concepção das músicas até a produção, acreditem, conseguiram superar o grande padrão de qualidade com o carimbo “hardcore da Desastre”. Sete músicas recentes gravadas com a acertadíssima nova formação, dois sons para matar as saudades da linda Diana, e cinco torpedos retirados de shows em terra goiana. Hardcore, lógico, é o prato principal, mas raspando a marmita você verá estampado no fundo da vasilha thrash. Os punks mais headbanguers de Goiânia – cidade de belíssimas mulheres e pessoas muito receptivas – continuam sendo guiados pela Discharge, mas aqui e ali você vai notar nuances de GBH, Wolfpack, e do nosso Lobotomia. Terei que pedir um autógrafo em meu CD, e depois emplastificá-lo. Você pode conseguir essa obra-prima também com os selos Bucho Discos (aí, Balofo, você perdeu...!) e Terrotten.

Mortal Dread
Mais uma da TbonTB e mais um produto de qualidade made in GO. Tá, tudo bem que a capa de Starting The Killing é horrível. Acho que eles pegaram a capa do Darkness Descend, deram para um moleque de cinco anos, e falaram: “Toma, copia aí, que depois te pagamos um sorvete!” Mas a esculhambação começa e acaba por aqui, pois os demais itens estão ok: encarte bem trampado, e com todas as informações necessárias, boa gravação, e quatro mísseis identificados com letras em caixa alta: thrash metal. Dark Angel, Testament e Slayer passeiam pelas referências musicais da Mortal Dread, além de outros medalhões do thrash 80. É uma banda muito coesa, com ótima dupla de guitarristas e um baixista muito presente. Matador!!!

WC Masculino / Sociophobia
Apesar do aspecto de sonso e cansado, o escroto do Segundo está mais do que ligado e atento a tudo que acontece em Goiânia. Tanto que, não por acaso, catou duas bandas muito boas e lançou um CDr com elas, com ótima produção, e ainda lançou outro produto antimidiático desafiador, que batizou de Blasfêmia e Terror. O início é dado pela WC Masculino, uma das minhas bandas preferidas de Goiânia. São onze faixas que passam num piscar de olhos. Rápido e agressivo. Ao vivo é um inferno, o caos. Os moleques ficam possuídos e viram música. Hardcore metalizado com pesados toques grind. RDP é, nitidamente, a referência mais imediata. Sem desmerecer os demais, Tiago, guitarra e Alexandre, guitarra –, agora com os cabelos negros como asa de urubu – são os destaques. Não sei se a Sociofobia é uma banda de fato ou projeto. Seja o que for, tem que ter continuidade e lançar mais um monte de material. São cinco sons, dentre os quais a crossover “Cidade Negra”, da falecida Morte Lenta, uma das bandas mais cult e importantes do rico cenário goiano. Um ótimo vocal, de boa dicção, canta de forma bastantecompreensível todas as excelentes letras, com destaque especial para “Blasfêmia”. O som é bem tocado. As músicas são um crossover simples e eficiente de hardcore e metal muito anos 80. Em resumo, fabuloso!

Exceção
Como não recebi quase nada do Distrito Federal, pude dar uma crescida nesta seção e colocar duas resenhas a mais do que normalmente. O duro foi escolher entre tantos materiais de boa e de alta qualidade... duros ossos do ofício...

Armagedom
A Absurd resolveu nos presentear com o relançamento de Silêncio Fúnebre, o primeiro LP da Armagedom. Não se trata, porém, de um lançamento caça-níqueis, pois é uma banda muito antimídia e niilista demais para cair na graça – ou será na desgraça?!? – da mídia oficial. O disco foi mantido intacto: gravação podre e músicas DeathCore fora do compasso, o quê era o grande diferencial desse fenômeno do barulho paulista. Entretanto, rolam uns três sons bônus, capa dupla e com melhor acabamento. Ainda, um superpôster muito da hora! Para quem não conhecia o Armagedom, agora não terá desculpas para tomar conhecimento do início do caos...

Endless Massacre I
Uma das melhores coletâneas que já vi e ouvi, e olhe que já produzi, vi e recebi muitas. Muito cuidado com a parte gráfica, e mesmo os costumeiros altos e baixos de tantas gravações diferentes aqui não ficaram assim tão gritantes. E outra: o caboclo ter conseguido a Vulcano para a coletânea é algo que já vale a metade do disco. Vulcano se confunde com a própria história do metal brasileiro. Para dar ainda mais credibilidade, o produtor conseguiu também a façanha de colocar a Torture Squad e a Chemical Disaster. Como se não bastasse, ainda somos agraciados com outra série de grandes bandas, das quais vale muito mencionar e guardar o nome de Hierarchical Punishment e Agressor. Há ainda mais treze bandas, entre os estilos death, thrash, black e grind. Nota dez! E que venham outras produções!

Força Macabra
EP lançado pela No Fashion HC Rec. As músicas foram retiradas da tour da banda pelo Japão. Pela energia e os gritos emanados, deve ter sido uma das gigs mais loucas da Força Macabra, a banda da Finlândia – que canta em português – e utiliza pseudônimos artísticos de bandas brasileiras. Os sons continuam como de costume: metal e hardcore, numa mistura tosca e única. Destaque para o cover “Mosh To Die”, da brasileira Lobotomia, e para o encarte, que traz uma série de fotos e uma narração de como foi a viagem desses finlandeses malucos – por terras asiáticas...

Cotidiano: Cuidado, coitado cotidiano!
O que dizer? Há muito a dizer... É tanto assunto, é tanta miséria, é tanto ódio, é tanta farsa, é tanto preconceito, é tanto oportunismo, é tanta corrupção, é tanta imobilidade, é tanta exploração, é tão amargo... que fico perdido. Não sei o quê falar, em qual ferida devo apertar para tentar suturar o pus que apodrece. Hoje me calo, contenho a minha ira contra os poderosos. E amanhã poderei explodir, antes que ‘eles’ me expludam. “Por que fazer amanhã o que se pode fazer hoje?” Simples, hoje planejo, amanhã armo a bomba!

Poesias (serão?)
Nossas ruas – As ruas estão cheias / de pessoas vazias / que caminham / apressadas para a morte.

Pau que nasce torto morre torto? – Em vida, / era o cão; / morreu / virou ‘bão’! / Será essa, / então, / a solução?

Abstração – O movimento das ruas / me absorve a atenção / fico sem eixos / fico sem asas / acompanho com os olhos avultados / a correria da multidão / que se perde... / perde... / e perde.

Companheiros de hospício Mensalão do Capeta
A edição 0 do zine do Régis já vale a leitura – por causa da merecida entrevista aberta e franca com o famoso e adorado Natinho. São dez páginas, papel A4, repletas de colagens, numa fotocópia não tão boa quanto o merece. Mas isso todos nós enfrentamos sempre, até já digerimos! Apesar de considerar que os espaços poderiam ser aproveitados com mais matérias, algo que pode ser melhorado, e de ter sentido falta da parte musical da história, o Mensalão é bem redigido, e nele transparece a honestidade. Ajuda a compor a massa zineira brasiliense com grande categoria. Destaque para a entrevista e o conto do Sid Ney.

Noturno
Zine do “Fofão”. O cara é mesmo multimídia. Aqui ele faz o roteiro, resenha, desenha e ainda faz a montagem. Tudo bem, o desenho não é lá essas maravilhas, é bem tosco até, mas caramba o cara é uma máquina de ideias e realizações. Aplaudo e continuo entre os fãs do “Fofão”!

Nicolas Behr
Encontrei com o Nicolas na Rodoferroviária. Dessa vez, diferente das outras, não hesitei. Deixei a vergonha de lado e confessei a minha admiração pelos seus escritos. Ele foi receptivo, me agradeceu e prometeu enviar os seus trabalhos para mim. Fiz de conta que acreditei. Mas – no fundo... – jurava que ele blefava. Dias depois, a surpresa: um pacote – pelo correio – recheado com cinco belos livros. Todos ultra recomendáveis, apesar de os meus preferidos serem Restos Vitais e Vinde a Mim as Palavrinhas. Mas, como disse, é muito bom ter na cabeceira os outros também: Poesília, Braxília e Peregrino do Estranho. Ele brinca com as palavras, faz esculturas e malabarismos com elas...!

E é verídico
Dinheiro na mão é vendaval? E na cueca, o que é?

Frase de dinheiro
Não escrevo em paredes, considero isso uma grande falta de educação. Entretanto, caso tivesse esse mau hábito, sujaria as paredes mas com poesias. Sujaria?... Ou outro escrito útil. A minha primeira escolha recairia sobre Nicolas Behr, que escreveu: “Os três poderes são um só: o deles!”

O ovo ou a galinha
A imunidade parlamentar serve para roubar sem se preocupar ou para roubar sem se preocupar serve a imunidade parlamentar?

Colaboradores
Pituca (cadê você, inutilidade atômica?!); Diego (passou da hora da Rotten Purity gravar!); Marcão (RJ); Julião; Juliano Jesus (pelas ideias, sugestões, e sobretudo pela amizade); Jefferson Hellmatismo (uma beleza de tanguinha!); Rocklane/Sandra (quem é quem?); e Ana Flávia (meu combustível)!

“Ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí, (...)” Sério, é melhor pedir a roubar, logo, podendo, ceda-me resma, envelopes e selos. Caso seja mais fácil, tire cópias deste info – uma que seja, mas melhor mais!... – e passe para outra(s) pessoa(s). De coração, e pires na mão, obrigado!

 

 



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