LANNY, O GUITARRISTA DOS DISCOS CLÁSSICOS DA MPB. ESTÁ DE VOLTA! (1996)

Lanny Qual

Sabe aquele disco
Que o Lanny toca qual?
Aquele do Caetano não
Aquele do Gil não
Aquele da Gal não
Aquele do Macaé é
Sabe aquele Lanny?
Sabe aquele qual?
Sabe aquele Lanny qual?
Sabe aquele
(Canção de Chico César)

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MÚSICO REVERENCIADONOS ANOS 60 ESTÁ DE VOLTA

TOM CARDOSO - O ESTADO DE S. PAULO

Lanny Gordim que tocou com os grandes nomes da MPB faz shows e grava discos

O músico, aos 45 ANOS: “Quero voltar a estudar, sinto cada vez mais falta de tocar com as pessoas”

3 DE DEZEMBRO /1996 – Num pequeno apartamento da Rua Maria Antônia, centro de São Paulo, vive Alexander Gordin, mais conhecido por Lanny. Quem tem menos de 30 ANOS dificilmente vai saber que a figura magra, de 45 ANOS, é considerada, por parte dos músicos de sua geração, o maior guitarrista brasileiro de todos os tempos. Carismático e irreverente, Gordin foi um músico importante no movimento tropicalista. Junto com Sérgio Dias, é responsável por uma mudança radical na maneira de se tocar guitarra no país. Muito disputado pelos músicos da época chegou a ser chamado, por causa da grande capacidade de improvisação, de o “Jimi Hendrix brasileiro”. Mas toda essa reverência acabou em 1974 ­– depois de uma série de problemas com drogas e várias internações, o guitarrista acabou tendo uma overdose de LSD e foi obrigado, por problemas de saúde, a parar de tocar.

“Depois disso, nunca mais fui o mesmo, perdi completamente a minha técnica”, diz o músico, que, aos poucos, foi voltando a se apresentar, ao lado do irmão Bob Gordin, no mesmo lugar em que iniciou a carreira: na boate Stardust (que mudou de endereço e agora funciona na Rua Franz Schuber, 93) de propriedade de seu pai, Allan. “Não tenho mais a mesma agilidade, mas o lado melódico e a harmonia eu não vou perder nunca”, avisa Gordin, que toca contrabaixo na boate, de quarta a sábado, a partir das 22h30.

Filho de pai russo e mãe polonesa, Lanny nasceu em Shangai, em 1951. Morou somente os seus DOIS PRIMEIROS ANOS de vida na cidade chinesa, pois seus pais, com medo do regime comunista implantado por Mao Tsé-tung, resolveram fugir do país. Viveram mais QUATRO ANOS em Israel e mudaram, em 1958, definitivamente para o Brasil. Apaixonado por música e pianista de jazz, Allan decidiu abrir, no Lago do Arouche, a boate Stardust, que viria a se tornar ponto de encontro de músicos da época como Ivan Lins, Hermeto Pascoal, Jair Rodrigues, Airto Moreira, Caetano Veloso, Gal Costa e Gilberto Gil. Por causa do contato com esses artistas é que Gordin começou a ter a oportunidade de mostrar seu talento. Amigo de seu pai e uma das atrações da boate, Hermeto Pascoal não demorou muito para perceber que o guitarrista, apesar dos 20 ANOS, já era um músico à frente de sua época. Chamou-o para formar o Brazilian Octopus, conjunto liderado pelo pianista Cido Bianco. O grupo não durou muito, pois, encantado com o músico, Caetano Veloso o convidou, em 1969, para ser o guitarrista em CAETANO VELOSO (mais conhecido como álbum de capa branca). A participação de Gordin no disco foi marcante. Sua guitarra em “Irene”, “Não Identificado” e “Marinheiro Só” é um exemplo de improvisação e talento. “Lembro-me de ter tocado quase o álbum inteiro deitado no chão do estúdio”, diz Lanny. “E o Caetano adorava.”

O GUITARRISTA DOS DISCOS CLÁSSICOS DA MPB

Lanny Gordin compôs com Caetano e Macalé e, em 1994, participou de CD de Chico César

TOM CARDOSO O ESTADO DE S. PAULO

3 DE DEZEMBRO / 1996 – Todos os grandes artistas do FINAL DOS ANOS 60 e COMEÇO DOS 70 queriam ter a participação de Lanny Gordin em seus discos. Amigo de Rita Lee, Arnaldo e Sérgio Dias e Liminha, que eram tão loucos quanto ele, Gordin tocou guitarra em BUILD UP (1970), primeiro álbum solo de Rita Lee, produzido pelo maestro Rogério Duprat, que não cansava de dizer que ele já era, disparado, o melhor guitarrista brasileiro. “Não melembro de ter sido apresentada a Gordin; a impressão que tenho é que ele veio de um planeta longíquo e despencou em São Paulo bem na minha frente”, conta Rita Lee.

Lanny participou do show GAL A TODO VAPOR que acabou virando o clássico álbum duplo GAL FA – TAL (1971). “Ele tocando ‘Perola Negra’ é maravilhoso”, afirma Pepeu Gomes.

No ano seguinte, foi convidado por Gilberto Gil para tocar no álbum EXPRESSO 2222, que viria a se tornar um dos mais importantes discos da música popular brasileira. “A participação de Gordin foi extraordinária”, lembra Gil. Em 1972, Gordin tocou violão e contrabaixo elétrico em JARDS MACALÉ (1972), primeiro solo de Macalé, outro momento importante da música da década.

A essa altura, Lanny Gordin já era respeitado e cada vez mais disputado. Raramente ele conseguia ficar mais de seis meses acompanhando um artista. Tocou com Elis Regina, Sarah Vaugham, Ravi Shankar, O Quarteto e muitos outros.

Jair Rodrigues resolveu entrar na fila e o convidou para ser o guitarrista em sua turnê europeia. Apresentaram-se na França, Holanda, Portugal, Suécia e Inglaterra. Foi na capital inglesa que Gordin tomou pela primeira vez um ácido lisérgico. Depois disso, não parou mais. “Tomei uma quantidade enorme de LSD em apenas um ano e pirei de vez”, conta.

A primeira grande maluquice veio no FINAL DE 1974. Místico e religioso, Gordin achou que poderia ficar mais perto de Deus colocando fogo nas próprias mãos. “Primeiro queimei minhas mãos com brasas de cigarro, depois na boca do fogão”, lembra. “Com as mãos cheias de bolhas, peguei minha guitarra e comecei a solar.”

Gordin foi internado três vezes. Acabou se recuperando e, hoje, sente falta dos velhos amigos. Chegou a integrar, no começo dos ANOS 80, o grupo Aguilar e Banda Performática que, além de Aguilar, contava com Arnaldo Antunes e Paulo Miklos. Mas com artistas de sua geração nunca mais tocou. “Perdi contato com todo mundo daquela época; adoraria ser convidado por um deles de novo”, diz.

Antigo admirador do guitarrista, Chico César chamou Gordin, em 1994, para participar de AOS VIVOS, seu primeiro disco. Gostou tanto que, não só o convidou de novo (Gordin participou também de CUSCUZ CLÃ, segundo álbum do compositor paraibano) como decidiu fazer uma homenagem ao músico – compôs “Lanny Qual”, gravada pela cantora Vange Milliet em seu primeiro CD. “Meu grande sonho é produzir um disco solo dele”, confessa Chico.

Próximo show será no Rio, com Vange Milliet

Além de ótimo músico, Gordin também compôs músicas – é parceiro de Jards Macalé e Gal Costa em “Love, Try And Die” e de Caetano Veloso em “De Cara”. Voltou a compor este ano. “A letra se chama “Nó Em Pingo D’Água”.

Solitário, Lanny Gordin passa a maior parte do dia vendo televisão. De vez em quando surge algum trabalho (vai tocar no Rio De Janeiro, dia 17, ao lado da cantora Vange Milliet), mas é muito pouco para um guitarrista que já foi aclamado como o melhor do Brasil. “Quero voltar a estudar; sinto cada vez mais falta de tocar com as pessoas.”

DEPOIMENTOS

• Gilberto Gil – “Ele foi extraordinário dentro do meu trabalho. Tocou no disco EXPRESSO 2222 e participou de toda a turnê em 1972. Era um guitarrista completo, tocava todos os gêneros musicais com uma enorme facilidade. Quando estávamos gravando o EXPRESSO 2222, o meu baixista, Bruce Henry, norte-americano radicado no Brasil, estava com dificuldade de tocar o samba “Chiclete Com Banana”. O Lanny pegou o baixo e na mesma hora tirou a música com uma facilidade impressionante. Ele é, sem dúvida, o guitarrista mais importante da história da música popular brasileira.”

• Rita Lee –“Não me lembro de ter sido apresentada a Lanny. A impressão que tenho é de que ele veio de um planeta longíquo e despencou bem na minha frente. Magrelo, sorridente, sotaque inglês, Lanny era fantasticamente talentoso. Tocava de tudo, mas seu forte era a guitarra. Um dia deixou o guitarrista Sérgio Dias dos Mutantes com a pulga atrás da orelha quando o desafiou para um duelo inesquecível. Testemunhas juram que lá pelas tantas da madrugada Lanny finalmente revelou seu lado Hollyfield e nocauteou o amigo. Nunca mais soube dele, tenho saudades e muita curiosidade de saber por onde anda aquele Highlander maravilhoso.”

• Arnaldo Baptista – “O Lanny aprendeu muito na boate do pai dele, que é um excelente pianista de jazz. Sua guitarra sempre procurou acompanhar a linha melódica do piano e isso o fez um músico especial. Para mim, ele está muito mais próximo de Wes Montgomery (um dos maiores guitarristas da história do jazz, morto em 1968) do que de Jimi Hendrix.”

• Sérgio Dias – “Aprendi muito com Lanny. Quase tudo que sei sobre harmonia foi vendo ele tocar. Tomara que o Brasil reconheça um artista do nível dele. Esse negócio de ele dizer que perdeu a técnica é uma grande bobagem. Ele sempre foi o melhor guitarrista brasileiro, todo mundo sabe disso.”

• Moreno Veloso – “Ouço o Lanny desde quando eu era criança. As participações dele no disco do meu pai (Caetano) e no de Jards Macalé são fantásticas. Sua guitarra na época da Tropicália era tão moderna como os arranjos de Rogério Duprat. Sou um grande amigo e admirador de Lanny, estive com ele duas vezes no ano passado.”

• Tom Zé – “Ele é fantástico. Tem uma facilidade imensa de improvisação. Outro dia encontrei com ele em São Paulo, conversamos um pouco, me parecia muito bem.”

• Jards Macalé – “Sem exagero: o Lanny é um dos maiores músicos do mundo. Ele participou do meu primeiro disco (JARDS MACALÉ, de 1972), tocou guitarra e baixo. Era ao mesmo tempo maluco e genial.”

• Chico César – É um nome básico da guiatarra brasileira, uma referência importante aos novos músicos. Lanny é um dos poucos guitarristas do mundo que consegue sonoridades específicas sem o uso do pedal. Meu grande sonho é produzir um disco solo dele.”

• Moraes Moreira – “Era o grande guitarrista dos ANOS 70. Vi um show dele com a Gal Costa em que ele tocava maravilhosamente bem. Ele influenciou muitos músicos da minha geração, pricipalmente o Pepeu Gomes.”

• Pepeu Gomes – “Lanny é meu mestre e um dos meus melhores amigos. Quando fui para São Paulo, no começo dos ANOS 70, foi ele quem me acolheu, me convidou para tocar na boate do pai dele. Toquei baixo até os 17 ANOS e resolvi mudar de instrumento, porque ficava deslumbrado vendo o Lanny tocar. Ele e Jimi Hendrix foram minhas duas grandes influências musicais. A gente tinha um relacionamento de irmão mesmo. Quando ele teve aquela overdose de drogas, esqueceu de todo mundo, a única pessoa que ele reconhecia era eu.”

• Hermeto Pascoal – Como eu tocava na boate do pai dele pude ver o Lanny começando a carreira. Ele aprendeu muito rápido a tocar guitarra. Tem uma concepção harmônica muito forte, é um grande músico.”

• Liminha – “O Lanny era incrível, estava anos-luz na frente de sua época. Ele tem um conhecimento muito grande de jazz. É uma pessoa muito simpática e carismática, com uma presença de palco impressionante.”

• Arnaldo Antunes – Trabalhei com Lanny em 1981, no Aguilar E Banda Performática. É um tremendo guitarrista, além de ser uma pessoa muito doce. Ele é supercompetente e muito criativo também. Eu me lembro muito dele tendo ideias ótimas para o nosso disco,”

• Edgar Scandurra – “Vi poucos shows dele. Me lembro dele tocando, no começo dos ANOS 80, no Napalm com o pessoal dos Titãs. Lanny sempre foi uma referência para mim. AS pessoas sempre me disseram: Edgar, você toca bem, mas deveria ter visto o Lanny tocando, ele era muito melhor que você.”

• Vange Milliet, cantora – “Lanny é absolutamente genial. Uma figura determinante na música popular brasileira. Foi um prazer imenso tê-lo no meu disco, ele continua inovador.”

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