Pero Vaz de Caminha do Rock: Memorial a Luiz Carlos Cichetto (2025)
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Rasgam-se as entranhas e os boletos também, e agora já é tarde demais para falar do Barata sem ferir a inteligência afiada que ele cultivava. Sua carne vagou pelos palcos, pelas telas dos PCs, pelas estações de rádio — sempre com uma nova logomarca na cabeça ou com o paiol de versos escatológicos de seus personagens e alter egos, eternamente à procura de seus pares, até encontrá-los.
Pô, ninguém morre feliz.
Em última instância, seu legado bateu forte justamente na ausência: sentida, espalhada e reverberada pelas redes. Barata vai ficar com Ginsberg, com Timothy Leary, ou talvez regredir até os sermões do Padre Vieira — e, se vacilar, ainda toma uma, cospe outra e lança uma maldição bem-humorada contra os imperialistas.
Fico por aqui, amigo. Você foi o segundo webmaster do site Do Próprio Bolso e ajudou decisivamente a mantê-lo tanto tempo no ar. Isso eu sei bem. Mário Pazcheco
Memorial

O homem sai de cena, mas permanece o legado. Ficam a sabedoria acumulada no tempo, os gestos que ensinaram mais do que discursos e a escolha consciente pela resistência. Resistência que não se fez pela força, mas pela arte — como forma de pensamento, de liberdade e de enfrentamento silencioso ao esquecimento.
Sua ausência é apenas física. O que ele construiu segue em circulação: nas ideias, nas obras, na coragem de não ceder ao óbvio nem ao conforto. Optar pela arte foi, para ele, um ato político e ético, uma maneira de permanecer inteiro em um mundo que insiste em fragmentar.
O homem parte, mas o sentido permanece. E enquanto houver memória, criação e resistência, ele continuará presente.
"Luiz Carlos Cichetto, o Barata, foi um amigo querido, admirado e fundamental na trajetória do autor e da Patrulha do Espaço. Embora conhecesse a banda desde os anos 1970, a amizade verdadeira se consolidou no início dos anos 2000, quando Barata criou um site profissional para o grupo e passou a acompanhar a banda na estrada, registrando shows e viagens em textos memoráveis — o que lhe rendeu o apelido de “Pero Vaz de Caminha do rock”.
Foram anos de convivência intensa, muitos shows, conversas, criações gráficas e registros históricos da banda. Mesmo após o afastamento físico, o vínculo permaneceu. Sua partida, em 2 de janeiro de 2026, foi inesperada e dolorosa. Ficam a saudade, a gratidão, as lembranças de alegria, humor inteligente e a certeza de que Barata foi um incansável batalhador das artes e uma presença inesquecível." Rolando Castello Jr.

