Joelho de Porco: mudou o rock nacional

Joelho de Porco, a banda que mudou rock nacional...
(Rodolfo Braga*)


A1398
prato do dia: Joelho de Porco no
"Almoço com as estrelas"

No período que eu toquei de junho 1972 a julho de 1973, aconteceram muitos shows, viagens ao sul do pais interior de São Paulo. As coisas aconteciam muito rápido naquela época. Existe muita desinformação a respeito do Joelho de Porco, culpa do desconhecimento e do próprio Carlos (Tico) Alberto Terpins. (Rodolfo Braga).

Eu comecei a tocar (violão e guitarra) nos anos 60, precisamente em 1964. Nunca havia baixista então eu era obrigado a usar a guitarra como baixo... Tocava em muitos conjuntos de bairros. Minha primeira dupla chamava-se "The Beethovens", que logo tranformou-se em conjunto "Trouble Makers", tive um grupo em 1966 (a primeira vez que toquei com um baixo de verdade), tocamos em um grande show em São Paulo ao lado de luminares da época como: Beatniks, Lunáticos, Deni & Dino & o falecido comediante Renato Corte Real no Show "Noite da Primavera no Circulo Militar". O nome do conjunto onde eu toquei baixo (com uma baixo de verdade) nos meus 16 anos chamáva-se "Os Febris" (conjunto formado pelo meu então professor o multi instrumentista Enio, guitarra, eu no baixo eu no baixo, Daniel Haar-guitarra base & Joaquim Cunha Bueno, tocamos Pobre Menina, me lembro que eu coloquei um óculos caravelle - porque estava na maior a paúra diante do publico, o nome Febris fora dado pelo pai do então guitarrista base Daniel Haar, filho do então fotógrafo da revista "Manchete", Sigmund Haar). Uma curiosidade, o baterista era o Joaquim Cunha Bueno (primo do político Cunha Bueno), que depois virou fotógrafo. O guitarrista solo (me emprestou o baixo modelo copiado de um Mosrite feito pela "Snake") era o Enio (fabuloso músico/professor, guitarrista e baixista que trabalhava nas lojas Isnard demonstrando intrumentos), e que foi meu professor e mentor (1966-68) nos meus primórdios do jazz. 

Foi a primeira vez que toquei com um baixo de verdade e foi um sucessso: no final dei um bocado de autografos (naqueles diários que as meninas da época carregavam).

Tocamos neste grande show em São Paulo ao lado de luminares da época como: Beatniks, Lunáticos, Deni & Dino & comediante Renato Corte Real no Show "Noite da Primavera no Circulo Militar". Foi meu primeiro show profissional ao lado de luminaras da época. Toquei também em 1967 no "Fase 77" (Dez anos a frente).

Curiosidade: (Nada é pro acaso...)
Entre 1965-67, minha mulher atual (Kika) teve um conjunto: (Tony, Kika & Ulla), que é mencionado no livro dos Mutantes "Divina Comédia" - este, trio em 1966, foi acompanhado pelo Arnaldo (Mutantes) ao contrabaixo acústico no auditório da Folha de São Paulo. Curiosamente eu estava presente neste show, e me lembro que ela me chamou muita atenção... So viemos a nos conhecer nuitos anos mais tarde... 

Em 1969 ingressei no conjunto Islander's onde toquei até o final de 1971 (e mais tarde, o tecladista, o cantor e o baterista montariam o Terreno Baldio). Em 1974 formou-se o "Terreno Baldio", e com a saida do baixista João Ascenção (ex-trio Fush) ingressei ficando até o final de 1978, saindo eu e o Mozart (que veio a participar de uma formação do Joelho entre 1978-1979).

Neste período dos anos 70 (começa a história do Joelho). Pra você ter uma idéia da "loucura" da época: toquei em 1972 no U. S Mail (conjunto onde cantava o Percy que anos depois veio a participar do Made in Brazil e Duda Neves baterista), no conjunto Hot Rock (show no Tuca) com Prospero, bateria e vocal; Carlos Bogossian (Bogô ex Beatniks, Sic Sunt Res) guitarra, Thomas Gruetzmacher (meu colega do colégio Porto Seguro), vocal (falando em inglês palavrões que ninguem entendia...será?) e eu Rodolfo Braga (baixo).Tocávamos as raízes do Rock. Bogô (veterano do Hits, Beatnicks) com sua Gretch vermelha de camisa xadrez (vermelha) e sapatos brancos. Eu com um baixo Fender (emprestado do Gerson Tatini, primeiro guitarrista do Joelho). Também participaram deste show o Mona (Pedro Infantozzi, Albino Infantozzi & Fabio Gasparini & Conrado Assis (que meses depois ainda no mesmo ano viria a formar comigo o Joelho) & O grupo de Rock (domingueiras do Clube Pinheiros, Banespa & Circulo Militar). O Hot Rock chegou a ofuscar as outras duas bandas tal a energia da apresentação (sendo comentado em jornais da época, Revista Rolling Stone etc). Esta mesma enrgia que não parava de crescer até a formação do Joelho. Bogô foi para a Europa (quando voltou já haviamos montado o Joelho).

Próspero me procurou me dizendo que ia me apresentar um rapaz que escrevia umas letras engraçadas. E que o nome da banda seria Joelho de Porco (LEMBRO BEM QUE EU ADOREI O NOME NA HORA...) Eu desde o início queria o Waltão que conhecia de longa data, mas ele estava em excursão no nordeste com a dupla Don & Ravel, foi cogitado então o Mozart que chegou a fazer um ensaio comigo e o Prospero na casa do Bogô, não aceitou porque na época estava com o trio Fush acompanhando Charles & Ralf (que cantavam musicas do Jackson Five) e que viriam acontecer anos depois como Cristian & Ralf fazendo musica sertaneja. 

Conhecia o Próspero de conversar com ele nos Bailes do Circulo Militar em 1970 (onde conjuntos de "filhinho de papai" tocavam com equipamentos importados que só se conhecia dos conjuntos ingleses ou norte americanos).

Entre observações, críticas à parte, eu dizia que queria montar um grupo como o Cream (Clapton, Bruce e Baker), Prospero (que adorava Beatles, Hollies) conhecia Tico (que escrevia umas letras engraçadas), eu por minha vez conhecia o Walter Baillot ("Provos"? & Século XX") desde 1966 (conheci o Walter tocando em boliches e bailinhos imagina!!) eu sabia do potencial do cara (nem uma guitarra decente ele tinha) eu o convidei para tocar conosco. Dada a impossibilidade do Walter chamei então Mozart Martins de Mello (hoje pai de meus sobrinhos), que chegou a ensaiar (na época ele tocava no Trio "Fush", de onde saiu o baterista (Juba) que veio à tocar na banda Blitz), mas ele preferiu acompanhar a então dupla de goianos "Charles & Ralf. Mozart Martins de Mello chegou a tocar no Joelho em 1978 (tocando em alguns shows ao lado de Billy Bond). Nesta época eu já havia começado minha carreira de músico da noite.

O primeiro guitarrista do Joelho era baixista...
Gerson Tatini (ex:Nexus/Eyes), então guitarrista de domingueiras do Círculo Militar e amigo do Próspero, pensava em passar a tocar baixo ao invés da guitarra. Me lembro que ele disse: você toca guitarra e eu o baixo, o que eu respondi não! desculpe mais eu assumi o baixo. Prospero me apoiou na decisão e disse que ele tinha que se decidir; ou ele tocava guitarra no Joelho ou continuava nos bailinhos do Circulo no conjunto Nexus/Eyes (Na época eu também estava tocando no US Mail). E optei pela criação e escolhi ficar no Joelho. 

Ensaiamos (noite e dia) durante meses (agosto de 72 a novembro 72), tocamos num show com Tony Osanah, acompanhado pelo trio vocal "Arco Íris" dos irmãos do (e o próprio) Fábio Jr (meu colega de classe Na Fap-Art).. Estavam presentes Mutantes, Rita Lee, Alpha Centuri e toda a turma do Rock e artistas da época no auditório da Rádio Eldorado de São Paulo.

Tocamos na Concha Acústica da Aclimação ao lado de Tim Maia, Cinthia & KapTa e Memphis. Ainda no mesmo ano, tocamos no TBC (série de shows comandados por Cacho Valdez (ex-guitarrista dos Beat Boys), em novembro de 72. Num desses shows, conhecemos Cláudio Coimbra, de Cambé/Paraná, que nos convidou a tocar no "Primeira Colher de Chá", festival de Rock ao ar livre. Na época, fomos eu e Tony Osanah no seu fusca azul - lembro que dirigi noite adentro, chegando ao amanhecer. Na volta a São paulo Tony não aguentou dirigir e paramos num posto de gasolina e tiramos uma soneca e depois seguimos viagem.

Em janeiro de 1973, no Paraná, estivemos na tevê local, rádio e jornais divulgando o show e, tocamos ao lado dos Mutantes, Tony Osanah trio, Vultos de Astorga e A Chave de Curitiba; este show foi assistido por (estima-se) 6.000 pessoas ou mais; existe um filme em super 8 em poder do Próspero dessa apresentação e ensaios.... Foi tanto o sucesso que fomos convidados para tocar em julho de 73 no Ginásio "Moringão" em Curitiba, onde tocamos ao lado de Tony Osanah (ex-cantor dos Beat Boys, os mesmos que acompanharam Caetano Veloso em Alegria, Alegria) e Kapta (grupo de Rock Fusion da zona leste). Este show foi um happening, com todos os músicos tocando Sunshine of your Love até desligarem a luz, o que valeu um chute de Waltão (que estava pra lá de Bagdá, e quem não estava...) em um dos refletores do palco. Apesar disso, este show não obteve a lotação esperada (esperavam-se umas 10.000 pessoas), pois era época de férias, e a maioria dos jovens da época estava de férias fora da cidade. Estima-se que foram de 2 000 a 3 000 pessoas...

(...)
O Arnaldo Baptista (tecladista dos Mutantes) na época "produtor", na realidade mais um amigo dando força, tocou sintetizador no compacto simples, selo Sinter/Phonogram na música Fly América (autoria Terpins / Luiz Chaves). Agora quem gravou todo o LP "São Paulo 1554 - Hoje" foi o músico cego Sergio Sá, fantástico tecladista profissional. Não sei de onde veio esta idéia que o Arnaldo participou!!! 

O lançamento do compacto Se você vai de xaxado, eu vou de rock'n'roll / Fly América foi no programa "Almoço com as Estrelas" na TV Tupy, canal 4, comandado pelo casal Ayrton & Lolita Rodriguez. Tocamos numa série de shows no Teatro 13 de Maio, ao lado do Grupo Capote, e também no MASP (Museu de Arte de São Paulo), onde estava no nosso camarim Rita Lee, fã do Joelho. Aconteceram shows em Bragança Paulista (cinema local) e em Santos, no palco da Rádio Clube. Neste show apareceu Lulu Santos, que tocava no grupo Vímana ao lado do Ritchie e do Lobão (posteriormente, cantores e compositores), e que deu uma canja com meu baixo e quase o quebrou (tropeçando no palco, de tão "bêbado" que estava).


Terceira e última parte: brigas internas e minha partida pra New Orleans ... A Volta e Terreno Baldio
1973. Walter Baillot (o gênio angustiado da guitarra misto de Jeff Beck, Eric Clapton & Duane Allman), Próspero Albanese, (espelho meu: Paul ou eu?) & Conrado Assis Ruiz (Lennon & McCartney, Hollies, gosto de música, mas serei médico...), Carlos Alberto (Tico) Terpins (ironia, cinismo, loucura ou genialidade?) e eu Rodolfo Braga, um cara que sempre tocou baixo, mesmo na época que só tinha guitarra e adora os sons graves deste lindo instrumento!

*Rodolfo Braga coloca suas vivas memórias em ordem... Há pouco tempo atrás, ele voltou a tocar contrabaixo no Joelho de Porco


COMENTÁRIO

 

"O texto do Rodolfo está muito bom, rico de memórias maravilhosas. Posso tentar acrescentar alguma coisa, e te mando depois.

Não me lembro do Arnaldo cair do banco, mas lembro que ele demorou um tempão pra tirar aquele som de um sintetizador que mais parecia um painel telefônico, daqueles tipo 'patch bay'. Mas foi um barato! Abração, a gente vai se falando". (Conrado).

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