LSD: HÁ 51 ANOS, UM DISCO DE VINIL ERA LANÇADO COM MÚSICA, RELATOS E ATÉ UMA BAD TRIP

LSD: há 51 anos, um disco de vinil era lançado com música, relatos e até uma bad trip
Viajamos na história do disco lançado pela Capitol Records em 1966

Por Tony Aiexhttp://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2016/07/06/lsd-ha-50-anos-um-disco-de-vinil-era-lancado-com-relatos-sobre-a-droga/

 

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LSD - Capitol Documentary




6 jul. / 2016 - O ano era 1966 e o mundo passava por uma série de turbulências políticas e sociais que provocaram reações das mais diversas, principalmente nos jovens da época e na arte, com influência clara e direta na música.

Uma das saídas encontradas por pessoas que estavam de saco cheio do que acontecia ao seu redor eram as drogas, e uma delas se popularizou bastante no período, o LSD.

Conhecida por efeitos psicodélicos, a droga só se tornou ilegal nos Estados Unidos em 1968 e até lá o seu uso influenciou uma série de bandas, todo um período na história e até mesmo um subgênero do rock conhecido pelo resultado que veio a partir do seu uso.

Há 50 anos, em 1966, a Capitol Records lançou um disco chamado LSD e nele aparecem alguns trechos instrumentais acompanhados de entrevistas e relatos de experiências de usuários da droga gravadas “ao vivo”.

No Lado A, batizado de “The Scene”, o narrador Lawrence Schiller apresenta conversas com usuários, médicos, artistas e pessoas que se relacionavam com a droga das mais diversas formas. As opiniões divergem e dão um panorama interessante de ângulos diferentes sobre o assunto.

Já no Lado B, chamado de “The Trip”, usuários de LSD são gravados enquanto utilizam a droga e, se no começo é possível ouvir uma viagem “normal” de quem acabou de tomar ácido, a sequência mostra uma bad trip provocada pelo uso.

 

A música de1966 – Arthur Lee & Love continuando a revolução
Publicado por José Teles - http://jc.ne10.uol.com.br/blogs/toques/2016/08/18/15710/

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Arthur Lee (penúltimo à direita), e o Love, em 1966.

No livro 1966 – The Year The Decade Explodes (2016), o jornalista, crítico de musica e escritor Jon Savage lembra que, no segundo semestre de 1966, vários acontecimentos correlatos levavam a crer que, ao cabo de três anos, a revolução mundial pop deflagrada pelos Beatles expirava. “O boom do movimento britânico chegara ao fim. Os Beatles começaram o ciclo no início de 1963 e, em setembro de 1966, eles o encerraram”. Acrescenta à frente o comentário de John Lennon: “Canções feito 'Eight Days A Week' e 'She Loves You' soam muito chatas pra mim. Desligo o rádio quando começam a tocar” (em entrevista a Ray Coleman, editor do Melody Maker). Os Beatles, assim como Bob Dylan, afastaram-se dos palcos naquele ano. Dylan voltaria, os Beatles nunca mais.

As bandas inglesas fragmentavam-se. Brian Jones sumiu das badalações, o Manfred Mann ficava sem um dos seus músicos, Paul Jones, o baixista Eric Haydock deixou os Hollies, Eric Burdon reformou os Animals, rebatizados de New Animals, George Fame acabou com a Blue Flames (grupo de grande sucesso na época), e o Yardbirds saia de rota. Jeff Beck foi expulso do grupo, em outubro de 1966, e o fundador do grupo Paul Samwell- Smith caiu fora por conta própria.

O sentimento dos músicos que levaram o rock à idade adulta, aponta Jon Savage, foi de decepção. As paradas voltaram a ser ocupadas por êmulos de psicodelia, por cópias de canções no estilo do Who, Beatles ou Dylan. Foram anos tão intensos, que deixaram esgotados tanto artistas quanto público. O mundo girara em excesso de velocidade. Os Beatles sentiram isto em sua derradeira turnê. Se na primeira, queixavam-se das jujubas que os fãs atiravam da plateia, em 1966, temiam ser baleados por um maníaco, ou linchados pela Klu Klux Klan.

Assemelhava-se ao que aconteceu com o rock antes e depois que Elvis Presley foi servir às forças armadas americanas na Alemanha ocupada, no final dos anos 50. No vácuo deixado por ele, surgiram ídolos fabricados e bem comportados como Frankie Avalon ou Bobby Vinton. Felizmente as previsões da imprensa londrina não se confirmaram. O rock não se prestava mais a amarras.

7 MAIS 7

“Começou como uma tempestade súbita e violenta: uma estrondosa guitarra reverberando, guiada por um baixo pesado sobre outra guitarra reverberando no treble, barulho de pratos e bateria em ritmo de galope, em 1966, foi a coisa mais rápida que alguém já ouvira”, o citado Savage descrevendo o início de "7 And 7 Is", hit da banda californiana Love. A canção, de Arthur Lee, é autobiográfica. Ele disseca sua vida como se estivesse num divã de psicanalista. A canção vai além de um rock nervoso, frenético. Súbito, uma explosão, e logo em seguida o fecho. A coda é um suave solo de guitarra. “E assim o mundo acabará, não com uma explosão, mas com um murmúrio”, os versos de The Hollow Man, de T.S Eliot, parafraseados.

O mundo, em 1966, acabaria com ambos, alertava Arthur Lee. Ele e a Love arvoravam-se a criar a trilha sonora do (ou falta de), juízo final. Para isto se valiam até do bem comportado Burt Bacharach, de quem fizeram uma versão de "My Little Red Book", adaptada ao estilo da banda, uma das primeiras com formação miscigenada, o que tornava ainda mais difícil catalogar ou rotular a Love. O álbum de estréia, "My Little Red Book", lançado pela Elektra, em 1966, aglutina as mais diversas tendências; folk rock, psicodelia, pop, mais tarde o grupo foi citado como protopunk (o que não agradou a Arthur Lee). Com letras sobre a ameaça nuclear, drogas, política.

AUTONOMIA SONORA

A expressão literária zeitgeist cai como uma luva em boa parte das bandas surgidas em 1966. O Love foi talvez a mais expressiva, num cenário que abrigava The Seeds, The Fugs, bandas de garagem como a Count Five (uma obsessão do crítico Lester Bangs), ou até mesmo a Velvet Underground. Elas não rezavam mais pela cartilha dos Beatles, passaram de ano, estavam em outra classe. Iconoclastia e anarquismo pop, o que a Love levava para o palco, onde Arthur Lee se realizava.

Ele e o guitarrista Johnny Echols formavam o núcleo da banda, que tinha ainda o baterista Alban “Snoopy” Pfisterer (que andou de bobeira pelo Recife no início dos anos 2000), e o baixista Ken Forssi. No segundo álbum, entrariam o flautista Tjay Cantrelli e o baterista Michael Stuart , com Snoopy passando a tocar harpsichord. As bandas inglesas expandiam os limites da música pop, mas ainda se pautando por regras do show bizz. Não era o caso do Love, que não fazia apenas encenações de bad guy para a imprensa (se bem que Brian Jones era um bad guy de verdade).

O Love morava numa mansão em estilo hispânico, a chamavam de castelo, abertas a todos. Nas entrevistas estavam normalmente chapados, e respondiam com frases curtas. No palco, o mulato Arthur Lee poderia aparecer com os trajes mais absurdos. Pretendiam que a banda fizesse a crônica de sua época não só com a música, mas igualmente com atitudes.

"7 And 7 Is" está no segundo álbum, Da Capo, que o grupo lançou também em 1966. Este com o disco seguinte, Forever Changes (1967), são os pontos da Love, que mudaria, assim como mudou a música em 1966. Uma das mudanças fundamentais foi o fim da obrigatoriedade do compacto, regra a que até os Beatles se submetiam. Depois surgiram dezenas de bandas misturando o pop, guitarras estouradas, numa urgência comparável aos punk de dez anos mais tarde.

DO TEXAS AO RIO

A influência da Love disseminou-se, embora a banda tenha se tornado mais bem sucedida na Inglaterra. Grupos como The Standells, ? And The Misterians, Tommy James and the Shondells, o citado Count Five, compensavam o pouco refinamento com muita energia. Todos foram de combustão rápida e instantânea. Deixaram, quando muito, um hit clássico. Dirty Water (The Standells), 96 Tears (? Mark and the Misterians), e Hanky Pank (Tommy James and the Shondells), e Psychotic Reaction (Count Five). Poderiam ser incluídas outras bandas que se destacaram feitos estes, The Shadows of the Knight, 13th Floor Elevators,

Influências que ecoavam bem longe da California, contaminando adolescentes como os texanos que formaram The Gants, hoje lembrada apenas de coletâneas tipo Nuggets (no caso deles uma série chamada Pebbles). Um alcance bastante amplo, em verdade, chegando até o Brasil. Renato e seus Blue Caps, além das guitarras estourando no treble, Johnny a de Johnny Echols, da Love, em 1966, emplacou um de seus maiores sucesso com "Meu Bem Não Me Quer", versão "My Baby Don’t Care", lado B de um compacto dos Gants.

A Love desintegrou-se em 1967, mas Arhur Lee continuou carregando o nome até o fim da vida (morreu em 2006, aos 61 anos). Nos anos 70, restava pouco da magia dos três primeiros álbuns e dos happenings no palco, que lotavam os teatros em L.A ou em Londres. O mito da Love, no entanto perdurou. Foi reforçado pelo álbum False Start (1970), que teve a participação de Jimi Hendrix, em quase todas as faixas (ele e Arthur Love tocaram juntos no início dos anos 60).

Não por acaso, foi Arthur Lee quem recomendou uma banda emergente de L.A chamada The Doors a Jac Holzman, presidente da Elektra. O álbum de estréia dos Doors, embora lançado em janeiro de 1967, foi gravado em agosto do ano anterior, tem tudo a ver com a expressão o espírito do seu tempo (o tal zeitgeist), que, nos EUA, teve um dos principais epicentros na ensolarada California, e merece um capítulo próprio nesta série.

 

 

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