OBITUÁRIO: JOEY RAMONE, O PAI DO PUNK (2001)

75 ramones    The Ramones in front of CBGB's 1975 / Foto: Bob Gruen

   Obituário
  O pai do punk rock
   (Bernardo Scartezini - Da equipe do Correio*)

 

 

 

 

 high school

   Aos 49 anos, morre de câncer em Nova York o vocalista Joey Ramone, que encarnou como ninguém o espírito adolescente de uma banda barulhenta. Era líder do grupo de rock Ramones, que esteve no Brasil em 1996

   Brasília, terça-feira, 17 de abril de 2001 - Jeffrey Hyman virou Joey Ramone (19 mai. / 1951 - 15 abr. / 2001) na primavera de 1974, quando montou uma banda com mais três desocupados, no Queens, cidade de Nova York. Os Ramones. Nome emprestado, diz a lenda, da assinatura que o beatle Paul McCartney adotava ao se registrar em hotéis. Faz sentido. Os Ramones eram os falsos Beatles. Uns Beatles que mal sabiam tocar seus instrumentos, mas que nem se importavam com isso. Simples assim, os quatro moleques suburbanos salvaram o rock’n’roll.

   Poucas coisas poderiam ser mais chatas que o estado do rock naquele 1974. Os grupos ditos ‘‘progressivos’’ revestiam de arte o que seria entretenimento juvenil. A barreira entre músico e fã parecia erguida em conservatórios. As canções ocupavam lados inteiros dos LPs de vinil, abandonando o formato clássico do single pop de três minutos, de Elvis aos Beatles.

   Os Ramones demoliram tudo isso. ‘‘Um, dois, três, quatro’’.... e pau. Três acordes, duas estrofes, dois minutos de barulho. A volta ao básico. No caminho, influenciaram milhares de bandas. Dos Sex Pistols à Legião Urbana. No caminho, o rock reencontrou a juventude. O ‘‘espírito adolescente’’ do qual falava Kurt Cobain.

Mas Joey Ramone está morto. Aquele sujeito altão-magricela-desengonçado, de casaco de couro, jeans rasgados e permanentes óculos escuros, tombou aos 49 anos. Embora parecesse ter 14 anos há quase três décadas, Jeffrey Hyman morreu domingo, de linfoma (câncer na linfa). A doença havia se tornado pública há três semanas, quando o músico foi hospitalizado. A morte foi anunciada em Nova York, na noite de domingo, por Arturo Vega, empresário do cantor-e-letrista desde os tempos de Ramones (1974-1997).

No primeiro ensaio dos Ramones, em 30 de março de 1974, Joey ainda era o baterista, entre o baixista Dee Dee (Douglas Colvin) e o guitarrista Johnny (John Cummings). Quando o húngaro Tommy Erdelyi (mais tarde, Tommy Ramone) apareceu por ali, acabou assumindo as baquetas, deixando Joey livre para cantar. O resto estava por ali também: os Rolling Stones do começo, rockabilly, surf music, os antepassados nova-iorquinos (New York Dolls e Velvet Underground), o rock de Detroit (Stooges e MC5), niilismo juvenil.

foto 24

Os Ramones no set de Rock 'n' Roll High School, 1978

Pioneiros punk

Os Ramones acharam uma biboca no Village que os deixasse tocar. Era o CBGB, abreviação de country, bluegrass e blues, gêneros que os proprietários queriam privilegiar. O bar acabou sendo tomado pelo rock. Os Ramones abrindo caminho para Television, Richard Hell, Patti Smith, Blondie... Os pioneiros do movimento punk. (Punk, do inglês arcaico, de ‘‘vagabundo’’.)

76 Ramones

4 jul. / 1976

Em 1976, os Ramones fizeram série de shows na Inglaterra. Na platEia, integrantes de bandas punks inglesas da primeira geração, como Sex Pistols, The Clash e Damned. No mesmo ano, o reacionarismo britânico (pense na família real) emprestaria motivação política para a estética punk.

Mas a base do punk morava mesmo lá em Nova York, com os Ramones. No mesmo ano de 1976, eles precisaram de dois dias em estúdio e 6 mil dólares para gravar o primeiro disco, LP homônimo que sairia pela Warner. Em 1977, o clássico Rocket to Russia — com Sheena is a Punk Rocker, Rockaway Beach e mais 12 de primeira, inclusive I Don’t Care, que Renato Russo chupou em Que País é Este.

‘‘Os Ramones são os pais do punk em todo o mundo’’, resumiu o próprio Joe Strummer, ex-The Clash, falando à revista americana Spin. O quarteto brasiliense Raimundos, que começou tirando covers dos nova-iorquinos, abre uma bandeira dos Ramones ao final do show. ‘‘É para a molecada aprender as coisas boas’’, costuma justificar o vocalista Rodolfo Abrantes.

O último trabalho de estúdio dos Ramones recebeu o título Adios Amigos. Era 1995. A despedida anunciada. Seguiram-se dois anos de shows ao redor do mundo, inclusive no Brasil, em março de 1996.

Desde a aposentadoria, os Ramones tentam se encontrar. Se o baterista Tommy virou respeitado produtor de discos, seu substituto no grupo, Marky, se dedica a shows passadistas como Marky Ramone & the Intruders. Dee Dee e Johnny montaram a banda de auto-covers The Ramainz.

Joey Ramone volta e meia se apresentava no Village, cantando à frente de alguma formação de blues. Em seu apartamento, no bairro boêmio de Nova York, guardava algumas fitas com blueseiras e sobras dos Ramones. Se tinha algum projeto solo mais encaminhado, cuidou para que não vazasse. E certamente Mr. Joey Ramone abençoará qualquer garagem onde moleques espinhentos tentem fazer rock, contando ‘‘um, dois, três’’ e errando e errando e errando...

 

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