2001-02: ADVOGADA CONTESTA CERTIDÃO DE ÓBITO DE GEORGE HARRISON

George Harrison morreu numa casa que já foi alugada por McCartney
da Reuters, em Los Angeles - Folha de S. Paulo

13 fev. / 2002 - O mistério criado em torno do lugar onde o ex-Beatle George Harrison passou os últimos dias de sua vida foi esclarecido na terça-feira, quando autoridades de Los Angeles disseram que ele morreu numa casa em Hollywood Hills que tinha sido alugada por Paul McCartney, ex-companheiro de banda.

A morte de Harrison, em 29 de novembro do ano passado, foi cercada de controvérsias desde que um porta-voz de sua família induziu autoridades ao erro quanto ao local exato da morte. O objetivo era impedir uma invasão de fãs à procura de recordações do artista.

Nascido em Liverpool, Inglaterra, Harrison morreu aos 58 anos, de câncer no pulmão, quando estava nos Estados Unidos, onde tinha ido se tratar em Nova York e Los Angeles.

Descobriu-se que sua certidão de óbito estava incorreta porque o local de sua morte era dado como um endereço inexistente em Los Angeles.

Surgiram, então, boatos de que ele havia passado os últimos dias de sua vida numa casa em Beverly Hills que pertenceria a Paul McCartney.

Através de seus representantes, McCartney desmentiu a informação, qualificando-a como "ficção total" e insistindo que não possui nenhuma casa na Califórnia.
Um advogado conhecido de Los Angeles pediu a abertura de um inquérito público sobre o assunto, observando que falsificar certificados de óbito é crime e queixando-se de que Harrison teria recebido tratamento especial pelo fato de ser uma celebridade.

Na terça-feira, o promotor público Steve Cooley, do condado de Los Angeles, disse que Gavin de Becker, um consultor de segurança que trabalhava para Harrison, divulgou um novo endereço como sendo o local onde Harrison teria morrido: uma casa em estilo francês, avaliada em US$ 4 milhões, que já pertenceu à roqueira e atriz Courtney Love, viúva do vocalista do Nirvana, Kurt Cobain.

Segundo documentos oficiais de Los Angeles, o dono atual da casa seria Mike Walley, que a comprou em março de 2001. McCartney alugava a casa quando ela ainda pertencia a Courtney Love.

Não ficou claro se McCartney ainda alugava a casa no momento da morte de George Harrison, e não foi possível contatar seus representantes imediatamente para outros esclarecimentos.

O promotor Cooley disse que considera o assunto encerrado e não prevê formular nenhuma acusação.

Atestado de óbito do ex-beatle George Harrison foi retificado
Da France Presse, em Los Angeles - Folha de S. Paulo

12 fev. / 2002 - O mistério que durante meses cerca o local onde em novembro passado morreu o ex-beatle George Harrison chegou a seu fim com a retificação de seu atentado de óbito, anunciou hoje a promotoria de Los Angeles.

Uma emenda apresentada pela empresa de segurança de Gavin De Becker, o amigo de Harrison que se encarregou de anunciar a morte do músico revelando o mínimo possível, afirma que o ex-beatle morreu no número 9.500 de Heather Road, em Los Angeles, informou o promotor do distrito Steve Cooley.

De Becker afirmou num primeiro momento que Harrison tinha morrido em sua casa, mas no atestado de óbito apresentado posteriormente figurava um endereço inexistente na luxuosa Beverly Hills.

Uma investigação então mostrou que um sócio da empresa de De Becker deu uma infomação incorreta, segundo a promotoria, esclarecendo que a falsificação voluntária de um endereço num atestado de óbito seria um delito grave.

Harrison morreu onde fazia tratamento contra o câncer no centro Médico da Universidade da California em Los Angeles (UCLA), no dia 29 de novembro passado, aos 58 anos. Seu corpo foi cremado e suas cinzas lançadas no rio Gãnges, na Índia, segundo a tradição hinduísta.

"Estou contente que o problema tenha sido resolvido e que estes arquivos reflitam agora a realidade", disse Cooley.

Uma controvertida advogada de Los Angeles, Gloria Allred apresentou no começo de dezembro uma queixa oficial sobre a suposta falsificação do atestado de óbito de Harrison, necessária para a abertura de um inquérito.

"Os famosos e seus amigos não estão acima da lei, inclusive têm boas intenções para proteger a identidade das pessoas amadas", justificou Allred.

Com a retificação o assunto está encerrado e não cabe uma ação posterior, segundo a promotoria.

McCartney nega que George Harrison tenha morrido em sua casa
da Reuters, em Los Angeles - Folha de S. Paulo

21 dez. / 2001 - O mistério em torno do local da morte do ex-Beatle George Harrison continua. Um porta-voz de Paul McCartney desmentiu ontem a reportagem feita pela rede de TV UPN, segundo a qual Harrison teria morrido numa casa que pertenceria a McCartney.

A sucursal da rede UPN, a UPN News 13, de Los Angeles, divulgou, na última terça-feira, que Harrison teria morrido no dia 29 de novembro numa casa isolada, em Beverly Hills, adquirida por McCartney há seis meses. A casa teria pertencido anteriormente Courtney Love.

A emissora disse que McCartney visitou Harrison duas semanas antes de sua morte e lhe disse que ele poderia emprestar a casa, situada perto do Centro Médico da Universidade da Califórnia, onde Harrison fez tratamento contra o câncer em suas últimas semanas de vida.

O porta-voz de McCartney, Paul Freundlich, disse ontem que a notícia é "totalmente fictícia" e acrescentou: "A verdade é que Paul McCartney não possui casa alguma no Estado da Califórnia, muito menos em Beverly Hills".

Freundlich disse ainda que McCartney alugou uma casa na Califórnia por pouco tempo, alguns meses atrás, enquanto gravava seu novo álbum, "Driving Rain", mas que não ofereceu qualquer casa própria ou alugada para ser usada por Harrison em seus últimos dias de vida.

Logo após a morte de Harrison, a imprensa divulgou a versão de que ele teria morrido na casa do amigo Gavin de Becker, o consultor de segurança que fez o anúncio de sua morte. Mas a certidão de óbito oficial indica como local da morte um endereço que, segundo os correios, não existe.


ADVOGADA CONTESTA CERTIDÃO DE ÓBITO DE GEORGE HARRISON
da Reuters, em Los Angeles


14 dez. / 2001 - Uma advogada de Los Angeles apresentou uma queixa oficial relacionada à certidão de óbito do ex-Beatle George Harrison, alegando que o local que consta no documento como o lugar onde o guitarrista morreu está errado.

Gloria Alfred explicou que a queixa foi apresentada à polícia de Los Angeles na sexta-feira, depois que a imprensa falou em uma suposta jogada para evitar que o lugar onde morreu o músico, em 29 de novembro, se converta em atração turística.

"Não se pode deixar isso passar", disse Alfred a repórteres, acrescentando que está em jogo a "integridade dos documentos públicos".

"As celebridades e/ou seus fãs não estão acima da lei, ainda que se tenha boa intenção e queira proteger a privacidade dos entes queridos", afirmou a advogada.
Harrison morreu em Los Angeles na casa de seu amigo Gavin de Becker, segundo informações passadas à imprensa. A certidão de óbito, no entanto, diz um local diferente que aparentemente não existe, de acordo com autoridades.

Um porta-voz da polícia de Los Angeles afirmou na quarta-feira que não houve acusações no caso, lembrando que essa prática é usada por pessoas famosas.

Mistério cerca últimas homenagens a George Harrison
da Reuters, na Índia

4 dez. / 2001 - O mistério está cercando as últimas homenagens ao ex-Beatle George Harrison. Hoje os representantes do movimento religioso Hare Krishna forneceram informações escassas sobre o lançamento das cinzas do músico no rio Ganges, na Índia.
Harrison, devoto do movimento, era intimamente ligado à cidade hindu de Varanasi, onde deveria acontecer o lançamento de suas cinzas, num ritual que simboliza o percurso de sua alma em direção à consciência eterna.
Harrison morreu na última quinta-feira, aos 58 anos, em Los Angeles, vítima de um câncer. Ele foi cremado horas após sua morte, mantendo a tradição da fé que havia adotado.
Em Nova Déli, seguidores do Hare Krishna cantaram preces para a alma de Harrison, mas ninguém forneceu detalhes sobre a cerimônia de lançamento das cinzas no rio.
As autoridades do Estado de Uttar Pradesh, no norte da Índia, afirmaram que pode ser que o ritual já tenha acontecido.
"Até agora não recebemos nenhuma informação em relação às cinzas de Harrison", disse o secretário de Interior do Estado, Naresh Dayal. "Tudo o que posso presumir é que talvez eles tenham desejado que a cerimônia fosse um assunto particular, então eles já podem ter vindo e ido embora, sem informar ninguém", disse.
Em Varanasi, um representante do movimento Hare Krishna que antes havia dito que a cerimônia deveria acontecer durante o amanhecer mudou o discurso. "Parece que fui mal informado por alguém de Déli", declarou.

Cinzas de George Harrison serão lançadas no rio Ganges, na Índia
da Reuters, na Índia

3 dez. / 2001 - A família de George Harrison planeja jogar as cinzas do ex-guitarrista dos Beatles, morto na última quinta-feira, no rio Ganges, depois de uma cerimônia particular. A afirmação foi feita hoje por um porta-voz do movimento Hare Krishna.
Segundo o porta-voz, a viúva de Harrison, Olívia, e seu filho Dhani, querem que a visita à Índia e a cerimônia na cidade sagrada de Varanasi seja "bem privada". "Eles não querem se expor".
Ele afirmou que integrantes do movimento Hare Krishna em todo o mundo estavam orando "pela alma" do músico, que se tornou um seguidor Hare Krishna e acreditava na reencarnação.
De acordo com os princípios Hare Krishna (movimento religioso fundado nos Estados Unidos, em 1966, pelo indiano A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada), a submersão das cinzas simboliza o percurso que a alma faz em direção à consciência eterna.
O guitarrista, que morreu na semana passada em Los Angeles, aos 58 anos, foi cremado em um caixão de papelão.
Segundo o porta-voz, algumas das cinzas de Harrison também seriam submersas em dois outros locais sagrados, em Allahabad e Brindavan, no Estado de Uttar Pradesh, no norte da Índia.
Os jornais britânicos informaram que a família de Harrison planejava viajar em um avião particular, partindo de Los Angeles, onde o músico morreu, após uma longa batalha contra o câncer.
Jornais britânicos disseram no sábado que Harrison passou seus últimos momentos cantando "Hare Krishna" e disse a sua família e amigos que Krishna o ajudou a "ver Deus".


Cinzas de George Harrison serão 'lançadas em rio'
BBCBrasil.com

Harrison teria pedido que as cinzas fossem para a Índia

2 dez. / 2001 - A família do ex-Beatle, George Harrison, estaria organizando o lançamento de suas cinzas em um rio na Índia, como ele teria pedido.
O cantor foi cremado em um caixão de papelão poucas horas depois de ter morrido - sem cerimônias especiais - de acordo com as crenças orientais que ele seguia.
Há indicações de que Harrison teria gravado um último disco, às escondidas, com o título provisório de "Portrait of a Leg End", chegando a gravar 25 faixas antes de morrer.
Ele também teria reatado com sua irmã, de 70 anos de idade, poucos dias antes de morrer - provavelmente a pedido de sua mulher, Olivia.

Funeral simples

Uma agência funerária visitou a casa do amigo Gavin de Becker, em Los Angeles, cerca de 20 minutos depois de George Harrison morrer.
O corpo foi levado para o crematório depois da família dar as mãos, em torno da cama onde ele morreu, para uma prece simples.
Sua mulher, Olivia, e seu filho, Dhani, receberam as cinzas depois da cerimônia.
Um membro da Sociedade Internacional da Consciência Krishna disse que as cinzas poderiam ser lançadas no rio Yamuna, na Índia, que passa pelo retiro espiritual que Harrison utilizava.
Segundo ele, Harrison podia passar vários dias lá, "onde ele podia rezar em paz, já que ninguém sabia quem era ele".

Novo álbum

O título do último álbum de George Harrison brinca com seu status e com o fato dele ter trabalhado com os humoristas britânicos do Monty Python, chegando a produzir um dos filmes do grupo.
Segundo o médico Gil Lederman - do hospital da Staten Island University, em Nova York, e o último a tratar do câncer do cantor - uma das músicas se chama "Brainwashed" e fala do povo e do governo.
O baterista Jim Keltner, que gravou algumas das faixas, disse ao jornal britânico Sunday Times que "algumas das canções são muito emocionantes, falando de sua vida nos últimos anos".
Também segundo o músico citado pelo jornal, o CD está praticamente pronto.

Desavença

Nos Estados Unidos, o jornal Daily News, de Nova York, disse que Harrison reatou seu relacionamento com a irmã, Louise, poucos dias antes de morrer.
Eles brigaram quando ela abriu uma pousada no estado de Illinois chamada Hard Day’s Nite - uma referência à famosa "Hard Day’s Night", dos Beatles, que teria irritado Harrison.
Ela teria ido visitá-lo em Nova York depois de quatro anos sem se verem.
Segundo uma fonte próxima da família, George Harrison "sabia muito bem o que queria e o que não queria. Ele não queria ver a irmã".
"Mas finalmente, provavelmente encorajado por Olivia, eles se reuniram por meia hora. Eles reconciliaram as desavenças", disse a fonte.

George Harrison deixa fortuna de US$ 192 milhões
da France Presse, em Londres
1º dez. / 2001 - O ex-Beatle George Harrison, que morreu de câncer anteontem em Los Angeles aos 58 anos, deixa uma fortuna estimada em US$ 192 milhões, de acordo com os jornais "The Times" e "The Mirror".

Segundo o "The Mirror", a herança ficará para a segunda esposa do músico, Olivia, e para seu filho Dhani.

Harrison possuía uma mansão no estilo gótico em Henley-on-Thames (sul da Inglaterra), e uma propriedade rodeada de palmeiras no Havaí.


George Harrison era o mais tranquilo e precoce do grupo
BIA ABRAMO - free-lance para a Folha de S. Paulo

George Harrison viveu tudo muito precocemente. Era um garoto de 14 anos quando conheceu Paul e passou a tocar com ele e John no The Quarry Men.

A lendária temporada dos já Beatles em Hamburgo entre 1960 e 61 foi interrompida porque George era menor de idade (17 anos) e foi devolvido à Inglaterra. Aos 22, descobriu o hinduísmo. Quando os Beatles acabaram, tinha só 27 anos, idade em que hoje muito marmanjo ainda pensa em começar a formar uma banda de rock.

Ele era o mais novo, mais bonito e (talvez) o mais talentoso instrumentista dos Beatles. "Espremido" pelo talento e pela liderança de John e Paul, George demorou a se atrever a compor, mas quando o fez, criou canções de enorme lirismo. Ele e John foram os primeiros beatles a experimentar o LSD, em 1965 (só para confirmar o estereótipo de "mais careta", Paul ainda resistiria ao ácido até 68).

A George e a Ringo coube o lado mais divertido de ser muito jovem, célebre e rico, por conta da pressão menor e do relativo segundo plano de ser um instrumentista, claro, mas, no caso de George, também por conta da personalidade calma e discreta.

Na Antologia, seus depoimentos são os mais tranquilos, como neste trecho sobre 1964, quando conquistaram a América:

"Certamente, nós estávamos causando algum impacto porque todo esse pessoal estava implorando para nos ver. (...) Foi um grande acontecimento publicitário. Tudo fazia parte de ser um beatle, na verdade, ser carregado e levado para lugares cheios de gente da imprensa tirando fotos e fazendo perguntas".

Ou neste comentário de 68, quando a polícia fez uma batida em sua casa no dia do casamento de Paul e Linda e encontrou drogas: "Sou uma pessoa organizada. Guardo meias na gaveta de meias e drogas na caixa de drogas".

Sonho dos Beatles acaba mais uma vez
LÚCIO RIBEIRO
da Folha de S. Paulo
1º dez. / 2001 - Mesmo sabendo que deixaria muita guitarra chorando mundo afora, George Harrison resolveu finalmente fazer o que sempre quis: ir ver, conhecer e estar com seu "Sweet Lord", como cantou (rezou?) em sua mais famosa canção solo.

Com Harrison foi embora também aquele sonho já impossível de ver os Beatles "reunidos" mais uma vez, com os três vivos e o Lennon de computador.

Para quem gosta de rock, é difícil lidar com a segunda morte beatle, mesmo sabendo da grave doença que Harrison já arrastava havia tempo. E que de sua mediana aventura solo não saía nada de novo desde o começo dos 90.

Harrison foi a "retaguarda técnica" do grupo mais famoso de todos os tempos. Dos quatro, era o músico mais habilidoso.

Ainda assim, e contra a sua vontade, ficava à sombra de John e Paul, emplacando, se muito, duas músicas por álbum dos Beatles, na média.

Artífice do psicodelismo da banda, Harrison é o beatle místico, por trazer ao rock inglês do grupo os resultados de sua encanação com a cultura hindu. Sob responsabilidade do guitarrista, cítaras começam a ser ouvidas no Rubber Soul, de 1965. O mesmo ano em que Harrison e Lennon tomaram seu primeiro ácido.

O melhor de George Harrison fora dos Beatles foi produzido dentro dos Beatles. Todo o material do primeiro disco, All Things Must Pass (1970), já estava pronto quando Paul, John, George e Ringo se separaram.

Harrison foi o primeiro dos quatro fabulosos a fazer sucesso solo. O single "My Sweet Lord", de All Things Must Pass, chegou ao primeiro lugar na parada inglesa em 1971.

O ex-beatle cantava na música: "Eu realmente quero vê-lo, Senhor". Demorou 30 anos, mas Harrison conseguiu.


Mercado faturou como nunca com os Beatles
MARIO CESAR CARVALHO
da Folha de S. Paulo
Entre 1965 e 1970, no ápice da contracultura, o mercado de discos nos Estados Unidos passou de US$ 862 milhões ao ano para US$ 1,8 bilhão. O salto, de 109% em cinco anos, foi um dos mais espetaculares do século 20.

Para quem acha que os anos 60 só produziram românticos revolucionários, guerrilheiros maoístas, hippies alérgicos a trabalho e sexo livre, eis a surpresa: o mercado transformou tudo em produto e faturou como nunca.

Foram os Beatles que puxaram essa onda de consumo. O melhor exemplo é a parada americana de 31 de janeiro de 1964: os cinco primeiros lugares eram deles, fenômeno que nunca mais se repetiria.

A provocação feita por John Lennon em 1966 ("somos mais populares do que Jesus Cristo") é o melhor sinal da embriaguez e do embasbacamento provocados pela vendagem sem paralelo.

Foram os Beatles, também, que ajudaram a criar um novo tipo de mercado para a música pop: aquele em que a mística da contestação vale tanto quanto o som.

Os Rolling Stones só acrescentaram um viés mais assustador, como a propaganda que faziam dos negros marxistas dos Panteras Negras, porque tinham que cumprir um papel diferente: deveriam parecer mais perversos, mais sexualizados, mais drogados.

Justiça seja feita: foram os próprios Beatles que inauguraram a cena de expor o mal-estar causado pelo comércio do que julgavam ser contestação. A troca do terninho mod por cabelos e barbas desgrenhados é o símbolo mais óbvio desse mal-estar.

O subtexto da mudança visual é mais ou menos óbvio: já que me transformaram em mercadoria, a ofensa suprema para hippies e revolucionários românticos, você vai ter de me engolir do jeito mais insuportável possível. O fim dos Beatles foi o fim desse jogo.

 

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