"A POLÍCIA AMEAÇOU ME PRENDER EM CURITIBA", (ROGER WATERS)

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Roger Waters no palco da turnê "Us + them" Foto: Divulgação

'A polícia ameaçou me prender em Curitiba', diz Roger Waters

Documentário sobre a turnê ‘Us + Them’, que passou pelo Brasil em 2018, será exibido nos cinemas nesta quinta e domingo
Carlos Helí de Almeida, Especial para O GLOBO
  

1 out. / 2019  — RIO - Há vários momentos em Roger Waters: US + Them , registro da recente turnê do músico britânico de 76 anos , em que a câmera passeia pela plateia, revelando muitos rostos jovens. Todos parecem saber de cor o repertório do ex-integrante da banda de rock progressivo Pink Floyd , cujas letras pregam o combate ao conformismo e à alienação.

— É emocionante descobrir que tenho um público jovem, porque a política e a troca de amor são profundamente importantes para todas as vidas, inclusive as deles — diz Waters, cujo documentário ganha sessões hoje e domingo em cinemas do Brasil e do mundo.

Us + Them passou pelo Brasil no ano passado, com direito a show histórico no Maracanã. O filme, porém, é o registro da etapa de Amsterdã, em junho de 2017. Codirigida por ele e pelo cineasta Sean Evans, a produção ganhou projeção especial no Festival de Veneza, mês passado.

— É uma sorte incrível perceber que ainda há pessoas que se identificam com as ideias e os sentimentos expressos nas músicas. De alguma forma, as canções ecoam em suas vidas. Isso me deixa esperançoso — contou ele na ocasião.


Militante na vida e na música, Waters se habituou a levar para seus shows temas como a ascensão do fascismo, a crise humanitária dos refugiados, ocupações na Palestina, além de questões locais dos países por onde passa. O hábito começou a ganhar força a partir de 2007, durante shows na Colômbia. À época, o presidente americano George Bush estava visitava o país sul-americano. Por sugestão do motorista que o acompanhava em Bogotá, Waters incorporou o slogan “o patrão Bush está visitando seu rancho, a Colômbia” no porco inflável que acompanha suas performances desde 1985, quando ele deixou o Pink Floyd.

— O público delirava a cada aparição do porco com a crítica a Bush. Era uma mensagem simples, porém eloquente, até para mim, que não sou colombiano nem falo espanhol. Mas entendia o contexto — explica o baixista, cantor e compositor. — É óbvio que é impossível estar atualizado sobre os problemas de todos os países que visito. Mas faço questão de aprender sobre cada lugar. Observo, faço anotações, e consulto os locais: o que devo colocar no porco?

Protesto em Curitiba
A militância, às vezes, cobra seu preço: durante a passagem pelo Brasil, em outubro do ano passado, no calor da campanha presidencial, Waters encampou o slogan #Elenão, contra o então candidato Jair Bolsonaro , e levou uma sonora vaia de parte do público que lotou seus estádios e desaprovou a posição política. No show de Curitiba, na véspera da eleição, ele diz que ficou preocupado com a possibilidade de ser preso.

— O chefe de polícia local disse que me levaria para a cadeia caso eu fizesse algum tipo de manifestação após as 22h ( horário legal do fim de campanhas políticas ). “É uma promessa”, ele disse. Perguntei: “E antes das 22h?” — ri Waters, que tinha encontrado Mônica Benício, viúva da vereadora Marille Franco, assassinada, junto com seu motorista, em março daquele ano. — Ela me disse que havia regras muito restritas sobre o que poderíamos ou não fazer no palco. Eu me vi em uma situação de perigo.

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Telão com o nome de Jair Bolsonaro "censurado" Foto: Reprodução/Twitter

Ele, então, foi cauteloso:

— O show funciona como uma máquina. Começávamos a apresentação sempre às 20h20 em ponto. Então sabíamos exatamente qual seria a música de dez minutos antes das 22h. Eu disse à banda: vamos parar de tocar alguns minutos antes do horário limite, exibir a mensagem de protesto por um minuto e recomeçar exatamente de onde paramos. Ensaiamos uma vez. No horário combinado, exibimos o “#Elenão” no telão. Voltamos ao show uns 15 segundos antes das 22h. Seguimos a lei.

A turnê “Us + Them” correu dezenas de países por 20 meses, perfazendo um total de 156 shows e 2,3 milhões de espectadores. O documentário mostra Waters e sua banda no palco por duas horas seguidas, à frente de um repertório com clássicos do Pink Floyd, como “Time” e “Another brick in the wall”, e algumas faixas de sua carreira solo, de discos como “Is this the life we really want?” (2017). O músico diz que sua ideia é levar a mensagem de “amor e paz”:

— Precisamos ficar atentos. As mudanças são rápidas, e têm início no momento em que começam a reescrever leis. As pessoas têm que observar o que os homens do legislativo e do judiciário de seu país estão fazendo. Numa hora você está livre, e na seguinte estão atirando em você, com todo o apoio legal.

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