BOB DYLAN EM BRASÍLIA, EM 2012

 

Bob Bau

BOB DYLAN EM BRASÍLIA, GINÁSIO NILSON NELSON

MÚSICAS

BRASÍLIA 60 ANOS

texto: Revisão: Roberto Gicello

Livro: Refrescando a Memória

1. Leopard Skin Pill Box Hat
2. Don't Think Twice
3. Things Have Changed
4. Tangled Up in Blue
5. Beyond Here Lies Nothing
6. Simple Twist of Fate
7. Summer Days
8. Spirit Ok The Water
9. Honest With me

10. A Hard Rain Its Gonna Fall
11. Highway 61
12. Blind Willie Mctell
13. Thunder on The Mountain
14. Ballad of A Thin Man
15. Like A Rolling Stone
16. All Allong The Watchtower

ENCORE
17.
Rainy Day Women


ATÉ HOJE, NÃO ACREDITO REALMENTE QUE VI DYLAN
Kelton Alex

Foi surreal de ser visto

17 abr. / 2012 – Sou fã desde criança, desde 1998, quando minha tia comprou o CD do Bootleg, Vol. 4, e aquilo me atingiu como um soco no estômago. Também primeira música que tentei tocar foi dele: ‘Blowin in the Wind.’

Eu nunca sonhei com o Dylan, mas sempre desejei conhecê-lo, assisti-lo em show (presencial, como diz, depois do digital), sempre desejei ouvi-lo cantar na minha frente, mesmo que não fosse só pra mim.

Eu me lembro perfeitamente do dia - eu fazia pré-vestibular. Na véspera, comemoramos o aniversário do Hélio, um amigo, companheiro de música que se você não o conhece; deveria conhecer. Superfigura. Saí sozinho da festa com meu ingresso de pista para o show que nem eu acreditava que iria.
Na época havia cartazes colados em várias as paradas de ônibus, com aquela foto dele, de bigodinho, a cara que ele mantém há anos (ou na nossa cabeça parece que mantém). Fui sozinho ao Ginásio Nilson Nelson – um dia como outro qualquer, no meio da semana.

Eu tinha furado as orelhas dias antes. Conversei com algumas garotas jovensitas. Mas, eu também era um dos mais jovens: eu tinha 19 anos. Surgiu uma mulher do meu lado igualzinha ao Dylan! O mesmo corte de cabelo e figurino de 1966!

O show começou sem atrasos...

Ele é um cara que não conversa, e isso quase todo mundo já sabe. Suas únicas falas são: ‘Good evening, Good night!’. Um ‘Thank you’ ele repetia eventualmente quando terminava uma música.

O show de quase duas horas duração foi todo acompanhado com banda. Ele abriu os trabalhos com ‘Leopard Skin Pill Box Hat’. Pode parecer estanho dizer (considerando nossa paixão pela música do cara ali a nossa frente), mas as músicas você só as reconhecia pela letra, porque pra cada uma delas, ele tinha uma versão muito variada.

Algumas músicas ele vinha com a banda carregada de um blues pesado, seco. E logo, como um virtuose descolado, executava versões melosas, como jazz antigo. A música que mais me tocou foi ‘Simple Twist of Fate’. Chorei.

Quando soprava a gaita, soprava sem o velho suporte, e só soprava a voz da gaita. Na maioria das canções, ele toca um teclado, mas algumas ele pegava uma das suas guitarras.

Uma voz cansada, rouca, quase enigmática nas palavras. Mas de poderosa performance. Eu não estranhei o piano, já sacava o lance, porque tinha assistido nos vídeos. Já conhecia o show dele. Nada foi surpresa pra mim, apenas pra quem não acompanha Dylan.

Ele parece ser apático, mas é apenas o jeito dele tímido de ser. Sempre com um sorriso doce, sem palavra nenhuma.

Na época dessa turnê, uma revista técnica de luz de palco, destacou que a iluminação do show foi premiada, com a estética minimalista, apenas uma projeção de luz jogada sobre aquelas figuras pequenas tornadas gigantescas na sombra da cortina do palco.

Me lembro que estava bem vazio o ginásio.

O show correspondeu às minhas expectativas, e deixou um gosto de quero mais. Aconteceu num flash, e isso me deixou blue. Parece que não tive a chance de apreciar o Dylan. Mas eu acho que, exatamente por isso, foi massa.

Depois do show, uma odisseia. Eu sabia que ele estava Hotel Meliá Brasil 21, mas essa informação apenas não bastava para conseguir vê-lo. Ninguém conseguiu. Ele sumiu, sem deixar pistas nem rastros. Segui para a rodoviária, frustrado com a capa do disco do New Morning. Eu a levantei durante o show.

Voltei ao Guará no ‘corujão’: 3 da manhã.

Eu tinha vídeos e imagens. Eu não tenho mais registros pessoais. Na memória, muito mais do que um show. Todas as emoções que passei sozinho. Toda a odisseia.

Através das lentes que se trocam com o tempo, todos esses anos eu ainda continuo observando Dylan. Obcecado. Ele é um enigma pra mim. Nunca vou entendê-lo.

DEPOIMENTO DE DAGMAR DO CARMO

Esperei tanto e com muita ansiedade para vê-lo, mas acabei chegando um pouco atrasada e o show já tinha começado. Então não restava nenhum lugar mais próximo e tive que me contentar em ficar na lateral – e aproveitar o máximo, de qualquer forma, afinal era Bob Dylan, um dos meus artistas mais favoritos. Ele me trouxe as informações mais importantes para a minha formação pessoal – eu realmente gosto. Acho que chorei durante o show (muita emoção, gente!). Cheguei atrasada e nem sei se vou vê-lo novamente, mas o que importa mesmo é que tive essa oportunidade única na vida! O que me deixou severamente impressionada foi a organização. Na minha frente, havia um garotinho com sua mãe. Num dado momento, percebi que tinha algum problema nas pernas; fiquei muito emocionada ao vê-lo ali, tão feliz e atento, cantando e se balançando. Depois vi mais algumas gravações e, num registro, percebi um fã numa cadeira de rodas postada no meião da plateia, muito feliz e tal. Mas pensei que a organização poderia ser um pouco mais cuidadosa nesse sentido: essas pessoas mereciam estar mais seguras, estava muito cheio. Claro que não há violência num lugar desses, eu acho, mas pelo fato de pagarem um preço tão alto pelo ingresso, talvez eles devessem considerar locais especiais para estas pessoas obterem um ângulo melhor para assistir ao show.

A voz dele, naquele som, me soou como a voz do Tom Waits – apesar de Dylan não ter o mesmo fôlego com a gaita, continua com a mesma energia.

Falar um pouco, tipo o quanto foi emocionante ver o meu o nome impresso no ingresso! Isso era obrigatório para registro e identificação do público. Falar, tipo,que ele é um fofo.

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