Reportagem exclusiva sobre o verão de 1962 em que o rock inglês renasceu das garagens e clubes de Londres e Liverpool

Inglaterra, Verão de 62: Novos Sons, Novos Rostos — Stones Estreiam, Page Desaba, Beatles se Firmam

JUNHO

Jimmy Page, 18 anos, vive o sonho que todo jovem guitarrista gostaria de viver — e ele está pagando caro por isso.
Desde que Chris Tidmarsh o descobriu em 1960 e o colocou na banda Red E. Lewis and the Red Caps, o garoto virou atração por onde passa. No palco, sua Gretsch Chet Atkins laranja grita como ninguém. Page parece nascer com cada acorde.

Mas a vida na estrada com Neil Christian and the Crusaders, como agora se chamam, é tudo menos um sonho. Dormem em vans, clubes e até sobre os instrumentos. Quando a van quebra — como aconteceu esta semana, a caminho de Liverpool —, pegam carona e tocam com equipamentos emprestados. O som sai horrível. Não há dinheiro para hotel, e o frio noturno corta o ar nos fundos de clubes abafados.

O corpo de Jimmy começa a ceder. Ele está exausto, febril, e agora os médicos dizem que é mononucleose — resultado direto do ritmo insano e da falta de descanso. O jovem prodígio decide parar.
“Dane-se isso”, teria dito a amigos próximos.

Enquanto se recupera, Page se matricula em uma escola de arte. Talvez o futuro da guitarra britânica esteja, por ora, suspenso no ar.

JULHO

Londres ferve. O blues cru que antes vivia nos porões de Ealing começa a ganhar corpo e nome.

🎸 12 de julho de 1962 — Um novo grupo faz sua estreia no Marquee Club, em Oxford Street. O nome, grafado no cartaz, chama atenção: The Rollin’ Stones.
No palco: Mick Jagger, Brian Jones, Keith Richards, Ian Stewart e Dick Taylor, com Mick Avory (ou talvez Tony Chapman) na bateria.

O público, pequeno, parece não acreditar no que ouve. Há algo de americano no som, mas também algo visceralmente londrino. A energia é crua, sem polimento, e o vocalista Jagger conduz a banda como um pregador possuído.
Poucos notam, mas uma revolução está começando ali mesmo, sob as luzes fracas do Marquee.

AGOSTO

Enquanto Londres descobre os Stones, Liverpool pulsa em outro ritmo.
Os Beatles, com John, Paul e George firmes na linha de frente, anunciam uma novidade: Ringo Starr assume oficialmente a bateria.

É 18 de agosto de 1962, e o quarteto se apresenta no Hulme Hall, em Birkenhead, durante o baile anual da sociedade de horticultura. Quinhentas pessoas lotam um salão feito para 450. A vibração é elétrica — e tensa. Alguns fãs de Pete Best, o baterista demitido, não aceitam a mudança. George chega a levar uma cabeçada de um deles na noite seguinte, no Cavern Club.

Quatro dias depois, em 22 de agosto, os fotógrafos Bill Connell e Les Chadwick registram os Beatles com Ringo pela primeira vez.
As fotos — tiradas entre o Cavern, o Pier Head e os arredores do Albert Dock — mostram uma banda que já começa a abandonar o visual dos clubes e a ganhar ares de algo maior.

Liverpool continua chuvosa, o som ecoa nos armazéns, e os Beatles ainda viajam de van. Mas há uma certeza no ar: algo grande está prestes a acontecer.

EPÍLOGO — SETEMBRO À VISTA

Jimmy Page, agora longe da estrada, pensa em se tornar músico de estúdio.
Os Rolling Stones começam a marcar mais datas em Londres.
E os Beatles, com sua nova formação, gravarão em breve pela Parlophone.

O verão de 1962 está terminando — e o rock inglês nunca mais será o mesmo.

"Rumores do mês" é escrita por Mário Pazcheco

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