BARBIERI ENTREVISTA TIA ALICE COOPER (1998)

Alice Cooper

Alice Cooper 

 

O legendário rockeiro esteve em Londres para o lançamento do seu novo álbum gravado ao vivo no México, chamado A Fistfull of Alice, e aproveitou a oportunidade para, no Rock Circus o museu de cera do rock, deixar suas mãos perpetuadas em concreto. (O Rock Circus infelizmente fechou suas portas já faz tempo)

 

Alice Cooper com a Mão no sesso e as Câmeras

Alice Cooper com a mão no gesso em frente das câmeras

 

Londres - 1997. Foi lá no Rock Circus que Alice, com as mãos afundadas no gesso, enquanto aguardava pacientemente para que o mesmo enrijecesse para criar a forma onde seria aplicado o cimento, respondeu a uma bateria de perguntas feitas pelos repórteres credenciados. Barbieri estava lá para conferir que o homem tinha a dizer:

 

Barbieri: Agora que você já está conquistando sua terceira geração de fãs e vem com novo álbum e tour, o que lhe passa pela cabeça quando você se lembra dos velhos tempos, do começo da sua carreira?

 

Alice Cooper: No começo, eu só queria não ter um emprego. Tocar numa banda e não precisar buscar trabalho. Eu acho que o que acontece é que, se você para, você acaba virando somente um pedaço da história. Eu não permiti isto e continuamos gravando mais discos. Muita gente acha que o rock’n’roll mudou, mas eu não acho que mudou muito no final das contas..

 

Barbieri: Você disse que o rock não mudou, mas na verdade ele virou uma indústria..

 

Alice: Eu posso perceber que o lado empresarial do rock mudou, mas o que me preocupa hoje em dia é que as bandas não se importam mais em fazer uma carreira. Nós, quando começamos, pensávamos em gravar discos até quando o público quisesses. Você vê algumas bandas realmente boas acabarem logo depois do primeiro ou segundo álbum. Quando eu acho uma banda que realmente gosto, eles se separam. O Zodiac Mindwarp é apenas um exemplo, eu os achava muito bons! Parece até que uma banda para fazer sucesso assim que faz um bom disco e vende bem, tornando-se grande, não é mais aceita e é obrigada a desfazer-se, tendo que começar tudo de novo. Eu não vou cair no erro de dizer, como fazem uns veteranos, que não tem gente fazendo boa música lá for a. A verdade é que existe muita gente boa. Eu só queria que eles continuassem mais tempo juntos.

 

Barbieri: Você trabalhou com Frank Zappa bem no começo. Você guarda alguma recordação do homem?

 

Alice: O estranho era que ele não tomava nenhuma droga, somente umas cervejas de vez em quando. Quer dizer, toda aquela insanidade.. era dele mesmo! Ele era um gênio. Assim como ele, eu tenho um grande senso de humor e nos demos muito bem. Naquela época, em Los Angeles, ninguém conseguia competir com a nossa banda porque todo mundo era só “paz e amor” e nós éramos  “laranja mecânica” (referência ao famoso e violento filme do diretor Stanley Kubrick). Ele foi um dos únicos que se aproximaram da gente. Eu gostava muito dele.

 

Barbieri: Tem alguma coisa de impacto acontecendo?

 

Alice: O negócio de chocar anda meio morto. A gente não consegue chocar mais do que a CNN, mais do que o noticiário da TV. Cinqüenta pessoas mortas alinhadas na calçada, abuso de crianças.. isto para mim é realmente chocante. Nós não começamos nada disso. Nós não começamos nada disso. No começo o povo parecia que estava adormecido,meio drogado, neste negócio de “paz e amor” e de repente encontrou a nossa banda, que não tinha nada a ver com isto. Nós éramos realmente chocantes, éramos o futuro. A gente queria carros rápidos, muita grana e tudo o que vinha com isto. No topo disso, acrescentamos um pouco de teatro, umas decapitações e isto impressionou muita gente…

 

Barbieri: Você acha que uma nova banda ainda tem condição de chocar?

 

Alice: Eu não sei. Acho que hoje em dia o único jeito de chocar é através dos boatos e rumores. Eu não sei se eu acredito ou não mas, se tudo que dizem do Michael Jackson é verdadeiro, ele deve ser a pessoa mais bizarra deste planeta! (risos). A cada cidade que eu toco sempre tem um monte de rumores e boatos a respeito de coisas que eu fiz no palco. Algumas são até bem criativas (risos). No momento Marilyn Manson está passando por esta fase, a Madonna já passou por isto e agora aparece todo dia um boato novo à respeito do Oasis. Quer dizer, se o rumor for bem chocante, vende bem.

 

Barbieri: Antigamente você parecia mais ameaçador e perigoso. Agora, você é mais “show business”. Isto é reflexo de você mesmo ou da indústria fonográfica?

 

Alice: A verdade é que se você tirar esta questão do choque visual de lado, o que sobra é o melhor show que pode ser feito. A provável razão por que Alice ainda funciona é porque existem 14 ou 15 músicas que a galera quer ouvir toda noite. Se eu não tocar, por exemplo, “School’s Out”, “Poison”, “No More Mr. Nice Guy”, “Under My Wheels” e “Elected”, é meu fim (risos). Quando termina o show o povo sai satisfeito.

 

Barbieri: Dá para você falar alguma coisa sobre o “Fistfull of Alice”?

 

Alice: Nós não fazíamos um álbum ao vivo desde 1977, e se fazia necessário atualizar nossa audiência. Nós não queríamos gravar algo num grande estádio tipo Wembley. Preferimos um clube pequeno, um pouquinho maior do que este lugar aqui, com umas 300 pessoas na audiência. Quer dizer, dá para escutar tudo o que está acontecendo no palco. Eu queria que o som batesse na cara do ouvinte. Foi super legal gravar nesta cidadezinha no México, onde parecia que todo mundo da cidade estava presente (risos). O Slash apareceu. Eu tinha convidado ele para vir tocar uma música, mas ele disse que só apareceria se pudesse tocar umas quatro! Cool! Rob Zombie também apareceu e contribuiu numa música. Outro participante foi o Sammy Hagar. Aliás, o show foi gravado na sua cantina chamada Cabo Wabo situada na cidade Cabo San Lucas.

 

Barbieri: quem você acha que vai comprar o novo álbum?

 

Alice: Primeiramente, o fã verdadeiro. Eu penso que, quando um garoto pergunta para uma banda da nova geração quais foram as suas influências, e a resposta é Led Zeppelin, Ozzy, Alice Cooper, Kiss, obviamente este garoto ficará interessado em ouvir as origens e é por isso que nós sempre vendemos bem. 

 

Alice Cooper com a mão no gesso

 

Esta matéria é de autoria do Barbieri e foi originalmente escrita para a Revista Dynamite, tendo sido publicada na sua edição de janeiro 1998. 

Copy Desk: Andrea Falcão

Diagramação, Revisão e Atualização: A. C. Barbieri 

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