Gil Scott-Heron: poeta visionário

Foto Gabriele Stabile
http://www.thedailyswarm.com/swarm/daily-swarm-interview-gil-scott-heron-revolution-will-not-be-blogged/
http://news.bbc.co.uk/1/hi/programmes/newsnight/8362518.stm
http://www.youtube.com/watch?v=OET8SVAGELA&feature=player_embedded#
Entrevista concedida à Matthew Schnipper para à revista Fader no princípio de 2010
Tradução e adaptação Antonio Celso Barbieri
Não Importa quanto você avançou no erro, você sempre pode voltar olhando para o futuro, Gil Scott-Heron, junta-se ao presente.
É bem possível que a voz de Gil Scott-Heron soe tão grave porque talvez ele tenha a maior maçã de Adão (gogó) do mundo. Ela é gigante, quase do tamanho de uma maçã, recoberta por uma pela fina e adornada por cabelos enrolados, brancos amarelecidos. Sua voz tem sido assim, desde que começou sua carreira, lá pelo começo de 1970, nos brindando com músicas como "Whitey On The Moon" (Branco na Lua) e "Home Is Where The Hatred Is" (Lar é onde está o ódio) onde Scott-Heron personificou as dores e frustrações (e orgulho) de ser uma minoria na America do Norte.
Depois de mudar-se de Chicago para o Harlem, Scott-Heron fez música que flutuava entre o Soul de Detroit e Filadélfia acrescentando uma boa dose de poesia falada. Poesia esta que mais tarde seria um retrato da vida urbana deste período e ajudaria as gerações que viriam a inventar o Rap. Foi, verdadeiramente através desta arvore genealógica do Hip-Hop que um garoto adolescente inglês chamado Richard Russel descobriu Gil Scott-Heron nos anos 80. Muitos anos mais tarde, depois de inicialmente ter trabalhado como produtor musical, Russel fundou a gravadora XL Recordings, gravadora voltada para o "avant-garde electronic" e rock. Esta gravadora obteve muito sucesso abriga, entre outros, estrelas como The White Stripes e MIA. Russel, porém, nunca esqueceu-se de Gil Scott-Heron.
Em 2006, enquanto Gil Scott-Heron cumpria pena, na Ilha Riker em Nova York, servindo sentença por posse de cocaína, sentença esta aumentada por seu mal comportamento na corte no dia do julgamento, Russel visitou-o na cadeia propondo uma colaboração musical. Scott-Heron foi convencido pela devoção do Russel e, os dois, desenvolveram uma verdadeira parceria artística sempre com o Russel do lado dando a maior força. "A razão da minha determinação é que se você está trabalhando com alguém que é um gênio, você não ter que preocupar-se com o que ele está fazendo. Ele só precisa entregar a coisa." Esclarece Russel que continua: "Como todos os grandes artistas em qualquer área ele é um intermediário. Os melhores artistas recebem a inspiração de algum lugar e a canaliza de uma forma que as pessoas possam apreciar." Para facilitar o fluxo criativo. Russel inundou Scott-Heron com opções de produção, idéias para covers, samples com sons de cordas e infinitas "vibes" deixando ele livre para escolher o material que ele se sentisse mais confortável para trabalhar.
O resultado, foi o álbum I'm New Here (Eu Sou Novo Aqui) que é um veículo que dá oportunidade para Gil Scott-Heron misturar diferentes gêneros como Folk, Dubstep e Poesia, usando sempre a sua poderosa garganta bluseira. O álbum também é um documento sobre a relação destes dois homens que referem-se um ao outro de forma meio nebulosa indo do familiar ao romântico. "Naquele primeiro encontro, nós nos olhamos nos olhos e eu senti que, de alguma forma, nós íamos fazer alguma coisa juntos. " Fala Russel. Sua fé e elogio à Gil Scott-Heron é a de um amigo real e também de alguém que realmente acredita nele. "O negócio é que estamos falando de um mensageiro" Explica Russel à respeito da habilidade de Scott-Heron em canalizar a espiritualidade: "Ele está entregando uma mensagem que significa alguma coisa para o povo, por isso é que é tão real".
Scott-Heron, por sua vez, é mais duvidoso de si mesmo, apesar de não descartar o interesse das pessoas por sua pessoa. Na verdade ele precisa delas. Seu escritório está uma bagunça, com formulários de fiança e declarações de pagamentos de direitos autorais espalhados pelas mesas. De um lado, fica um sofá todo queimado de pontas de cigarro e de outro, pode-se ver uma enorme televisão de tela plana, talvez um toque irônico para um cara que escreveu "The Revolution Will Not Be Televised" (A Revolução Não Será Televisada). Scott-Heron fuma um Marlboro atrás do outro durante a minha entrevista. Ele usa uma calça de flanela com um roupão de cetim por cima. Está usando uma camiseta que mostra seu próprio rosto estampado, tirado da capa do seu álbum "Peaces of a Men" (Pedaços de um Homem)
lançado em 1971.
Todo solto e confortável ele fala sobre a criação juntamente com Richard Russel deste seu último álbum, I'm New Here. Aquela voz rica e grave está, agora, um pouco mais desgastada do que antes mas, muito embora tenha sido amaciada como resultado de 40 anos de protesto, tudo indica, Gil Scott-Heron está ainda muito longe de ter entregado os pontos.
A Entrevista
Fader: A gravadora XL colocou a faixa título do seu novo álbum no website deles. Meu primeiro pensamento quando escutei a gravação foi: "Que diabos o Scott-Heron está fazendo executando um cover da faixa Smog"?
Scott-Heron: Foi coisa do Richard Russel.
Fader: Ele gosta muito de você!
Scott-Heron: Nós realmente nos divertimos!.
Fader: For divertido? (pela resposta que o Scott-Heron dá parece, que tem alguma referência à drogas escondida nesta pergunta)
Scott-Heron: Sim, eu não teria feito se não fosse assim.
Fader: Realmente?
Scott-Heron: Foda-se! O que eles irão fazer comigo? Me mandar para a cadeia?
Fader: Você se lembra de quando Richard Russel escreveu para você?
Scott-Heron: Uma senhora que toma conta das minhas coisas trouxe a carta para mim. Ele dizia que estava interessado em fazer algumas gravações. Esta não foi a primeira carta que recebi de pessoas interessadas em gravações mas, eu lembrei-me dele quando conversamos sobre isto, primeiramente, porque ele era do Reino Unido e também porque ele mencionou alguns artistas que eu conhecia e algumas canções que eu já vinha pensando na possibilidade de gravar.
Fader: Você respondeu à carta dele?
Scott-Heron: Ele disse que estava vindo para os Estados Unidos e eu disse: " Você que vir aqui? É um pais livre e eles deixam você fazer o que quiser não importa o que." Naquela época eu estava fazendo a mesma coisa todo dia. Eu estava na cadeia, eu estava movendo-me "num circulo pequeno". Então, o que estou querendo dizer é que, não seria difícil para ele me encontrar.
Fader: Como é que foi quando ele visitou-o pela primeira vez?
Scott-Heron: Eu senti que ele acreditou na coisa.
Fader: Deve ter projetado dele?
Scott-Heron: Ele é um cara muito entusiasta. Ele é muito, muito obstinado à respeito de fazer as coisas e tem um visão clara do que quer fazer. Eu tenho que deixar claro que os homens me pegaram com 20 dólares em cocaína. Eu imaginei que ia pegar uns 30 dias e isto era o que era esperado mas, a juíza fez uma intervenção e preferiu trocar o julgamento para crime grave. Ela recomendou um programa especial para mim e eu pedi para ela sair fora. Então, com minha ação, desrespeitei a corte acrescentado mais um agravo ao que já estava acontecendo. Bom, eu concordei que tinha sido desrespeitoso e recebi mais uma condenação. Quer dizer, as coisas foram indo de mau à pior e eu ganhei um ano e meio.
Fader: Quanto tempo você já tinha cumprido quando encontrou-se com Richard Russel?
Scott-Heron: Eu já estava 6 meses em cana.
Fader: Richard Russel parecia muito certo do que ele queria fazer.
Scott-Heron: Ele estava e eu disse para ele que eu tinha tido sonhos como aquele. Eu abandonei a escola quando tinha 19 anos para escrever um livro. Não para publicá-lo mas sim para terminar um projeto. Para verdadeiramente, sentar-me e terminar alguma coisa. Eu era aquele cara que tinha mil linhas apontando para todo lado e todas acabavam terminando como linhas caídas em algum lugar. Eu queria pegar uma destas linhas e enrolá-la num carretel e ver o povo dizer, lá está um linha completa. O fato de que foi publicada é muito bom mas, terminar, completar o projeto foi a idéia. Então eu imaginei que valeria apena ver o que aconteceria com o projeto do Richard Russel.
Fader: Você sentiu-se como se tivesse sido um veículo para o projeto dele?
Scott-Heron: Eu tinhas umas coisas para dizer e, eu poderia envolver-me do jeito que eu quisesse. Eu poderia ter feito um serviço de merda em certas coisa que resultariam em trabalhos que não poderiam ser usados mas, eu quis dar o melhor de mim para que as peças se encaixassem bem e, elas encaixaram-se bem mas, de uma forma diferente.
Fader: Você já tinha encontrado-se com Richard Russel algumas vezes antes de começar as gravações, então, o nível de confiança já estava lá? Geralmente como é que é sua relação com os produtores artísticos?
Scott-Heron: Eu não tenho produtores, Eu geralmente faço a minha própria produção.
Fader: Então, como foi esta mudança no jeito de trabalhar?
Scott-Heron: Bem, eu ainda gosto de mim e eu não conhecia ele.
Fader: Ele é um cara "estrangeiro" de muitas formas.
Scott-Heron: Não realmente. Ele é um ser humano e nós viemos do mesmo planeta, então nós temos muita coisa em comum.
Fader: Como você se sentiu em ter alguém tão fissurado em fazer a coisa acontecer?
Scott-Heron: Eu me senti bem. É assim que eu me sinto quando estou me preparando para fazer algo e eu tenho um lugar onde quero ir. Eu fico muito bem especialmente se a corrida é de um homem só. Você sempre sabe que você vencerá. Não é uma competição. Não é eu contra ele. É descobrir se podemos trabalhar juntos e obviamente podemos porque nós dois gostamos de música e a maior parte do material. Sinto muito dizer, nós não batalhamos ou brigamos um com o outro.
Fader: Foi melhor que vocês não brigaram...
Scott-Heron: É um história mais interessante, Russel contra Heron, você sabe? Seria uma boa idéia, e no meio disto tudo, sua esposa estava grávida e ele tinha que fazer isto e aquilo, ela iria matar o cara e eu não seria assim tão importante. Então, as coisas acontecem... Ao mesmo tempo, sua vida continua, mas em termos do projeto, a coisa teve boas vibrações.
Fader: Fale-me sobre a parte eletrônica.
Scott-Heron: Eu trabalhei no passado com Malcolm Cecil (O pioneiro produtor musical que trabalhou pesado com os primeiros sintetizadores). Malcolm Cecil inventou todas estas coisas.
Fader: Mas nenhuma das suas músicas anteriores tinham...
Scott-Heron: Verdade? A música B Movie tinha um "loop" fudido com duração de 6 minutos. Eu quero dizer, nós não somos contra aparelhos eletrônicos e eletricidade. Você não pode nem ligar um microfone e as luzes sem ela, então nós não temos medo de acrescentar um instrumento dentro deste contexto.
Fader: Agora que o álbum está terminado como é que você ele ao lado do seu inteiro catálogo?
Scott-Heron: Agora, eu já estou trabalhando em outra coisa...
Fader: Você não acha que está foi uma resposta fácil?
Scott-Heron: Não, eu penso que esta é a verdade. Eu desejo que todo mundo compre ele. Eu estou dizendo, se eu vender um milhão de álbuns em Nova York, ainda existirão oito milhões que não compraram, então isto significa um sucesso ou uma perda? Depois que você tem uns 25 ou 30 álbuns lançados, como é o meu caso, você percebe que não existe perdas nem fracassos.
Fader: Então, você só esta esperando que o álbum seja distribuído o máximo possível?
Scott-Heron: Você não esta esperando, Você está fazendo alguma coisa. Esperar é dizer: "Eu vou me ligar somente quando todo mundo estiver ligado" e você cancela porque todo mundo está fazendo isto. Isto não é desculpa. Você poderia ter feito isto, você poderia ter ajudado alguém mas, não ajudou. Minha mãe dizia que se você pode fazer alguma coisa por alguém, porque não? Bom, isto sumariza tudo porque eu não conseguiria encontrar mais filosofia e nenhuma merda para falar sobre isto. Se eu poderia ajudar alguém porque eu não ajudaria?
Fader: Teve um tempo que você não ajudou?
Scott-Heron: Teve um tempo que eu poderia ter sido uma pessoa melhor. É por isso que eu ainda estou trabalhando nisto.
Fader: É esta a sua filosofia neste momento?
Scott-Heron: Se você achar alguém que nunca cometeu um engano, ajuda o cara a começar uma religião! Até que isto não aconteça nós apenas encontraremos outros seres humanos e procuraremos ajudarmos uns aos outros a nos tornarmos melhores.
Fader: Como é que isto se traduz em termos de fazer música. Você sente que você está ativamente esperando que inspiração passe através de você?
Scott-Heron: Não
Fader: Então como é que as suas composições se materializam?
Scott-Heron: O espírito deve ser material. Está no seu sangue. Dentro das suas veias está seus pais e os pais deles e os pais dos seus pais e, eles querem que você faça isto, porque quando você faz o que você faz e é experimenta o sucesso, então eles ficam felizes com o resultado. Você é a ligação deles com a imortalidade.
Fader: Isto é uma grande responsabilidade!
Scott-Heron: Escute e entenda. De onde é que as idéias surgem? Elas vêem dos espíritos. Você não é tão você quanto você acha que é. Você tem independência para agir ou não agir mas você não tem independência, não é livre para ter idéias e inspirar-se. Elas surgem vindas de algum lugar e, você fica satisfeito com elas porque você quer sentir aquele tipo de energia que você só recebe quando tem uma boa idéia. Mas, você não fica sentado esperando por ela, você fica trabalhando naquelas idéias que você fodeu. Eu gosto do Richard Russel porque o Richard gosta do Richard. Ele está feliz com o que está fazendo. Você se encontra com gente infeliz e você acaba ficando "blues" (infeliz). Você encontra-se com Richard e você acaba sendo iluminado.
Fader: Você se sente do mesmo jeito à respeito de você mesmo?
Scott-Heron: Certos dias... Em certos dias quando, por exemplo, você não conseguiu terminar aquilo que você esperava terminar no dia anterior, sinto me mau. Especialmente alguma coisa em que eu envolvi alguém, que eu desperdicei o tempo dela, fiz a pessoa perder um pedaço de sua vida.
Fader: Esta é uma forma bem dada de viver, pondo os outros primeiro...
Scott-Heron: Eu penso que a coisa segue por aí, que você trabalha com o que tem... Eu sempre tenho em mente que eu não sou nada especial.
gil_scott-heron
Gil Scott-Heron - Foto Gabriele Stabile

 

"Não importa quanto você avançou no erro,
você sempre pode voltar atrás olhando para o futuro,
Gil Scott-Heron, junta-se ao presente"
Entrevista concedida à Matthew Schnipper para à revista Fader no princípio de 2010
Tradução e adaptação Antonio Celso Barbieri

É bem possível que a voz de Gil Scott-Heron (lê-se Guil Scot-Rírom) soe tão grave porque talvez ele tenha a maior maçã de Adão (gogó) do mundo. Ela é gigante, quase do tamanho de uma maçã, recoberta por uma pele fina e adornada por cabelos enrolados, brancos amarelecidos. Sua voz tem sido assim, desde que começou sua carreira, lá pelo começo de 1970, nos brindando com músicas como "Whitey On The Moon" (Branco na Lua) e "Home Is Where The Hatred Is" (Lar é onde está o ódio) onde Scott-Heron personificou as dores e frustrações (e orgulho) de ser uma minoria na America do Norte.

Depois de mudar-se de Chicago para o Harlem, Scott-Heron fez música que flutuava entre o Soul de Detroit e Filadélfia acrescentando uma boa dose de poesia falada. Poesia esta que mais tarde seria um retrato da vida urbana deste período e ajudaria as gerações que viriam a inventar o Rap. Foi, verdadeiramente através desta arvore genealógica do Hip-Hop que um garoto adolescente inglês chamado Richard Russel descobriu Gil Scott-Heron nos anos 80. Muitos anos mais tarde, depois de inicialmente ter trabalhado como produtor musical, Russel fundou a gravadora XL Recordings, gravadora voltada para o "avant-garde electronic" e rock. Esta gravadora obteve muito sucesso e, abriga, entre outros, estrelas como The White Stripes e MIA. Russel, porém, nunca esqueceu-se de Gil Scott-Heron.

Em 2006, enquanto Gil Scott-Heron cumpria pena, na Ilha Riker em Nova York, servindo sentença por posse de cocaína, sentença esta aumentada por seu mau comportamento na corte no dia do julgamento, Russel visitou-o na cadeia propondo uma colaboração musical. Scott-Heron foi convencido pela devoção do Russel e, os dois, desenvolveram uma verdadeira parceria artística sempre com o Russel do lado dando a maior força. "A razão da minha determinação é que se você está trabalhando com alguém que é um gênio, você não ter que preocupar-se com o que ele está fazendo. Ele só precisa entregar a coisa." Esclarece Russel que continua: "Como todos os grandes artistas em qualquer área ele é um intermediário. Os melhores artistas recebem a inspiração de algum lugar e a canaliza de uma forma que as pessoas possam apreciar." Para facilitar o fluxo criativo. Russel inundou Scott-Heron com opções de produção, idéias para covers, samples com sons de cordas e infinitas "vibes" deixando ele livre para escolher o material que ele se sentisse mais confortável para trabalhar.

O resultado, foi o álbum I'm New Here (Eu Sou Novo Aqui) que é um veículo que dá oportunidade para Gil Scott-Heron misturar diferentes gêneros como Folk, Dubstep e Poesia, usando sempre a sua poderosa garganta bluseira. O álbum também é um documento sobre a relação destes dois homens que referem-se um ao outro de forma meio nebulosa indo do familiar ao romântico. "Naquele primeiro encontro, nós nos olhamos nos olhos e eu senti que, de alguma forma, nós íamos fazer alguma coisa juntos. " Fala Russel. Sua fé e elogio à Gil Scott-Heron é a de um amigo real e também de alguém que realmente acredita nele. "O negócio é que estamos falando de um mensageiro" Explica Russel à respeito da habilidade de Scott-Heron em canalizar a espiritualidade: "Ele está entregando uma mensagem que significa alguma coisa para o povo, por isso é que é tão real".

Scott-Heron, por sua vez, é mais duvidoso de si mesmo, apesar de não descartar o interesse das pessoas por sua pessoa. Na verdade ele precisa delas. Seu escritório está uma bagunça, com formulários de fiança e declarações de pagamentos de direitos autorais espalhados pelas mesas. De um lado, fica um sofá todo queimado de pontas de cigarro e de outro, pode-se ver uma enorme televisão de tela plana, talvez um toque irônico para um cara que escreveu "The Revolution Will Not Be Televised" (A Revolução Não Será Televisada). Scott-Heron fuma um Marlboro atrás do outro durante a minha entrevista. Ele usa uma calça de flanela com um roupão de cetim por cima. Está usando uma camiseta que mostra seu próprio rosto estampado, tirado da capa do seu álbum "Peaces of a Men" (Pedaços de um Homem) lançado em 1971.

Todo solto e confortável ele fala sobre a criação juntamente com Richard Russel deste seu último álbum, I'm New Here. Aquela voz rica e grave está, agora, um pouco mais desgastada do que antes mas, muito embora tenha sido amaciada como resultado de 40 anos de protesto, tudo indica, Gil Scott-Heron está ainda muito longe de ter entregado os pontos.

A Entrevista

Fader: A gravadora XL colocou a faixa título do seu novo álbum no website deles. Meu primeiro pensamento quando escutei a gravação foi: "Que diabos o Scott-Heron está fazendo executando um cover da faixa Smog"?
Scott-Heron: Foi coisa do Richard Russel.

Fader: Ele gosta muito de você!
Scott-Heron: Nós realmente nos divertimos!.

Fader: For divertido? (pela resposta que o Scott-Heron dá parece, que tem alguma referência à drogas escondida nesta pergunta)
Scott-Heron: Sim, eu não teria feito se não fosse assim.

Fader: Realmente?
Scott-Heron: Foda-se! O que eles irão fazer comigo? Me mandar para a cadeia?

Fader: Você se lembra de quando Richard Russel escreveu para você?
Scott-Heron: Uma senhora que toma conta das minhas coisas trouxe a carta para mim. Ele dizia que estava interessado em fazer algumas gravações. Esta não foi a primeira carta que recebi de pessoas interessadas em gravações mas, eu lembrei-me dele quando conversamos sobre isto, primeiramente, porque ele era do Reino Unido e também porque ele mencionou alguns artistas que eu conhecia e algumas canções que eu já vinha pensando na possibilidade de gravar.

Fader: Você respondeu à carta dele?
Scott-Heron: Ele disse que estava vindo para os Estados Unidos e eu disse: "Você que vir aqui? É um pais livre e eles deixam você fazer o que quiser não importa o que." Naquela época eu estava fazendo a mesma coisa todo dia. Eu estava na cadeia, eu estava movendo-me "num circulo pequeno". Então, o que estou querendo dizer é que, não seria difícil para ele me encontrar.

Fader: Como é que foi quando ele visitou-o pela primeira vez?
Scott-Heron: Eu senti que ele acreditou na coisa.

Fader: Deve ter projetado dele?
Scott-Heron: Ele é um cara muito entusiasta. Ele é muito, muito obstinado à respeito de fazer as coisas e tem um visão clara do que quer fazer. Eu tenho que deixar claro que os homens me pegaram com 20 dólares em cocaína. Eu imaginei que ia pegar uns 30 dias e isto era o que era esperado mas, a juíza fez uma intervenção e preferiu trocar o julgamento para crime grave. Ela recomendou um programa especial para mim e eu pedi para ela sair fora. Então, com minha ação, desrespeitei a corte acrescentado mais um agravo ao que já estava acontecendo. Bom, eu concordei que tinha sido desrespeitoso e recebi mais uma condenação. Quer dizer, as coisas foram indo de mau à pior e eu ganhei um ano e meio.

Fader: Quanto tempo você já tinha cumprido quando encontrou-se com Richard Russel?
Scott-Heron: Eu já estava 6 meses em cana.

Fader: Richard Russel parecia muito certo do que ele queria fazer.
Scott-Heron: Ele estava e eu disse para ele que eu tinha tido sonhos como aquele. Eu abandonei a escola quando tinha 19 anos para escrever um livro. Não para publicá-lo mas sim para terminar um projeto. Para verdadeiramente, sentar-me e terminar alguma coisa. Eu era aquele cara que tinha mil linhas apontando para todos os lados e todas acabavam terminando como linhas caídas em qualquer lugar. Eu queria pegar uma destas linhas e enrolá-la num carretel e ver o povo dizer, lá está uma linha completa. O fato de que foi publicado é muito bom mas, terminar, completar o projeto foi a idéia. Então eu imaginei que valeria apena ver o que aconteceria com o projeto do Richard Russel.

gil_scott-heron_book1gil_scott-heron_book2
Dois livros escritos por Gil Scott-Heron

Fader: Você sentiu-se como se tivesse sido um veículo para o projeto dele?
Scott-Heron: Eu tinha umas coisas para dizer e, eu poderia envolver-me do jeito que eu quisesse. Eu poderia ter feito um serviço de merda em certas coisas que resultariam em trabalhos que não poderiam ser usados mas, eu quis dar o melhor de mim para que as peças se encaixassem bem e, elas encaixaram-se bem mas, de uma forma diferente.

Fader: Você já tinha encontrado-se com Richard Russel algumas vezes antes de começar as gravações, então, o nível de confiança já estava lá? Geralmente como é que é sua relação com os produtores artísticos?
Scott-Heron: Eu não tenho produtores. Eu geralmente faço a minha própria produção.

Fader: Então, como foi esta mudança no jeito de trabalhar?
Scott-Heron: Bem, eu ainda gosto de mim e eu não conhecia ele.

Fader: Ele é um cara "estrangeiro" de muitas formas.
Scott-Heron: Não realmente. Ele é um ser humano e nós viemos do mesmo planeta, então nós temos muita coisa em comum.

Fader: Como você se sentiu em ter alguém tão fissurado em fazer a coisa acontecer?
Scott-Heron: Eu me senti bem. É assim que eu me sinto quando estou me preparando para fazer algo e eu tenho um lugar onde quero ir. Eu fico muito bem especialmente se a corrida é de um homem só. Você sempre sabe que você vencerá. Não é uma competição. Não é eu contra ele. É descobrir se podemos trabalhar juntos e obviamente podemos porque nós dois gostamos de música e a maior parte do material. Sinto muito dizer, nós não batalhamos ou brigamos um com o outro.

Fader: Foi melhor que vocês não brigaram...
Scott-Heron: É um história mais interessante, Russel contra Heron, você sabe? Seria uma boa idéia, e no meio disto tudo, sua esposa estava grávida e ele tinha que fazer isto e aquilo, ela iria matar o cara e eu não seria assim tão importante. Então, as coisas acontecem... Ao mesmo tempo, sua vida continua, mas em termos do projeto, a coisa teve boas vibrações.

Fader: Fale-me sobre a parte eletrônica.
Scott-Heron: Eu trabalhei no passado com Malcolm Cecil (O pioneiro produtor musical que trabalhou pesado com os primeiros sintetizadores). Malcolm Cecil inventou todas estas coisas.

Fader: Mas nenhuma das suas músicas anteriores tinham...
Scott-Heron: Verdade? A música B Movie tinha um "loop" fudido com duração de 6 minutos. Eu quero dizer, nós não somos contra aparelhos eletrônicos e eletricidade. Você não pode nem ligar um microfone e as luzes sem ela, então nós não temos medo de acrescentar um instrumento dentro deste contexto.

Fader: Agora que o álbum está terminado como é que você ele ao lado do seu inteiro catálogo?
Scott-Heron: Agora, eu já estou trabalhando em outra coisa...

Fader: Você não acha que está foi uma resposta fácil?
Scott-Heron: Não, eu penso que esta é a verdade. Eu desejo que todo mundo compre ele. Eu estou dizendo, se eu vender um milhão de álbuns em Nova York, ainda existirão oito milhões que não compraram, então isto significa um sucesso ou uma perda? Depois que você tem uns 25 ou 30 álbuns lançados, como é o meu caso, você percebe que não existe perdas nem fracassos.

Fader: Então, você só esta esperando que o álbum seja distribuído o máximo possível?
Scott-Heron: Você não esta esperando, você está fazendo alguma coisa. Esperar é dizer: "Eu vou me ligar somente quando todo mundo estiver ligado" e você cancela porque todo mundo está fazendo isto. Isto não é desculpa. Você poderia ter feito isto, você poderia ter ajudado alguém mas, não ajudou. Minha mãe dizia que se você pode fazer alguma coisa por alguém, porque não? Bom, isto sumariza tudo porque eu não conseguiria encontrar mais filosofia e nenhuma merda para falar sobre isto. Se eu poderia ajudar alguém porque eu não ajudaria?

Fader: Teve um tempo que você não ajudou?
Scott-Heron: Teve um tempo que eu poderia ter sido uma pessoa melhor. É por isso que eu ainda estou trabalhando nisto.

Fader: É esta a sua filosofia neste momento?
Scott-Heron: Se você achar alguém que nunca cometeu um engano, ajuda o cara a começar uma religião! Até que isto não aconteça nós apenas encontraremos outros seres humanos e procuraremos ajudarmos uns aos outros a nos tornarmos melhores.

Fader: Como é que isto se traduz em termos de fazer música. Você sente que você está ativamente esperando que inspiração passe através de você?
Scott-Heron: Não

Fader: Então como é que as suas composições se materializam?
Scott-Heron: O espírito deve ser material. Está no seu sangue. Dentro das suas veias estão seus pais e os pais deles e os pais dos seus pais e, eles querem que você faça isto, porque quando você faz o que você faz e experimenta o sucesso, então eles ficam felizes com o resultado. Você é a ligação deles com a imortalidade.

Fader: Isto é uma grande responsabilidade!
Scott-Heron: Escute e entenda. De onde é que as idéias surgem? Elas vêem dos espíritos. Você não é tão você quanto você acha que é. Você tem independência para agir ou não agir mas você não tem independência, não é livre para ter idéias e inspirar-se. Elas surgem vindas de algum lugar e, você fica satisfeito com elas porque você quer sentir aquele tipo de energia que você só recebe quando tem uma boa idéia. Mas, você não fica sentado esperando por ela, você fica trabalhando naquelas idéias que você fodeu. Eu gosto do Richard Russel porque o Richard gosta do Richard. Ele está feliz com o que está fazendo. Você se encontra com gente infeliz e você acaba ficando "blues" (infeliz). Você encontra-se com Richard e você acaba sendo iluminado.

Fader: Você se sente do mesmo jeito à respeito de você mesmo?
Scott-Heron: Certos dias... Em certos dias quando, por exemplo, você não conseguiu terminar aquilo que você esperava terminar no dia anterior, sinto me mau. Especialmente alguma coisa em que eu envolvi alguém, que eu desperdicei o tempo dela, fiz a pessoa perder um pedaço de sua vida.

Fader: Esta é uma forma bem dada de viver, pondo os outros primeiro...
Scott-Heron: Eu penso que a coisa segue por aí, que você trabalha com o que tem... Eu sempre tenho em mente que eu não sou nada especial.

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Gil Scott-Heron - I'm New Here (2010)

Nota do Barbieri sobre a música Movie-B:

Abaixo o caro visitante encontrará minha tradução adaptada da música Movie-B contendo algumas notas (entre parênteses) para, na medida do possível, ajuda-los no entendimento. Gostaria de salientar que, muito embora este texto tenha sido escrito em 1970 como uma crítica à vitória de Ronald Reagan para presidente Norte Americano, fiquei admirado com a capacidade de observação do autor. Em Movie-B Gil Scott-Heron nos brinda com sua poesia urbana mostrando uma visão crítica e lúcida da sua realidade social, uma visão certamente muito à frente do seu tempo. Filme-B é um exercício de futurologia onde, já em 1970 este “proto-rapper” via os Estados Unidos perdendo a sua condição de líder exportador (para a China). toda a problemática do petróleo e os países árabes além da importância do poder econômico de Wall Street. Gil Scott-Heron tem sido chamado de "o Bob Dylan negro" e também, da mesma forma que James Brown recebeu o título de "The Godfather of Soul", Scott-Heron tem recebido o título de "The Godfather of Rap" (O Padrinho do Rap).

 

MOVIE-B (Texto em Inglês)
Gil Scott-Heron

 

Well, the first thing I want to say isMandate my ass!

Because it seems as though we've been convinced that 26% of the registered voters, not even 26% of the American people, but 26% of the registered voters form a mandate or a landslide. 21% voted for Skippy and 3, 4% voted for somebody else who might have been running.

But, oh yeah, I remember. In this year that we have now declared the year from Shogun to Reagan, I remember what I said about Reaganmeant it. Acted like an actorHollyweird. Acted like a liberal. Acted like General Franco when he acted like governor of California, then he acted like a republican. Then he acted like somebody was going to vote for him for president. And now we act like 26% of the registered voters is actually a mandate. We're all actors in this I suppose.

What has happened is that in the last 20 years, America has changed from a producer to a consumer. And all consumers know that when the producer names the tunethe consumer has got to dance. That's the way it is. We used to be a producer very inflexible at that, and now we are consumers and, finding it difficult to understand. Natural resources and minerals will change your world. The Arabs used to be in the 3rd World. They have bought the 2nd World and put a firm down payment on the 1st one. Controlling your resources we'll control your world. This country has been surprised by the way the world looks now. They don't know if they want to be Matt Dillon or Bob Dylan. They don't know if they want to be diplomats or continue the same policy - of nuclear nightmare diplomacy. John Foster Dulles ain't nothing but the name of an airport now.

The idea concerns the fact that this country wants nostalgia. They want to go back as far as they can even if it's only as far as last week. Not to face now or tomorrow, but to face backwards. And yesterday was the day of our cinema heroes riding to the rescue at the last possible moment. The day of the man in the white hat or the man on the white horse - or the man who always came to save America at the last moment someone always came to save America at the last moment especially in B movies. And when America found itself having a hard time facing the future, they looked for people like John Wayne. But since John Wayne was no longer available, they settled for Ronald Reagan and it has placed us in a situation that we can only look at like a B movie.

Come with us back to those inglorious days when heroes weren't zeros. Before fair was square. When the cavalry came straight away and all-American men were like Hemingway to the days of the wondrous B movie. The producer underwritten by all the millionaires necessary will be Casper The Defensive Weinberger no more animated choice is available. The director will be Attila the Haig, running around frantically declaring himself in control and in charge. The ultimate realization of the inmates taking over at the asylum. The screenplay will be adapted from the book called Voodoo Economics by George Papa Doc Bush. Music by the Village People the very military "Macho Man."

Company!!!
Macho, macho man!
Two-three-four. He likes to be well, you get the point.
Huuut! Your left! Your left! Your leftright, left, right, left, right!

A theme song for saber-rallying and selling wars door-to-door. Remember, we're looking for the closest thing we can find to John Wayne. Clichs abound like kangaroos courtesy of some spaced out Marlin Perkins, a Reagan contemporary. Clichs like, itchy trigger finger and tall in the saddle and riding off or on into the sunset. Clichs like, Get off of my planet by sundown! More so than clichs like, he died with his boots on. Marine tough the man is. Bogart tough the man is. Cagney tough the man is. Hollywood tough the man is. Cheap stick tough. And Bonzo's substantial. The ultimate in synthetic selling: A Madison Avenue masterpiece a miracle a cotton-candy politicianPresto! Macho!

Macho, macho man!

Put your orders in America. And quick as Kodak your leaders duplicate with the accent being on the nukes - cause all of a sudden we have fallen prey to selective amnesia - remembering what we want to remember and forgetting what we choose to forget. All of a sudden, the man who called for a blood bath on our college campuses is supposed to be Dudley God-damn Do-Right?

You go give them liberals hell Ronnie. That was the mandate. To the new Captain Bly on the new ship of fools. It was doubtlessly based on his chameleon performance of the past - as a liberal democrat as the head of the Studio Actor's Guild. When other celluloid saviors were cringing in terror from McCarthy Ron stood tall. It goes all the way back from Hollywood to hillbilly. From liberal to libelous, from Bonzo to Birch idolborn again. Civil rights, women's rights, gay rightsit's all wrong. Call in the cavalry to disrupt this perception of freedom gone wild. God damn itfirst one wants freedom, then the whole damn world wants freedom.

Nostalgia, that's what we want the good ol' days when we gave'em hell. When the buck stopped somewhere and you could still buy something with it. To a time when movies were in black and white and so was everything else. Even if we go back to the campaign trail, before six-gun Ron shot off his face and developed hoof-in-mouth. Before the free press went down before full-court press. And were reluctant to review the menu because they knew the only thing available was Crow.

Lon Chaney, our man of a thousand faces - no match for Ron. Doug Henning does the make-up - special effects from Grecian Formula 16 and Crazy Glue. Transportation furnished by the David Rockefeller of Remote Control Company. Their slogan is, Why wait for 1984? You can panic now...and avoid the rush.

So much for the good news

As Wall Street goes, so goes the nation. And here's a look at the closing numbers racism's up, human rights are down, peace is shaky, war items are hot - the House claims all ties. Jobs are down, money is scarce and common sense is at an all-time low on heavy trading. Movies were looking better than ever and now no one is looking because, we're starring in a B movie. And we would rather had John Wayne we would rather had John Wayne.

"You don't need to be in no hurry.
You ain't never really got to worry.
And you don't need to check on how you feel.
Just keep repeating that none of this is real.
And if you're sensing, that something's wrong,
Well just remember, that it won't be too long
Before the director cuts the scene yea."

This ain't really your life,
Ain't really your life,
Ain't really ain't nothing but a movie. [Refrain repeated about 25 times or more in an apocalyptic crescendo with a military cadence.]

This ain't really your life,
Ain't really your life,

 

 

FILME-B (Texto em Portugués)
Gil Scott-Heron

 

Bem, a primeira coisa que eu quero dizer é: Mandato (direito para governar) o meu cu!

Porque parece que muito embora nós tenhamos sido convencidos de que 26% dos votantes registrados, que não chega a ser nem 26% do povo norte americano, mas, estes 26% dos votantes registrados representam um mandato ou uma maioria. 21% votaram para Skippy e 3 ou 4% votaram para algum outro candidato que estava concorrendo.

Mas, há é! Eu me lembro! Neste ano que agora nós declaramos o ano do Shogun para o ano do Reagan (faz trocadilho dizendo Re-Gun), eu me lembro que eu falei sobre “reaganlumentação” disso (trocadilho unindo a palavra "Reagan" com "regulamentação"). Ele atuou como um ator "Hollyweird" (trocadilho com a palavra Hollywood e a palavra "estranho, esquisito ou louco"). Ele atuou como um liberal. Ele atuou como General Franco quando atuou como governador da Califórnia e, depois atuou como republicano. Depois ele atuou como se fosse alguém que iria votar para ele mesmo para presidente. E, agora nós atuamos como se 26% dos votos registrados fossem na verdade um mandato. Eu suponho que nós sejamos todos atores nisso.

O que aconteceu é que nos últimos 20 anos, a America do Norte mudou de produtor para consumidor e, todos os consumidores sabem que quando o produtor da o nome da música o consumidor tem que dançar no ritmo. Assim é que é. Nós costumávamos ser produtores bem inflexíveis e tudo mais e, agora, nós somos consumidores e estamos achando difícil entender a coisa. Os recursos naturais e minerais mudarão o mundo. Os árabes costumavam estar no Terceiro Mundo. Eles compraram o Segundo Mundo e determinaram um pagamento preciso para o Primeiro. Controlando os nossos recursos controlarão nosso mundo. Este país está surpreso com o jeito que o mundo parece agora. Eles não sabem se eles querem ser Matt Dillon ou Bob Dylan. Eles não sabem se eles querem ser diplomatas ou continuar a mesma política da diplomacia do pesadelo nuclear. John Foster Dulles não é nada mais do o nome de um aeroporto hoje em dia. (John Foster Dulles (25/02/1888 – 24/05/1959) entre os anos de 1953 e 1959 serviu com Secretário de Estado no governo do presidente Eisenhower. Ele foi uma figura significante na época da Guerra Fria, com uma postura sempre agressiva contra o comunismo mundial. John Foster é também creditado como tendo desempenhado um papel importante na CIA quando da derrubada do governo democrático do Iran em 1953.)

Esta idéia preocupa-se com o fato de que este país quer nostalgia. Eles querem voltar tanto quanto for possível, mesmo que seja tão distante quanto a semana passada, não para encarar o agora ou o amanha mas, para voltar atrás. E, ontem foi o dia dos nossos heróis do cinema cavalgando para o salvamento no último momento possível. Foi o dia do homem com o chapéu branco ou o homem com o cavalo branco ou o homem que sempre vem para salvar a America no último momento especialmente nos Filmes-B. E, quando a America encontrou-se com problemas para encarar o futuro, eles buscaram por gente como John Wayne. Mas, uma vez que John Waine não estava mais à disposição, ele se conformaram com Ronald Reagan e, isso colocou-nos na situação de que nós só podemos olhar nisso como sendo um Filme-B.

Venham conosco para trás para aqueles dias inglórios onde os heróis não eram zeros. Antes, quando justo era quadrado. Quando a cavalaria vinha imediatamente e todos os homens norte americanos eram parecidos com Hemingway, para os dias dos horríveis Filmes-B. O Produtor subscrito por todos os milionários necessariamente será Gasparzinho O Defensivo Weinberger, nenhuma opção animada está à disposição. O Diretor será Átila O Haig , correndo em volta freneticamente declarando-se no controle e comando. A criação máxima dos prisioneiros tomando o controle do asilo. O filme será adaptado do livro chamado Economia Voodoo escrito por George Papa Doc Bush. A Música será da banda Village People, o bem militar "Macho Man".

Companhia!!!
Macho, macho man!
Dois, três, quatro.
Ele gosta de estar bem, você entendeu.
Huuut! Sua esquerda! Sua esquerda! Sua esquerda direita, esquerda, direita, esquerda, direita!

Um tema musical para juntar o povo e vender guerras de porta em porta. Lembre-se que você está vendo a coisa mais próxima que nós conseguimos encontrar parecido com John Wayne. Clichês abundam como cangurus, cortesia de um chapado Marlin Perkins, um contemporâneo do Reagan. Clichês como o dedo com coceira no gatilho ou o cawboy esticado numa sela cavalgando vindo ou indo na direção do por de sol. Clichês como, suma do meu planeta antes do por de sol! Mais ainda, clichês como: Ele morreu de botas. O homem é um "Marine" durão. Bogard é um homem durão. Cagney é um homem durão. Hollywood é um homem durão. Chicote barato durão. E, o Bonzo é substancial. A última coisa em termos de vendas sintéticas: Uma obra prima da avenida Madison, um milagre, um algodão-doce político. Presto! Macho!

Macho, macho man!

Faça seus pedidos na America. E, tão rápido como Kodak, seus líderes duplicam com o ênfase sendo no nuclear, porque, de repente nós acabamos caindo presos numa amnésia coletiva, relembrando o que nós queremos relembrar e esquecendo o que nós escolhemos esquecer. De repente, o homem que causou um banho de sangue no nosso campus do colégio é supostamente o Dudley God-damn Do-Right? (Dudley God-damn Do-Right é uma forma de dizer "O Sr. Certinho". Esta frase refere-se ao Ronald Reagan que antes de ser presidente foi governador da Califórnia e governou com mão de ferro. A geração Woodstock odeia ele.)

Você vai dar para eles liberais o inferno Ronnie (Ronald Reagan). Este foi o mandato. Para o novo Capitão Bly no novo barco de tolos. Foi sem dúvida baseado na performance camaleônica do passado - como um liberal democrata como o cabeça da Studio Actor’s Guild (associação dos atores). Enquanto outros salvadores do celulóide estavam chorando de terror por causa do Macarthismo Ron ficou firme. (McCarthy fez um caça às bruxas no mundo das artes buscando comunistas). Isto vai lá para trás o caminho todo, de Hollywood à "hillbilly" (caipira). De liberal para 'libelous" (difamatório), de Bonzo para Birch, ídolo que nasceu novamente. Direitos civis, direitos da mulher, direitos dos homossexuais, tudo errado. Chamem a cavaria para romper com esta percepção de liberdade que ficou selvagem. Maldição, primeiro um quer liberdade, depois todo o maldito mundo quer liberdade.

Nostalgia, isto é o que queremos, os bons velhos tempos quando nós lhes dávamos o inferno. Quando a "grana" parava em algum lugar e você ainda podia comprar alguma coisa com ela. Para um tempo em que os filmes ainda eram em branco e preto assim como todo mundo. Ainda se nós voltarmos para o caminho da campanha, antes de "six-gun Ron" (Ronald Reagan) fechar a cara e desenvolver "hoof-in-mouth" (teto na boca). Antes da imprensa livre cair na frente da total imprensa da Corte que, estava insegura para ver o menu porque eles sabiam que a única coisa à disposição era "Crow" (corvo).

Lon Chaney, nosso homem com mil faces - nenhuma competição para o Ron (Ronald Reagan). Doug Henning faz a maquiagem - efeitos especiais do Grecian Formula 16 e Crazy Glue. Transporte fornecido pelo David Rockfeller da Companhia Controle Remoto. O slogan é: Porque esperar por 1984? Você pode entrar em pânico agora... e evitar o corre-corre.

Demais para boas notícias

Da forma que Wall Street cai, também cai a nação. E, aqui vai uma olhada de perto nos números: racismo subiu, direitos humanos diminuiu, a paz está balançando, os itens de guerra estão quentes, os pedidos de casas todos amarrados, trabalho diminuiu, o dinheiro está escasso e o comum senso nos negócios pesados nunca esteve tão baixo. Os filmes estão melhores do que nunca e agora ninguém está olhando, nós estamos estrelando num Filme-B e, nós preferíamos ter John Wayne, nós preferíamos ter John Wayne.

"Você não precisa ficar apressado
Você realmente nunca precisa ficar apressado
E você não precisa checar como você está se sentido
Apenas continue repetindo que, nada disto é real
E se você está tendo o precentimento, que alguma coisa está errada,
Bem, somente lembre-se, que isto não acontecerá por muito tempo
Até que o diretor corte a cena, yea!"

Isto não é realmente a sua vida,
Não é realmente a sua vida
Não é realmente nada mais do que um filme.

(O refrão é repetido mais ou menos umas 25 vezes num crescendo apocalíptico numa cadência militar.)

Isto não é realmente a sua vida,
Não é realmente a sua vida
Não é realmente nada mais do que um filme.


Me and the Devil (Eu e o Diabo)

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