Keith Moon A Droga Mata Mais Um (1978)

Keith Moon A Droga Mata Mais Um

O baterista frenético do conjunto The Who repetiu a viagem sem volta de Jimi Hendrix, Janis Joplin, Brian Jones, Jim Morrison e outros

por: Jamari França*

 

Fora do palco, Keith Moon foi sempre o mais extravagante dos músicos do conjunto The Who, um dos grupos ingleses da vanguarda do rock nos anos 60. Tinha apenas 21 anos quando escandalizou uma cidadezinha do estado americano de Michigan ao mergulhar numa piscina do Holiday Inn no volante de um luxuoso Lincoln Continental.

Ná última quinta-feira, um dia após ter anunciado o seu noivado numa festa oferecida pelo ex-beatle Paul McCartney, Moon foi encontrado morto pela noiva em seu apartamento de Londres. Estava com 31 anos de idade. Causa da morte: uma dose exagerada de drogas.

No palco, ele não era a maior estrela de seu conjunto, papel que sempre ficou para o legendário Pete Townshend, considerado um dos principais responsáveis pelo extraordinário êxito do grupo The Who, que passou a integrar há 14 anos. Tanto que uma das marcas do conjunto era precisamente a destruição promovida por Keith de seu kit ao final de cada concerto, quando chutava e pisava os tambores, os pedais e os pratos.

Nascido em Wembley, Inglaterra, ele era filho de um mecânico e uma empregada doméstica. Integrou primeiro um grupo denominado The Beachcombers, numa época em que também trabalhava como eletricista. Mas tinha apenas 17 anos quando foi convidado a se juntar ao The Who, como seu baterista. Esse conjunto se chamou primeiro The Detours, depois adotou o nome de The Who, em seguida passou a ser The Highnumbers e pouco mais tarde virou outra vez The Who. Moon entrou durante a segunda dessas quatro fases do conjunto, considerado o mais explosivo da geração que também produziu os Beatles e os Rolling Stones.

Individualmente, Moon gravou apenas um LP, “Two Sides od the Moon”, distribuído em 1974. Mas ele também trabalhou no cinema (inclusive na versão cinematográfica da mais famosa gravação do grupo, a ópera-rock “Tommy”). O último LP do conjunto “Who Are You?”, foi lançado recentemente, mas há uns três anos The Who não gravava. Considerado um dos melhores bateristas do rock (ao lado de Carl Palmer do grupo Emerson, Lake & Palmer, e de John Bonzo Bonham, do Led Zeppelin), ele tocava seu instrumento com fúria avassaladora, reflexo de seu gênio explosivo.

Keith tinha uma casa de vidro perto de Londres, montada sobre as ruínas de um mosteiro. Costumava operar pessoalmente um hovercraft, adorava dirigir o trator que usava para cortar grama (certa vez estacionou o trator em frente a um pub para tomar uma cerveja) e tinha uma coleção de Rolls Royces, inclusive um de cor lilás. Deixou uma filha de 11 anos, de seu primeiro casamento.

A dose excessiva de droga foi também – direta ou indiretamente – a causa da morte de outros astros do rock nos últimos 10 anos: Jimi Hendrix, Janis Joplin, Brian Jones, Jim Morrison e Cass Elliot – entre os mais famosos -, além do próprio Elvis Presley (também uma vítima das drogas, conforme depoimentos dos que com ele conviviam), tiveram a carreira interrompida da mesma forma.

Reportagem de Jamari França
Revista Manchete setembro de 1978

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A sueca Annette Walter-Lax ficou noiva de Keith na quarta-feira, numa festa oferecida por Paul McCartney. Na quinta, ela encontrou o corpo

 

O hábito do baterista Keith Moon de explodir casas de banho com fogos de artifício fez com que ele fosse banido das redes de hotéis Holiday Inn, Sheraton e Hilton até o fim de sua vida.


Pobre Keith Moon - ironicamente, ele que engolia e bebia tudo o que via pela frente, morreu a 7 de setembro de 1978 por tomar remédios devidamente receitados pelo médico.


TRECHO

Eu estava sempre encontrando o enfant terrible Keith Moon pela cidade. Mais do que qualquer outro astro, ele era conhecido pelos grandes exageros. Mesmo os Stones perdiam de longe na comparação. Eu gostava dele porque ele era muito divertido. Certa noite, Moon me deu seu apartamento, “só isso”, como diria o comediante Tommy Cooper. O aluguel do meu apartamento em Chelsea estava quase vencendo e, muito ocupado para prestar atenção a assuntos domésticos como renovação de contratos, de repente fiquei na rua. Isto coincidiu com os problemas de Jack Oliver e a esposa. Ela pediu a ele que saísse do apartamento, ou talvez ele mesmo tenha se decidido por sair. De qualquer forma, decidimos ir para o Speakeasy tomar uma bebida. A solução dos nossos problemas chegou de modo inesperado. Keith Moon estava lá e logo tomou parte em nossas reclamações.

“Meu querido, não se desespere”, disse Keith. “Eu tenho um apartamento na Highgate, acima de uma concessionária de veículos, bem prático se você precisar de um carro. Pode ficar com ele, Tone. Fica no número 32 da Highgate High Street. Aqui está”. E me entregou um molho de chaves.

“Ficar com ele, Keith?”, perguntei enquanto pegava as chaves. “O que quer dizer ficar com ele?”

“É seu, meu querido, e com tudo o que estiver dentro. É propriedade minha. Está mobiliado, você não vai precisar demais nada”. Eu olhei para ele desconfiado.

Livro Magical Mystery Tours escrito por Tony Bramwell com Rosemary Kingsland - Tradução Eduardo Rado.
Nele você lê o resto da história!

 

 

 

 

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