Síria Caminha para Guerra Civil


Síria: Caminhando para uma Guerra Civil
Escrito por Patrick Cockburn em 13 de fevereiro 2012
Traduzido por Antonio Celso Barbieri


Enquanto o exército sírio agrupa-se ao redor da cidade de Homs e sua artilharia bombardeia os bairros Sunni da cidade, Síria está entrando nos primeiros estágios de uma guerra civil sectária. Este conflito poderá ser tão sangrento como o acontecido entre 2006 e 2007 no Iraque ou, tão longo como o acontecido na guerra civil do Líbano de 1975 à 1990.

As duas palavras que mais corretamente descrevem o processo que está acontecendo na Síria são "lebanização" e "militarização" e, nenhuma destas palavras significa algo bom para o povo sírio.

Na cidade de Homs, "esquadrões da morte" do grupo Sunni e "esquadrões da morte" do grupo Alawi, o setor Shia que domina a elite Síria no poder, estão começando buscar suas vítimas nas comunidades opostas. Os Sunni dizem que estão sendo massacrados por bombardeios e os Alawi, por sua vez, exigem que os seus vizinhos Sunni seja bombardeados ainda mais intensamente. A Síria nunca foi um país homogêneo e está dia-a-dia fragmentando-se ainda mais.

Como esta fragmentação por si só não está derrubando o governo do Presidente Bashar al-Assad, as forças de oposição ao governo concluíram que a única forma de por para baixo o governo é militarizando a resistência. Na prática, isto servirá para aumentar ainda mais o derramamento de sangue sectário. Guerrilheiros sem experiência e desertores do exército sírio não conseguirão parar o avanço dos tanques. Muito provavelmente os lideres rebeldes sabem disto e sua real intenção é conseguir uma militarização suficiente para conseguir o apoio político que resultará numa intervenção internacional. Esta ideia poderá ser vendida como a necessidade da criação de "uma área neutra, de segurança, no noroeste da Síria, protegida pela NATO, para abrigar revolucionários e refugiados" mas, que na verdade será uma declaração de guerra.

Fora a possibilidade de uma séria divisão nas forças armadas sírias, a melhor chance das forças de oposição é convencer os poderes externos (internacionais) à embarcarem nesta aventura. Eles querem repetir o que aconteceu na Líbia. Os militares esfarrapados que capturaram finalmente Trípoli, sem o apoio aéreo próximo da OTAN, seriam derrotados em apenas alguns dias. Mas, convém lembrar que, a Síria não é a Líbia, suas forças armadas poderosas não se desintegraram ainda e, o mais importante é que a Síria não está isolada internacionalmente no mesmo grau que Gaddafi estava.

Naturalmente, os líderes internacionais sabem disto. Seus escritórios e serviços de inteligência no exterior lhes terão dito quão diferente estes dois países são. Contudo o exemplo de Líbia pode tê-los enganado à ponto de descartarem Assad prematuramente. Meses atrás, o ministro da defesa israelense, Ehud Barak, disse que o regime da Síria cairia dentro de semanas. O rei Abdullah II do Jordão disse que, se ele fosse Assad, renunciava só que, mais tarde pareceu que ele arrependeu-se do seu pronunciamento. Em dezembro, o Departamento de Estado dos EUA dizia que Assad era “um homem morto andando”.

Mas não aconteceu. Se fizermos um cálculo realístico, descobriremos que, Assad pode bem durar até 2014. As referências simplistas a sua isolação são exagerados. A votação acontecida no dia 4 de fevereiro no Conselho de Segurança da ONU que condenava o Presidente da Síria e pedia para ele que passasse o poder à seu deputado foi vetado pela Rússia e pela China. Obviamente, no ano passado, Moscou sentiu-se enganado quando o voto do Conselho de Segurança para proteger os civis de Benghazi, na Líbia, transformou-se em permissão para a OTAN começar uma guerra total para derrubar Gaddafi.

O que faz a crise na Síria tão intratável é que existem três crises dentro de uma. À um nível, trata-se de uma insurreição popular confrontando um estado policial brutal e corrompido que, começou em março quando as forças de segurança torturaram as crianças que pintam slogans contra o regime em uma parede na cidade de Deraa no sul do país. O estado ignorou desastrosamente o momento e a atrocidade que, pretendida intimidar protestadores e resigna-los ao silêncio e, em vez disso no lugar, provocou-lhes a revolta. Apesar dos perigos, o ódio de um regime despótico e a fúria contra massacres repetidos ainda, empurra um grande número de sírios para as ruas, para demonstrar.

Não há nenhuma dúvida da coragem deste povo mas,  sua luta  tem outras duas dimensões: O aumento do conflito entre os grupos Sunni e Shia e a batalha de 33 anos do Irã contra seus inimigos.

Muito embora, internacionalmente, na imprensa, o sectarismo da oposição síria seja ignorado e, jogado pela janela, é importante notar que o poder na Síria é distribuído ao longo de linhas sectárias, da mesma forma como se passa no Iraque, no Líbano e até na Irlanda. Mesmo que surgisse uma oposição anti-sectária, para a democracia na Síria significará uma perda de poder para os Alawites (Shia) e seus aliados e um ganho para grupo Sunni.

Dado que o grupo Sunni representa três quartos de uma população de 24 milhão de Sírios, seu acesso ao poder aparentemente não é uma coisa má. Infelizmente, muitos dos mais cometidos oponentes possuem nas suas mentes desejos de mudanças mais fundamentais do que simplesmente uma distribuição mais justa de poder entre as comunidades Sunni e Shia. Os revoltosos, onde o grupo Sunni é a maioria esmagadora, consideram cada vez mais que os Alawites, Shia e cristãos como heréticos que devem ser eliminados.

As reportagens na TV e muito do jornalismo internacional mostram uma visão distorcida dio problema, buscando retratar apenas um governo mau que oprime um povo heroico. Evidencia de que outras forças podem estar trabalhando estão sendo ignoradas. Um exemplo disto aconteceu na sexta-feira quando dois ataques suicidas atingiram postos de segurança na cidade de Aleppo, matando 28 pessoas e ferindo outras 235. A explicação óbvia é a de que os ataques suicidas foram feitos pelos Sunni, que estão operando na maior parte através do al-Qa'ida na mesopotâmia, os mesmos que estão atacado as forças de segurança Shia no Iraque e agora estão fazendo o mesmo na Síria.

Mas, os Sunni temendo que sua imagem moderada possa ser manchada, através do seu representante, rapidamente negaram qualquer participação dizendo que as explosões foram um plano esperto do governo Sírio para desacreditar a oposição. A BBC, o Al Jazeera e a maioria de jornais fizeram uma cobertura neutra, sem crítica às negações de responsabilidade da oposição com respeito estas explosões, dizendo que esta era uma questão em aberto.

Como na Líbia no ano passado, os rebeldes estão recebendo uma cobertura positiva na imprensa. A natureza cada vez mais sectária do conflito está sendo suavizada. A Síria está entrando de cabeça  em um conflito que dividirá o país e o seu povo ao meio.

Patrick Cockburn é o autor de “Muqtada: Muqtada al-Sadr, o renascimento Shia, e a luta no Iraque".

Barbieri comenta

Tudo indica, a política externa de dominação do Oriente Médio feita pelos Estados Unidos e seus aliados continua com força total. O Iraque caiu, o Afeganistão caiu e, mais recentemente, a Líbia caiu.  Agora faltam a Síria e Iran. Ninguém discute que o regime da Síria é despótico mas, convenhamos o da Arábia Saudita, um dos seus aliados, também é! A guerra contra o Iran é apenas uma questão de tempo. Sou contra qualquer país que seja controlado pela religião. Não gosto do radicalismo muçulmanico do Iran nem  do extremismo católico de direita dos Estados Unidos. Mas, não posso deixar de pensar que, a única coisa que impediria a invasão do Iran seria se eles tivessem uma bomba atômica. A ideia de que o Iran, se tivesse, usaria seu poder nuclear contra Israel é ridícula porque um ataque nuclear contra Israel contaminaria todos os países árabes da região e tornaria Israel inabitável. É curioso ver como a "carta do medo" é jogada pela imprensa internacional sempre esquecendo que já faz um bom tempo que o Paquistão, um país muçulmano tem a bomba. Enquanto existir um país no mundo com arsenal nuclear os outros países terão que se garantir. É uma questão de segurança. Sinceramente, acredito que o Brasil deveria ter esta opção já à muito tempo. Faria com que os Estados Unidos tirassem o olho gordo deles da nossa floresta amazônica.  Se a Argentina tivesse a bomba, os Ingleses já tinham tirado os seus pés das Malvinas à muito tempo. Acho lamentável que a imprensa não faça as perguntas corretas e que países tenham que gastar fortunas para garantir a sua proteção territorial. O problema com a proliferação de armas nucleares é que dia menos dia algum grupo realmente fanático vai conseguir acesso e imaginem só a destruição que poderá causar um grupo suicida carregando uma bomba atômica. A lógica diz que todo o arsenal atômico mundial deveria ser destruído! Bom, não acontecerá e o mundo caminha inexoravelmente para uma guerra conta o Iran que por sua vez mostra uma ignorância e arrogância suprema, não progride em termos de visão de mundo, não sabe ou não quer usar a imprensa a seu favor e seu presidente só abre a boca para falar besteira o que me leva à concluir que neste jogo de poder ninguém está certo! Enquanto isto Israel acusa Iran pelos recentes ataques à seus embaixadores em outros países e, senador norte americano diz que o Iran está colaborando com o regime Sírio com armas, munições e soldados. Aliás, estas acusações já foram feitas anteriormente com relação ao Iraque.  Realmente vejo com nojo esta atitude de arrogância fanática religiosa tanto do Iran quando de Israel de acharem que Deus os escolheu como raça, É inimaginável, do ponto de vista da simples lógica imaginar que se Deus existe e ele é um ser tão benígno como pregam que, ele não incluíria todos, os seres humanos, todos os seres vivos e o próprio planeta Terra nos seus planos.
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