A estrela da libertação da mulher

Senhoras! e Senhores! A estrela da libertação da mulher - a máquina de lavar roupas
 


 
Celso Furtado costumava dizer e escrever que a revolução mais importante do século XX foi a da mulher. Usou a expressão “revolução feminista”. Questionado à época se não teria sido a revolução bolchevique de 1917 respondeu que não lhe retirava o valor e nem a importância histórica, mas a “revolução feminista” em tudo e por tudo foi a mais importante.
 
Não é a opinião da REDE GLOBO, repleta de mulheres em formato de melancia, melão, abacate, abóbora, todas em carruagens que se desfazem à meia noite, assim que milhões de telespectadores decidem quem sai e quem fica no BBB. O anúncio é pomposo e feito por Pedro Bial. Tem experiência com trânsito em vários países e, certamente, conhece as vitrines de Amsterdã.
 
E tampouco a opinião do Vaticano. O órgão oficial da Santa Sé, L'OSSERVATORE ROMANO, publicou no dia internacional da mulher que a maior conquista feminina foi a máquina de lavar. A conclusão aconteceu depois de um acalorado debate entre várias tendências de opinião. Na edição do jornal é possível encontrar uma breve história da máquina de lavar, desde os primórdios do notável avanço da tecnologia, 1767, para concluir que é possível à mulher tomar um cappuccino e conversar com qualquer amiga, enquanto a máquina executa o seu trabalho. É só colocar um pouco de detergente. E pronto. Cachoalha tudo. E ainda enxágua e centrifuga. Resta inventar o robô que pendure as roupas.
 
Mas já já os japoneses darão um jeito nisso. Assim que a crise passar e numa dessas feiras futurista a um iene o ingresso e algo em torno de uns dois mil, você poderá comprar e presentear sua companheira, amiga, colega, com um robô que completa a máquina de lavar. Retira, sacode três vezes e então pendura a roupa em varais adrede preparados.
 
Nesse caso vai ser possível tomar dois capuccinos. E não duvidem, em breve também anúncio de marcas de cappuccino associadas à conquista da mulher, a máquina de lavar. Vão dizer em todas as telinhas do mundo que “seja mais livre tomando cappuccino tal”. É só não tomar o tal de “três corações”, que é de uma empresa de Israel, o resto tudo bem, dá para agüentar.
 
D. José Gomes Sobrinho, arcebispo de Olinda e Recife deveria liderar uma campanha para arrecadar fundos e comprar máquinas de lavar para todas as lavadeiras ribeirinhas da região de sua arquidiocese. A tarefa de colocar detergente seria passada de mãe para filha e os pais e padrastos teriam que ficar pelo menos dois quilômetros afastados para evitar qualquer problema mais grave. Se bem que estupro não é problema, problema é aborto.
 
O texto divulgado pela agência REUTERS e extraído do jornal oficial do Vaticano foi escrito por uma mulher e é um primor.
 
Ei-lo - "O que no século XX fez mais para liberar as mulheres ocidentais?", questiona o artigo, escrito por uma mulher. "O debate é acalorado. Alguns dizem que a pílula, alguns dizem que o direito ao aborto, e alguns (dizem que) o direito a trabalhar fora de casa. Alguns, porém, ousam ir além: a máquina de lavar."
 
Esse “ousam ir além” é uma revelação filosófica de relevância inigualável desde que Galileu Galilei percebeu que a Terra girava ao redor do Sol e não o contrário. Ainda que tivesse que engolir o que chamavam de geocentrismo. É o próprio “ergo sum est” de Descartes.
 
Eu, por exemplo, descobri, aposto que muitos, que a busca por proporcionar esse avanço à mulher vem desde 1767. Pós Renascimento. Ainda éramos colônia e Napoleão só viria a nascer dois anos depois. Decapitaram Maria Antonieta por engano. A pobre senhora só recomendara às lavadeiras de Paris – ou de Portugal, na voz de Amália Rodrigues – que comessem brioche ao invés de pão se o farináceo estava em falta.
 
E como estava.
 
Nem Júlio Verne
 
Por curiosidade, já que nada acontece por acaso, a palavra fado vem do latim e significa “destino”. No centenário de Ataulfo Alves que não tem nada a ver com isso e nem Amélia, que se prestarmos bem atenção à letra de Mário Lago, é o oposto do que imaginam.
 
Que me perdoem a comparação, de certa forma grosseira, mas há uma história sobre arqueólogos que encontram uma língua humana no século XXX e ficam matutando o que seria aquilo, até que Matusalém se materializa e proclama – “órgão sexual usado pelos antigos” –.
 
No século XXV, antes do século XXX, os sobreviventes irão se perguntar o que seria o esqueleto de um suposto humano do século XXI e não vai haver necessidade de nenhum Matusalém. Basta um espelho. Objeto construído e moldado pelo capitalismo a partir de uma telinha que era possível ser encontrada em todas as residências ou assim ditas, onde Willian Bonner, um anjo descido das profundezas, é possível descer das profundezas nesse caso, vendia a idéia que o banco do Ermírio de Moraes estava a um passo de inventar que além de pendurar a roupa. Dobrava, passava e ainda guardava e, se adequadamente programado, vestia e desvestia. Os cofres públicos.
 
O robô que tentaram inventar para amar deu um chilique, destrambelhou e não se sabe se conseguiram chegar um bom termo. Mas a conquista da máquina de lavar essa é irreversível.
 
Sabe aquela história de Ivo Jima? Aquela que os caras fincam a bandeira dos EUA depois de uma luta encarniçada contra os ferozes soldados de Hiroito e depois se revelou ser uma tremenda farsa, pura propaganda?
 
É por aí.Santa Brastemp, Santa Cônsul, Santa Eletrolux e um monte de detergentes querendo o privilégio de fazer parte dessa procissão miraculosa.
 
Entendi agora o “lavar mais branco”, o “tirar todas as manchas”. Pureza, castidade renovada a cada lavada.
 
E um cappuccino com a amiga, ou com as amigas, depende da capacidade de devoção à máquina.
 
Os caras aqui embaixo não arranjaram um bezerro de ouro enquanto Moisés aguardava a tábua dos dez mandamentos? Não continuam adorando até hoje?
 
Isso deve ser um complô para desmoralizar o termo revolução. Com certeza. E ainda mais depois que o “general” Nelson Jobim disse que vai autorizar a Colômbia a invadir o território brasileiro para acabar com as FARCs. Num raio de cinqüenta quilômetros do nosso espaço aéreo.
 
Pasmem-se! É ministro de Lula. Já as máquinas você encontra na versão seis ou nove litros e se tiver uma lavanderia, a industrial. Jobim não. Custa uma nota, mas está disponível. É algo como a máquina de 1767. O novo é Gilmar Mendes.
 
O bobo é Lula.
 
E quem paga a conta somos nós.

Laerte Braga

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