O que os índios do Perú tem a ver com os estudantes da USP?


O QUE OS ÍNDIOS DO PERU TÊM A VER COM OS ESTUDANTES DA USP?
 
Laerte Braga


 
 
O presidente Alan Garcia determinou à semana passada o maior massacre já cometido na história do seu país desde os tempos da colonização espanhola contra o povo indígena. Garcia quer abrir parte da Amazônia peruana para o que chama de desenvolvimento. Exploração de petróleo e riquezas minerais essencialmente.
 
O xis da questão é que toda essa riqueza resultará em benefício algum para os peruanos, sejam índios ou não. Garcia quer entregar aquela parte do seu território a empresas estrangeiras, norte-americanas principalmente, depois de um acordo bi-lateral de livre comércio com o governo dos EUA. Inclui, no seu projeto, uma base militar.
 
Alan Garcia e Álvaro Uribe são presidente corruptos, envolvidos em assassinatos de lideranças políticas adversárias e ligados ao narcotráfico. Peru e Colômbia em várias oportunidades foram denunciados pelo Departamento de Combate às Drogas dos EUA por conta das ligações de seus presidentes com os grandes cartéis do tráfico de drogas.
 
Quando o general Garrastazu Médice era “presidente” do Brasil, indicado pelas forças armadas que controlavam o País no mais brutal regime de nossa história, o presidente dos EUA era Richard Nixon. Advertido por funcionários do Departamento de Estado que o governo Médice violava sistematicamente os direitos humanos, que a tortura corria solta nos quartéis brasileiros, que lideranças de oposição estavam sendo assassinadas, respondeu assim ao assessor – “é uma pena, mas fazer o que? O presidente do Brasil é um aliado. Vamos fingir que não vemos” –.
 
A frase de Nixon veio a público quando os documentos de seu governo igualmente vieram a público como determina a legislação daquele país.
 
A ação de policiais militares de São Paulo – chamam esse bando de vândalos de Força Pública – contra estudantes, funcionários e professores da USP ultrapassou as raias da barbárie. Bestas humanas com escudos, armas, bombas, cassetetes invadindo uma universidade e espancando a torto e a direito. A determinação partiu do governador do estado José Serra.
 
O secretário de Educação do governo Serra é Paulo Renato. Foi ministro da Educação do governo FHC por oito anos e sua tarefa era – cumpriu – desmontar o ensino público no País e privilegiar o ensino privado – É deputado e virou deputado com farta contribuição de empresas privadas do setor de educação. Foi chamado por Serra para cumprir semelhante tarefa em seu governo.
 
Ditadura e Serra combinam ponto por ponto, a despeito do governador em tempos passados ter tido militância à esquerda. Foi comprado. Isso mesmo. Comprado, literalmente. Além de subordinado aos grupos políticos e econômicos mais corruptos e podres do Brasil é, em si, corrupto e podre, além de ser, hoje, um grande empresário através de laranjas – tem participação em empresas de medicamentos genéricos –.
 
Conseguiu juntar em São Paulo algumas das figuras mais repulsivas da política brasileira, caso do ex-honesto Roberto Freire, presidente do PPS. Roberto Freire deputado e senador de vários mandatos no Congresso, com aposentadoria integral, é hoje conselheiro a 12 mil reais por mês de uma arapuca em São Paulo. Arapuca pública é óbvio.
 
Prepara-se para tentar o seu grande salto. Tomar de assalto – sem trocadilho – o governo do Brasil nas eleições de 2010 e fechar negócios semelhantes aos que Alan Garcia está fechando no Peru com empresas dos EUA. A maior parte da Amazônia está em território brasileiro e a senadora Kátia Abreu, do DEM, relatora da medida provisória 458 que legitima a grilagem e as terras ocupadas por grandes grupos com falsificação de documentos e compras de tabeliões em cartórios, é outra parte de um processo que, como um todo, tem o objetivo de transformar o Brasil numa grande roça de cana, casa da mãe Joana.
 
Ela própria dona de grandes extensões de terra em Tocantins.
 
Quando o atual presidente dos EUA em discurso de fez no Cairo estendeu as mãos aos muçulmanos, entre outras coisas, estava tentando enfraquecer e conseguiu, o poder eleitoral do Hezbollah no Líbano e abrir espaços para a derrota do atual presidente do Irã nas eleições desta sexta-feira, dia 12 de julho.
 
Noutro discurso, assim en passant, como quem não quer nada, usou a expressão ALCA, sepultada desde a reação de governos democráticos e populares da América Latina.
 
Todos esses fatos têm um ponto em comum. O avanço sistemático, contínuo e sem escrúpulo algum do neoliberalismo, apesar da crise do modelo e até pela crise, pois a maior potência do mundo necessita de sugar cada vez mais países como o Brasil, o Peru, a Colômbia e outros, para sustentar-se e sobreviver.
 
Qualquer obstáculo, por menor que seja tem que ser removido à força. Sejam trabalhadores numa ocupação em Belo Horizonte, a DANDARA, é só acertar o jogo de cartões vips com um desembargador acertável – digamos assim – ou sejam estudantes em São Paulo, ou índios no Peru, ou trabalhadores rurais sem terra na Amazônia brasileira. Ou o Homer Simpson cá embaixo que nem formiga acreditando estar num mundo real porque calça Nike e come sanduíches do McDonalds.
 
Em caso de emergência Gilmar Mendes, presidente da STF DANTAS INCORPORATION LTD pára o seu carro, estaciona, na vaga reservada a deficientes.
 
Esperar que a mídia denuncie toda essa corja é sonhar com fadas e duendes. A mídia é parte deles. A simples decisão da PETROBRAS de montar um blog para informar diretamente à população todos os seus procedimentos em todos os seus setores, enfurece essa gente, pois coloca frente a frente a mentira com a verdade.
 
Não são fatos isolados. São parte do processo que se vai impondo goela abaixo das pessoas e não foi por outra razão que William Bonner chamou o telespectador padrão, na verdade o alvo padrão das mentiras globais e da mídia como um todo, de Homer Simpson. É mais que isso, é fabrica de Homer Simpson. Há quem ache engraçado, ou seja, esteja no último estágio do ato de ficar de quatro.
 
Lula tem uma grande parcela de responsabilidade nisso. Se foi capaz de criar o que chama de “pilares econômicos estáveis”, não foi capaz de criar condições seguras para que o Brasil ganhe uma cara própria e seja senhor de sua soberania e seu território. Os tais “pilares” obedecem a lógica dos donos.
 
O pré-sal está sendo levado pelas empresas norte-americanas e suas subsidiárias européias.
 
Há uma discussão em torno de um plebiscito sobre um eventual terceiro mandato do atual presidente. Não passa por aí a questão mais importante. Passa por um compromisso explícito dos grandes partidos de esquerda, no caso do PT – supostamente de esquerda e o maior deles – em torno de um “projeto Brasil”. A expressão é de Lula e foi usada na campanha de 2002.
 
Um compromisso dessa natureza não pode envolver alianças com políticos venais como José Sarney. Não pode incluir entre eventuais hipóteses para a sucessão presidencial o tresloucado governador de Minas.
 
Como não se pode abrir espaços para que Serra seja ele o presidente e acabe de vez com qualquer perspectiva de Brasil como tal.
 
Passa por perceber a falência do Estado. Entender eleições como instrumento, meio e não fim no processo de construção da democracia popular e que por ser popular, há que ser resultado de uma nova combinação de forças, ou pacto social como gostam de dizer, que inclua a participação dos brasileiros.
 
Uma realidade dessa não vai ser obtida com um terceiro mandato, nem com a eleição de A ou B (mas certamente será pior com Serra ou o maluco do Aécio).
 
Quando a GLOBO joga para o ar toda a sujeirada do Congresso Nacional não está nem um pingo preocupada com a corrupção, pois transpira-se corrupção em cada corredor global, é parte intrínseca da rede, como da mídia dita grande.
 
Está apenas fazendo o jogo de cena para introduzir no cenário figuras sinistras como o governador de São Paulo. Tipo a caravana da cidadania montada em mentiras jogadas por terra pelo governador Requião – e com o dedo no nariz dos mentirosos – ou os falsos dossiês montados às pressas.
 
O dilema do cidadão brasileiro é simples. Resistir e sobreviver como tal, ou virar rês no mundo do espetáculo que essa gente proporciona.
 
Índios no Peru, estudantes, funcionários e professores na USP, sem terras em todo o País, ocupantes do Céu Azul, DANDARA, reagem e lutam. Governos como o de Chávez, Morales, Lugo, Ortega, o de El Salvador, o de Corrêa no Equador se impõem como forças da vontade popular.
 
E assim o do Irã. O povo palestino não é massacrado por terroristas de Israel só pela bestialidade do nazi/sionismo. São os “negócios”. Gaza está sendo reconstruída com tijolos de barro feito em fundo de quintal na coragem e determinação de um povo.
 
A coisa corre por aí. Se juntarmos as pontas – várias – desse novelo vai ser fácil perceber que é tudo um amontoado só de barbáries e atrocidades capitalistas.
 
A luta é de resistência e nem importa que seja a minoria a lutar. Azar da maioria se acredita nessa “normalidade”. Nesse “mundo real”. Os caras vão vender toneladas de anti depressivos para essa gente, ou um monte de Edir, falo do Macedo, vai ajudar todo mundo a safar-se.
 
Se a coisa apertar faça uma plástica e um monte de papagaiadas num vídeo, mande para a GLOBO, já está selecionando o gado para o BBB-10.
Resistir é fundamental. Nunca aceitar a borduna de bestas humanas como os policiais de São Paulo. São só robôs, como os militares peruanos, os soldados de Israel e assim por diante. E querem que todos sejamos robôs.

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