2009: Woodstosko!

‘WOODSTOSKO’ – UM FESTIVAL À MARGEM DO GRANDE FESTIVAL

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Terror Revolucionário em ação no Woodstosko, agosto, 2009
Foto: ©Sandro Alves

 • Valdez  Barbarella • Terror Revolucionário • Guariroba Blues • Zezinho Blues  Lu Blues

15 ago. / 2009 - Há cinco meses, eu comecei a trabalhar no projeto Woodstosko. Em anos recentes, nós realizávamos dois festivais por ano, um no primeiro semestre e outro no segundo. Quando internos, os festivais dentro de nossa casa eram muito mais fáceis de organizar, pois o som não vazaria e viria um número menor de convidados. Convidados é um eufemismo de fraternidade, pois eles sempre participaram direta ou indiretamente, ou seja, trazendo a alimentação, cozinhando, limpando e se responsabilizando pelo que aconteceria.
Neste ano, que marca os 40 anos do Festival de Woodstock, e com a grana ficando cada dia mais curta, estava decidido que seria um único rock, a 15 de agosto.
Financeiramente, o problema da infraestrutura: restaurar o piso de madeira, as pinturas, aparar a grama e fazer a jardinagem. Alternava entre a enxada e a pá, o pincel e os pregos. Era a minha terapia. Só iria ao dentista, renovaria a carteira de motorista ou resolveria problemas com cartões depois do Woodstosko! Paguei diárias a dois ajudantes: Raimundo e Manelinho.
No calendário, o 15 de agosto foi se aproximando, e as reuniões acontecendo. O que me enchia o saco foi que as pessoas nem sempre estavam disponíveis, com os próprios problemas para cuidar. Sentindo-me meio injustiçado, encontrei paz na voz do bluesman Mississipi Fred Mcdowell! Já na primeira faixa, ele mandava o diabo pegar o beco. Tudo seria resolvido uma semana antes, ou na hora, e eu não sei viver assim. A ansiedade me dita a necessidade de antecipar, preparar, planejar e expor. É claro que os problemas surgirão. Classificam-me como “mandão”, “resmungão”, ou dizem que o que eu faço é direção. Na minha cabeça, sempre ouço a frase “ninguém sabe o que eu respiro”!

Do Próprio Bol$o agradece aos músicos, fotógrafos e público. Sem vocês, sem som, sem cor e sem movimento

Uma invenção da própria cabeça é muito mais fácil realizar e racionalizar. Você sabe identificar as limitações, sabe conter as especulações. Agora, quando entram outras cabeças, outras vaidades, alguém tem que conduzir o processo. O gigantismo que a coisa assumia me assustava.
A primeira exigência cumprida foi o convite, que se assemelhava a uma cartela de ácido, impressa em vinil. Como contrapartida, o pessoal se animou, e as irmãs Campanella começaram a pintar o caminhão. As sessões de pintura foram tão gratificantes que foram repetidas, e conseguimos pintar 90% da carroceria, a parte externa do palco.
O primeiro músico contatado foi Robson Gomes, guitarrista da Barbarella. Ele logo aderiu ao projeto: a ele(s) competiu participarem e ceder a aparelhagem de palco. Na esteira, vieram Fellipe CDC, vocalista da Terror Revolucionário, que alugou o amplificador para contrabaixo, e que ainda indicou o trio Valdez, que trouxe o amplificador de guitarra. Fellipe CDC é abstêmio e Grande batalhador do underground. Somos amigos há mais de 20 anos, e esta foi a primeira vez que pedi a sua banda que agendassem comigo, para o dia 15 de agosto, O Woodstosko.
O trio Valdez abriu Woodstosko com uma versão instrumental para “Moby Dick”.
Thomé, o contrabaixista, é Uma figura mitológica do underground Ceilandense. No final de 2006, ele apareceu na frente do Blues Pub e me pediu cinco pratas para ver a Patrulha do Espaço. Eu não sabia que Thomé e Marta Benévolo eram amigos. Num curto espaço de tempo, Thomé de fã passou também a amigo do ídolo Rolando.
Rolando Castello Júnior já havia tocado horas e horas em vários cômodos da nossa casa, e em várias situações, a exemplo do meu aniversário. Já tinha pisado várias vezes no palco do caminhão, mas nunca tinha tocado lá. Nossos amigos sabiam quem ele é, só que nunca o tinham visto em ação. Foi então que Rolando fez uma brincadeirinha com a Guariroba Blues. Nessa brincadeirinha, eu o vi mostrando uma técnica de pedal, nova para meus ouvidos, que me impressionou demais.

Revivendo Raul Seixas

Do Próprio Bol$o convidou o fiel e esforçado, humilde e excitado Zezinho Blues para reviver Raulzito, e ele por sua vez traria Lu Blues para uma performance sexual e primal. Zezinho Blues é o terceira músico com o maior número de apresentações em nossa casa: nos últimos 20 anos, ele esteve em várias oportunidades.
Zezinho Blues é incansável e generoso, e na hora da porrada é o único cara com quem eu poderia realmente contar.
Na semana do Woodstosko, passei a beber no mínimo três latinhas de cerveja depois do serviço, mais os cigarros de nicotina. Meus nervos estavam à flor da pele, e eu apareci no apartamento do Rolando para pedir um medicinal, e assim dar um tempo na caretice, que me esgotava. Qual caretice?
A caretice das exigências. A ressurreição da República da Cocanha, onde não temos que lutar para nada, afinal “somos convidados”, e “músicos não pagam”.
Na minha mente, eu emendava: “Também não levam.” Aliás, sempre houve os caras que enchem a cara e não levam as suas cervejas, não trazem os seus instrumentos, e ainda ficam à espreita de cachê. Esses caras não respeitam a Lei do Silêncio, são insaciáveis, e ainda ficam perigosos e indóceis próximo às 22h. Ou pouco antes, quando ficam sem cerveja. Pensam que o anfitrião tem que escalá-los, em cima da hora, e ainda tem que servir vistosos drinks. Pro inferno, velho!
Durante o Tributo a Raul Seixas, Zezinho Blues, Lu Blues e Renato dividiram o palco com Thomé, no contrabaixo, e Alessandro Barros, na bateria.
Ser Do Próprio Bol$o é fazer as nossas partes, fazer o nosso som. Ninguém gosta de pagar cerveja fora desse esquema. Música não serve só para cobrar 10% – na casa de shows o músico chega, liga o instrumento, é pago, é silencioso, e tem que voltar no dia seguinte.

Sabores e dissabores

Durante Woodstosko, ficou patente que o site Do Próprio Bol$o não é conhecido.

“Você faz isso há 25 anos?” “Não, há 27 anos!”
Não sou político profissional, e também não sou antídoto às mazelas culturais que por aí estão. Minha geração está no poder, e veja o que eles estão realizando. Do Próprio Bol$o nunca será associado a político.
Oferecidamente, passei um correio eletrônico coletivo “engraçadinho” chamado “últimos detalhes sórdidos para Woodstosko”, e como resposta me perguntaram a confirmação, a data e o local, e se poderia ser publicado no jornal Correio Braziliense. Como em outras oportunidades, confirmei. Fiquei feliz de orelha a orelha, quando li a nota na sexta-feira no Fuzzbox. Já a reação da minha cunhada foi diferente e normal: “Você não está com medo?”
É claro que a rosquinha estava no forno: o banheiro é dentro de casa! Além da equipe fixa do projeto, das 140 filipetas distribuídas, havia um leque de 60 convidados, fora os convidados dos músicos. E agora uma nota no Correio Braziliense divulgava que o show na República da Cocanha era grátis.


O segurança contratado faltou, e eu assumi a função. Foi tudo bem, só perdi a cabeça às 22h, depois de 7 horas de som... E ouvirmos parte do Bolero de Ravel, execução do André Viegas, irmão caçula do “Podrão”, e de Carlos “Barata”. Eu sugeri rolar o tronco para perto da fogueira, e pegarem o violão.
Algum engraçadinho respondeu: “Pra queimar o violão?”
De cara fechada no palco, eu disse outro pecado: “Não segue o script, está fora do filme.” Zéantônio me questionou: “E aí, Glauber?” “Glauber não seguia script!”
Apropriadamente, e merecidamente, Zéantônio me mandou tomar no monossílabo. E eu calei. Nem liguei que o Zéantônio chegou no final doidão e sem cervejas, afinal de contas ele era um convidado especial da Ilha da Cocanha!
Fiquei ainda no palco esperando o pessoal carregar a kombi com a aparelhagem, para apagar as luzes. Quando voltei à churrasqueira, havia um clima de que a farra continuaria na forma de acústico. Novos visitantes haviam chegado. Eu tive que explicar: o vizinho tem criança, amanhã ele vai à Igreja, e eu não quero uma visita da polícia.
Neste condomínio, onde aconteceu Woodstosko, o telefone celular só abre o portão da entrada até a metade. Não há interfone, nem porteiro, e num armistício eu consegui que o portão ficasse aberto até as 22h. Inicialmente o projeto era que Woodstosko só receberia aqueles que já haviam pisado lá.

Finalizando

Carlos “Barata” e André Viegas nas suas flautas doces encerraram Woodstosko com um pedaço do Bolero de Ravel.

Woodstosko foi um festival inesquecível. Eu paguei o preço de ser o Louco da Cocanha. Minha mulher pagou outro preço por me amar e viver comigo.
Meus amigos não falharam, nem na última hora. A bem da verdade, eu dispersei o povo, porque a cerveja havia acabado, e parte da aparelhagem era alugada só até as 22h. Mas os personagens da Cocanha desconhecem os códigos.

Foi pacífico?

Foi. Só que eu não tinha mais meu primo Dean Pacheco e nem nosso amigo Rodrigo Souves, que foram embora mais cedo. E Raimundo, que havia pregado as tábuas do piso do caminhão no início da história, apareceu para assistir Vasco e Portuguesa.
E prestou outro grande serviço, pois era um amigo dentro de casa, das 16 às 18h.
No início do caos, desce um anjo barbudo, chamado Sandro Alves, que me acompanhou de sábado às 16h até o domingo, e graças a ele foi feito um registro magistral do que rolou.
A única certeza: Woodstosko não se repetirá em condições amadoras.

Articulando as bandas

Repetem que eu sou “mandão”. Depois das 15h, pedi ao trio Valdez que passasse o som e abrisse o evento. Foi quando descobriram que a caixa alugada para o contrabaixo estava com defeito.
Era grande a expectativa de que Rolando Castello Júnior participasse. Fiquei monitorando os relógios e a movimentação dos membros da Guariroba Blues, e os empurrando para a frente do palco, a fim de que as coisas acontecessem, e aconteceram.
Geralmente, parte do pessoal da Barbarella se junta ao Zezinho Blues, e o Thomé também faz os vocais. Só que a Barbarella havia mudado de baixista, e o atual tinha saído mais cedo. Um pouco antes eu havia sido rude com o baixista André, da Rumores de Garagem, pois achei que ele não poderia tocar com o Zezinho Blues. Mas depois liguei no celular dele e lhe pedi que acompanhasse o nosso artista. E ele topou!

A galera feminina curtiu muito a apresentação da Lu Blues

Janelas estratégicas foram usadas para colocar no palco a cantora Lu Blues, e na sequência a dupla de flautistas André Viegas e Carlos “Barata” tocou, inclusive pela primeira vez, na apresentação improvisada.
Finalmente Rolando no Woodstosko! Coube à Guariroba Blues executar, para o gozo geral, “Born to be wild”.
Na já esperada apresentação longa do Zezinho Blues, André Viegas participou tocando a flauta doce. E ainda executaram “Soul sacrifice”, que surpreendeu pela pegada poderosa do instrumental. Quem estava na bateria era o Tiago Rabelo.
Robson e Sérgio tocaram guitarras muito bem. André foi beber água... e Thomé segurou o contrabaixo. D’Alessandro cedeu o banco da batera a Tiago. Marta Benévolo cantou com Zezinho Blues e Guariroba Blues. Lu Blues também cantava.

Num céu escuro com estrelas, Woodstosko se aproximava do final.

Quem esteve em ‘Woodstosko’

Vieram várias meninas bonitas, e uma jovem de cabelo colorido chamava mais a atenção de todas. Ao final, não soube quem era. Motoqueiros dos Cafajestes, de Juiz de Fora, amigos do Leonardo. Serginho, da Mel da Terra. Flávio e Tina, Renato Rhugas e esposa, a sempre gentil Adriana e Robson. Os amigos do “Podrão”
– e o mais feliz deles era o seu irmão André, que entendeu perfeitamente que o objetivo contracultural para ser atingido não carece de muita grana! A exemplo dos 32 mil reais – entendeu, véi? – que o Marcelo Nova recebeu para tocar na Ceilândia, na mesma noite.

“Podrão” fez uma curta participação agitada, ao lado da Terror Revolucionário, tocando Ratos de Porão. Saiu muito aplaudido. Foi a primeira vez que “Podrão” e Fellipe CDC dividiram o palco. Nos eventos em que “Podrão” aparece, a sua mitologia o acompanha. Espero melhor poder atendê-lo, quem sabe até ter uma banda com guitar hero para acompanhá-lo. Mas acho que tudo valeu, só não sei se aceitaria ser como Glauber, e não seguir um script, pois não tenho a grandeza do combativo baiano.

– Quem são os últimos quatros garotos que chegaram depois das 23h e deram carona a Fellipe CDC à cidade de Taguatinga?
Essas linhas registram a loucura e a apreensão que me acomete quando me meto a fazer esse tipo de coisa. Existe o diário digital, e pensei que poderia livremente utilizar a página principal do meu site, mas esse expediente trouxe conflito para Do Próprio Bol$o. O que eu queria evitar.

Aprendi que ninguém que sofre de ejaculação precoce ou expressa logorreia se serviria de Diário, afinal é necessária paciência para o gozo, para as preliminares, e eu já gosto logo é de ver!

 

Em torno da fogueira outra célula de ação - Foto: Marcinha

   

Preliminares

8 de agosto
Inevitavelmente os últimos acertos sempre ficam para a reunião final, a hora em que as exigências confrontam as necessidades.

1º de agosto
No momento crucial ou a hora da verdade e o pega pra capar, Kléber Marques (cartunista) e Eron atendem à convocação extraordinária!

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kleber na escada; Eron é espiritual: ele certifica: a coisa acontecerá...

Domingo

Passeio imperdível: a Barca Cultural atravessou o Lago Paranoá com a poesia de Carlinhos Piauí. Posteriormente faremos um artigo sobre a Barca Cultural.

Sábado

Rodrigo Souves apareceu para fotografar o caminhão. Apesar dos convites ficamos impossibilitados de assistir a Brazilian Blues Band com Celso Blues Boy! Estamos devendo essa!

Sexta-feira, 24 julho

Podrão acertou os detalhes da sua apresentação juntamente com a Face do Chaos... Ainda nesta sexta-feira, via telefone, Júnior da Patrulha do Espaço confirmou sua presença. Detalhes: tanto Júnior como Podrão adoraram o nome Woodstosko!

   

22 julho

Sob o sol escaldante do centro-oeste e a baixa umidade do ar. O caminhão dos shows recebeu carinho feminino e pinceladas: Ana Luíza, Rosângela Menezes e Vanesca e Valéria Campanella deixaram suas impressões e gargalhadas, assegurando presença e brilho no dia 15 de agosto. Leonardo a quem eu chamo de "Glauber" também pintou o painel à esquerda. Estamos esperando a participação de todos... E rola a bola

Memórias precoces de Woodstock, dez anos depois

 

 

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